sábado, 12 de julho de 2014

A Família de Nazaré enquanto modelo para as famílias de hoje

De vez em quando, um ou outro leitor, sei lá se o mesmo entre os dois ou três que por cá passam, escreve que eu dou demasiado destaque ao que escreve o P.e Anselmo Borges (e Fr. Bento Domingues – mas esse não é para aqui chamado, agora), como se concordasse com tudo. Não concordo. Hoje, por exemplo, discordo frontalmente do último ponto do seu texto. Cito:

6. Last but not least, dito com cautela e imenso respeito: apresentar a Sagrada Família de Nazaré, tal como é comummente idealizada pela Igreja institucional e pela piedade popular, como modelo de família cristã é inadequado, para não dizer contraproducente.

Na verdade, parece-me que a família de Nazaré é bem um modelo para as famílias de hoje. 

Vejamos:

- A mãe estava grávida, e não era do marido, quando se casou.

- O casal só teve um filho, segundo a tradição, preconizando o inverno demográfico que estamos a viver.

- Segundo outras tradições, havia filhos da primeira relação de José, o que os terá levado a viver menos parte daquela realidade hoje tão comum de "os meus, os teus e os nossos”.

- Jesus só saiu de casa aos 30 anos, como acontece com muitos jovens adultos na atualidade. Demorou muito a abandonar o ninho dos pais.

- Jesus andava em jantaradas e noitadas junto ao lago. Perece que sem dinheiro. Pelo menos desprezava-o. Teria dificuldades em arranjar emprego como multidões dos jovens de hoje? A quem cravava a boa vida?

- Parece que teve problemas com os seus pais (entendamos: mãe e pai adotante) e outros familiares. Não os reconheceu em diversas situações e enfraqueceu com generalizações os laços familiares, como se tudo pudesse ser família (“A minha mãe e os meus irmãos são aqueles que…”). Estava a destruir a família tradicional ao reconhecer outros tipos de família?

12 comentários:

Miguel disse...
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Miguel disse...
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Miguel disse...

Tudo isto agora a trazer-me à memória o tema da Encarnação, que Jesus assumiu na totalidade! Porque razão então, sim, porque razão, a sua família e os seus pais, haveriam de “escapar” também à condição humana e social de qualquer família desses dias e de hoje!

Miguel disse...

Agora já corrigido! Peço desculpa pelo duplo incómodo!

Jorge, repare no “cuidado” de AB, nas últimas palavras desse ponto 6: “Last but not least, dito com cautela e imenso respeito”…! Meu caro, parece-me que aquilo que o P. Padre Anselmo Borges faz, é lançar um alerta, para a inutilidade de uma proposta, que acaba por ser uma contradição, e que produzirá inevitavelmente efeitos contrários, naquilo que a Igreja pretende, quando propõe aquilo que ela “idealizou” como família, a partir de uma realidade não totalmente esclarecida, do que foi a Sagrada Família de Nazaré, e que depois defende, como sendo a “desejada” por Deus! Na verdade, (e o Jorge confirma-o agora aqui nesses exemplos que partilhou), a doutrina oficial sobre a Sagrada Família, passa silenciosamente ao lado de muitos desses “detalhes”, que fazem parte de realidades concretas, que enfrentou a Família de Jesus, e que tem muitas semelhanças com muito daquilo que envolve e enfrentam também as famílias de hoje!

Miguel disse...

Resumindo: uma coisa é a imagem que nos foi e é passada da Sagrada Família, “…tal como é comummente idealizada pela Igreja institucional e pela piedade popular…” como disse AB! (a verdade é que esse povo simples e sedento, no fundo, só está a repetir, aquilo que lhes foi ensinado ou transmitido)! Outra coisa são as realidades inegáveis, que já não acolhem, esses quadros pintados com as cores de um mistíssimo estranho à humanidade, humanidade essa, que Jesus também acolheu e viveu, e que tentam separar o “real”, do “idealizado” por alguns, que elaboraram e trabalharam cuidadosamente esse ideal(ideia humana), com objectivos muito claros! Agora, que cada um pense nas repercussões que tudo isto tem e terá na sociedade e nos padrões comportamentais das famílias que a compõem, se esta toma um dia, verdadeira consciência disto tudo! (se é que já não tomou!)…

Anónimo disse...

Este blogue está morto. É uma versão requentada de progressismos ultrapassados. A irrelevância teológica da cartilha que por aqui se defende é hoje total.

Jorge Pires Ferreira disse...

Miguel, esperava que tivesse notado alguma ironia no meu texto. Na verdade, concordo com o P.e Anselmo Borges naquele ponto em concreto.

E os exemplos que dei, além de conterem abusos, não fazem parte, de todo, da teologia tradicional da tradicional Família de Nazaré, a começar pelas questões dos irmãos de Jesus, que muitos teólogos, católicos incluídos, dizem ser mesmo irmãos e irmão de Jesus. Era uma brincadeira. Mas não fui bem sucedido, pelos vistos.

Jorge Pires Ferreira disse...

Obrigado, anónimo das 8:19. Se não fosse o sr. a dizer que isto anda um bodado morto, não tinha dado por nada. Por acaso, até estou a pensar em revivificá-lo. Eu nem sabia que tinha uma cartilha... Mas eu gosto de cartilhas e almanaques. Vá dando notícias.

Miguel disse...

8:19 da tarde/ realmente, já tinha dado por isso! Às vezes, andam por aqui a vaguear, algumas dessas tanatomias ensombradas, que sentem uma necessidade vital em marcar terreno por tudo o que é sitio do pica-pau das cores teológicas, largando um rasto de odores a urinas impacientes e escandalizadas por esse encontro com um outro mundo desinfectado das vaidades dessas vidas regadas com um mosto sacristiano, envinagrado de saborosa relevância teológica, não se poupando a desdenhar esses lugares, pelo qual fingem ter perdido o interesse, mas aos quais não conseguem resistir, nessa curiosidade “mórbida”, que os faz ali voltar! Ò meu caro anónimo bem encartilhado para o acto “fúnebre” em que se tornou a presunção humana…estou-lhe ternamente grato, pela sua passagem fugaz por estas bandas… a fazer-me recordar os meus tempos de adolescência, quando se tornava obrigatório visitar um cemitério durante a noite, para demonstrar aos companheiros do grupo, a coragem que nos ia na alma, onde se escondia o medo da morte que ali nos tinha atraído! Seja bem-vindo ao novo mundo! “Carpe diem”!

Miguel disse...
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Miguel disse...

Jorge, partilhamos aqui em casa, algumas ideias sobre a sua intervenção neste post, e de facto, ficou a suspeita da “ironia” no ar… mas confesso que fui bem enrolado pelo tom da sua “seriedade”! Aquele meu “parece-me” um “alerta” de AB, foi de facto muito titubeante… estava dividido se deveria crer num “lapso” do seu lado, ou se era mesmo “séria” a sua postura… ou então, que afinal tudo não passava de “gozo”, a tal “brincadeira” agora esclarecida… lol…. desconhecia-lhe esse dom da ironia… bem me dizia o meu instrutor da carta de condução: “Miguel, condução sempre defensiva na estrada”! Bom, é só “chapa”, ninguém ficou “morto” como alguém disse por estes lados!

Miguel disse...

Corrijo o lapso no post das 11:33 da tarde! que queria dizer:

Tanatomanias ensombradas

(de tanato- e mania) obsessão pela morte e por coisas ou factos que com ele se relacionam, como é o caso dos cemitérios.


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