quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Papa Francisco: "Como disse Mário Soares, a nova tirania económica gera violência"


No "Público" de hoje. Consta que o Papa há dias disse: "Como disse o Papa Soares, a nova tirania económica gera violência".

Mais a sério, considero que há um aproveitamento soarista das palavras do Papa. Um venezuelano, no meio do madurismo, por razões completamente diferentes, poderá invocar as mesmas palavras do Papa... Considero, por outro lado, que é preciso estudar - coisa que ainda não fiz, nem prevejo fazer tão cedo, infelizmente - o que o Papa tem realmente dito sobre a economia. Sem dúvida que tem criticado o capitalismo, mas daí até ser anticapitalista como alguns dizem vai uma grande distância. O capitalismo sem ética humanista e mesmo cristã, como qualquer atividade sem ética, é detestável. No caso de Portugal, na situação que Mário Soares tem em vista, o culpado é o capitalismo sem limites ou não será antes e primeiro a indisciplina e má gestão do próprio país? (Claro que há vida para lá do défice. É péssima.)

Nove números da exortação, do 52 ao 60, são sobre a questão económica. O primeiro é este:
A humanidade vive, neste momento, uma viragem histórica, que podemos constatar nos progressos que se verificam em vários campos. São louváveis os sucessos que contribuem para o bem-estar das pessoas, por exemplo, no âmbito da saúde, da educação e da comunicação. Todavia não podemos esquecer que a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo vive o seu dia a dia precariamente, com funestas consequências. Aumentam algumas doenças. O medo e o desespero apoderam-se do coração de inúmeras pessoas, mesmo nos chamados países ricos. A alegria de viver frequentemente se desvanece; crescem a falta de respeito e a violência, a desigualdade social torna-se cada vez mais patente. É preciso lutar para viver, e muitas vezes viver com pouca dignidade. Esta mudança de época foi causada pelos enormes saltos qualitativos, quantitativos, velozes e acumulados que se verificam no progresso científico, nas inovações tecnológicas e nas suas rápidas aplicações em diversos âmbitos da natureza e da vida. Estamos na era do conhecimento e da informação, fonte de novas formas dum poder muitas vezes anónimo.
Realço esta afirmação:
Todavia não podemos esquecer que a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo vive o seu dia a dia precariamente, com funestas consequências.
Quem dera à maior parte da humanidade poder queixar-se do capitalismo (numa democracia liberal). A maior parte da humanidade, a que vive pior, na realidade vive numa era pré democrática e pré-capitalista.

4 comentários:

Octávio Carmo disse...

Talvez a chave de leitura esteja na questão da "divinização" do mercado e da falta de ética na atividade económica e financeira. "Em última instância, a ética leva a Deus que espera uma resposta comprometida que está fora das categorias do mercado" (EG).

Anónimo disse...

Boring...

Paulo disse...

retive, do que ainda li esta parte "Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é
exclusão"

Anónimo disse...

Cale-se mas é o jarroto do Soares. Só bacouradas. O queria ele era destruir o Cavaco. Mas este sabe mais que ele. A contenção nas palavras é bonito. E o Soares nada sabe disso. E depois...

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