segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ah, seu interesseiro...

Quando deixamos de sentir que temos de aderir acriticamente às religiões ou de as denegrir, estamos livres para as descobrir como repositórios de uma miríade de conceitos engenhosos com os quais podemos tentar mitigar alguns dos males mais persistentes e negligenciados da vida secular.

Alain de Botton, "Religião para ateus", pág. 15

12 comentários:

Anónimo disse...

“A religião oferece ao homem a salvação, com o pequeno preço de renunciar a todas as suas faculdades críticas.” Hitchens

Jorge Pires Ferreira disse...

Caro amigo, não creio que esse frase do saudoso Hitchens se aplique a uma religião, se é que é mesmo religião o cristianismo, que se inspira em Jesus Cristo.

Ele foi tão crítico para com todos os poderes da altura, em primeiro lugar o religioso, que era o mais importante, que, obviamente, não poderia morrer de velhice.

Anónimo disse...

Acredito que nem mesmo Hitchens acreditava nisto que escrevia... tão absurdo que não resiste a um pouquinho mesmo da faculdade crítica que 'defendia'...
Ou talvez tivesse mais fé em suas ideias que muitos fanáticos religiosos... Todavia, creio que queria mais polemizar e denegrir, não importando-se muito com a verdade!

Anónimo disse...

J.P.F - parece que Christopher Hitchens morreu de uma pneumonia na sequência de um processo clínico canceroso no esófago que presumo ser parte de um processo natural da vida humana! Surpreende-me e ainda por cima vinda de si essa afirmação que aqui deixa entrelinhas que aponta o óbvio nessa impossibilidade de Hitchens poder morrer de velhice porque se atreveu a enfrentar poderes religiosos! Sem ofensa, mas essa sugestão soa-me como uma fatwâ imbuída desse espírito que ele tanto combateu e que surge constantemente nesses ambientes onde se dão “os consensos, especialmente os dos homens “bonzinhos e formatados”, que com frequência, representam a morte da inteligência.”! Por isso não posso deixar de concordar com o remate do mesmo autor(1) desta análise que transcrevi e que finaliza dizendo que por causa disso ”o mundo ficou mais burro e conformado”. Embora esteja em desacordo com muitas das ideias deste escritor, ainda assim reconheço que Christopher Hitchens deixa um grande vazio na busca da Verdade e o Cristianismo como movimento que é não escapa a essa necessidade para que se possa sem tabus ou medos ir ao fundo das suas raízes para se depurar o que é de Deus e o que é dos homens e do campo do religioso!

Anónimo disse...

(1) comentário no Expresso de 16/12/2011 sobre a morte de Christopher Hitchens.

Anónimo disse...

Se leu todas as obras de Hitchens anónimo das 3:40 verá que não é bem assim o que aqui diz sobre Hitchens estar mais interessado em denegrir do que procurar depurar a verdade de modo a encontrá-la! Sei que é necessário ter estômago e abrir a mente já tão formatada pelos ortodoxias para ler e escutar muitas coisas que ele escreveu e disse mas se formos honestos nem que seja intelectualmente descobriremos facilmente que poucos autores como ele conseguiram colocar tanta gente a repensar a própria Fé! E os debates com as maiores figuras de topo mundiais da praça intelectual na área da fé e das ciências são inegáveis já para não falar aqui da sua outra dimensão de busca e depuração através da sua escrita terrivelmente tão rica e ao mesmo tempo tão inquietante! A sua morte é uma perda irreparável para qualquer cristão que deseje ser totalmente responsável pelo seu próprio caminho da Fé!

Jorge Pires Ferreira disse...

Caros amigos,

a minha frase...

"Ele foi tão crítico para com todos os poderes da altura, em primeiro lugar o religioso, que era o mais importante, que, obviamente, não poderia morrer de velhice."

...refere-se a Jesus Cristo, não a Hitchens (que eu gostava de ler, mesmo geralmente discordando - e por vezes concordando). Assinalei a morte dele aqui:


http://tribodejacob.blogspot.pt/2011/12/morreu-christopher-hitchens.html


Anónimo disse...

A religião pode transformar-nos em talibãs. Prefiro a Fé.

Anónimo disse...

A fé sem religião transforma-nos em caracóis...

Anónimo disse...

Fale por si.

Peter disse...


Anónimo das 8:10 p.m. não percebi essa dos caracóis! Espero que não esteja a sugerir que ser caracol no caminho da Fé tem a ver com aqueles hábitos das “tendas”, o que significa andar sempre com a “casa” às costas da nossa existência-caminhada sem conseguirmos livrar-nos dos muros e telhados que nos impedem de caminhar e respirar “ar natural”” nos caminhos das espiritualidades…! A não ser que caracol seja sinónimo de andar sempre “atrasado” ficando para trás quando procuramos caminhar lado a lado com a evolução das sociedades nos vários extractos das ciências e afins…! Bom, a “tralha” às costas pode abrandar o passo, mas já imaginou deitar-se fora muito daquilo que tanta gente se habituou a usar como alimento e a vestir como abrigo na sua existência espiritual!

E ainda o ano está a começar… seria um bom desafio livrarmo-nos de muita tralha mas depois quem…! Bom, já vou apanhar, quem me manda a mim peregrino da vida andar aqui a tentar induzir aos “despejos da alma” muitos desses bons corações que não conseguem já passar sem o abrigo da sua casa teológica mobilada com tantas doutrinas humanas! Misericórdia! A verdade é que no Encontro final nada levaremos das tralhas… não percebo pois como estamos ainda tão agarrados a elas já nesta caminhada rumo a Cristo…! Faz-me alguma confusão, confesso…!

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” Filipenses 4,8

Anónimo disse...

Claro que não. Apenas afirmei que uma fé sem religião (relação com o transcendente) é uma fé amputada, amorfa, castrada, impotente. Uma mera confiança em si, ou seja, naquilo que menos merece a nossa confiança. Por outro lado, sem religião (estruturada) não há objectividade, mas apenas os meus afectos e pensamentos emocionados. Nada de segurança nem comunhão, mas apenas a minha crença que nunca será partilhada pelos demais. Fé sem religião ou espiritualidade sem religião? Não obrigado. E sim, falo por mim, mesmo que me chamem taliban.

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