sábado, 6 de agosto de 2011

Tenham medo, muito medo

Quadro de Alessandro Allori, nas Galerias Uffizi, Florença

 


Escreve José Antonio Pagola a propósito do trecho do evangelho que hoje e amanhã é ouvido nas missas (fala de Jesus que aparece a caminhar sobre as águas e diz-lhes aos discípulos: "Sou eu, não temais"; Pedro caminha nas águas e começa a ir ao fundo...), e compreende-se, então, que os seus livros seja proibidos em Espanha, mais do que por qualquer erro dogmático, e, pelo que me dizem, muito brevemente em Portugal, ainda que com menos alarido:
Na Igreja de Jesus entrou o medo e não sabemos como nos podemos libertar dele. Temos medo do desprestígio, da perda de poder e da rejeição da sociedade. Temos medo uns dos outros; a hierarquia endurece a linguagem, os teólogos perdem a liberdade, os pastores preferem não correr riscos, os fiéis olham com temor o futuro. No fundo destes medos há quase sempre medo de Jesus, pouca fé nele, resistência em seguir os seus passos. Ele mesmo nos ajuda a descobri-lo;: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» ("O caminho aberto por Jesus. Mateus", ed. Gráfica de Coimbra 2).

11 comentários:

Anónimo disse...

Diagnóstico perfeito! E preocupante! Tudo o que Pagola diz é literalmente verdade! Há medo na Casa de Deus!

Jorge Pires Ferreira disse...

Preocupante é, também,que os seus dois livros publicados em Portugal estejam retidos na Gráfica de Coimbra. Já não saem mais para as livrarias. Obrigado pelo comentário.

maria disse...

é mesmo verdade o que conta sobre a Gráfica de Coimbra?! [pensei que ainda houvesse algum bom senso na Igreja Portuguesa (hierarquia)]

Anónimo disse...

Confesso que não sabia disso, Na verdade, tenho procurado em todas as livrarias e sempre pensei que seria por terem esgotado. É inacreditável. Como comentarão estes alegados intérpretes autênticos da Escritura Gál 5, 1?
(Foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou).
Acredito, porém, na revolução que há-de depor a última autocracia do Ocidente: a de Roma. Só que essa revolução não se fará com armas nem com palavras de ordem, mas com a brisa do Espírito!
Só é pena que, até lá, tantos (como Pagola) tenham de penar!
Parabéns pelo blog.

Anónimo disse...

O medo é o pior dos inimigos. Muitas vezes deixamo-nos dominar por ele. O número de comentadores anóninos é grande e isso diz alguma coisa. Não conseguimos ser livres. Parabéns pelo blog.

Anónimo disse...

É verdade. Mesmo que não nos deixássemos dominar, o que provoca medo dominaria na mesma. É mau haver medo em qualquer parte. É péssimo que haja medo na Igreja!

Anónimo disse...

Metem dó todos os comentários acerca desta matéria que foram colocados, tenho dito...

Anónimo disse...

Sem dúvida. Metem dó os comentários. Metem dó alguns comentários sobre os comentários. É tudo muito monótono quando os criticantes não descolam da coisa criticada.
Paz e Bem!

maria disse...

esquisita esta sequência de comentários anónimos...não tenho nada contra os mesmos - o que importa são as ideias. Mas sintomático de que na Igreja não são possíveis ideias dissonantes do instituído.

Quanto ao dó...é uma atitude de condescendência pouco cristã. Também é expressiva de uma atitude dominante na Igreja.

Quanto ao tema do post: comprei e li o livro de António José Pagola "Jesus uma abordagem histórica", editado pela Gráfica de Coimbra.
E tenho acompanhado a polémica em Espanha.
Da leitura do livro retiro o seguinte: quem ler os Evangelhos (sobretudo os sinópticos)e ler o livro de Pagola, não terá sobressaltos de maior. O livro é inócuo. De uma leitura muito fácil e acessível. Mas lê-lo, tendo como referência a catequética e dogmática sobre Jesus Cristo, é capaz de provocar alguma perturbação.

Anónimo disse...

Mas não é que mete mesmo dó...

José J.C. Serra disse...

o livro em apreço está sob investigação [;-)))))] da congregação para a doutrina da fé, daí, talvez, a retenção por parte da «gráfica de coimbra». mas a coisa parece-me irrelevante: qualquer católico minimamente informado poderá adquirir o dito cujo on line em edição brasileira, italiana, espanhola, inglesa e francesa. como sou amigo do jorge, de quem aprecio muito ideias e intuições, e para fazer um favor aos vários anónimos que povoam esta caixa de comentários, deixo um link para uma versão pdf do referido «maldito» em castelhano. aqui vai: http://sofia.ugr.es/materiales/textos/Pagola.JoseAntonio_Jesus.Aproximacion-historica.pdf

a postura inquisitorial da congregação para a doutrina da fé já só me faz sorrir. e este é mesmo o melhor remédio contra o medo manipulador. são espasmos antes do estertor final. talvez então nasça algo de novo onde o cristão se sinta realmente livre de viver segundo o espírito e não agrilhoado à lei. talvez. mas se não acontecer, tudo bem na mesma: já fomos salvos em cristo. saudações

Os dois maiores erros da história de Portugal

António Rendas, reitor da Universidade Nova (de partida) e durante dez anos reitor dos reitores portugueses, diz que "expulsar os judeu...