quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Bento XVI não se demitiu devido a D. José Policarpo, diz Luís Salgado de Matos



Na "Visão" da semana passada, veio esta curiosa explicação desse ser chamado Igreja Católica. E a realidade é que muita gente não está minimamente a par do que é uma diocese, um arciprestado ou uma vigararia.

Os dois últimos parágrafos são algo misteriosos, não só pela democracia, que pela primeira vez, em Portugal, "também se baseia na Cruz" (será a cruzinha do voto?), como pelo "plebiscito triunfal" organizado pelo Patriarca de Lisboa e que evitou que Bento XVI se demitisse.

15 comentários:

Anónimo disse...

Olá Jorge,

de facto esta espécie zoológica que são os jornalistas (especialistas em tudo menos em jornalismo), opinam sobre tudo, (de)formando consciências e opiniões. É triste, mas, em meu entender, inevitável. Que poderia ser feito para que isso não se passasse? Não sei. Não sei mesmo: quando eles cometem erros e são advertidos para isso, pura e simplesmente ignoram o que lhes é dito.

Fernando d'Costa

maria disse...

os jornalistas nem sempre fazem bem o seu trabalho, mas a igreja, enfim...e a nova norma na Alemanha? Não pagam, não há sacramentos. tenho link para a notícia no meu blog.

Anónimo disse...

Olá Maria...

Não esperava isso de si. Confesso que não. De pessoas menos informadas e formadas, ainda vá. Mas de si? Então acha bem que aqueles que se dizem publicamente como não cristãos (para pagarem menos impostos ao estado) podem receber os sacramentos? Ora pense um pouco. E lembre-se das palavras de Jesus de Mt. 10,32 e paralelos.

Fernando d'Costa

Anónimo disse...

"se dizem publicamente como não cristãos (para pagarem menos impostos ao estado) " Os cristãos pagam mais impostos que os demais? Até para a fé é preciso dinheiro!?... Onde vão os ensinamentos de Cristo? Não se pode servir a dois senhores!!!

Anónimo disse...

Ao anónimo das 11:01...

Queixe-se ao estado Alemão e não à Igreja. Ok?

Fernando d'Costa

Jorge Pires Ferreira disse...

Os católicos (e passa-se o mesmo com as outras confissões) pagam uma percentagem dos seus rendimentos à Igreja a que pertencem (pagam ao Estado e o Estado dá à Igreja, na Alemanha, para a Igreja Católica, a quantia ascende aos seis mil milhões de euros). Se declararem que são ateus, não pagam nada a ninguém. Aconteceu com muitos emigrantes portugueses declararem na Alemanha que são ateus, para amealharem mais algum dinheiro, e viram batizar os filhos à sua terrinha.

Pode-se questionar as regras, mas existindo como existem (e na Alemanha há outra seriedade nestas coisas que não há nos países latinos em geral)...

Anónimo disse...

Continuo a ver isto, não sobre o prisma do "não pagas, não X", mas do "renegaste publicamente a fé, não X". Mas posso estar enganado.

Fernando d'Costa

Jorge Pires Ferreira disse...

Fernando, não estou contra o que escreveu. Peço contrário, compreendo a sua visão e o que escrevi era um mero esclarecimento.

Penso que há aqui o velho gap latino / germânico. Sendo os alemães mais dados à formalidade, à organização. E ainda bem, a nós, como portugueses, é também isso que nos falta.

(Alguém das minhas relações tem familiares alemães, via casamento, e partilha o stress que é quando os alemães vêm cá a Portugal e não há planos bem detalhados para os momentos todos das férias).

O Fernando, com sangue escocês, é capaz de estar mais próximo do espírito alemão do que nós.

Mas nesta e noutras questões, a história conta e se as regras são estas, há que cumpri-las.

Falta dizer que algumas paróquias portuguesas ara alguns sacramentos e sacramentais não cobram quando os pagamento paroquiais estão em dia (e cobram quando não estão).

maria disse...

Olá Fernando,

agradecida pela consideração que tem por mim. :) Mas parece que o decepcionei. Bom, mas isso faz parte das relações: iludimo-nos e desiludimo-nos. Estou num tom de brincadeira...fique claro.

O Jorge já escreveu por aqui que os povos do Norte são mais dados à estruturação e formalidades etc. Os do Sul, menos. Eu, mulher me confesso, sou muito emotiva, sensitiva e uma nota como esta dos bispos alemães, fere o que em mim é mais imediato. Estou de sobreaviso para isso.

A Igreja precisa de uma estrutura para se manter. Essa estrutura precisa de ser financiada. O primeiro serviço da Igreja deve ser a caridade. Para que ele possa ser exercido, os que mais têm, contribuem para os de menores recursos. Aqui ninguém tem dúvidas. Mas qual é o princípio fundador de tudo isto? o que é que está antes da caridade?

É que se entramos com muito ênfase nas estruturas, no legalismo...fazemos exactamente aquilo com que Jesus lutou exaustivamente. Centramo-nos no Templo e esquecemos as pessoas. Sobretudo os mais desfavorecidos. Às vezes de défice de educação e cidadania (o caso dos emigrantes como diz o Jorge). E pensemos um pouco: em que Deus crêem as pessoas que assim procedem?

Resumindo: eu parto do princípio que é preferível sacrificar a estrutura, a que se perca de vista o essencial: a Caridade. S. Paulo, o disse.

Anónimo disse...

Olá Maria,

não se trata, neste caso, de formalismo... não é a Igreja que pede que lhe paguem (embora o dinheiro vá para ela... preferiria que o estado Alemão pagasse o que lhe deve de outro modo...); a Igreja não está directamente a subordinar os sacramentos ao pagamento do que quer que seja; ela apenas reconhece um facto que outros tomaram livre e voluntariamente.

Por outro lado: onde é que existindo dois, ou mais, seres humanos, pôde não haver uma organização? mesmo com a minha esposa (e os meus filhos, quando eles viviam connosco) havia uma hierarquia e uma estrutura familiar. Uma que que mudava segundo os âmbitos e as idades, mas que não deixava de o ser.

Fernando d'Costa

maria disse...

Fernando, eu não tenho conhecimentos suficiente para falar do caso alemão. Soa-me estranho esse sistema de financiamento da Igreja.

Mas também não ponho em causa que é necessário uma estrutura. Só me choca, quando essa mesma estrutura põe em causa este princípio: "7*Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. 8Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça." (Mt 10).

Anónimo disse...

Olá Maria,

não se trata de financiamento da Igreja. Mas se ressarcir estar, por parte do estado Alemão, daquilo que ela foi espoliada. Ou seja:

a) o estado alemão retirou bens à Igreja;
b) o estado alemão quer dar à Igreja e em dinheiro o equivalente ao que lhe retirou;
c) o estado alemão prescinde anualmente de x% dos impostos (pagos, por acréscimo, pelos cristãos -- e por que não os não-cristãos? o estado alemão não é composto por todos os cidadãos?) para ir dar esse dinheiro à Igreja;
d) alguns católicos, para não terem que pagar aquele acréscimo no imposto, dizem-se publicamente como não católicos...

que devia de fazer a Igreja? ignorar que tais pessoas negaram publicamente a sua fé?

Fernando d'Costa

maria disse...

e que credibilidade/responsabilidade se atribui a uma fé que é atestada na declaração de impostos? (não estou a dizer que uma coisa não tem nada a ver com a outra).

Gostei de uma observação do bispo Cordeiro de Bragança (noutro contexto): "O que a Igreja mais esbanja é a liturgia". É isto que eu penso ser o espírito evangélico: esbanjamento do tesouro que, de facto, não nos pertence.

Anónimo disse...

Olá Maria.

Creio que, agora, está a patinar. Então se o seu esposo disser numa declaração pública que não é seu esposo -- ou que não tem esposa --, você ignorava esse facto somente porque ele o fez numa tal instância?

Quando ao bispo Cordeiro: quando ele deixar de fazer mudanças por decreto e começar a fazer de um modo mais dialogante, pode ser que recupere alguma credibilidade...

Fernando d'Costa

Anónimo disse...

E o na altura P.e José Cordeiro, hoje D. José Cordeiro, tratou de se chegar à frente e trabalhar no duro para a vinda do Papa, para a organização com pompa, para a publicidade e empolgamento do público. Em 2011 recebeu o prémio.

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