domingo, 21 de abril de 2013

Bento Domingues: "Dois ouvidos e uma boca"

Há mudança de clima no interior da Igreja Católica e na sua relação com a grande diversidade de mundos em que vive. Pelo menos, assim parece.

Bento Domingues na sua crónica do "Público" de hoje. Texto completo aqui, amanhã.

12 comentários:

Anónimo disse...

Cidade do Vaticano, 20 abr 2013 (Ecclesia) – O Papa ordenou este domingo 10 padres para a Diocese de Roma, numa missa a que preside na Basílica de São Pedro, no Vaticano, pedindo-lhes que sejam “pastores” e não funcionários da Igreja.
“Exercitai na alegria e na caridade sincera a obra sacerdotal de Cristo, determinados unicamente a agradar a Deus e não a vós mesmos.

Sede pastores, não funcionários! Sede mediadores, não intermediários”,

pediu Francisco, na homilia da celebração que decorre no 50.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações.


Peter

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

Ó Peter... e o que Francisco disse ontem, não o fez sentir-se incomodado? Olhe que eu imagino-o como das poucas pessoas a quem as palavras de Francisco caem como uma luva. Perfeita: os que querem criar uma Igreja à sua medida, mas que nunca será a de Jesus pois Este nunca poderá entrar nela.

Anónimo disse...

“O cristianismo foi na compreensão patológica católica reduzido a uma simples doutrina de salvação: importa mais saber as verdades "sicut oportet ad salutem consequendam", do que fazê-las numa práxis de seguimento de Jesus Cristo. Adora-se Jesus, sua terra, suas palavras, sua história, veneram-se os santos, decantam-se os mártires, celebram-se os heróicos testemunhos da fé, mas não se insiste no principal, que é pôr-se no seguimento deles e fazer o que eles fizeram; a celebração cúltica nem sempre leva à conversão e não raro a uma alienação da verdadeira práxis cristã.”
Leonard Boff “Igreja, Carisma e Poder”


Peter

Anónimo disse...

E Anónimo (8:16 PM).. aquela mensagem "caem bem como uma luva" sim, mas naqueles que são e se comportam apenas como “funcionários de Deus” como tão bem os retratou Eugen Drewermann na obra, "Funcionários de Deus"..! A mim, ao ler o que disse o irmão Francisco, lhe garanto que apenas me inundou uma verdadeira paz.. abençoado Irmão Francisco…

Peter

Anónimo disse...

Ao menos tenha a honestidade intelectual (é pedir-lhe muito?)… de assumir que o contexto em que foram proferidas tais palavras se integrava na reflexão que o Irmão Francisco faz “sobre o papel dos Padres na Igreja” como aliás referem e bem as fontes da ecclesia! Seria salutar aumentar as dioptrias das suas lentes amigo Anónimo!

Peter

Anónimo disse...

Caro Peter , no exemplo q dá de Boff, este limita-se a descrever uma patologia ou uma deriva que mais não é que uma má interpretação do ensinamento da Igreja. Ou seja as pessoas são livres e fazem um bom ou um mau uso das coisas. A religião como qq ideologia ou ensinamento não està imune a isso, da mesma forma que você poderia criar um organismo cheio de boas intenções e boas regras, e os seus seguidores e você próprio poderiam a qq momento subverter tudo. Simplesmente, Boff pegando no desvirtuamento das coisas aproveita para as pôr em causa - o exemplo q dá da celebração cultica é típico. Se se utilizasse o mesmo racional de análise critica para todas as formas encontradas de organizações humanas sempre se iria chegar às mesmas conclusões. Se Boff criasse uma nova Igreja purificada com as suas ideias iria suceder o mesmo. E então como é q é ? Se a perfeição não é possível acaba-se com tudo ? Feche-se o santuário de Fátima (pois muita gente vai para lá comerciar com Deus), fechem-se os templos, feche-se o Vaticano, fechem-se os seminários, acabe-se com o ensinamento da Igreja.... Acho que sabem mais a Tradição e o magistério da Igreja a dormir que mil Boffs acordados. Por vezes penso o que seria uma Igreja à medida de alguns progressistas....confio muito no Espírito Santo para guiar a Igreja e aceitarei sempre o caminho indicado por ela seja ele qual for (não significa isto que eu seja um catolico exemplar). Nem sequer gasto muitas energias a pensar nisso pois se quizer melhorar a minha relação com Deus e com os outros, as ferramentas que tenho ao dispor (eu e todas as pessoas q assim o queiram ) são as necessárias. Os progressistas independentemente do acerto ou não de algumas das suas reinvidicacoes parece que precisam sempre de mais qq coisa e que a Igreja só acertará o passo quanto seguir finalmente a sua agenda, até lá será sempre uma fonte de água inquinada a desviar os fiéis de Deus e a passar uma Palavra escamoteada do verdadeiro Deus. Não será isto uma enorme dose de falta de humildade?
Saudações
Jacome

Peter disse...

Jacome, ao contrário do que diz, eu “gasto mesmo muitas energias a pensar nisso”, aos olhos de Deus sou o único responsável pelos meus actos, e estarei mesmo em muitos “maus lençóis” se não o fizer, pois arrisco-me a ser uma peça de um jogo alheio nas mãos de alguém que me leva para onde quer, esses tais “gestores do sagrado” mailos “funcionários de Deus” a quem o Irmão Francisco se dirigia e que Boff tão bem descreve! E olhe que ele não estava nem a dormir nem acordado, estava isso sim com os pés bem assentes na Terra e na linha daquilo que é a verdade bem clara aos olhos de todos, mesmo que alguns ainda não tenha ajustado as dioptrias da visão do seu coração! Leia e medite neste pedaço de tesouro que ele nos partilhou nesse livro da “Igreja, Carisma e Poder”, olhe que não lhe faria mal nenhum lê-lo, aquilo “desintoxica” mesmo a alma de muito boa gente que ainda está muito dependente da mão dos outros, digo-lhe isto com todo o respeito que tenho por si, já percebi que é gente de bem e que busca com sinceridade:

“Apontaremos somente a estrutura patológica de fundo que reside na absolutização e ontocratização da mediação. Acentua-se tão-somente o momento de identidade entre mediação e cristianismo, ocultando, quando não recalcando, a outra dimensão da não-identidade. Assim a instituição da Igreja é de tal maneira
absolutizada que tende a substituir Jesus Cristo ou a entender-se igual a ele. Em vez de ser função sacramental da redenção, se independentiza, bastando-se a si mesma e se impondo opressivamente sobre todos. O catolicismo privilegia a palavra (dogma) e a lei (cânon). A palavra e a lei exigem o especialista (o teólogo e o canonista). Assim surgiram as elites dos doutos e dos hierarcas que possuem a gestão exclusiva do sagrado. Como são os únicos versados, presumem que somente mediante suas doutrinas, dogmas, ritos e normas se obtém a salvação e se pertence à Igreja. Uma coisa é o dogma e outra o dogmatismo, a lei e o legalismo, a Tradição e o tradicionalismo, a autoridade e o autoritarismo. “
Leonardo Boff

Saudações

Peter disse...
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Peter disse...

Eu tive a graça de conseguir tal tesouro ainda por cima com os anexos de toda a correspondência e processo entre o Vaticano e este Irmão! Abençoado quem me indicou-relembrou e quem mo enviou! Eu andava a adiar tal abordagem, mas agora vai ser seguramente, entre as Sagradas Escrituras, e as Obras de Santa Teresa de Lisieux que agora voltou a bater-me à porta, para transportar outra vez o coração aos bons velhos tempos, um dos meus livros de “cabeceira” por uns bons tempos, assim Deus me ajude e me proteja dos “gestores” que irão certamente selar a minha porta com o selo de “Danger” p.f. manter-se afastado, espécimen cristão em quarentena espiritual!

Anónimo disse...

Peter, Boff refere uma deriva indesejável da Igreja ('absolutização e ontocratização da mediação...que tende a substituir Jesus Cristo ou a entender-se igual a ele. Em vez de ser função sacramental da redenção...Uma coisa é o dogma e outra o dogmatismo, a lei e o legalismo, a Tradição e o tradicionalismo, a autoridade e o autoritarismo', poderia eu acrescentar a confusão entre moral e moralismo...), com a qual consigo concordar e que é tão recorrente quanto é entre os seus membros poderem encontrar-se pessoas que não buscaram o serviço mas tão só o 'servirem-se'( e isto terá mil formas possiveis). já não concordo quando Boff sugere tratarem-se de patologias de fundo e ser aquele um retrato fiel da Igreja no seu todo. Caro Peter agradeço a sua sugestão de leitura. Em todo o caso tenho uma visão bem positiva da Igreja - tive normalmente boas experiencias - e quando tenho más experiencias consigo relativizá-las...e também sei que a plenitude e a perfeição não são atingidas neste mundo,
Saudações
Jacome

Peter disse...

E acha que isso que até o Jacome reconhece é assim de tão pouca gravidade! Tem mesmo dúvidas que são "patologias de fundo".. então se não o são, porque é que elas se arrastam à séculos e a Igreja nunca mais se levanta desses estertores que vão provocando cada vez mais sangrias, expressas nas fuga constantes dos fieis que nunca mais param?!!! Meu caro, não há “poesia” nem “teologias” que nos possam desviar a atenção do que é essencial à Fé, por mais que se engendre mil e uma tácticas para calar o outro no intuito de ocultar ou desviar-nos a atenção sobre a realidade de tais enfermidades!
É claro que na Igreja existem muitos(as) que procuram fazer caminhos com fidelidade à verdade, mas isso não elimina o problema principal, porque se vai alimentando e mantendo vivo o NÚCLEO e as Metástase dessa espécie de “célula cancerosa” que vai minando todo o CORPO… e que ao sentir-se tocado-remexido por corpos exteriores aos que são ali permitidos coabitar, provoca logo reacções tão adversas nessa ira e violência que não olha a meios para matar aquilo que é a sua própria CURA! Na VIDA da Fé, caro Jacome, não há meios-termos como esses de ser-se conservador ou progressista... há apenas seres humanos amados por Deus sem limites, e ainda assim todos muito doentes por sinal, porque quando um membro está doente todos que pertencemos ao CORPO estamos doentes… ninguém escapa, percebe! Pois, então em frente, o abismo espera!

Saudações…

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