quarta-feira, 4 de julho de 2012

O bosão de Higgs tem alguma coisa a ver com Deus?



Sim, muito. Aliás, tudo, como todas as partículas, do fermião mais insignificante à molécula mais graúda, dos cabelos cada vez mais raros da nossa cabeça à megagaláxia mais deslumbrante.

Mas é irritante e revelador do preconceito cientificista dizer que o bosão de Higgs (previsto pelo inglês Peter Higgs, de 83 anos), ao qual o físico Leon Lederman (norte-americano, 89 anos) chamou “partícula de Deus” e que parece finalmente ter sido detetado hoje no CERN, nascido a 4 de julho, portanto,

     a) explica por que é que existe o universo em vez do nada
     b) dispensa Deus.

Tanto quanto percebi, o bosão de Higgs, sendo a última peça do puzzle da matéria

     a) explica por que todas as outras partículas têm massa e, consequentemente
     b) tem implicações desde a física nuclear até à origem do universo (li aqui).

Mas isso nada nos diz do porquê e para quê existe isto tudo nem do porquê e para quê andamos por cá. Partícula de Deus? Com certeza, como todas as outras. Mas as respostas que  interessam para o sentido não é a física que no-las dá.

4 comentários:

Anónimo disse...

Plenamente de acordo Jorge. Obrigado pelo seu comentário.

Jorge Pires Ferreira disse...

Obrigado, pelo seu comentário. Revi o texto, que tinha uma série de erros.

Anónimo disse...

Nem mais! Até lhe podem chamar a partícula perfeita, mas que dessa pouco tem.

Fernando d'Costa disse...

Jorge: muito bem! Bem melhor do que os comentários sobre este tema que hoje o JN recolheu junto de Tolentino Mendonça.

Já agora: tive na mão uma tese de doutoramento de um professor da faculdade de teologia do Porto (um franciscano chamado d'Almeida) e fiquei chocado: aquilo é de uma pobreza abismal. Com professores assim não é possível que haja teologia de ponta em Portugal.

Fernando d'Costa

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