quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Quaresma


O papa Bento XVI apelou hoje [13 de fevereiro de 2013] ao fim da "hipocrisia religiosa" e "rivalidades" dentro da Igreja Católica, na sua última missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

É o que diz o DN. Levar a sério este apelo provocaria (uso condicional porque não tenho ilusões sobre a sua concretização de hoje para a amanhã) um novo Pentecostes. Nasceria outra Igreja. E teríamos de arranjar-lhe outro nome. Como me dizem uns amigos, não os imaginava tão perto de Bento XVI, “Igreja é sinónimo de hipocrisia católica”.

Nota às 10h48: Vale a pena ler os comentários que se seguem, especialmente o primeiro.

3 comentários:

Anónimo disse...

Surgem-me dois apontamentos sobre a homilia do Papa e a (des)informação a seu respeito (baseados na leitura da homilia no original, que pode ser lida aqui: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2013/documents/hf_ben-xvi_hom_20130213_ceneri_it.html):

1. O apelo à conversão é o tema «natural» da liturgia das cinzas. E ninguém deveria esperar que esse apelo fosse feito «aos outros». É um apelo aos cristãos, antes de mais, à Igreja que se quer una, como Cristo e o Pai são um. Isto para dizer que nada vi de novidade ou de provocação na homilia do Papa. Nada que não fosse a provocação com que somos constantemente pro-vocados e con-vocados pela Palavra.

2. É óbvio que a Imprensa estará atenta a qualquer palavra de Bento XVI que soe a polémica. É sempre mais mediático ter um Papa que renuncia por uma qualquer polémica que involva uma intriga secreta nos corredores vaticanos, do que um homem debilitado que tem simplesmente a coragem de se confessar vulnerável.

Mas, penso que a leitura da homilia deverá confirmar isto mesmo que digo. Sobretudo este parágrafo:

«Il profeta, infine, si sofferma sulla preghiera dei sacerdoti, i quali, con le lacrime agli occhi, si rivolgono a Dio dicendo: «Non esporre la tua eredità al ludibrio e alla derisione delle genti. Perché si dovrebbe dire fra i popoli: “Dov’è il loro Dio?”» (v.17). Questa preghiera ci fa riflettere sull’importanza della testimonianza di fede e di vita cristiana di ciascuno di noi e delle nostre comunità per manifestare il volto della Chiesa e come questo volto venga, a volte, deturpato. Penso in particolare alle colpe contro l’unità della Chiesa, alle divisioni nel corpo ecclesiale. Vivere la Quaresima in una più intensa ed evidente comunione ecclesiale, superando individualismi e rivalità, è un segno umile e prezioso per coloro che sono lontani dalla fede o indifferenti.»

Os golpes contra a unidade da Igreja não são apenas (mesmo se alguns sejam) os que se dão nos corredores mais escuros do Vaticano. Não nos falte a humildade para percebermos que esses golpes são dados por cada um de nós!

Pedro

Peter disse...

Palavras muito fortes as de este homem que não teve medo de mostrar a sua humanidade total… para muitos isso é escândalo e insuportável, eles sabem mesmo negando-o que neste gesto muita coisa mudou para sempre, e nem vale a pena nomear as consequências deste gesto, todos sabemos muito bem quais são…! Caro Jorge, a liberdade que Deus ofertou ainda provoca muitos medos em muita gente… mas este Papa, apesar da idade, num momento de grande lucidez espiritual, assumiu e teve coragem e abraçou essa liberdade despindo-se dessa infalibilidade e poder absurdo que nada tem a ver com Jesus que se fez um como nós, e que são o verdadeiro leitmotiv daqueles que se digladiam nos bastidores da Igreja e que vão reduzindo a cinzas o pouco que ainda resta do rosto do Jesus dos Evangelhos nela… ele percebeu bem quem o rodeava e onde estava, estas suas palavras agora não são “inocentes”…e por isso “mandou tudo às favas” e foi desfrutar e saborear os últimos anos da sua vida dessa liberdade… abençoado homem… o ES vai pregando destas partidas…!

Jorge Pires Ferreira disse...

Pedro, obrigado pelo esclarecimento.

Os legionários, os arautos, os sodalícios, os malteses, os imaculados... todos diferentes, todos muito iguais nos lados obscuros, nas trapal...