quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Não obedecerás a dois senhores, ao Papa e ao grande timoneiro


Universidade em Pequim. Uma delas

O Partido Comunista Chinês declarou guerra ao cristianismo nas universidades porque, diz num documento de maio de 2011 mas só agora divulgado, esta religião é uma doença, “uma conspiração política para dividir e ocidentalizar a China”. O documento tem como título “Sugestões para resistir bem ao uso da religião por indivíduos estrangeiros para ser infiltrarem em institutos de ensino superior e para evitar o evangelismo nos campus universitário”. Li no “Público” de hoje, embora duvide do título do documento e do plural de campus, que deve ser campi. Entre as medidas preconizadas pelas autoridades chinesas está “aumentar a propaganda e a educação sobre a visão marxista da religião e os princípios do partido”.

Diz ainda a notícia – e nunca tinha pensado nesta perspetiva – que a China é o sétimo país do mundo em número de católicos. Não diz quantos são em número absoluto, mas diz que são 3,1 por cento da população, o que dá mais de 40 milhões de católicos para uma população de 1,3 mil milhões. (Quais os seis com mais católicos? Penso que estes: Brasil, México, EUA, Filipinas, Itália e a seguir um destes três, mas não sei qual: Espanha, França, Polónia).


Mais uma vez, o medo de os católicos, principalmente esses, obedecerem a um outro soberano, o Papa, e não ao líder da China. Como se o dilema se pusesse habitualmente na mente de qualquer católico.

Por outro lado, é sabido que as autoridades chinesas não querem aplicar os princípios marxistas a outros âmbitos que o das crenças, como a economia ("é glorioso enriquecer", disse o sucessor de Mao Zedong). Se quisessem, a religião cristã e concretamente a fé católica poderiam sair prejudicadas. É que a China é a maior produtora mundial de Bíblias e de imagens de Nossa Senhora de Fátima.

2 comentários:

Anónimo disse...

A China é a maior produtora "de tudo e mais alguma coisa". No caso das imagens de Fátima, devo dizer que acho muito mal. Devia ser um produto português. Em vez de andarmos sempre a procurar o mais barato e, por vezes, sem qualidade, devíamos valorizar o que por cá se faz e quando não sabemos fazer, devemos aprender. Qualquer dia só a China saberá produzir, os outros apenas servirão para consumir! Devo acrescentar que respeito profundamente todos os povos e culturas, mas considero que há patrimónios que devem ser considerados não alienáveis.

Jorge Pires Ferreira disse...

Também acho que deveríamos ter boa produção de objetos - para o nosso bem estar económico como país. Mas lá fazem tudo mais barato. Até as casinhas de xisto do Piódão são feitas na China. Alguns dizem que isso é um avantagem, por significar que já não compensa produzir aqui coisas que, na realizada, têm implicam pouco valor acrescentado. Mas...

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