terça-feira, 16 de abril de 2013

Intenção

Qual foi, em relação à história, a intenção originária de Jesus? Queria Ele, com a sua ação e mensagem, mudar a história, ou tentava unicamente mudar os indivíduos suscitando neles a esperança do reino de Deus?

Giulio Girardi

15 comentários:

Pedro Gomes disse...

Mas o que é mudar a história senão mudar os indivíduos? A esperança que o Reino suscita há-de levar à conversão interior que é o ingrediente q.b. para mudar a história.

Maria de Fátima disse...

Está tudo dito. De forma simples e fiel.

Anónimo disse...

A paranóia das dicotomias "ou", quando tudo o que é verdadeiro é "e".

Anónimo disse...

em termos de enfoque:

- progressistas radicais: mudar a historia
- progressistas: 1º a historia, 2ºo indididuo
- conservadores: 1º individuo, 2º a historia
- conservadores radicais: mudar o individuo

existem muitas tonalidades intermédias que descrevem melhor os diversos posicionamentos. Eu posiciono-me mais para o lado conservador, pois tudo começa (lá vem aquela frase que deixa irritadissimos - vá-se lá saber porquê - alguns progressistas)'no coração de cada um. Eu sei porque se irritam é porque logo concluem que quem pensa assim são pessoas (bem)instaladas que no fundo querem é manter um status quo e utilizam essa desculpa para que tudo fique na mesma....não levo totalmente a mal esta conclusão, penso mesmo que às vezes pode ser acertada, em todo o caso isso apenas quer significar que então essas pessoas não se mudaram de todo, pois quem está instalado é porque ainda não mudou o seu coração. Se repararem bem o Papa Francisco tem dado grande enfoque a esta mudança interior e à necessidade de todos se desinstalarem invertendo o egocentrismo - isso muda o mundo. Aliás os Judeus e os Gregos esperavam um Deus que mudasse a história e também Jesus no deserto foi tentado pelo demónio nesse sentido, mas sempre fez questão de deixar as coisas bem claras.
Jacome

Anónimo disse...

Ui Jacome. Que mau exemplo que foste buscar (Jesus)! Serás em breve coberto de insultos neste blog.

Anónimo disse...

insultos cinicos e ironicos: odeio (já fiz disso também e pelo menos essa prática abandonei definitivamente, quando me apercebi do cheiro a enxofre dessas tiradas);
um simples vai à merda : é-me indiferente(às vezes apetece-me fazer, mas depois perde-se o controle....);
contraditório e/ou concordância: é que é interessante.

aproveito para dizer que, para mim, pior que tudo são as posições de 'entrincheiramento' inabaláveis, pois há pozinhos de verdade em todas as posições e fazer um esforço para compreender as razões dos outros é um excelente exercicio de 'desinstalação'
Jacome

Anónimo disse...

Excelente Jacome. Espero que os fundamentalistas que por cá andam (e os mais raivosos são os ultra-progressistas revisionistas fundadores de religiões que ninguém pode seguir pois fizeram do seu ego o seu deus) continuem a mostrar o que pensam para podermos ver o que seria a Igreja à sua imagem: um deserto total.

Jaime Faguntes

Peter disse...

“…pois há pozinhos de verdade em todas as posições”… muito bem Jacome, eu não diria melhor… e enquanto os pozinhos se vão diluindo no ar pelos ventos da verdade e do tempo implacáveis na sua passagem, Deus vai dando gargalhadas olhando alguns filhos(as) que nas suas tentativas inúteis apertam cada vez mais as “cintas” costuradas nos teares das suas teologias muy caseiras, não vá o diabo tecê-las ainda mais apertadas e não há quem aguente tal sufoco, e como se isso não bastasse, voltarem também a soarem nas esquinas das vielas da vida, esses ecos das crianças que passam a gritar:“ o rei vai nu”… que é como quem diz, nem tais cintas os livram de expor a sua condição humana: “pó és e pó serás”…! E ali de nada vale fazer poesia sob o entardecer da vida… não há quem escape à viagem…! E lá se vão os berlindes moldados e vidrados pelas ideias humanas sobre Deus, tão cobiçados e sovados nos solos das suas birras, entregues de má vontade, paciência, em testamento aos candidatos a príncipes e outros degraus dourados, que se seguem de turno, até chegar aquele dia definitivo em que a madeira que serviu para montar tais teares definha como tudo aquilo que a terra consome! Não é por acaso que alguns monges tenham no seu programa de formação alguns dias de trabalho e oração dentro do seu cemitério particular onde repousam os restos dos seus irmãos, para que tais filhos amados por Deus, nunca se esqueçam da sua condição humana e da verdade da vida!

“Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade. Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece. …Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento. E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.” (Eclesiastes 1, 2-4, 16-18)

Anónimo disse...

"Deus vai dando gargalhadas". Não sabia que um Pai dá "gargalhadas" das tentativas honestas e esforçadas dos seus filhos elaborarem reflexões sobre o seu Pai. Mais uma expressão de uma teologia "à la carte" que desvirtua tudo o que é verdade no Cristianismo. É talvez destes que Deus dá "gargalhadas". Dos pedantes e diletantes que, desde a sua ignorância e arrogância intolerante, querem impor aos demais o que sonham nos seus momentos de intoxicação religiosa egocêntrica. Não há uma qualquer réstia de amor em quem critica quem dá a sua vida a reflectir e expor a mensagem bíblica peneirada pelo crivo de milhares de outras pessoas. Nada, parecem esses pedantes dizer, de aferir o que eu creio com o que os demais crêem. A verdade é a minha verdade. A sua desilusão, quando nada restar do seu narcisismo, será total. Eis a calamidade da qual Deus ri a bandeiras despregadas: «rirei da vossa calamidade; troçarei quando o teu terror chegar». Esse terror derivado de ter desperdiçado uma vida inteira a dizer, sem qualquer fundamento, mal dos demais para, assim, alimentar o seu ego. Que distantes estão de saber que «o ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as infracções». Parecem aqueles que lendo um livro de astronomia para crianças pensam poder criticar os que estudaram astronomia durante anos e anos, mas quando lhes perguntam a mais elementar questão de despiste de conhecimento, caem qual tordos. Eis a cair sobre eles as palavras de Paulo: «estão obscurecidos no entendimento, separados da vida de Deus por causa da ignorância que há neles, pela dureza do seu coração». Mas até para esses há esperança tal como se diz no livro de Job «um homem estúpido vai ter compreensão quando do filho de uma jumenta selvagem nascer um homem!». Tenhamos, pois, esperança.

Peter disse...

"Igreja: Papa alerta para tentação de «voltar atrás» em relação ao Concílio Vaticano II"
Francisco diz que muitos resistem à mudança

D.R.

Cidade do Vaticano, 16 abr 2013 (Ecclesia) – O Papa Francisco disse hoje que há “resistência” na Igreja à ação do Espírito Santo e que alguns querem “voltar atrás” em relação ao Concílio Vaticano II (1962-1965), última e maior reunião mundial de bispos católicos.
“Não queremos mudar: Mais: há vozes que querem voltar atrás”, declarou, na homilia da missa a que presidiu na capela da Casa de Santa Marta, a sua residência no Vaticano.
Segundo o Papa argentino, o Concílio foi uma “bela obra do Espírito”, mas 50 anos depois é preciso que a Igreja se questione.
“Fizemos tudo o que nos disse o Espírito Santo no Concílio, naquela continuidade do crescimento da Igreja que ele foi? Não”, precisou.
Francisco sustentou que esse problema deriva do facto de haver pessoas “teimosas” que querem “domesticar” a ação do Espírito.
O Concílio Vaticano II, convocado por João XXIII em 1961 decorreu em quatro sessões nos outonos de 1962 a 1965, as três últimas presididas por Paulo VI.
O Papa declarou que o Espírito Santo “incomoda” e faz a Igreja “seguir em frente”.
“Não colocar resistência ao Espírito Santo: é esta a graça que eu gostaria que todos nós pedíssemos ao Senhor, a docilidade ao Espírito Santo, a esse Espírito que vem até nós e nos faz seguir pela estrada da santidade”, concluiu.
OC

in Ecclesia


Peter disse...

Anónimo (1:38 PM)…. só quem ainda não experimentou o “colo” pode desconhecer as gargalhadas de um Pai pelas nossas “traquinices”… e sim, meu caro Anónimo, ainda há quem não tenha experimentado o que é carregar um coração de criança nesses caminhos que sempre lhe impediram de viver a vida na totalidade e não apenas uma parte esquematizada e petrificada elaborada por aqueles que tinham a responsabilidade de almas nesses ambientes dos seminários menores e afins…a fazer-nos recordar tão fortemente aquele romance da “Manhã Submersa”, de Vergílio Ferreira… Ainda hoje pairam no ar esses nevoeiros das madrugadas amarguradas de muitos, basta atentar em alguns rostos anónimos que aqui passam e que infelizmente se vai perpetuando como cópia fiel ao estilo de clones, de muitos seminaristas para perceber onde está essa alegria da VIDA de estar salvo em Cristo e que qualquer coração de criança carrega pelas ruas da vida sem subterfúgios…

E meu caro, ainda há uma grande distância entre o “criticar” e o condenar, sobretudo a irmãos que se dedicavam a tal obra da contemplação da Criação e que só depois de tantos anos, outros irmãos na mesma fé, conseguiram a coragem de assumir e pedir perdão pelo erro… nunca é tarde é claro para colocar a Terra e o Sol no seu lugar e dar á verdade os eu lugar devido… a misericórdia de Deus não necessita de fitas métricas nem balanças doutrinais… ai Paulo.. meu caro Irmão na Fé e nos caminhos do anúncio… as palavras que tu necessitaste de dizer àquele pobre Pedro e a outros tão seguros das suas doutrinas, sobretudo esse Pedro que tanto amo e que por sinal foi o primeiro a líder o grupo de discípulos que se reflecte e perpétua em cada um de nós…! O caminho faz-se caminhando.. adiante… olhe, aproveite e leia o que o irmão Francisco nos oferece nesse texto que a Ecclesia partilha... isso é que importa, o resto, é acessório…!

Peter disse...

"Francisco sustentou que esse problema deriva do facto de haver pessoas “teimosas” que querem “domesticar” a ação do Espírito."

...para quê perder tempo com "berlindes", se existem tesouros muito maiores para descobrir e partilhar... meu querido Irmão Francisco, que nunca te falte a força e a coragem para "denunciar".. o tempo dos profetas ainda não acabou..

Jorge Pires Ferreira disse...

Pedro Gomes, a pergunta inicial do teólogo italiano faz sentido para quem quer aprofundar o sentido da vida, mensagem, obra de Jesus. E optar por uma ou outra visão tem profundas implicações eclesiais.

Mesmo que se substitua o "ou" por "e" (o "e" católico, da natureza e graça, corpo e alma, Espírito e estrutura, poder e serviço...), temos a pergunta: por onde começar? E dizer: pelos dois, que eu penso ser a melhor resposta, deixa sempre os dois insatisfeitos (coletivo e indivíduo, esquerda e direita, missão e comunhão).

Peter, obrigado pela notícia do Papa Francisco e o Vaticano II. Tinha agora mesmo acabado de escrever sobre o assunto.

Anónimo disse...

Tudo bem Jorge e obrigado por partilhar mais cuidadosamente… sabe, risos.. as minhas “fontes” são seguras e rápidas, elas voam depressa naquele seu trejeito de pombas rebeldes e incendiárias, mas as searas podem dormir sossegadas que esse voo é só o que é, brisa de Deus…risos…de incêndios, só se for os do coração…!

Peter

Anónimo disse...

Anónimo (1:38 PM).. só para completar a minha última intervenção consigo! O senhor diz, “…tentativas honestas e esforçadas dos seus filhos elaborarem reflexões sobre o seu Pai.”… sim, e conte comigo para fazer esse caminho juntos, mas é para “elaborar reflexões.. e não dogmatizar e tornar fixas e herméticas para toda a vida aquilo que surgiu da reflexão e depois impor aos outros como verdades absolutas!

Depois diz: ” Não há uma qualquer réstia de amor em quem critica quem dá a sua vida a reflectir e expor a mensagem bíblica peneirada pelo crivo de milhares de outras pessoas.”
Acha mesmo que não existe amor! Olhe que ele tb tem muitos rostos, acredite! E sobre esses “milhares de pessoas” não deve estar a falar das bases que fazem também Igreja, pois não… pelo que sei nas minhas pobrezas, as decisões e esse tal “crivo” é muito reduzido e só acessível a muito poucos eleitos, eles acontecem a um nível elevado, aí a partir dos príncipes para cima, ou não! Desde quando esses escutaram alguma vez ou acolheram as opiniões de outros seus irmãos na Fé!

Sabe, não temo nem me provoca “terror” os gestos do Pai.. a minha consciência apenas me “acusa” de não amar o suficientemente o meu irmão… o resto, ser acusado e pagar algum tipo de castigo por fazer o caminho da busca da Verdade e do verdadeiro rosto de Deus parece-me arrojado vindo de si tal ideia, ou não é um ser humano que busca tanto como eu! A não ser que aquilo que já descobriu ou lhe fizeram descobrir sobre Deus seja para si o definitivo e o Absoluto…! “Tenhamos, pois, esperança.”… sim, e que os nossos caminhos se tornem mais abertos e de escuta um do outro, porque a dois, a caminhada faz-se mais fácil…!

Peter

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