quarta-feira, 13 de junho de 2012

Mulheres 1 - O Papa feminista


Gosto das catequeses de Bento XVI, daquelas que começaram nos Apóstolos e continuaram pelos grandes teólogos, mas só até Afonso Maria de Ligório (séc. XVIII).

Entretanto, o Papa também foi falando das mulheres teólogas, aí por finais de 2010 e inícios de 2011. Nunca usou a expressão, mas o sentido é esse, mulheres teólogas, ainda que nenhuma tivesse ensinado em qualquer faculdade.

As catequeses estão publicadas em livro, na Paulus. Diz a capa que se trata de "figuras femininas da Idade Média", mas inclui Teresa de Ávila (séc. XVI) e Teresa de Lisieux (séc. XIX). Ou, como alguns gostam de dizer, a Teresona e a Teresinha. Às medievais, Bento XVI acrescentou estas duas doutoras da Igreja (a terceira é a leiga Catarina de Sena). Isto, quando se prepara para declarar uma quarta, Hildegarda de Bingen, a quem dedicou as duas catequese que abrem este livro (homens doutores são 30 e, em breve, 31).

Gosto das catequeses porque, na realidade, não são catequeses mas pequenas palestras de cultura teológica. Ora, logo na primeira, a propósito da mística renana, diz o Papa:
"(...) Vemos que também a teologia pode receber uma contribuição peculiar das mulheres, porque são capazes de falar de Deus e dos mistérios da fé com a sua singular inteligência e sensibilidade" (pág. 12).
Quem diria... As feministas devem estar aos saltos de contente por causa deste reconhecimento papal. As freiras (estou a pensar em três freiras teólogas dos EUA que têm visto o seu trabalho teológico criticado e mesmo condenado pelo Vaticano) e as mulheres em geral estavam mesmo a precisar da bênção beneditina. Acontece é que, provavelmente, há muito não o ouvem. A própria frase papal dá razões para isso.

3 comentários:

maria disse...

sim, não sei o que é a inteligência (ainda por cima singular)feminina e masculina. E a sensibilidade, idem. Não há paciência, mesmo.

Anónimo disse...

A última frase do terceiro parágrafo está incompleta. Falta dizer algo como "santa". Não?

Por outro lado parece-me que, e facto, a frase de Bento XVI é infeliz, mas dá para entender o que ele desejava dizer, não?

Tenho mesmo, ainda, que concordar com a Maria. não há qualquer diferença entre os géneros acerca do modo como eles apreendem, compreendem e traduzem a realidade. Os estudos t que demonstram o contrário são manifestamente tendenciosos e apenas querem perpetuar estereótipos androcêntricos religiosos.

Por fim, Jorge, não lhe parece que se há freiras que dizem que querem superar Cristo e a Igreja (e se recusam a falar daquele nos seus trabalhos apostólicos); e se recusam a participar em eucarísticas presididas por homens (em quais participam?); e publicam livros em que dizem que a doutrina católica é algo de totalmente daquela que a Igreja veicula, não é preciso haver um diálogo sério? Eu creio que sim...

Fernando d'Costa.

Jorge Pires Ferreira disse...

Obrigado pelos comentários. Os dois.

Fernando, agradeço-lhe os vários links. Espero poder ler os textos em breve.

Quanto às freiras, algumas, se dizem querer "superar Cristo e a Igreja", "tout court", isso é criticável. Mas do que tenho lido, geralmente têm em vista determinadas imagens de Cristo e da Igreja que dizem ser androcêntricas. Muitas das suas afirmações deveriam ser debatidas antes de serem repudiadas por atacado. São debatidas nas "altas esferas"? Não sei. Refiro-me também às comunidades cristãs, às aulas de teologia, aos congressos e jornadas.

Quanto ao "santa" de Hildegarda, a omissão foi consciente. Também em relação às outras mulheres. Bento XVI, em maio, estendeu o culto a Hildegarda à Igreja toda, porque as coisas não estavam claras nos papéis. Há uma imprecisão qualquer no seu processo - a wikipedia diz que foi só uma canonização administrativa; falta a cerimónia solene... Mas se o Papa diz que é santa, é santa, claro.

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