quinta-feira, 7 de junho de 2012

Santidade e instituições


Frase São Filipe de Nery deixada por um leitor anónimo nos comentários:

"É possível restaurar as instituições humanas com a santidade, não restaurar a santidade com as instituições".

Julgo que Bento XVI ainda há pouco citou esta frase ou então disse o mesmo por outras palavras.

Comentários mais ou menos a frio que me merece a frase.
a) Mas quem é que quer restaurar a santidade?
b) Em que século viveu S. Filipe de Nery (o patrono da capela da terra da casa dos meus pais!)? Ah. Isso foi antes da invenção da gestão.
c) Se as instituições não estão em função da santidade das pessoas (e não o contrário), para que foi instituída a Igreja? Como diz Juan Ambrosio, "não é a Igreja que tem uma missão; é a missão que tem uma igreja".
d) Não há instituições que precisam de, pura e simplesmente, ser abolidas (pensemos em pena de morte, escravatura, as investiduras, o limbo...)? Outras precisaram de ser discutidas e reformadas. Como em tudo o que é histórico e lida com humanos.
e) Há princípio melhor do que este para cruzar os braços comunitários e privatizar a fé? Em si, o princípio é pouco solidário e convida à resignação.
f) S. Filipe foi um dos grandes da Contra-Reforma. É o contexto da afirmação. Medo do sola fides, sola scriptura.
g) E aquilo dos "vinho novo em odres velhos" não tem nada a ver com o assunto?

3 comentários:

Anónimo disse...

Creio que falta um "?" no fim da primeira frase da alínea d. Não?

Fernando d'Costa

Rui Almeida disse...

Ainda há poucos dias, D. José Cordeiro, bispo de Bragança e Miranda dizia: «Aquilo que quero é que todos aqueles que nos dizemos Igreja, todos os cristãos que não são apenas de nome, mas que são com a sua vida e que a fé é estruturante na sua vida, que juntos possamos viver com Cristo, que é esse o fundamental na Igreja, porque a Igreja não é instituição, não é uma associação, não é um movimento, é uma comunidade de pessoas». (cito a partir de uma notícia da Lusa, replicada no site da RTP: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=558628&tm=8&layout=121&visual=49)

Anónimo disse...

Rui Almeida, é verdade que D. José Cordeiro o disse, ouvi-o pessoalmente.
Só que, se a igreja não é uma instituição, nas homilias das missas solenes comporta-se como se o fosse, parecendo o sr bispo(na introdução das mesmas homilias) um verdadeiro político a discursar. Ainda hoje, Corpo de Deus, assim aconteceu.
E que tal se não se misturasse religião, Fé, Jesus Cristo, com a política?
Até gosto deste bispo, mas de vez em quando apetece fazer uma vaia em plena missa.
Nas missas em que há políticos "convidados de honra"...
Sei que o bispo é um ser humano, como eu e como os outros, mas seria muito bom vê-lo fazer diferente...
Expulsar os "vendilhões do templo"!

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