domingo, 2 de setembro de 2012

Cardeal Martini. Últimas palavras


Um texto no “Público”, só online, recorda o cardeal Martini. Excertos:
A edição deste sábado do jornal "Corriere della Sera" divulga aquela que foi a última entrevista do cardeal, que há dez anos sofria de Parkinson. Na conversa, gravada no mês de Agosto, o cardeal diz que "a Igreja está cansada... e os nossos lugares de oração estão vazios". 
Num dos últimos [livros], "Colóquios Nocturnos em Jerusalém" (ed. Gráfica de Coimbra), diz: “Sim, desejo uma Igreja aberta, uma Igreja cujas portas estejam abertas à juventude, uma Igreja com horizontes vastos. A Igreja não se tornará atraente por adaptações ou por ofertas tíbias. Eu confio na palavra radical de Jesus, nessa palavra que temos que traduzir para o nosso mundo como ajuda para a vida, como Boa Nova que Jesus quer trazer." 
Na entrevista publicada pelo Corriere della Sera, Martini – cujo funeral se realiza segunda-feira – dizia, referindo-se ao catolicismo: "A nossa cultura envelheceu, as nossas igrejas são grandes e estão vazias e a burocracia aumenta, os nossos ritos religiosos e as vestes que usamos são pomposos." 
No seu último livro, sobre a figura do bispo, o cardeal diz que aquele deve ser antes de mais "íntegro, honesto, leal, capaz de não mentir nunca, paciente, misericordioso, pronto a oferecer esperança a quem sofre, mas, acima de tudo, um homem verdadeiro, capaz de ouvir a todos, mesmo não crentes, separados, divorciados e homossexuais". 
A falta "dramática" de padres, o papel da mulher na Igreja e na sociedade, a sexualidade, as relações com os ortodoxos e o ecumenismo em geral, bem como a relação entre a democracia e as leis morais, eram temas para os quais Martini propunha novas abordagens da Igreja e a necessidade de debate num novo concílio.

Reproduzo também um texto do cardeal sobre a morte. A sua morte. Tirei daqui.
Mais de uma vez eu lamentei com o Senhor pelo fato de que, morrendo, não tirou de nós a necessidade de morrer. Seria tão bonito poder dizer: Jesus também enfrentou a morte em nosso lugar, e, mortos, poderemos ir para o Paraíso por um caminho florido. 
Ao invés, Deus quis que passássemos por esta "dura viela" que é a morte e que entrássemos na escuridão que sempre dá um pouco de medo. Eu me pacifiquei novamente com o pensamento de ter que morrer quando compreendi que, sem a morte, nunca chegaríamos a fazer um ato de plena confiança em Deus. De fato, em cada escolha comprometedora, nós sempre temos "saídas de segurança". Ao invés, a morte nos obriga a confiar totalmente em Deus. 
O que nos espera depois da morte é um mistério, que requer da nossa parte uma confiança total. Desejamos estar com Jesus, e expressamos esse desejo de olhos fechados, às cegas, colocando-nos totalmente nas suas mãos.
Desejamos também nós gozar daquela paz interior que vence toda ansiedade e se confia a Deus com todo o coração.

O último texto que o cardeal Martini assinou no espaço semanal que tinha no “Corriere della Sera” pode ser lido aqui.

6 comentários:

Anónimo disse...

Cardeal Martini : um homem de grande coragem, que os católicos portugueses bcbg (bon chic, bon genre) só citam a propósito dos temas que estão na moda por certas capelinhas... Para os vindouros fica o testemunho em favor dos homossexuais, sempre proscritos neste blogue, tão omisso ou, diriam outros, "envergonhado"...

Jorge Pires Ferreira disse...

Caro amigo, não concordo com o que diz:

«homossexuais, sempre proscritos neste blogue, tão omisso ou, diriam outros, "envergonhado"...»

Neste apanhado de notícias relativas a Martini surge o diálogo com homossexuais.

Sugiro que veja e avalie com mais justiça a partir do seguinte:


http://tribodejacob.blogspot.pt/search/label/Homossexualidade

E no final clique, pf, em "mensagens antigas".

Anónimo disse...

Caro Jorge,
Tudo isso, que refere, é muito pouco... e não há quaisquer referências à realidade portuguesa nem à realidade eclesial portuguesa.
Abraço

Anónimo disse...

Oras, o Jorge não é obrigado a publicar sempre sobre todos os assuntos, sobre todos os casos, sobre todos os problemas, sobre todas as notícias, etc.... de forma tão abrangente quanto se quer...
ele já tem contribuído com o seu espaço na internet, levantando ricos questionamentos que nos levam a pensar e repensar a realidade da igreja hoje, só por isso já merece elogios....
se está tão incomodado e crític pela falta de postagens relativas especificamente ao tema da homossexualidade e seus conflitos 'eclesiais', faça um blog você, Anônimo das 7:19...
garanto que valhe mais a pena contribuir que só ficar pedindo que outros façam o trabalho que vc não faz....

Anónimo disse...

Pode crer, anónimo, que para esse peditório já dei mais do que você pensa... Boa noite!

Jorge Pires Ferreira disse...

Revejo-me bem nas palavras de quem escreveu às 11:14.

Não estou a par da "realidade eclesial portuguesa" quanto à homossexualidade, para além de uma outra notícia que vem a público e que tenho referido no blogue, como não estou a par de mil e um outros assuntos.

Compreendo que algumas propostas da Igreja, da nossa Igreja, podem significar uma dolorosa condenação do homossexual à solidão e por isso têm de ser discutidas.

Mas noto que há uma linha de pensamento que está a fazer o seu caminho.

Sobre isto, vale a pena ler a partir da página 42

http://www.ihuonline.unisinos.br/media/pdf/IHUOnlineEdicao399.pdf

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