segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Bento Domingues: "Ano da fé. Um decreto, para quê? (2)"

Texto de Bento Domingues no "Público" de ontem:

1. Em 1953, numa curta viagem de camioneta, sentou-se ao meu lado um padre de outra congregação religiosa. Sobre as características e as imagens de marca das invocadas na conversa adiantou: "Em humildade ninguém nos supera." Não estava a fazer humor. Fiquei tão alérgico ao elogio da humildade como às disputas entre arrogantes. Nada, no entanto, mais inspirador do que uma pessoa humilde.

Esteve, em Portugal, frei Bruno Cadoré. Nasceu em 1954, formou-se em Medicina, entrou nos dominicanos, foi director do Centro de Ética Médica do Instituto Católico de Lille e, depois de ter sido provincial em França, foi eleito, em 2010, mestre geral da Ordem.

Não interessa explicitar aqui o que foi o seu brilhante e inspirador percurso profissional e dominicano, pois ele próprio nunca se lhe refere. É como se não tivesse existido.
Fr. Bruno Cadoré

Veio para visitar a família dominicana portuguesa, na diversidade dos seus ramos, e revelou um estilo que não é muito habitual nos eclesiásticos.

Na primeira reunião com a comunidade a que pertenço, procurou ouvir-nos acerca da situação da Igreja em Portugal, da diocese em que estamos inseridos, do papel das ordens e congregações religiosas, masculinas e femininas, segundo o carisma de cada uma. Passou, depois, ao encontro fraterno, com cada um, individualmente, não para falar, mas para escutar. Durante meia hora ouviu-me, sem dizer uma palavra, despediu-se, sem me fazer qualquer recomendação. É evidente que debateu, com os órgãos das instituições da Província Dominicana Portuguesa, as questões com que ela está confrontada. Fez também a visita às monjas dominicanas, fundadas, no século XIII, por S. Domingos. Ainda antes do ramo masculino, eram elas a Santa Pregação. Encontrou-se também com as outras religiosas e com os leigos dominicanos.

Se Cristo veio, não para condenar, mas para manifestar o amor de Deus pelo mundo, como se poderá chamar evangelização, nova ou antiga, às obras, palavras e atitudes que não sejam escuta humilde dessa amizade divina?

O método de Frei Bruno - muito ouvir antes de falar - foi praticado e exposto na Paróquia de S. Domingos de Benfica, ao apresentar a tradução da obra clássica sobre A Pregação, de Humberto de Romans, e as Actas do Colóquio sobre a Restauração da Província Dominicana em Portugal.

2. É antiga a convicção de que o silêncio é o pai dos pregadores e que a graça da pregação é secundada pelo estudo e pela contemplação. A fórmula dominicana foi cunhada muito cedo e já fazia parte do ensino de Tomás de Aquino:contemplar e dar testemunho da realidade contemplada. Era, desde a antiguidade, conhecida e exaltada a superioridade da vida contemplativa em relação à vida activa. Em benefício da sua própria causa, o santo doutor observou: a vida activa, que nasce da abundância da contemplação, vale mais do que a pura contemplação. Iluminar é melhor do que ser, apenas, luz. Foi este, aliás, o estilo da vida escolhida por Jesus.

A resposta é brilhante. Na prática, continuava a rivalidade entre o tempo consagrado ao principal e o tempo gasto com realidades temporais, inferiores. O tempo gasto na actividade esvaziava os ganhos da contemplação. A oração de S. Domingos, testemunhada pelos seus contemporâneos, estava sempre povoada pelas alegrias e tristezas do quotidiano. O trabalho apostólico não o dispersava nem o esvaziava.

Na sua conferência, frei Bruno Cadoré saltou fora do esquema de falsas oposições. A fonte e o alimento da contemplação não se restringem ao quadro conventual ou às celebrações litúrgicas. A Igreja - e nela o dominicano - não se pode apresentar ao povo cristão, aos membros das outras religiões, aos agnósticos e aos ateus como quem está na posse da verdade, dos bons princípios, dos bons caminhos e das boas soluções. Essa arrogância impede o caminho humilde da escuta, do estudo e do diálogo com todos os mundos em que se encontra, ou aos quais se dirige: a bondade e a verdade, servidas ou traídas, estão disseminadas em todos os estilos de vida e em todas as dimensões da existência. A Igreja, sem crescer e amadurecer nesse convívio, não pode partilhar nada, está fora de jogo. Esquece que Deus se insinua, de muitos modos, na vida das pessoas, expressa na diversidade de problemáticas e linguagens das sociedades, nas suas diferentes épocas e culturas. Os processos não são lineares e nunca nada está garantido.

3. Em vários países, sob o ponto de vista cristão, o século XX foi prodigiosamente fecundo, apesar de duas guerras mundiais. Basta pensar nos movimentos bíblico, litúrgico, missionário, ecuménico, social, na redescoberta da teologia patrística e medieval, nos novos modelos e paradigmas de teologia - das realidades terrestres, do trabalho, da matéria, da evolução, da conjugalidade -, assim como nas formas de evangelização da pura presença, nos meios mais afastados das instituições da Igreja. Foi uma história exaltante de muitas esperanças e desilusões continuadas, pela repressão que se abateu sobre vários destes movimentos.

O Vaticano II, iniciativa de um papa que tinha os olhos postos no mundo em transformação e no aggiornamento da Igreja, recuperou e alargou a geografia da esperança.

Como e porquê se perdeu este impulso?

26 comentários:

Peter disse...

Perdeu-se esse “impulso” porque continuamos a tentar legitimar a Fé aos nossos olhos e aos dos outros apenas pelos caminhos das “verdades estabelecidas” sem darmos espaço às verdades que vão nascendo diariamente no nosso coração pela Revelação que se faz presença na vida concreta daquele que vive apenas pela Fé que nasce da Revelação diária no coração humano… A Fé jamais é estática, está sempre num processo constante de mudanças e acontecimentos que se sucedem uns aos outros e ela não é algo que se possa legitimar nem dar ou receber por decreto, é dom de Deus que não age por decreto humano mas por amor a todo aquele(a) que abra o coração à sua presença! O Vat.II carregava esse “perigo” que representa o aggiornamento para muita mente ainda agarrada à Fé que nasce e se transmite por decreto… não é de estranhar a reacção que surgiu e se arrasta até aos nossos dias… naqueles dias tudo passou a ser questionado, e isso é insuportável para os caminhos abertos pelo dogmatismo imutável e impenetrável!

Anónimo disse...

Não acredito que se tenha pedido qualquer impulso. Mas é claro: há quem queira negar tudo o que é o conteúdo material da fé e dizer que é cristão.

Anónimo disse...

Título de capa da mais recente Newsweek: "Obama, the second coming".

http://lonelyconservative.com/2013/01/newsweek-inauguration-special-the-second-coming-of-obama/

Que pensar disto? Ah... pois... foi a mesma revista que disse:

«In a way, Obama’s standing above the country, above — above the world. He’s sort of God. He’s going to bring all different sides together».

Tem-se visto...

De qualquer modo: onde estão os cristãos (e muçulmanos) a protestarem "blasfémia" e a queimarem e matarem pessoas por isso? Não é isso que os jornalistas dizem? que o islão e o cristianismo geram as mesmas reacções?

AM

Peter disse...

Caro Anónimo10:40 am - a Fé expressa-se em conteúdos de vida, não está dependente nem se materializa em fórmulas… quando se faz- vive-age apenas por esse caminho das fórmulas, ela deixa de ser Fé para ser apenas algo estruturado humanamente! A Fé quando se torna descodificada deixa de ser fé: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. “ (Hebreus 11,1) Meu caro, se “espera” e “não vê” como pode então dar-lhe conteúdos! Esse é um dos grandes obstáculos à liberdade do Espírito que fazemos… e depois andamos a criticar os outros das seitas que nos seus cultos da prosperidade usam muito esse termo do “eu decreto que”.. é como se estivessem a tentar colar-obrigar Deus a pensar-agir em função do nossos decretos!


A Palavra é para nos levar a viver e a descobrir o verdadeiro sentido da VIDA e não para a usarmos como um qualquer manual técnico onde transpomos a Revelação para fórmulas que nos ajudam a compor o caminho que desejamos para nós e para os outros e que tantas vezes nada tem a ver com Deus! O exemplo de Nicodemos entre outros é suficientemente claro para percebermos do que está realmente aqui em causa!

Anónimo disse...

E prontos. Lá vem um a querer reduzir a fé ao que eu sinto e vivo: à minha convicção privada e individual que nunca é partilhável pelos demais. Olhe: estude um pouco melhor o que é a fé (1: convicção da existência de Deus; 2: confiança em Deus; 3: adesão a um conjunto de verdades entregues por Deus à sua comunidade; 4: acção em conformidade com isto) no seu sentido bíblico mais amplo e verá o quão longe está da verdade. Ok? Até lá, deixe de mandar bitaites. Creio que já lho disseram isto diversas vezes, mas persiste no erro. É pena. Mas não se atenha às minhas palavras: se quer continuar a fazer essa triste figura, continue.

Já agora: então critica as formulações humanas e atem-se a uma formulação humana para dizer o que é a fé? Ui. A isso chama-se incoerência. Mas como tal é o seu próprio código genético, nem se apercebe disso, não é?

Peter disse...

Amigo anónimo 1.08 pm – não vou perder tempo com os “bitaites” .. é terra que não irei lavrar mais por estes lados… pode pois recolhê-los nos bolsos dos seus diálogos…!


Não percebi o seu último comentário, meu caro: afinal, não sou eu um “individuo” e não vivo a Fé também na minha individualidade! Ou não é possível vivê-la sem a comunidade! Então, quando estou isolado num lugar qualquer por qualquer circunstância, como viverei eu a Fé! E “confiança em Deus” não é sempre individual! Não é ela uma decisão sempre pessoal e única, dependente apenas do meu sim! Ou para confiar em Deus ou dizer sim a Ele preciso fazer parte de um grupo e ter a aprovação do grupo em função do que acolho dele e das suas interpretações de Deus! E a “adesão a um conjunto de verdades entregues por Deus à sua comunidade” sobrepõe-se à Verdade que é a Palavra, ou preciso de instrumentos teológicos e doutrinais que a comunidade definiu nas suas interpretações como “verdades” para decifrar o que é Palavra de Deus e o que é palavra humana! Não é Jesus o Verbo… e para perceber o que Ele quer de mim não basta estar atento à vida que Ele viveu e indicou a todos, ou Jesus não serve como chave hermenêutica e preciso de outra mais elaborada por experts que são homens como eu! Afinal, onde fica aqui a Revelação e o Espírito Santo! Para que tenho eu então uma Bíblia! Ou a Fé que me foi dada por Deus e é revelada pelo ES tem que passar pelo filtro da interpretação humana estabelecida pelo status!? E já agora, citei Hebreus.. creio que foi Paulo e não o Peter a quem pedi “emprestado o abrigo” que escreveu tal coisa ou não!


E quanto ao seu 4. “acção em conformidade”: é lógico que não vivo a Fé e não amo a Deus no abstrato, é sempre nos outros que eu amo a Deus! A minha Fé e o meu viver não são abstractos, eles são profundamente humanos, e vivo e caminho junto a outros que buscam o mesmo Deus que se revela na sua Palavra e de muitas outras formas… mas quem me salva não é o grupo nem as “formas-fórmulas”, quem me salva é Deus! E quem decide escolhas com e por Deus não é o grupo por mim, sou eu… (é que tenho que ser mesmo eu a fazê-lo individualmente… a Salvação é sempre pessoal…)! Sou o único responsável pelas minhas decisões… o grupo ajuda-me a fazer caminho, mas não é a razão da minha Fé… ele faz o mesmo caminho da Fé que eu e nada mais… e juntos fazemos Igreja… não é a “Igreja” que nos “faz”…!

Peter disse...

Anónimo 1:08 PMJ- um pormenor muito importante que tocou no seu 1. (ponto sobre a “convicção da existência de Deus” que esqueci de abordar antes! Meu caro, mas acha mesmo que eu preciso fazer parte de um grupo ou fazer caminho com ele ou estar aprovado para ter a profunda convicção da existência de Deus!? Acha mesmo que alguém tão humano como eu ou alguma doutrina humana pode convencer-me mais da existência de Deus que o próprio ES! Acha-me mesmo assim tão ingénuo como quem anda para aqui armado em mandar apenas “bitaites”…! Acha mesmo que a minha Fé está dependente de algum tipo de tremores místicos ou experiencias dos sentidos para apreender e viver essa mesma Fé…! Acha-me assim tão redutor! Conhece-me ou conhece por acaso a minha relação pessoal com Deus para aferir e depois vir aqui falar-me uma forma tão “amarga” do alto das suas certezas! Sabe por acaso quantos anos dei da minha vida a essa Igreja que amo profundamente?! Ou só porque a amo me é impedido de discordar dela e partilhar outros caminhos! Pf. Deixe-se desses paternalismos moralistas, já sou adulto e crescido na Fé e humanamente para saber o que quero da vida!

Anónimo disse...

Peter, Peter. A sua incapacidade para ler e entender o que os outros lhe dizem é por demais gritante. Ora vá lá: tente mais uma vez.

Anónimo disse...

E não é que o Peter "conhecedor profundo de tudo" Peregrino regressou aqui? Boa! Esperam-se mais risotas em breve.

Peter disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Peter disse...

Anónimo das 5:19 PM – dizem por aí, sabe, os tais da psicologia, que um dos sintomas da insegurança e do aproximar do pânico é o riso! Agora, não sabia eu que a minha presença era assim tão ameaçadora para algumas almas que vêem logo a correr mal sentem um espírito livre a caminhar por estas searas…! Eu já percebi o seu incómodo! Sinceramente, é assim tão difícil para si acolher e entender que é tão válida a minha experiência e entendimento da Fé como qualquer outra, mesmo que a outra venha selada com o Nihil obstat da ortodoxia! Meu caro, que eu saiba, Deus e o conhecimento da sua Pessoa não é posse privada de ninguém! Ele sempre se revelou e revela a todo aquele que o busca com sinceridade e desejo! Já agora, os primeiros discípulos até eram pescadores, e, se não estou em erro, são acolhidos como Pais da Igreja! Bom, por outro lado, temos o episódio de Nicodemos, um doutor da lei bem ao estilo dos teólogos da nossa praça, mas esse, também teve que largar essa saca de areia teológica que tantos gostam de carregar, se queria ver-descobrir realmente a Verdade! Bom, felizmente que a GRAÇA ainda não está tabelada nem a VERDADE se tornou produto no mercado das certezas humanas! Vá, ganhe lá coragem e largue também esse saco, ou precisa dessas areias para viver e experimentar a Fé e o Amor do Pai…!

Peter disse...

Meu caro anónimo das 5:01 PM – há muitas formas de fugir quando o diálogo do outro já não interessa não é! Essa de ir estudar a Fé é que é gritante… então deitemos para o lixo a Revelação e o trabalho do ES que é quem ensina e convence..! Pelos vistos, para se ser salvo e conhecer Deus, exige passar pelos bancos de uma qualquer escola ..! então acha que não entendi mesmo nada do que o caro disse Eu vou ser mais directo sim:


O caro fala sobre vários pontos, vamos por ordem então:


1: convicção da existência de Deus!
São os homens ou o ES que nos convencem dessa existência! Certamente que Deus se revela também na história e na vida humana, mas a Fé é dom de quem? Sem Fé essa revelação não é perceptível na história nem em lado nenhum, mesmo até naquilo que é mais sagrado para o homem! E acha que o conhecimento da Palavra é suficiente para se ser cristão ou ter pelo menos alguma Fé! Sabe, o diabo também conhecia e bem a Palavra ou não recorda o episódio das tentações de Jesus!


2: confiança em Deus:
Se não confiasse verdadeiramente em Deus, há muito que teria abandonado até a Igreja percebe, porque isso de confiar nos homens, sobretudo muitos daqueles que tem a responsabilidade do anúncio em nada ajudam a reflectir e a mostrar esse Deus de amor e de perdão… isso tem muito que se lhe diga! Quer exemplos, eles abundam infelizmente, os anos que vivi e servi na Igreja foram suficientes para verificar e viver muitas dessas experiencias.


3: adesão a um conjunto de verdades entregues por Deus à sua comunidade;
Sabe, há muitas formas de “adaptar” a Palavra aos caminhos e aos objectivos que desejamos! Ou acha que só porque Deus tenha entregue esse conjunto de verdades a uma comunidade, ela já está livre e imune aos acertos e acordos muito humanos que se tem feito nos caminhos da Fé ao longo de séculos! Mais uma vez, quer exemplos!?


4: acção em conformidade com isto) no seu sentido bíblico mais amplo e verá o quão longe está da verdade.
Aqui, nem entro na questão, basta-me viver e seguir os passos de Jesus! Como disse antes, quando não entendo totalmente a Palavra, Ele é a chave hermenêutica que uso! E na minha vida de Fé, procuro que esse viver esteja em conformidade com o Evangelho e a sua Pessoa!


Finalizando, sobre aos “bitaites”… se Amar e abrir-se ao Amor é persistir no “erro”, então abençoado erro! Por alguma razão escolhi o nome do discípulo que tanto errou mais ainda assim esses erros não se sobrepuseram ao imenso amor que tinha pelo Mestre…

Cumprimentos…

Anónimo disse...

Volta "inimigo eclesial", estás perdoado!!!

Anónimo disse...

Infelizmente os discípulos do Tomás de Torquemada ainda resistem no tempo e estão muito activos por estas bandas! Eles queimam tudo à sua volta!

Anónimo disse...

Pois é, caro anónimo. O Peter "Torquemada" está imparável. Deixemo-lo continuar a mostrar as suas "true colors".

Anónimo disse...

Gostei, em particular e além da "Revelação diária" (o Peter é mesmo protestante, não é?), do «basta-me viver e seguir os passos de Jesus». Lindo! O Peter percebe melhor a mensagem de Jesus do que quem, ao longo de 2000 anos, foi-a aferindo. Lindo. Deus no céu e o Peter na terra.

Peter: uma fé individual que não seja partilhável pelos demais não é a fé bíblica. Não se trata de negar que cada um tem a "sua" fé, mas de dizer que se esta é verdadeiramente fé, aceita ser aferida pela comunidade em nome da qual tal dom da fé é dado a cada indivíduo.

O Peter precisa de deixar de pensar que quem discorda de um ponto do que diz, discorda de tudo. Sabe? Há muitas formas de mostrar a ignorância, e essa é uma delas.

Mas quem é que é intolerante? Quem vilipendia quem estuda teologia? Quem vilipendia quem venera aqueles que são representados festivamente nas igrejas? Quem vilipendia quem sabe a diferença entre um órgão oficial e semi-oficial? Quem vilipendia quem sabe a periodicidade da AAS? Quem vilipendia quem sabe o que é a "glória de Deus"? Quem vilipendia quem diz que o "Imagine" é uma canção que foi escrita com o explícito motivo de atacar o cristianismo? Quem vilipendia quem diz que falar do que não se sabe são bitaites ignorantes? Quem? Olhe para si e lembre-se: não fale do que não sabe: isso foi pedido pelo autor deste blog e o senhor tem sistematicamente desprezado o seu pedido.

Não seja intolerante. Seja compreensivo e reconheça que até o senhor oscila no que diz.

Anónimo disse...

Porra... os "liberais" são mais obtusos do que os "conservadores". Lendo os comentários do Peter parece que está sempre a dizer: "não acreditam nas minhas emoções? olha, tens uma solução: sai para fora da minha Igreja".

E que é o "Inimigo eclesial"?

Peter disse...

Anónimo das 10:41 AM – primeiro, não me conhece para me tratar por tu, penso que o respeito ainda é ensinado e existe pelos lados dos crentes ou já não!… E realmente o caro não poderia ter sido mais claro… diz tudo, quando fala “sai para fora da minha Igreja”… Amigo, quando ela é MINHA então mais palavras para quê! E não precisa de me convidar a sair, há muito que já sai dessa sua Igreja porque a verdadeira Igreja é gente, não é algo que se tem como propriedade! Esse é um dos grandes males que enfermam muitos cristãos como o caro, que ainda não entenderam que são pessoas que fazem igreja e não instituições ou pedras! Já agora, não nego e não conheço ninguém que seja minimamente humano e normal que não viva também com emoções, (Jesus também as viveu)… mas o caro, deixou-se invadir-dominar completamente por elas ao convidar-me na sua intolerância a sair! Acha mesmo que lhe iria dar a si um ser humano como eu ou a mais alguém esse “poder” de me fazer sentir fora da comunhão do Pai… pobre espírito que ainda não entendeu o que é comunidade e comunhão…! Acha mesmo que Igreja é geografias, espaços-materialidades ou algum programa doutrinal…! Realmente a sua intervenção neste espaço, não poderia ter sido melhor exemplo e reflexo dessa “sua igreja”…! Haja Deus…

Peter disse...

Anónimo das 10:34 – com o seu comentário, fez-me voltar aquele episódio do concilio de Jerusalém, imagine-se, para resolverem e decidirem um pequenino problema mas que na mente ainda tão judaica de muitos convertidos era um “problemão”, vejam lá, a coisa tratava-se apenas de um pedacito de pele… a tal questão da circuncisão… e depois quem poderia ou pode parar essa bola de neve dos seguintes concílios… salvam-se alguns, muito poucos como o Conc.Vat.II mas logo, esses tais do “espírito da pele” levantaram as armas e adiante, a lutar feitos D. Quijotes contra os inimigos da ortodoxia e da Igreja pré-conciliar… não foram 2000 anos… mas chega para aferir os estragos e as deformações que se tem feito ao verdadeiro rosto de Cristo e ao Evangelho em tanto concilio para não falar das misérias humanas que eles deixaram a nu!


E o que é isso de ser “protestante”… está a falar dos irmãos (que amo muito) e que mantiveram exactamente as coisas e apenas lhes deram outra forma, mantendo os graus e poderes eclesiásticos, ou aproveitando tudo com outras nuances, dessa doença tão presente nas teologias e afins que se arrogam de estudar Deus e definir a Fé a partir de pensares e métodos que estão infestados do ADN que se misturou dos genes do pensamento gregos e romanos! E da “Revelação diário”… tem mesmo dúvidas? Acha mesmo que já está tudo revelado e que Deus parou de se revelar ao homem a cada dia!? Meu caro, outra coisa são as doutrinas e nem essas são estáticas, elas são apenas um reflexo de uma geração e de um tempo que julga poder legislar em nome de Deus e toca a lançar dogmas a torto e a direito como é o exemplo tão caricato e tristemente célebre do Limbo! Muito gostaria eu que me dissesse qual seria a sua resposta a um daqueles pais que perdeu uma criança, e que depois de tantos anos a viver na angustia de não saber o seu filho em parte nenhuma, lhe vem agora aqueles que “lançaram” essa criança para um limbo, dizer que afinal tal coisa era apenas um detalhe e passemos adiante..! Esse é o trabalhinho sério que se tem feito ao desses 2000 anos meu amigo… pois é…!


E não me venha com a historieta do venerar as imagens nas igrejas… ou então porque é que muitos(as) desses “veneradores” ignoram por e simplesmente o Sacrário e andam por ali a fazer o passeio das capelinhas dos santos saindo depois do templos em olharem sequer ou pararem um pouco a orar diante do Sacrário… e carregam as caixas das esmolas desses espaços e na porta da Igreja negam depois um pão a alguém que ali pede! E falo sim, sou uma pessoa totalmente livre e responsável pelos meus actos e palavras… e sei tanto do que falo como o caro, ou a sua experiencia e fé em Deus é melhor ou mais válida que a dos outros! Pois. calar… Isso era o que muitos como o Anónimo queriam que fizesse, que me calasse e se pudessem nem me pediam, silenciavam-me pura e simplesmente como sempre o fizeram no passado! Não venha para aqui falar de intolerâncias porque já há muito que estamos falados! E deixe-se desses “vilipendismos”… parece que ficou traumatizado com a opinião diferente… não consegue viver na diferença…?! Olhe há solução para isso, ou escuta e tenta compreender ou não leia… Uma coisa é não concordar e expressar esse desacordo, outra é acusar alguém de negar tudo o que chega do outro lado só porque nele se coloca em causa o que se acredita cegamente! Acha que ser cristão é estar sempre a aparar os seus insultos… deixe de chamar nomes às pessoas só porque elas pensam e vivem diferente de si..! Shame on you!

Anónimo disse...

Inimigo Eclesial = blogue;humor;contundente;satírico; eclético;"onde todas as notícias são tão falsas que só podem ser falsas".

Mesmo assim...o medo foi mais forte!

Calaram-lhe a boca. :(

Peter disse...

A uns “calaram-lhe a boca”… a outros, querem meter-lhes na boca as palavras que o outro não disse e nem sequer as pensou, palavras essas que não são mais que desejos escondidos camuflados atrás de uma perplexidade feita ingénua como se o outro fosse assim tão “obtuso”… Pois, meu caro das 10:41, entre o “parecer” e “ser” ou “dizer” há muito caminho ainda… seria mais honesto ter logo dito: Peter, ponha-se a milhas porque na “minha igreja” ai de quem se atreva a meter o nariz mais para além da sacristia, ao invés de dar indirectas feito ingénuo e inocente como se o mundo que o rodeia fosse feito de obtusidades…! Eu percebi-lhe bem o recado não precisava de ter colocado as “aspas” nem pensar por mim… ! “Emoções”.. o que lhe fazia falta meu caro, para saber o significado da verdadeira emoção era passar alguns anos a perder noites e os melhores anos da sua vida a ajudar outros na gratuidade do servir recebendo muitas vezes ingratidão, silêncios e esquecimentos, para perceber de quantas emoções é feito um coração que se deu a Deus totalmente como consagrado… no meio do barro eram muito poucos os que vi ali a sujarem as mãos…! Muito gostaria eu de lhe falar a si e a outros que me interpelam aqui olhos nos olhos para ver como seria o brilhar deles!

Anónimo disse...

Peter,
há pessoas que gostam de se ouvir,
quanto a si, parece-me que gosta de se ler.

Anónimo disse...

Anónimo, ainda assim não deixa de me ler! Porquê? Ou era isso que queria dizer e colocou o verbo da forma errada! Um bom dia para si, e cuide mais da sua pacificação… esta vida são dois dias e um já passou… era o de ontem… hoje, quem sabe se algum dos dois chegaremos a ver hoje pôr-do-sol….

“Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos. (Eclesiastes 9,11)

Peter

Anónimo disse...

Definitivamente: gosta mesmo muito de SE ler.

Anónimo disse...

Espelho meu, espelho meu, quem é mais inteligente e poeta do que eu (Peter)?

Anónimo disse...

Bom... entre espelho e holograma fico-me com o espelho, pelo menos nesse vejo o meu rosto verdadeiro, agora há quem não goste desses e os troque facilmente por hologramas, porque nesses sempre pode deslumbrar-se conforme a luz, os ângulos e as formas que tanto deseja "parecer"... o pior é quando a noite da existência chega.. não há holograma que esconda a realidade total do ser humano.. esse barro que nos forma a todos meu caro...

Isto da escrita é uma arma tremenda e tramada, (mesmo feita de uma forma atabalhoada e trapalhona como é a minha).... sobretudo para aqueles que estão habituados a viver e a alimentar-se do pensamento único... adiante... ainda, a tarde está a começar...

cumpts....

Peter

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