sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Leonel Moura e a tentação fundamentalista: "Os católicos não são diferentes. Basta dar-lhes poder."

Este texto não é sobre Amália


No seu texto semanal de opinião no "Jornal de Negócios", Leonel Moura (de certeza que todos conhecem pelo menos uma das obra deste artista, aqui reproduzida) escreve:
Pois não tenhamos ilusões. Não há nenhuma religião que, tendo oportunidade, não queira submeter tudo e todos à sua crença e aos seus dogmas. Os católicos não são diferentes. Basta dar-lhes poder.
Isto foi no dia 20 de setembro. E, de vez em quando, tenho pensado nisto. A versão católica do cristianismo é, como ele dá a entender, geneticamente totalitária? Se olharmos para textos do Vaticano II, só para usar uma referência próxima, sem ir aos evangelhos, e, julgo eu, consensual, vemos que há uma ampla defesa da liberdade de expressão e opinião (Inter mirifica e principalmente Dignitatis Humanae), da liberdade de crença (Dignitatis Humanae, Unitatis redintegratio, Nostra Aetate), do direito de participação e de liberdade política (Gaudium et spes), só para referir alguns aspetos. Poder-se-á ser católico, hoje, sem defender as liberdades cívicas, os direitos, as garantias? Não me parece. E, no entanto, parece-me igualmente que o catolicismo não está completamente liberto da tentação fundamentalista e totalitária.

4 comentários:

Anónimo disse...

É curioso... afinal há um conteúdo para se ser católico, não se pode ser católico sem defender uma série de coisas.

Anónimo disse...

"Poder-se-á ser católico, hoje, sem defender as liberdades cívicas, os direitos, as garantias? Não me parece."

Pode-se ser católico contrariando elementares princípios do Catecismo? Naturalmente.

Jorge Pires Ferreira disse...

Ó homem (acho que o mesmo anónimo, o autor dos dois anteriores comentários), está preocupado com quê? Esclareça-se, em vez demandar uma larachas, tipo toca e foge.

Pedro Gomes disse...

Gianni Vattimo concordaria com essa ideia de que não há religião que não tenda para o totalitarismo, daí a sua (e de outros) proposta da religião sem religião.
Parece-me que há que distinguir (e justapor, no caso do discipulado cristão)o total acolhimento e hospitalidade do outro (venha o que vier...) e a capacidade de ser luz e sal, isto é, de fermentar a realidade que nos rodeia com a verdade evangélica.
Se abdicamos do Evangelho para sermos politicamente corretos, abdicamos de Cristo. Se, por outro lado, abdicamos do outro, por um fundamentalismo que me impeça de o acolher, adbicamos do irmão. E o Evangelho é claro: amar a Deus e ao próximo é um mesmo mandamento.

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