terça-feira, 10 de julho de 2012

Dois apontamentos sobre o bosão de Higgs

Dois apontamentos, curioso um, pertinente o outro (ou ambos uma coisa e outra), sobre o bosão de Higgs, essa coisa minúscula com um nome aumentativo.

Rui Almeida no Facebook (hoje, pela manhã, penso que sobre o debate de ontem à noite no Prós e Contras da RTP1):
Faz tanto sentido promover um debate sobre "a existência de Deus" a partir de algo a q calhou chamar-se 'partícula de Deus' (com físicos e teólogos), como a partir de algo a q calhou chamar-se 'pão de Deus' (com pasteleiros e teólogos). Esta falta de discernimento sobre as palavras e aquilo q significam em cada contexto é um dos mais graves sintomas da nebulosa confusa q paira sobre o nosso tempo.
Oliveira de Sousa no seu blogue:
Nos anos 90, Leo Lederman, um Prémio Nobel, decidiu escrever um livro de divulgação sobre a física de partículas. No texto, Lederman referia-se ao bosão de Higgs como “The Goddamn Particle” (“A Partícula Maldita”) pela dificuldade em ser detetada. O editor do livro decidiu, sabe-se lá porquê, mudar o termo “The Goddamn Particle” para “The God Particle” e assim “A Partícula Maldita” converteu-se na "Partícula de Deus”.

19 comentários:

Anónimo disse...

Vi o "Prós e Contras" e foi uma desilusãoas intervenções de um tal jesuíta chamado Nuno Nobre. Uma total desilusão. Não prestou um bom serviço nem à ciência, nem à religião. Lamentável.

Fernando d'Costa

Jorge Pires Ferreira disse...

Fernando (sei que tenho uma resposta em atraso), vi o final do programa, pelo que só ouvi falar os cientistas João Varela, Carlos Fiolhais e um outro de quem não fixei o nome. Do outro lado estava um jesuíta, sim, mas era o P.e Alfredo Dinis, da comunidade de Braga. Os outros, não os reconheci...

Bernardo Motta disse...

Caro Fernando d'Costa,

Vai limitar-se a insultar o Bruno (e não Nuno) Nobre, que por acaso é professor universitário de Física, ou quer juntar algumas gramas da sua inteligência, currículo e cultura para nos esclarecer, fundamentando, um pouco mais do que nada, o seu ataque pessoal?

Obrigado pela sua generosa atenção!

Cumprimentos,

Bernardo Motta

Fernando d'Costa disse...

Caro Bernardo: o Bruno (e peço perdão pelo meu trocar o seu nome) não foi atacado (nem insultado) por mim: apenas critiquei o seu desempenho. Compreende a diferença? Creio que sim. Ou pelo menos espero.

Mas o facto do Bruno Nobre ser professor universitário de física (e o "caso Relvas" mostrou-nos que há doutores e "doutores"... e sabemos como é que ele foi dar aulas para a Católica, não sabemos?... terá sido por concurso? ou por ser jesuíta? deixo aqui a pergunta no ar...), fá-lo habilitado para falar de assuntos em que aquela se cruza com a teologia (e foi nisso que ele, em meu entender, falhou)? Por outras palavras: que formação, no campo da teologia, tem aquele? Quer esclarecer-me?

Mas o mais assustador foi a sua incapacidade para argumentar: enrolava-se e engasgava-se. Não tem experiência para falar em directo na Televisão? Devia ter pensado nisso antes de ter aceite o convite. Não era?

ah... já me esquecia: não precisa de agradecer: o meu tempo é para partilhar com os demais...

Fernando d'Costa

Bernardo Motta disse...

Caro Fernando,

Obrigado pelos seus esclarecimentos, e entendo agora que não era um ataque pessoal ao Bruno, mas sim uma crítica ao seu desempenho.

Queria agora, por favor, fundamentar melhor as suas críticas ao desempenho do Bruno. Não esteve bem, o Bruno, em termos de dicção? Ou de dialética? Ou ambas?

Sobretudo, ajudava-nos muito a compreender as suas críticas, se o Fernando fosse capaz de dar exemplos, ou seja, de listar os erros de argumentação ou as falhas de raciocínio do Bruno.

Obrigado!

Fernando d'Costa disse...

Caro Bernardo. Estou grato por ver que nos entendemos. Apresentarei, sem qualquer dúvida e à medida que me for possível (começarei por procurar um vídeo do programa no Youtube), o que me pede. Mas não se esqueça, e porque lhe pedi isso antes, de me dizer: que formação teológica tem o Bruno Nobre?

Fernando d'Costa disse...

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Fernando d'Costa

Bernardo Motta disse...

Caro Fernando,

Deixe-me ser ainda mais claro.
Todos sabemos que a Internet, muitas vezes, é usada como veículo de escape fácil para as nossas irritações, algumas justas outras injustas.

Eu assisti ao programa Prós e Contras, e não vi nada dito pelo Bruno Nobre de que eu discordasse. Não que viesse disso mal ao mundo, mas é um facto: gostei da prestação do Bruno. Quando venho aqui e o vejo a criticar o Bruno, surge logo a colisão da minha percepção com a sua.

Tudo estaria bem, se você tivesse fundamentado as suas críticas. Toda a gente pode ser criticada, mas é injusto fazê-lo sem apresentar razões.

Só peço isso.
Vivemos em tempos de crítica fácil. Você não sabe (nem eu) o esforço despendido pelo Bruno na participação neste programa. Você não sabe (nem eu) avaliar o grau de formação teológica e científica do Bruno, pelo que só temos, como amostra, a prestação dele no programa.

Por isso mesmo, acho que quando se critica uma pessoa, e para se ser justo, devem ser apresentadas razões, e não apenas afixar umas bocas avulsas como você fez.

Note que eu não estou a atacar a sua liberdade de expressão, e para comentar isso teremos aqui a opinião do Jorge, dono deste espaço.

Estou apenas a fazer aquilo com que o Fernando poderá sempre contar: quando se fazem críticas infundadas (ou pelo menos sem serem aduzidas as suas razões) como você fez, você pode e deve contar sempre com a discordância de outros leitores mais susceptíveis para com situações de injustiça.

Cumprimentos

Bernardo Motta disse...

PS:

Pergunta-me:

"Mas não se esqueça, e porque lhe pedi isso antes, de me dizer: que formação teológica tem o Bruno Nobre?"

1) não sei

2) não acho relevante para aferir a qualidade dos argumentos apresentados pelo Bruno; eu escrevo sobre filosofia, teologia e ciência, e a minha formação é em Engenharia Electrotécnica, e eu detestaria que um crítico do meu trabalho escrito sobre estes temas se focasse na minha ausência de formação académica nessas áreas para evadir o confronto com os meus argumentos

3) um professor universitário de Física merece sempre, pelo menos, o nosso benefício da dúvida em termos dos seus conhecimentos científicos, e não "flatus voci" e piadas fáceis sobre políticos, como você fez

4) uma pessoa com percurso pessoal na Companhia de Jesus, organização com reputação secular em matéria de Teologia, merece sempre, pelo menos, o nosso benefício da dúvida em termos dos seus conhecimentos teológicos (e filosóficos), e não "flatus voci" e piadas fáceis sobre políticos, como você fez

Fernando d'Costa disse...

Caro Bernardo: lamento, de verdade, se dei a entender que o que escrevia era uma forma qualquer de "libertar frustrações" (logo eu que nunca me apercebi frustrado com o que quer que fosse).

Não concordo, porém, que a formação académica do Bruno Nobre seja irrelevante. De modo algum. Eu não tenho formação teológica académica e para que os demais compreendam os limites das minhas afirmações essa informação não é despiciente. Pelo contrário: sabendo isso poderão, mais facilmente, relevar imprecisões naquilo que digo. De modo análogo, saber que formação teológica tem o Bruno Nobre (e ressalvo que quem, em primeiro lugar, evocou os "galões" académicos do Bruno Nobre - no caso de professor de física - não fui eu), é importante para saber como avaliar, ainda melhor, o seu desempenho.

Resumirei o que disse: nas reflexões que apresentou nos pontos de contacto entre a teologia e a ciência, pareceu-me claramente que saltava de um campo epistemológico para outro campo epistemológico (problemas na "forma"), por vezes servindo-se de citações ("tenho muitas" disse ele) de outros para colmatar deficiências na substância do seu pensamento (problemas na "matéria").

De qualquer modo, no Youtube não encontrei o vídeo do debate (era importante tê-lo para indicar os momentos em que ocorrem dadas intervenções). Talvez o Bernardo consiga encontrá-lo. Não?

Fernando d'Costa

Fernando d'Costa disse...

Só agora li o seu comentário: "flatus voci"? Acha mesmo que os meus comentários são "peidos vocais"? Está, agora, bem visto quem o senhor Bernardo é. Acho isso profundamente lamentável. Mas como cristão que sou, estou disponível para o perdoar o que, como bem sabe, requer uma certa disposição da sua parte.

De qualquer modo: o estar na Companhia de Jesus não quer dizer nada, pois não? Se o Bruno Nobre tiver saído do noviciado não tem formação teológica, pois não? E, meu caro, há jesuítas e jesuítas. Nem todos são Karl Rahners nem Alfredos Dinis (cuja intervenção, diga-se, foi bem do meu agrado).

Fernando d'Costa

Bernardo Motta disse...

Caro Fernando,

O programa pode ser visto aqui:
http://www.rtp.pt/play/p40/e87226/pros-e-contras

Eu só quis relembrar que o Bruno Nobre era Professor de Física porque achei que o Fernando poderia não o saber, de tal forma eu achei bizarro o seu primeiro comentário.

A Fátima apresenta-o no programa como "especialista em Física de partículas".

Eu sei muito pouco de física de partículas, e mesmo sem saber qual é a sua formação académica, eu acho inacreditável que você tenha escrito isto:

"Vi o "Prós e Contras" e foi uma desilusãoas intervenções de um tal jesuíta chamado Nuno Nobre. Uma total desilusão. Não prestou um bom serviço nem à ciência, nem à religião. Lamentável."

O "tal jesuíta" ensina Física ao nível universitário, pelo que você terá que ser mais específico quando diz que ele não prestou um bom serviço à ciência.

Você faz mesmo um ataque soez e ignóbil à legitimidade do percurso académico do Bruno:

"Mas o facto do Bruno Nobre ser professor universitário de física (e o "caso Relvas" mostrou-nos que há doutores e "doutores"... e sabemos como é que ele foi dar aulas para a Católica, não sabemos?... terá sido por concurso? ou por ser jesuíta? deixo aqui a pergunta no ar...),"

Eu sei que você não está a dizer que ele tem um percurso académico ilegítimo, mas "deixa a pergunta no ar". Deixa a pergunta no ar? Porquê? Com base em quê? O que o leva a levantar suspeitas sobre a credibilidade académica do Bruno?

Tudo isto é espantoso, todo o seu comportamento é de pasmar, e o mínimo que o Fernando deverá fazer, e isso mesmo que aduza razões concretas para o criticar, é pedir desculpas pela forma indecente com o tratou.

Bernardo Motta disse...

Fernando,

O termo "flatus voci" está bem empregue, porque o aplico às suas bocas inconsequentes acerca da prestação e do percurso académico do Bruno.

Você opta pela tradução de "flatus" em sentido escatológico, mas deveria saber que o termo tem uma longa tradição de uso bastante menos polémico e ofensivo. Paulo de Veneza, conhecido filósofo nominalista, considerava que as palavras emitidas pelo ser humano eram "flatus voci", e ele nesse caso não estava a aplicar a palavra "flatus" em sentido escatológico, mas com a possível tradução aproximada de "vento da voz".

Apliquei a expressão às suas bocas inconsequentes, porque elas realmente não têm consequência, não geram debate, não se apoiam em críticas concretas.

Por isso, julgo ter aplicado bem a expressão, quando comentei os seus comentários.

Não apliquei a expressão às suas críticas aos argumentos do Bruno, porque você não apresentou uma só crítica concreta. Quando o fizer, terei todo o gosto em comentar.

Anónimo disse...

Caro Bernardo. Estou a ver que dizer que, apesar de eu ter dito que o problema do Bruno Nobre esteve na articulação entre o âmbito da física e da teologia, o Bernardo apenas dá importância à formação académica do Bruno no âmbito da física. Para si, então, a formação académica no âmbito da teologia não é importante para estar bem naquela articulação (de facto, com opiniões assim não há debate possível). Mas indique-me, por favor, um vídeo do programa e eu exemplificarei, sem qualquer problema, o que apontei, segundo o Bernardo, de modo genérico.

Fernando d'Costa

Anónimo disse...

Já o encontrei.

Fernando d'Costa

Anónimo disse...

Vendo em:

http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/pros-contras/

1) Aos 38 minutos, Bruno Nobre diz que falando-se de "partícula de Deus" pode uma «pessoa menos esclarecida» pensar que se descobriu Deus. Mas para isso teria que entender que o genitivo usado em tal designação é um genitivo absoluto e não um genitivo subjectivo e, desse modo, dificilmente seria uma «pessoa menos esclarecida».

2) Logo de seguida,e no exemplo do salto epistemológico a que me referi, diz que não é por se ter descoberto do bosão de Higgs (afirmação do campo da ciência) que se pode pôr de lado a hipótese de Deus, sendo os argumentos para a mesma (afirmação filosófico-teológica... a não ser que haja argumentos científicos para a existência de Deus que eu desconheça) os mesmos «que existiam antes de Quarta-feira».

3) aos 39 minutos já perdi de conta as vezes que Bruno Nobre inflectiu a sua linha de pensamento com incisos mais ou menos onomatopaicos;

4) À pergunta (por ele não respondida!) se era verdade que a ciência não se preocupa com os "porquês", o Bruno Nobre diz que há diferentes mapas para a realidade e a ciência apresenta apenas um desses mapas. O problema, em meu entender, é que os "porquês" (a intenção divina acerca da criação) estão aquém da "realidade".

5) Diz o Bruno que a ciência, distinguindo-se assim de outros âmbitos do saber humano, se dedica a analisar fenómenos que se repetem. Ai sim? Então não se dedica ao estudo do que sucedeu logo após o Big-Bang? Isto já se repetiu alguma vez da mesma forma?

6) Depois diz que Deus não se pode encontrar por abstracções. Quer dizer que afinal, e contra o que disse o Vaticano I, aqueles, por ele evocados, argumentos da existência de Deus que «existiam antes de Quarta-feira» não permitem encontrar Deus?

Por hoje tenho que ficar por aqui. Regressarei.

Fernando d'Costa

HD disse...

Quem é o Bruno Nobre ?

É um jovem com cerca de 35 anos.

Brilhante, mas muito simples como pessoa e quem o conhece.

Ingressou nos Jesuítas em 2005.
Formação Teológica na Companhia de Jesus

Licenciado em Engenharia Física –IST

Doutoramento em Física das Partículas – IST
(Domínio de Especialização Física Teórica de Partículas )

Licenciatura em Filosofia – Univ. Católica
(especialização Filosofia da Ciência e diálogo Fé e Ciência)

Professor na Faculdade de Engenharia da Universidade Católica Portuguesa

Publicações recentes

G. C. Branco, R. González Felipe, F. R. Joaquim and B. M. Nobre, “Enlarging the window for radiative leptogenesis”, Phys. Lett. B 633 (2006) 336.

Bruno Miguel Monteiro Nobre, “CP Violation in the Leptonic Sector and Leptogenesis”, Tese de Doutoramento, Instituto Superior Técnico – Universidade Técnica de Lisboa,2005.

R. G. Felipe, F. R. Joaquim and B. M. Nobre, “Radiatively induced leptogenesis in a minimal seesaw model”, Phys. Rev. D70:085009, 2004.

G. C. Branco, J. M. Gérard, F. R. González and B. M. Nobre, “Polychromatic grand unification”, arXiv:hep-ph/0305092.

J. A. Aguilar-Saavedra and B. M. Nobre, “rare top decays t  c  , t  c g and CKM unitarity”, Phys. Lett. B 553 (2003) 251.

G. C. Branco, D. Delepine, B. Nobre and J. Santiago, “Extra dimensions, isosinglet charged leptons and neutrino factories”, Nucl. Phys. B 657 (2003) 355.

G. C. Branco, T. Morozumi, B. M. Nobre and M. N. Rebelo, “A Bridge between CP violation at low energies and leptogenesis”, Nucl. Phys. B 617 (2001) 457.

HDias

Anónimo disse...

Caro HDias, obrigado pela sua informação. Verifico que então, não tem formação em teologia. Não o conheço pessoalmente, mas pareceu, de facto (e sem ironia nesta designação), muito simples. Que continue assim.

Fernando d'Costa

Anónimo disse...

Caro Bernardo,

aquilo que coloquei numa interrogação, aqui coloco, depois de me ter informado, numa afirmação: o Bruno Nobre deu aulas estes dois anos da Univ. Católica Portuguesa por ser jesuíta. Claro que a Companhia de Jesus em Portugal tem uma grande influência naquela (ou não tivesse sido ela a conseguir a sua abertura em Braga), mas até por ser Companhia de Jesus devia pôr de lado o desejo de promover alguns dos seus membros...

Fernando d'Costa

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