segunda-feira, 7 de maio de 2012

Brincar aos Pátios



A notícia de cima veio no "Público" de sábado. Parece que os Pátios dos Gentios proliferam que nem cogumelos em tempo húmido (também em Coimbra, aqui). E parece que, como dá a entender a notícia, já que a diocese do Funchal não esclareceu os motivos da suspensão, é mais difícil dialogar com quem está fora do que com que está dentro da Igreja.


Isso é há muito sabido. Basta um ateu dar um aceno à fé que não lhe faltam crentes a correr para ele de braços abertos. (Admito que, eu próprio faço isso neste blogue, de certo modo, ao tentar encontrar rumores de anjos em autores improváveis.) Já ouvir os críticos que falam de dentro da Igreja, sobre a própria Igreja e sobre a sociedade envolvente, isso é outra conversa. Ou melhor, é conversa nenhuma, que para pensar sobre essas questões há cabeças predestinadas.


Nota de 10 de maio: A Diocese do Funchal, num comunicado de 7 de maio, desmente afirmações da notícia do "Público". Ver aqui.

5 comentários:

Anónimo disse...

"Rumores de Anjos"? Mais um fã de Peter Berger? Parabéns!

Fernando d'Costa

HD disse...

Iniciativa perigosa isto do átrio dos Gentios, pois o pessoal começa a pensar …e isso na Igreja pode ser preocupante…e um padre , dar “pancada” nos desmandos dos “poderosos” em defesa dos mais fracos, fica mal…. é politica, sobretudo naquela Ilha!!!

Claro que é preferível o Sr. Bispo continuar a autorizar,as “manif” do Jardim, á porta das Missas, exemplo pastoral a seguir…já deve ter as mãos bem alvas, de tanto as lavar!

Mais um bocadinho e é proibido dar ouvidos a esse “cubano” Ratzinger e ás suas ideias subversivas de “ átrios”, vindas do “continente” !
HDias

José Luís Rodrigues disse...

Admirei-me muito que o Jorge também tergiversasse sobre a perigosa dicotomia muito querida na Igreja Católica e nos partidos políticos, «os de dentro» e «os de fora»... Para mim esta forma de pensar é perigosa, anti-evangélica e irritante. Por isso, deixo-me estar nem dentro nem fora, permitam que entre o dentro e o fora exista uma terra de ninguém, coloco-me então aí...

Jorge Pires Ferreira disse...

Peter Berger, pois, apesar de não ter lido a obra em que cunhou a expressão (mas as anteriores, sobre a secularização).

Obrigado pelos comentários.

José Luís Rodrigues, com certeza que uma linguagem que fala dos de dentro e dos de fora não é nada positiva. O Senhor não a usava. Era inclusivo, embora falasse dos da primeira hora e dos das outras.

Não se trata, é óbvio, de distinguir os bons e os outros.

Mas penso que a distinção dentro / fora vale para fazer notar que é mais fácil ouvir os que não são do clube / partido / comunidade quando se trata de criticar. Para mais, quando se dialoga com ateus ou agnósticos abertos, é difícil evitar o pensamento "nós temos aquilo que vocês procura" ou "a vossa procura legitima a nossa opção". Já quando se ouve quem está no mesmo nível, sentimo-nos mais questionados. Penso que é algo de natural. Só que, como dizia o Senhor, "não seja assim entre vós". penso, na realidade que há falta de diálogo, passe a expressão, intra-eclesial.

José Luís Rodrigues disse...

É isso amigo, também me queixo da falta de diálogo. Mas o diálogo só é possível quando se respeita o diferente... Na «nossa» Igreja Católica,em tudo e de tudo temos que dizer sempre bem, mesmo que algo esteja ou corra mal. Para isso, não contem comigo. O seu blogue tem feito eco disso. Obrigado pela atenção que me deu. E adiante que a vida continua...

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