sábado, 23 de fevereiro de 2013

Sobre as revelações do "La Repubblica"


As revelações do jornal "La Repubblica" - em síntese, o Papa teria renunciado por causa do relatório de 300 páginas elaborado por três cardeais na sequência do "Vatileaks" onde se pode ler que há corrupção e um "lobby gay" no Vaticano - podem ser falsas. Ou não. Um leitor, no post anterior, desconsidera a peça por ter sido escrita por uma jornalista comunista, Concita de Gregorio.

Para conhecer mais o processo, que foi precedido por um artigo de Ignazio Ingrao na "Panorama" (mas o "La Repubblica" é que deu internacionalidade à coisa), vale a pena ler o blogue de Robert B. Monihan (um bem conhecido do Cardeal Saraiva Martins), que é editor da revista "Inside the Vatican". Eu espero arranjar um tempinho para ler este texto e os anteriores.

6 comentários:

Anónimo disse...

Ok. Ignazio Ingrao é mais credível. Mas fala, não a partir do que foi escrito, mas daquilo que quem foi abordado pelos relatores terá dito a estes. Mas como saber se o que lhe disseram foi o que disseram aos relatores? Monihan disse que irá falar com Ingrao. Veremos. De qualquer modo, o Vaticano, hoje mesmo, disse:

«It is deplorable that as we draw closer to the time of the beginning of the Conclave and the Cardinal electors will be held in conscience and before God, to freely indicate their choice, that there be a widespread distribution of often unverified, unverifiable or completely false news stories, that cause serious damage to persons and institutions».

Acreditarei mais na jornalista comunista ou no Vaticano? Nos factos, acima de tudo, ainda que John Allen Jr. já tenha dito ontem «no, Benedict didn't quit under the pressure of a "gay lobby", but the perceived disarray in the Vatican, which may well be one part perception and one part reality, probably made resignation look even better».

Jorge Pires Ferreira disse...

Também me parece - sem qualquer informação especial para além do que o próprio afirma - que a causa da renúncia de Bento XVI não são as pressões exteriores.

Quanto ao dilema "Acreditarei mais na jornalista comunista ou no Vaticano?", eu não o ponho assim. Poderia responder com este: "A jornalista arrisca a sua reputação a publicar coisas sem fundamento?"

Quantos relatórios secretos não foram negados vindo depois a provar-se que existiam? É uma constante do jornalismo.

Não sei se só se fala disto por causa do conclave. Na realidade, não vejo qual o objetivo da revelações ou como podem determinar a direção do conclave. O mesmo não diria do caso D. Carlos Azevedo, quer em relação a Portugal (Lisboa), quer ao Vaticano (Ravasi).

Anónimo disse...

Percebe-se bem que nada influencia o conclave. Uma agenda jornalística pois hoje faz mal aos jornalistas falar demasiado de padres e comp Lda. Felizmente que existe Manuel Clemente que sabe mais que eles todos juntos. Já quanto ao torgal... O habitual e mais do mesmo - banalidades.

Anónimo disse...

Não. Ela nada perderia sendo assalariada no PC Italiano e não do "La Repubblica" onde não é jornalista: escreveu lá apenas como "free lancer". Mas teria tudo a ganhar devido a questões ideológicas de fundo que, verdade seja dita, perpassam, ainda hoje, pelo espírito dos comunistas italianos que nunca aceitaram bem tudo o que, depois da IIGM, lhe aconteceu também devido, precisamente, à Igreja Católica.

Claro que no Avante podem vir verdades. Mas nunca toaria como verdade uma única palavra deste sobre o Vaticano que não fosse corroborada por outras fontes. Comunismo-fobia? Não: comunismo-realismo. É por isso que dou mais crédito ao que diz o Vaticano (até porque os documentos acabarão por ser públicos) do que diz quem diz o que diz mediante o uso de palavras como "terá"; "pode ter"; "consta"; etc.

Jorge Pires Ferreira disse...

Concordo com o que diz, sem estar a par das pertenças da jornalista. Mas quanto a "até porque os documentos [do Vaticano] acabarão por ser públicos", não tenho tanta certeza. "Acabarão", sim, no futuro, mas o futuro é muito tempo. E não me venha agora garantir que o Vaticano é um modelo de transparência no seu funcionamento e nos seus relatórios e documentos.

Anónimo disse...

Sim, futuro pode ser muito tempo (50 anos, creio). Transparência também pode faltar. Mas a ter que dar crédito a algo, a minha escolha está feita.

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