quarta-feira, 11 de abril de 2012

Brevíssimo apontamento para um estudo da influência da Brotéria na arquitetura contemporânea portuguesa

Arquitetos Aires Mateus


Li numa "Pública" velhinha (21-11-2010), encontrada num monte de papéis que nestes dias mais aliviados encontram o seu destino final - a reciclagem, claro - que os arquitetos Manuel e Francisco Aires Mateus, irmãos, com obra significativa no concelho onde resido, são filhos de uma senhora que era secretária do P.e Manuel Antunes s.j.


Passou-se nos anos 80. "Tivemos acesso à biblioteca da [revista] Brotéria", diz Manuel. "Era uma figura extraordinária", acrescenta Francisco, suponho que referindo-se ao padre jesuíta, o que não é inequívoco pelo contexto.


Será que algum dos mais de cem pseudónimos de Manuel Antunes se inspira nos irmãos Aires Mateus?

6 comentários:

João "o discípulo amado" Silveira disse...

Um amigo meu está a fazer a tese de doutoramente sobre a Brotéria. Se quiser mais informações posso falar com ele.

Anónimo disse...

Mas quem mais pseudónimos usou na revista Brotéria foi o grande (embora exíguo de tamanho) António da Silva.

Fernando d'Costa

Anónimo disse...

Brotéria, Manuel Antunes... MA-RA-VI-LHA !

Pois deixo aqui uma nota pessoal
QUE DÁ MUITO QUE PENSAR !

(Lembbram-se da Nau Catrineta
Que tem muito que contar ?)

Pois bem, tudo isto é lindo,
tudo isto é triste, tudo isto é fado...

Ora bem, hoje é de muito bom-tom
evocar Manuel Antunes, a Brotéria...

O extraordinário Padre Manuel Antunes, a gloriosa Brotéria...

Pois bem, o que tenho a dizer é o seguinte :
tenho na minha posse alguns livros da biblioteca particular do Padre Manuel Antunes, comprados num alfarrabista da Rua Garcia da Orta, POIS A SUA BIBLIOTECA PARTICULAR FOI VENDIDA NUM ALFARRABISTA !

Pois é, o Padre Manuel Antunes...

A grande obra dos Jesuítas em favor da Cultura...

Pois é... biblioteca vendida, é o que é !

Assim vai o mundo...

E para que conste.

Anónimo disse...

Caro Jorge,
Pergunte a um dos trezentos jesuítas que deve conhecer como foram os últimos dias do Padre Manuel Antunes. E depois conte-nos aqui...

Aqui transcrevo o poema que Sophia de Mello Breyner Andresen lhe dedicou.

Chama-se "MEMÓRIA" :

TÃO NOBRE ESPÍRITO
EM TÃO ESTREITA REGRA
TÃO VASTA LIBERDADE EM TÃO ESTREITA
REGRA

Conte-nos, Jorge, como foram os seus últimos dias.

Não souv eu, será você
que irá contar a história.

Jorge Pires Ferreira disse...

Não sei como foram os últimos dias do P.e Manuel Antunes e se encontrar livros dele num alfarrabista não hesitarei em comprá-los. Admiro o homem que levava uma maçã como almoço para a Biblioteca Nacional de Paris, para não perder tempo, mas não sou um asceta desse tipo.

Não sei se no mesmo poema referido, Sophia critica o jesuíta, que parecia só espírito.

Dele só tenho duas obras, uma sobre Portugal e a Europa, há um par de anos reeditada na Multinova, e outra com pequenas biografias de grandes figuras da cultura mundial - Ocasionália. Além, claro, de textos na Brotéria.

Há relativamente pouco tempo, num encontro de católicos, ouvi um conferencista criticá-lo por exigir que os alunos soubessem de cor umas categorias gregas de não sei o quê - era exemplo do saber estéril em detrimento das competências para isto e aquilo.

Em todo o caso, gosto dos professores que mandam decorar - sem exageros.

Como foram os últimos dias do P.e Manuel Antunes? - É uma boa pergunta. Não sei se algum leitor deste blogue conheceu o jesuíta. Mas vou colocar a questão.

Anónimo disse...

Caro Jorge,
Não creio que Sophia critique, nesse poema, o jesuíta "que parecia só espírito", como você diz. Há, pelo contrário, um sentimento admirativo (que inteiramente partilho, e daí o meu desabafo de ontem) : "Tão nobre espírito". O desafio que lhe deixei (sobre os últimos dias do Padre Manuel Antunes) prende-se com esse verso e o que vem a seguir : "em tão estreita Regra".

Muito deve ter sofrido.

TÃO NOBRE ESPÍRITO
EM TÃO ESTREITA REGRA

Os legionários, os arautos, os sodalícios, os malteses, os imaculados... todos diferentes, todos muito iguais nos lados obscuros, nas trapal...