quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Agostinho via Ratzinger: Assim como na Igreja Católica pode-se encontrar o que não é católico, assim também fora da Católica pode haver algo de católico


Bento XVI disse isto no Angelus de domingo passado, ecoando as leituras das missas de domingo, que falavam de gente que andava a profetizar sem a autorização de Moisés e de gente de fora do círculo de Jesus que expulsava demónios em nome de Jesus, deixando incomodados os seguidores mais próximos:               
"Assim como na Católica – isto é, na Igreja – pode-se encontrar o que não é católico, assim também fora da Católica pode haver algo de católico" (Agostinho, Sobre o batismo contra os donatistas: PL 43, VII, 39, 77). Por isso, os membros da Igreja não devem sentir ciúmes, mas se alegrar se alguém externo à comunidade faz o bem em nome de Cristo, contanto que o faça com reta intenção e com respeito. Mesmo dentro da própria Igreja pode acontecer, às vezes, que se custe a valorizar e a apreciar, em um espírito de profunda comunhão, as coisas boas realizadas pelas várias realidades eclesiais. Em vez disso, todos devemos ser capazes de nos apreciar e estimar reciprocamente, louvando o Senhor pela infinita 'fantasia' com a qual ele age na Igreja e no mundo."
Comentário de Christian Albini no blogue Sperare per Tutti:
Essas palavras de Bento XVI, pronunciadas durante o Ângelus desse domingo, pertencem àquela parte do seu magistério que muitos de seus laudatores mais entusiastas parecem esquecer. São os intransigentes da identidade e do exclusivismo. Não querem admitir que o Espírito está presente fora das fronteiras eclesiais, gostariam de cercá-lo, de reconduzi-lo à sua própria medida. 
Se palavras desse tipo, que, de fato, são uma paráfrase do Evangelho desse domingo, são ditas pelo papa, no máximo são ignoradas. Se, ao contrário, são ditas por outros, acusa-se-lhes de querer se comprometer com o "mundo" e de relativismo. Isso aconteceu e acontece com muitos expoentes de um catolicismo mais aberto e dialogante.
Copiei daqui. Em italiano pode ser lido aqui.

2 comentários:

riki jorden disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
SilverTree disse...

O comentário de Christian Albini parece-me realmente pertinente.
No meu caso notei-o de forma contundente depois da visita de Bento XVI a Portugal. Dizia António Marujo no Público, uns dias depois da visita papal, que "o que vai sobrar desta viagem está nas mãos dos católicos". Pessoalmente constatei que nem um dos meus conhecidos, daqueles que mais apresentaram histeria à passagem do papa, pegou num único discurso ou homilia feita cá; não vi nem um eco de tais textos nas pessoas, paróquias, movimentos, grupos de jovens e afins de que sou próxima. Passagens tão marcantes como:

"Também isso sempre foi sabido, mas hoje o vemos de um modo realmente terrificante: que a maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja, e que a Igreja, portanto, tem uma profunda necessidade de re-aprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender por um lado o perdão, mas também a necessidade de justiça. O perdão não substitui a justiça."

"Prezados amigos, há toda uma aprendizagem a fazer quanto à forma de a Igreja estar no mundo, levando a sociedade a perceber que, proclamando a verdade, é um serviço que a Igreja presta à sociedade, abrindo horizontes novos de futuro, de grandeza e dignidade. (...) É por isso que a Igreja a procura, anuncia incansavelmente e reconhece em todo o lado onde a mesma se apresente."

"Colocou-se uma confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções; mas que acontece se o sal se tornar insípido?"

"Mas, se esta certeza nos consola e tranquiliza, não nos dispensa de ir ao encontro dos outros. Temos de vencer a tentação de nos limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos ter, de nosso e seguro: seria morrer a prazo (...) hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência dos povos."


foram tacitamente esquecidas assim que a viagem se findou.

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