terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O que sabe do Vaticano II?



O Concílio Vaticano II foi o maior acontecimento eclesial do séc. XX (há quem dê esse título às aparições de Fátima). Mas o que sabe realmente do Concílio? Faça este teste e avalie os seus conhecimentos sobre alguns aspetos mais factuais deste grande acontecimento.

1. O Papa que convocou o Concílio foi:
a) João XXIII
b) Paulo VI
c) João Paulo II
d) Bento XVI

2. Um concílio é…
a) Uma reunião de teólogos
b) Uma reunião de bispos
c) Uma reunião de leigos
d) Uma reunião de bispos, teólogos e leigos

3. Quantos bispos participaram no Vaticano II?
a) Mais de dois mil
b) Entre mil e dois mil
c) Menos de mil
d) Menos de 200, um por país

4. Quantos concílios ecuménicos houve até hoje?
a) 11
b) 21
c) 31
d) 41

5. Quantos anos durou o Concílio?
a) 1
b) 2
c) 3
d) 4

6. Quantos documentos saíram do Concílio?
a) 4
b) 8
c) 12
d) 16

7. Os documentos conciliares, como os do Papa, são identificados pelas primeiras letras das suas primeiras palavras em latim. O que significa GS?
a) Gratia et sacrificium (Graça e sacrifício)
b) Gadium et sapientiae (Alegrias e sabedorias)
c) Gaudium et spes (Alegrias e esperanças)
d) Gratia et salvatio (Graça e salvação)

8. No espírito de João XXIII, qual a palavra que melhor definia o espírito do Concílio?
a) Anatema sit
b) Perestoika
c) Statu quo
d) Aggiornamento

9. Após um concílio, quase sempre há católicos que não o aceitam. O grupo mais significativo que não aceita o Vaticano II são aos…
a) Lefebvrianos
b) Veterocatólicos
c) Protestantes
d) Jansenistas

Respostas
1. a) João XXIII. Os restantes papas estiveram no Concílio, Paulo VI (cardeal Montini) como arcebispo de Milão; João Paulo II (Karol Wojtyla) primeiro como auxiliar e depois como arcebispo de Cracóvia; Joseph Ratzinger, não sendo padre conciliar por ainda não ser bispo, colaborou enquanto teólogo. Era perito e consultor do cardeal Joseph Frings, arcebispo de Colónia.

2. b) Uma reunião de bispos (“concilium”, do latim, quer dizer reunião, assembleia) para tratar de matérias de interesse para a Igreja. O Vaticano II foi uma reunião de bispos. Leigos e teólogos participaram na retaguarda, auxiliando os bispos.

3. a) Participaram mais de 2000 bispos. O último documento a ser votado teve 2391 votantes.

4. b) 21. O Vaticano II foi um concílio ecuménico, isto é, para toda a igreja, representada por todos os bispos católicos (“ecuménico” deriva da palavra grega que significa “terra habitada”; este termo também é usado, noutro sentido, para o diálogo entre confissões cristãs). Pode haver concílios regionais e nacionais.

5. c) O Vaticano II durou três anos e três meses, de 11 de outubro de 1962 a 8 de dezembro de 1965. Neste período realizaram-se quatro etapas conciliares, nos últimos três ou quatro meses de cada ano. Quando João XXIII convocou o Concílio esperava que este durasse cerca de um ano.

6. b) 16 documentos. Quatro são constituições (os de maior importância); nove são decretos e três são declarações.

7. c) Gaudium et spes, nome da constituição pastoral sobre “A Igreja no mundo atual”. O documento começa assim, sendo uma das frases mais citadas do Vaticano II: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”.

8.d) Aggiornamento, que se pode traduzir por atualização, adaptação, “estar em dia”. João XXIII deixou claro, desde o início, que o Concílio não seria dedicado a condenar erros mas a procurar a atualização da doutrina da Igreja face à sociedade contemporânea. (“Anatema sit”, “seja anátema”, era a expressão usada nos antigos documentos da Igreja para condenar os erros; “Perestroika” foi a expressão usada por Gorbachov para a “reestruturação” da URSS; “satu quo” é uma expressão latina para referir o “estado atual” da coisas).

9. a) Lefebvrianos. D. Marcel Lefèbvre (1905-1991), francês, bispo missionário, primeiro participou com entusiasmo no Concílio, mas no final repudiou tudo o que diz respeito à liberdade religiosa, à procura da união com as outras confissões cristãs e ao diálogo inter-religioso, à colegialidade episcopal e à liturgia na língua de cada comunidade. À sua volta congregou muitos dos que não gostaram da renovação conciliar. Atualmente a Igreja católica dialoga com este movimento. Porém, a não aceitação do Vaticano II tem impedido aproximações efetivas.

[Os veterocatólicos (ou Velhos Católicos ou Igreja de Utreque), oriundos principalmente da Áustria, Alemanha e Holanda, não concordaram com o que saiu do Vaticano I (1870), nomeadamente o que diz respeito à infalibilidade papal. Hoje integram a Comunhão Anglicana.

Os Protestantes não são a reação a um Concílio, mas de alguma forma estão unidos na rejeição do Concílio de Trento (séc. XVI), no qual a Igreja católica repudiou muitas das pretensões de Lutero e Calvino e iniciou a Contra Reforma.

O jansenismo foi um movimento surgido na França e na Bélgica, no séc. XVII, caracterizado por grande pessimismo antropológico e excessivo rigor moral. Influenciou quer católicos (por exemplo na exigência de um estado de perfeição quase impossível de alcançar para poder comungar) quer protestantes.]

1 comentário:

Anónimo disse...

Agradecido por este post.

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