Muito se escreveu sobre o juiz do Porto e a Bíblia. Mas julgo que ninguém até agora tinha dito na imprensa portuguesa que a maior novidade de Jesus - sim, é mesmo uma novidade, uma revolução - sobre o casamento, que é esta: “Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira” (Mc 10,11). Até então só o homem tinha direitos matrimoniais e o adultério - cometido por homens e mulheres - era sempre relativo ao casamento de um homem. É o que explico no que vai na imagem e que foi publicado no jornal da Diocese de Aveiro.
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Bento Domingues: "Lutero não passou por Portugal"
Bento Domingues escreveu no “Público” de ontem que “Lutero
não passou por Portugal”. Primeira frase do texto. Grande síntese que, em cinco
palavras, diz muito sobre a religião, o poder, a Bíblia e a liberdade em
Portugal. Mas o que me deixou curioso foi a frase seguinte: “Na revista
Brotéria, de Outubro, tentei explicar por que lhe negaram o passaporte”.
Vou procurar ler a Brotéria de outubro. Quero ver como o
dominicano justifica o facto de os dominicanos terem sido a principal peça, por vontade própria ou a mando de outros, da engrenagem que negou o passaporte a
Lutero.
domingo, 5 de novembro de 2017
Fora do Diabo não há salvação
sábado, 4 de novembro de 2017
Faithbook
Por que é que a expressão da fé no facebook é tão pouco profunda, tão banal, tão folclórica, tão inconsequente, tão pouco atraente? Tenho cá para mim que faithbook só em livro, não em digital. A fé no digital passa pouco pelo facebook. Fé-cebook.
sábado, 26 de agosto de 2017
Os dois maiores erros da história de Portugal
António Rendas, reitor da Universidade Nova (de partida) e durante dez anos reitor dos reitores portugueses, diz que "expulsar os judeus e os jesuítas foram os dois grandes erros de Portugal". Fica registado. Concordo. Li na entrevista do DN de hoje.
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Para quando a primeira cardeal?
É inovação do Papa a nomeação de cardeal de um bispo auxiliar?
O Papa Francisco disse no domingo que vai fazer cinco novos cardeais. Um deles é D. Gregório Rosa Chávez, bispo auxiliar de São Salvador (El Salvador).
Tanto quanto se sabe, é a primeira vez que um auxiliar passa à frente do titular (o arcebispo de São Salvador) e é nomeado cardeal.
É capaz de ser inovação de Francisco.
O título de cardeal, na realidade, não está dependente de nada. Em teoria, nem padre é preciso ser para se ser cardeal.
Assim, espero que o Papa nomeie não clérigos para cardeais. Mais, espero sinceramente que nomeie mulheres para cardeais. E já vai tarde.
O Papa Francisco disse no domingo que vai fazer cinco novos cardeais. Um deles é D. Gregório Rosa Chávez, bispo auxiliar de São Salvador (El Salvador).
Tanto quanto se sabe, é a primeira vez que um auxiliar passa à frente do titular (o arcebispo de São Salvador) e é nomeado cardeal.
É capaz de ser inovação de Francisco.
O título de cardeal, na realidade, não está dependente de nada. Em teoria, nem padre é preciso ser para se ser cardeal.
Assim, espero que o Papa nomeie não clérigos para cardeais. Mais, espero sinceramente que nomeie mulheres para cardeais. E já vai tarde.
terça-feira, 16 de maio de 2017
sábado, 13 de maio de 2017
Um milhão ou mais
Pelo que dizem os comentadores, estiveram hoje em Fátima mais de um milhão de pessoas, o que quer dizer estão lá mais ou menos as pessoas que vão à missa ao domingo em Portugal.
Parece-me claramente um exagero. Não esteve tanta gente em Fátima. Julgo que o recinto não tem 200 000 metros quadrados. E mesmo que tivesse, era preciso meter cinco pessoas por metro quadrado, quando se sabe que numa multidão há pouco mais que duas pessoas por metro quadrado. Por outro lado, se pensarmos que na Basílica da Santíssima Trindade cabem 10 000 pessoas sentadas e que a basílica ocupa um terço da área do recinto... É fazer as contas. Eu acho que estiveram umas 300 000 mil pessoas (e por excesso). E que das outras vezes, quando falam em 300 000 nem 100 000 têm estado.
Uma maneira de calcular quantas pessoas estiveram no recinto começaria por saber qual a sua área. Alguém sabe?
Parece-me claramente um exagero. Não esteve tanta gente em Fátima. Julgo que o recinto não tem 200 000 metros quadrados. E mesmo que tivesse, era preciso meter cinco pessoas por metro quadrado, quando se sabe que numa multidão há pouco mais que duas pessoas por metro quadrado. Por outro lado, se pensarmos que na Basílica da Santíssima Trindade cabem 10 000 pessoas sentadas e que a basílica ocupa um terço da área do recinto... É fazer as contas. Eu acho que estiveram umas 300 000 mil pessoas (e por excesso). E que das outras vezes, quando falam em 300 000 nem 100 000 têm estado.
Uma maneira de calcular quantas pessoas estiveram no recinto começaria por saber qual a sua área. Alguém sabe?
Santos Pastorinhos
Visões, aparições, alucinações, imposições, construções, erupções. O que seja. Mas acredito que os Pastorinhos acreditam. Ter fé, na versão católica, também é ter fé na fé dos que nos precedem. Ter fé nos outros que têm fé.
sexta-feira, 12 de maio de 2017
Fátima... Lopes e outras alucinações
Li no Público online que junto ao palco da TVI em Fátima, o plateau, o pessoal amontoa-se para mandar beijinhos ao Marco Paulo, ao Goucha ou a Fátima... Lopes. Concorrência desleal a Nossa Senhora. Texto de Paulo Mendes Pinto.
Também ouvi na rádio dois estudiosos do fenómeno de Fátima, muito estudiosos, mas não crentes. E muito admiradores do Papa Francisco. Dizem, até, que o Papa ao vir como peregrino de certa forma descompromete-se de dizer se Fátima tem algo de sobrenatural, porque não pode ter, dizem. É contrução. Não tem como origem a igreja católica, mas esta aproveitou-se das "alucinações" (era o termo usado) de Lúcia (é curioso Lúcia ter alucinações - tudo a ver com luz). Na perspetiva dos comentadores, o Papa Francisco é porreiro, pá, é ótimo, é o maior, até diz coisas que nós, não crentes, há muito pensamos da Igreja Católica, por isso é que nós, não crentes, gostamos tanto dele, que até diz que é melhor ser ateu do que católico hipócrita. Esta é a lógica. Infelizmente o jornalista que está a moderar a conversa não lhes pergunta: "Podemos concluir, portanto, que o Papa vem canonizar duas crianças mentirosas". Ou "duas crianças alucinadas". Ou "duas crianças manipuladas". Ou duas "crianças enganadas". Ou "duas crianças erradas".
quinta-feira, 11 de maio de 2017
Henrique Raposo: O pós-verdade e o pós-pecado
Vale a pena ganhar uma hora a ler o texto de Henrique Raposo no Observador. O texto tinha sido proferido em Coimbra, nas jornadas do CUMN, no dia 1 de abril.
O pós-verdade é o pós-pecado. Aqui.
20 de fevereiro
Coincidências, há muitas. Mas que os pais da criança em que se fez o milagre que permite a canonização dos dois pastorinhos se tenham casado a 20 de fevereiro, que é o dia litúrgico dos pastorinhos, é uma coincidência admirável.
Carrasqueira
Hoje, duas vezes, em sítios diferentes, li que Nossa Senhora apareceu em cima de uma carrasqueira. Nunca tinha ouvido falar de tal espécie. Sempre ouvira falar da azinheira. Realmente, o mundo está sempre a mudar.
Fátima ou a confissão de José Manuel Fernandes
Uma artigo de José Manuel Fernandes sobre Fátima, esclarecido e humilde, com muitos links para outros textos significativos de Fátima (ou contra).
Fátima, ou a confissão de humildade de um não-crente
O sr. é mesmo jesuítico
Li na revista "Ler" desta primavera que José Sócrates "acusou Cavaco de ser «jesuítico»". Passou na TV, mas não vi. Cito o texto de BVA: "Perante a sua própria perplexidade, tratou logo de esclarecer que dizia jesuítico não no sentido neutro de «relativo aos jesuítas» e ao seu fundador, Santo Inácio de Loiola, mas no sentido figurado e popular de «maldoso» (palavra utilizada por Sócrates)". Fim de citação. Registado.
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Leituras católicas
No meio de tantos livros sobre Francisco e Fátima e Fátima e Francisco é difícil saber qual ou quais valem a pena ler, de facto. Há tanta coisa para ler, que é pecado perder tempo com maus livros. O difícil é saber quais os bons, no campo católico. Não há uma crítica católica em Portugal. E até compreendo porquê. Uns possíveis críticos estão a escrever livros. E outros possíveis críticos não querem criticar livros de amigos. Todos se conhecem.
quinta-feira, 13 de abril de 2017
sexta-feira, 31 de março de 2017
Deus é uma confusão de fios em que não se encontra a ponta da meada
Os sumérios tinham uma definição curiosa de Deus, curiosa e cética:
Deus é uma confusão de fios em que não se encontra a ponta da meada.
Já os católicos têm a Nossa Senhora Desatadora de Nós, tão da devoção do Papa Francisco.
quinta-feira, 30 de março de 2017
Revista do Papa
A revista do Papa está chegar. Estou convencido de que não vai durar muito. Meio ano? Desejo-lhe as maiores felicidades do mundo. Ou pelo menos a continuidade no tempo, com os necessários lucros. Eu vou comprar.
terça-feira, 28 de março de 2017
E tem muito peso na sua vida?
Lido hoje no DN. Entrevista a Patrícia Reis (a da revista "Egoísta").
Falámos só do abuso em relação à Sofia mas há outros temas
que aparecem n" A Construção do Vazio.
Há questões de identidade fortíssimas, de total desapego às
coisas, o que é uma desistência - a construção do vazio - e depois há este
cenário de pré-catástrofe. Há algumas referências religiosas de que eu não me
tinha apercebido.
Como deu agora por isso?
Um professor meu perguntou-me por que me tinha interessado
pelas religiões e eu fiquei a pensar. Percebi que todos os livros têm qualquer
coisa relacionada com a religião. Este território judaico-cristão onde nós
crescemos ainda é muito forte.
E tem muito peso na sua vida?
A religião?
Sim.
A fé em bastante peso na minha vida, não a religião
institucional, essa não tem peso nenhum. A fé tem imenso peso.
Em que sentido?
A fé que eu tenho, a fé que eu sinto. É fundamental, acho
que deve ser muito exigente viver sem fé, muito solitário, e eu optei por não
viver nessa exigência nem nessa solidão.
sábado, 25 de março de 2017
Ainda o milagre dos dois pastorinhos
“Não posso dizer mais nada. O novo regulamento da Causa de
Todos os Santos refere explicitamente que o autor da causa [bispo de
Leiria-Fátima, António Marto] e a sua postuladora não podem dar pormenores
sobre a cura. Envolve uma criança brasileira”.
Ângela Coelho, postuladora da causa
sexta-feira, 24 de março de 2017
Paradoxo do milagre
Pronto. Agora parece que os dois pastorinhos fizeram um milagre. Eu bem peço o milagre de não haver milagres (faz tanto mal à minha pouca fé a existência de milagres), mas está visto que, confirmando as minhas débeis convições, não o obtenho.
quinta-feira, 23 de março de 2017
Frederico Lourenço agora já gosta de São Paulo
Frederico Lourenço lança o segundo volume da sua tradução da Bíblia.
"Agora o texto de Paulo é aquele a que mais volto. É um texto fascinante do ponto de vista espiritual, intelectual e filosófico."
Entrevista no DN.
"Agora o texto de Paulo é aquele a que mais volto. É um texto fascinante do ponto de vista espiritual, intelectual e filosófico."
Entrevista no DN.
quarta-feira, 22 de março de 2017
Existo, logo hesito.
O meu bloque andas às cambalhotas. Ando à procura do melhor grafismo. Gostei deste em geral, não em alguns pormenores. Por agora fica.
terça-feira, 21 de março de 2017
S. José, pai exemplar
É incrível o que a Igreja consegue dizer da
"paternidade exemplar" de S. José, como se algum pai, muito ou pouco católico, se revisse ou imitasse S. José. Mas numa coisa S. José é imitável - e toda a gente sabe como isso pode ser importante para a família: estar calado. S. José, o patrono do silêncio.
Dia do Progenitor A e Progenitor B
Em Espanha uma organização LGBT pede que as escolas não celebrem dias como o Dia do Pai ou o Dia da Mãe para evitar "situações involuntárias de discriminação". E eu ainda estou a pensar no que isto significa.
segunda-feira, 20 de março de 2017
Katy Perry: Grupos de jovens católicos que eram como campos de conversão
Sou mais katyperriano do que ladygaguesco, se tiver de escolher alguma. Mas pensava que Katy Perry era de educação evangélica. Foi com essa ideia que fiquei ao ler uma entrevista dela à Rolling Stone, há seis ou sete anos. Agora leio que ela "foi criada dentro de grupos de jovens católicos que eram como campos de conversão".
Campos de conversão. Ideia gira. Ótimo para formar anticatólicos.
Agora o excerto do Observador:
Campos de conversão. Ideia gira. Ótimo para formar anticatólicos.
Agora o excerto do Observador:
A cantora falou sobre a sua música ‘I kissed a girl and I Liked it’ (‘Eu beijei uma rapariga e gostei’) e descreveu-se como sendo uma mera compositora de músicas. “Nestas pequenas canções pop eu escrevo algumas realidades, mas pinto também as minhas fantasias, como por exemplo na música ‘I kissed a girl and I liked it'”, disse a cantora. A música foi lançada em 2008 e, na época, criou alguma controvérsia. Havia quem dissesse que a música era humilhante para a comunidade gay.Mas foi também neste discurso que Katy Perry admitiu que a música foi baseada na sua própria experiência real. “Para ser honesta, eu fiz mais do que apenas isso [beijar uma mulher]. Mas como é que eu conseguiria conciliar isso com a rapariga que cantou o evangelho em coros e que foi criada dentro de grupos de jovens católicos que eram como campos de conversão? A única coisa que sabia era que estava curiosa e que a sexualidade, na época, não era tão ‘a preto e branco’ como este vestido”, contou.
Aqui tudo.
E gosto desta canção, que acho que dá autoconfiança a adolescentes inseguros. Eu ouvia "Papa don't preach".
domingo, 19 de março de 2017
Jesus Cristo fez muitas curas e até andou sobre as águas do mar, mas não deixou a receita
Bento Domingues escreve no Público de hoje um útil texto sobre a oração. E o antiexibicionismo de Jesus. E diz lá mais para o fim:
Jesus Cristo fez muitas curas e até andou sobre as águas do
mar, mas não deixou a receita. Os seus gestos dizem que o mundo não tem de ser
uma desgraça, mas somos nós os encarregados de cuidar da casa comum, habitável
e bela.
sábado, 18 de março de 2017
A importância de ler jornais
O estado de saúde de João Paulo II agravava-se e captava o interesse das pessoas e dos meios de comunicação social, muitos deles propensos a especulações, naturalmente. Cada informação era misturada com boatos, sendo difícil destrinçar a verdade da falsidade, o costume. Um dia, o próprio Papa polaco, interrogado sobre a sua saúde, afirmou:
- Não sei. Hoje ainda não tive tempo para ler os jornais.
- Não sei. Hoje ainda não tive tempo para ler os jornais.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
Uma Bíblia que “não esconde as realidades inconvenientes”
É bom que a Bíblia traduzida por Frederico Lourenço dê umas
boas polémicas. Talvez leve mais gente a ler a Bíblia.
Posto isto, o título do artigo do Público de hoje despertou a minha
atenção.
Uma Bíblia que “não esconde as realidades inconvenientes”
Fui ler, claro. E ele, Lourenço, diz:
Não disfarcei as frases incómodas, não limei as arestas, não escondi realidades inconvenientes.Na minha tradução lê-se ‘escravos’ e não ‘servos’ ou ‘criados’; também não disfarcei as passagens misóginas e homofóbicas de Paulo. Mas, por outro lado, as traduções existentes são desnecessariamente androcêntricas, sobretudo em passagens em que a palavra ‘homens’ significa, na realidade, ‘pessoas’. Acho que a mais-valia da minha tradução é justamente o facto de estar fora do catolicismo, mas não contra o catolicismo”. Demos um exemplo eloquente: São Jerónimo, autor da tradução latina da Bíblia que se tornaria a Vulgata aprovada pela Igreja, traduziu com a palavra peccatum uma das palavras mais comuns e importantes da liturgia, uma palavra grega que significa “erro”. E é assim que Frederico Lourenço a traduz muitas vezes (não de maneira sistemática, por razões que ele explica na Introdução). “Erro”, em vez de “pecado”, não é certamente assimilável à liturgia da Igreja Católica.
É isto? Só isto? Ler tudo aqui.
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
Morreu o padre Gabriele Amorth
O P.e Gabriele Amorth morreu na sexta-feira, 16, em Roma. Paz à sua alma.
Tenho de referir aqui o facto porque ele era o exorcista mais conhecido do mundo, "exorcista do Vaticano", por ser o exorcista oficial de Roma, com mais livros publicados, com mais discípulos, incluindo portugueses.
Como as coisas do diabo andaram por aqui em debates apaixonados, no tempo em que as visitas a este blogue andavam pelos milhares por dia (agora andam, julgo, pelas duas ou três dezenas), aproveitei para ler dois ou três livros do P.e Amorth.
Ele via o diabo em tudo e acreditava, por exemplo, que pregos que apareciam por baixo de almofadas eram ação do diabo ("materializações"), que o diabo provocava cancros e outras coisas do género. De maneira que não cheguei a concluir se o trabalho do P.e Amorth foi globalmente positivo por dar tanto espaço ao diabo que levava as pessoas a não acreditar nele (o diabo), como que por paradoxo. Tipo: "Se o diabo faz e é aquilo que o P.e Gabriele diz, é óbvio que não existe, não pode ser levado a sério". Ou se foi globalmente negativo por fazer do diabo um fantasma omnipresente que pode, mesmo que não exista (como é a minha convicção), provocar efeitos nefastos sobre pessoas mais fragilizadas.
domingo, 18 de setembro de 2016
Duas de David Lodge
Um fim de semana com duas entrevistas de David Lodge para ler nunca pode ser mau. Uma é no Observador (lida ontem), outra é no público (a ler em papel lá pelo fim da tarde, que hoje é dia de trabalho).
Da do Observador retiro isto:
Era um católico praticante, como viveu tudo isso?
Fui um católico fiel por muito tempo, casei-me com uma católica. Mas éramos católicos liberais e tivemos a nossa revolução contra a Igreja Católica. Queríamos libertar o catolicismo, opúnhamo-nos à proibição – ridícula — da contracepção. Foram as nossas causas dos anos 60 e 70 e, de certa forma, foram bastante interessantes e enriquecedoras. Mas, gradualmente, perdi a fé. Continuei a ser praticante, ia à missa por motivos familiares, mas deixei de me confessar. Deixei de aceitar a doutrina. E acabei por deixar de ir à missa. Fico em casa e leio livros de filosofia, religião e história eclesiástica. Já não sou um católico praticante.
Aqui a do Público.
David Lodge neste blogue.
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
O lado espiritual de Máximo Ferreira
Máximo Ferreira (quem não despertou para a astronomia lendo as suas crónicas no "Público" na década de 90?) no final de uma entrevista do DN de hoje:
Falou em fé. Tem fé em Deus? Há muitos cientistas que
acreditam?
Não. Devo confessar que por volta dos 17 anos fui quase
ateu, mas depois, sem nenhum esforço, tornei-me simplesmente agnóstico. É uma
questão que não tem que ver propriamente com a ciência. Há cientistas que se
sentem bem com essa componente espiritual. Não tantos assim, mas há alguns. Há
um indivíduo que é professor catedrático na Faculdade de Ciências, agora já
jubilado, que é padre e ensinava Física Nuclear. Saía da faculdade no Príncipe
Real e ia à Igreja de São Mamede dizer a missa. Não podemos é querer usar isso
como argumento e dizer se aquele cientista acredita em Deus é porque Deus
existe, ou o contrário. O lado espiritual está dentro da pessoa, pode
contribuir para o seu bem-estar, não vejo mal. Agora, não preciso de Deus para
as minhas coisas.
Nota: Julgo que se refere ao P.e João Resina, que morreu há uns anos (mais que jubilado, portanto). Mas se houver outro padre, prof. de Física numa universidade de Lisboa, que me emendem, p.f.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
Editora Verbo e a Igreja portuguesa
A importância da Verbo, quer se goste quer não se goste do estilo, nunca
poderá ser menorizada. Dizia um padre, no tempo de maior pujança da
editora, que os grandes órgãos de comunicação da Igreja eram a
Universidade Católica, a Rádio Renascença e a Verbo, com a
particularidade de a Verbo não pertencer à Igreja. E, de facto, em
tempos de sanha revolucionária, de PREC e de purgas, a Verbo funcionou
como única hipótese de direito ao contraditório dos vencidos.
Lido aqui.
Lido aqui.
Fernando Guedes e o Verbo
Morreu Fernando Guedes. O nome não me dizia nada até perceber que era o fundador da Verbo (e afinal já lera páginas dele sobre a história da edição em Portugal). Deu-nos livros como a "Apologia", de Henry Newman, ou os "Ensaios ecuménicos", de Yves Congar. E os "Diálogos sobre a Fé", de Ratzinger. Só por estas três obras (todas referidas diversas vezes ao longo deste blogue), já teria feito muito pela cultura católica em Portugal. E por mim. Evidentemente, Verbo tem conotações teológicas.
domingo, 28 de agosto de 2016
O céu somos nós
Lido no Público de hoje:
(...) Quer o Bloco quer o PCP souberam embrulhar o seu apoio numa teoria. A teoria do mal menor. O Governo é o governo do PS marialva, pequeno-burguês de fachada socialista, fiel ao défice e aos compromissos da dívida. É o purgatório, mas o PSD e o CDS são piores. São o inferno.
(...) Quer o Bloco quer o PCP souberam embrulhar o seu apoio numa teoria. A teoria do mal menor. O Governo é o governo do PS marialva, pequeno-burguês de fachada socialista, fiel ao défice e aos compromissos da dívida. É o purgatório, mas o PSD e o CDS são piores. São o inferno.
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Papa fictícios
No romance "Lázaro", de Morris West, o Papa Leão XIV sucede a Gregório XVI, que tinha sucedido a Cirilo I. Alguém conhece outros papas fictícios, da literatura (além do Celestino VI)?
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Os católicos O'Neill
Lendo sem método nem objetivos a biografia literária de Alexandre O'Neill (quase todos os adolescentes nos anos 80 tiveram uma fase o'neillista), de Maria Antónia Oliveira, vejo que o poeta ateu era descendente de uma família católica irlandesa que fugiu para Portugal, no séc. XVIII, por causa das perseguições contra católicos no Ulster. O'Neill morreu há 30 anos, a 21 de agosto de 1986. E é por isso que estou a ler, com gosto, a biografia.
terça-feira, 23 de agosto de 2016
50 anos da morte de Louis Lebret, op
O padre Louis-Joseph Lebret, que muito influenciou a encíclica paulina "Populorum progressio", morreu no dia 20 de julho de 1966, há meio século, portanto. O Osservatore Romano publicou há dias um artigo sobre este padre dominicano que muito influenciou a Doutrina Social da Igreja. Em português, pode ser lido aqui.
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
João Miguel Tavares: Ser cristão não serve para nada?
João Miguel Tavares no Público de 20 de agosto:
Inúmeros leitores agnósticos e ateus ficaram ofendidos com as minhas palavras. Essa ofensa tem um duplo efeito sobre mim: chateia-me e entristece-me, porque me parece pura e simplesmente absurda. Vamos por partes. Em primeiro lugar, a questão dos Evangelhos. Eu não conheço todos os livros sapienciais do planeta, mas dentro daquilo que é a literatura ocidental ou a tradição dos monoteísmos não estou a ver que outro livro trate o amor ao próximo e a empatia de forma mais radical do que os Evangelhos. Isto só é uma opinião original para quem nunca leu a Bíblia. Não percebo porque é que um ateu não pode ler os Evangelhos com a mesma abertura intelectual com que lê Hamlet. Eu preciso de provar a existência do crânio de Yorick para apreciar as palavras de Shakespeare? Então para quê viver obcecado com a adesão à realidade dos conteúdos da Bíblia? Esqueça-se a existência de Deus e aprecie-se a literatura. Não é preciso acreditar na ressurreição para admitir que a empatia se encontra retratada nos Evangelhos como em nenhum outro lugar.
É ler tudo aqui.
Inúmeros leitores agnósticos e ateus ficaram ofendidos com as minhas palavras. Essa ofensa tem um duplo efeito sobre mim: chateia-me e entristece-me, porque me parece pura e simplesmente absurda. Vamos por partes. Em primeiro lugar, a questão dos Evangelhos. Eu não conheço todos os livros sapienciais do planeta, mas dentro daquilo que é a literatura ocidental ou a tradição dos monoteísmos não estou a ver que outro livro trate o amor ao próximo e a empatia de forma mais radical do que os Evangelhos. Isto só é uma opinião original para quem nunca leu a Bíblia. Não percebo porque é que um ateu não pode ler os Evangelhos com a mesma abertura intelectual com que lê Hamlet. Eu preciso de provar a existência do crânio de Yorick para apreciar as palavras de Shakespeare? Então para quê viver obcecado com a adesão à realidade dos conteúdos da Bíblia? Esqueça-se a existência de Deus e aprecie-se a literatura. Não é preciso acreditar na ressurreição para admitir que a empatia se encontra retratada nos Evangelhos como em nenhum outro lugar.
É ler tudo aqui.
domingo, 21 de agosto de 2016
A falta que os pastores fazem a Portugal
Antes da minha prova eu tinha conversado com meu pastor e ele falou: "Seu Deus vai deixar você ser campeão". Aí, tentei e deu certo.
Thiago Braz, medalha de ouro no salto à vara, Rio 2016
Thiago Braz, medalha de ouro no salto à vara, Rio 2016
sábado, 20 de agosto de 2016
sábado, 30 de julho de 2016
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Cinco escritores que se inspiram na Bíblia
Erri De Luca, Sergio Ramírez, Emmanuel Carrère, Ricardo
Menéndez Salmón e Amos Oz são cinco autores contemporâneos que usam a Bíblia
como matéria-prima. Artigo de Berna González Harbour no El País de 23-11-2015,
lido no IHU.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
domingo, 15 de novembro de 2015
O fim da papolatria?
Dizem-me que a papolatria, que denunciei várias vezes nestas crónicas,
morreu.
Bento Domingues na crónica de hoje. Mas penso que, na realidade, a papolatria não morreu. Um certo tipo de papolatria morreu. Outro apenas adormeceu. Mas também há papolatria em relação a Francisco.
Bento Domingues na crónica de hoje. Mas penso que, na realidade, a papolatria não morreu. Um certo tipo de papolatria morreu. Outro apenas adormeceu. Mas também há papolatria em relação a Francisco.
sábado, 14 de novembro de 2015
Pacto das Catacumbas
A editora Paulinas apresenta no dia 16 de novembro, às 18h30, na Capela do Rato, em Lisboa, o livro "O Pacto das Catacumbas". Vai lá estar D. Manuel Clemente.
Da sinopse:
No dia 16 de novembro de 1965, quando o Concílio Vaticano II já se aproximava do fim, 40 bispos reuniram-se nas catacumbas de Santa Domitila, em Roma, para celebrar a Eucaristia e assinar um documento em que expressavam o seu compromisso pessoal com os ideais do Concílio: viver um estilo de vida simples e a exercer o seu ministério pastoral de acordo com critérios evangélicos. O Pacto das Catacumbas é, sem dúvida, um compromisso pessoal de cada um daqueles bispos, mas é também, simultaneamente, um desafio para toda a Igreja e um instrumento para aferir a sua fidelidade ao Evangelho.
Bento Domingues escreveu há tempos sobre este pacto. Ler aqui.
Da sinopse:
No dia 16 de novembro de 1965, quando o Concílio Vaticano II já se aproximava do fim, 40 bispos reuniram-se nas catacumbas de Santa Domitila, em Roma, para celebrar a Eucaristia e assinar um documento em que expressavam o seu compromisso pessoal com os ideais do Concílio: viver um estilo de vida simples e a exercer o seu ministério pastoral de acordo com critérios evangélicos. O Pacto das Catacumbas é, sem dúvida, um compromisso pessoal de cada um daqueles bispos, mas é também, simultaneamente, um desafio para toda a Igreja e um instrumento para aferir a sua fidelidade ao Evangelho.
Bento Domingues escreveu há tempos sobre este pacto. Ler aqui.
Anselmo Borges no DN: "Jesus e o Vaticano"
Como se pode andar distraído! Como é que, tendo estado várias vezes na Praça de São Pedro, não fui ler o que está escrito no famoso obelisco, no centro da praça?! Foi preciso lê-lo agora em Jesús Bastante, que lembra que o obelisco veio do Egipto no ano 37 da nossa era, tendo sido trasladado, 15 séculos depois, do circo de Nero para o lugar que agora ocupa, fazendo o Papa Sisto V, em 26 de Setembro de 1586, gravar na sua base de mármore uma antiga fórmula de exorcismo: "Ecce crux Domini" (eis a cruz do Senhor), "Fugite, partes adversas" (Fugi, forças do caos) - um autêntico exorcismo, "Vicit Leo de tribu Juda" (o Leão da tribo de Judá venceu). Desse modo, a Praça de São Pedro delimitaria simbolicamente o enfrentamento entre o Bem e o Mal, "e o exorcismo impediria que o Demónio chegasse à sede de Pedro".
Ler o resto aqui.
Sobre o obelisco, há umas coisas escritas aqui.
Sobre o obelisco, há umas coisas escritas aqui.
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Medo
Ouvi dizer que a expressão "Não tenhais medo", por estas ou palavras próximas, aparece 365 vezes na Bíblia. Deve ser uma para cada dia. Mas de quatro em quatro anos há um dia para ter medo?
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Anselmo Borges: "A pessoa, ser em tensão"
Mas, se a constituição do homem é a de um ser unitário, também é fundamental entender que é um ser em tensão.
Texto de Anselmo Borges no DN de sábado, aqui.
sábado, 7 de novembro de 2015
Feriados
O governo das esquerdas vai repor os quatro feriados, dois civis e dois religiosos? Pela minha parte, não era preciso restaurar nenhum deles. Sugiro mesmo que suprimam todos os feriados que não calham ao domingo. Dava imenso jeito.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
sábado, 31 de outubro de 2015
Anselmo Borges fala da morte no seu artigo de hoje
Anselmo Borges fala da morte no seu artigo de hoje (tema, aliás, da sua tese de doutoramento na Alemanha) no DN:
Aqui.
A morte é impensável em si mesma. Quando pensamos nela, é sempre no abismo do impensável que mergulhamos. Só por ilusão de linguagem é que dizemos, diante do cadáver do pai, da mãe, da mulher, do amigo: ele (ela) está aqui morto (morta). Na realidade, ele ou ela não está ali: o que falta é precisamente ele ou ela. E ninguém leva o pai ou a mãe, o filho, o amigo, à "última morada", para enterrá-los ou cremá-los. Como não tem sentido dizer que eles estão no cemitério e que vamos lá visitá-los. Nos cemitérios, com excepção dos vivos que lá vão, não há ninguém. Então, porque é que a sua violação é uma profanação execranda? O que há verdadeiramente nos cemitérios? Naquele espaço sagrado, do silêncio recolhido, está, paradoxalmente, a fonte da linguagem enquanto espaço da abertura e da pergunta. O que há nos cemitérios é um infinito ponto de interrogação: "O que é o homem?" A morte e o seu pensamento abrem a condição humana ao desconhecido, à Transcendência inominável, que apela e que invocamos.
Aqui.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
O que é que antes de ser já o era?
D. Manuel Clemente diz que é preciso “investir muito mais”
na preparação para o Matrimónio e no acompanhamento da vida conjugal,
prioridades apontadas pelo Sínodo dos Bispos sobre a família.
Li na Ecclesia.
Mais fica reforçada a ideia de que os bispos andaram a perder
tempo em Roma neste sínodo (como quase em todos, até agora).
Bispos bergoglianos
Em Itália, dois bispos bergoglianos em dioceses tidas como "cardinalícias", Palermo e Bolonha. Um, talvez à falta de metro, anda de bicicleta. O outro escreveu um livro de "combate espiritual contra a máfia". Por outro lado, parece que agora manda mais a Comunidade de Santo Egídio do que a Opus Dei. Ler aqui.
Do uso dos crucifixos
Um crucifixo de bronze também pode ser usado para parir a cabeça a alguém, mas não é uma boa razão para se proibir o fabrico de crucifixos.
Claudio Magris, pág. 135 de "A história não acabou"
Claudio Magris, pág. 135 de "A história não acabou"
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Fornece-se uma parafernália de refugo paranormal a cada passo...
Fornece-se
uma parafernália de refugo paranormal a cada passo, cartomantes adivinham o
passado e o futuro dos pacóvios com fórmulas vazias que querem dizer tudo e
nada, os horóscopos são consultados como laboratório e milagres repetidos como
os televisivos; o ocultismo faz-se acompanhar de profecias sempre desmentidas e
sempre readaptadas como pastilha elástica. Poucos acreditam em Cristo mas muitos
nas nossas senhoras de gesso que choram e nas nuvens que assume o perfil do
Padre Pio; quase todos têm vergonha de rezar, mas não de perguntar ao primeiro
que aparecer de que signo astrológico é. Patetices como o satanismo e missas
negras recebem uma atenção que conviria dedicar à leitura de Kant ou dos
Evangelhos, ou mesmo de agradáveis romances policiais.
Claudio
Magris na página 139 de “A história não acabou” (ed. Quetzal)
domingo, 25 de outubro de 2015
Comer ciancinhas
Pedro Bidarra, no DN de hoje:
Comer criancinhas não começou como prática comunista. Foi, sim, consequência da política bolchevique de confisco de grão e cereais aos agricultores russos, que, com a guerra civil e a seca, levou à grande fome de 1921. Desesperados e famintos, os russos tiveram de recorrer a extremos desumanos: foi a fome, o canibalismo e a morte de seis milhões de russos que estiveram na origem da expressão "os comunistas comem criancinhas". Uma reputação de que nunca se livraram.
Na realidade, o "comer criancinhas" não é um exclusivo dos comunistas. Julgo que os cristãos foram os primeiros a serem acusados de comer criancinhas, logo no primeiro século, talvez por comerem um "corpo de Cristo". Se era o corpo de alguém, devia ser o de um tenrinho.
Um outro exemplo de comer criancinhas vem na imagem a seguir. Na propaganda anticatólica da Guerra dos 30 anos, os croatas (católicos) também comiam criancinhas.
sábado, 24 de outubro de 2015
Primeiro comer, depois filosofar
A fé cristã não é uma experiência que se possa planificar primeiro para a ter depois conforme se previu. Não resulta de uma qualquer racionalidade laboratorial. Impõe-se com a sua própria dinâmica à consciência daquele que reflete sobre ela. É claro que viver e pensar são dois momento que se devem conjugar no itinerário da fé. Mas convém notar que existe, aqui, uma ordem de prioridade. Normalmente é o viver que está primeiro; o pensar vem a seguir, procurando acompanhá-lo o melhor que pode.
Domingos Terra, in "A fé da Igreja", Paulus, pág. 131
Domingos Terra, in "A fé da Igreja", Paulus, pág. 131
Heróis do hospital
O Diário de Notícias de hoje em vez de fotografias traz
desenhos. Desta vez tem a ver com o festival de BD da Amadora. Já há cinco meses fez coisa parecida, numa edição que, diz o jornal, "foi um sucesso".
Copia o que o Público já
fez há uns anos, várias vezes, aliás. E também o que fez “O Independente”
no final dos anos 80 ou no princípio dos 90, julgo que, por sua vez, imitando o
que o “Liberation” fazioa a propósito do festival de BD de Angoulême.
Nestas
edições todas, na minha opinião, a única que teve piada foi a de "O Independente",
que guardo, como muitas outras, algures em casa dos meus pais.
De resto, o DN
de hoje perde muito do seu valor informativo. As imagens estorvam, como esta,
que por meter uma cruz provocou este meu comentário. A reportagem fala do
pessoal não médico que trabalha no hospital (início aqui). Padre (P.e Fernando Sampaio, do
Santa Maria) incluído.
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Há um cardeal que vai ser o ministro da família
Pelo que percebi, a família deixa de ser uma secretaria de estado e passa a ser um ministério. Por outras palavras, uma congregação. No Vaticano.
"Decidi instituir um novo dicastério com competência sobre leigos, a família e a vida, que vai substituir o Conselho Pontifício para os Leigos e o Conselho Pontifício para a Família, ao qual vai estar ligada a Academia Pontifícia para a Vida", disse o Papa.
E o que adianta? Não sei.
"Decidi instituir um novo dicastério com competência sobre leigos, a família e a vida, que vai substituir o Conselho Pontifício para os Leigos e o Conselho Pontifício para a Família, ao qual vai estar ligada a Academia Pontifícia para a Vida", disse o Papa.
E o que adianta? Não sei.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
O que é o inferno
Leio na "Ler" que Jón Kalman Stefánsson escreveu uma trilogia em que "a procura de sentido para a ideia da existência de um Deus bom e todo-poderoso que permite o sofrimento dos homens, quando Lhe seria tão fácil evitá-lo, é a bússola" que o guia.
Dessa trilogia estão publicados em português os títulos "Paraíso e Inferno" (2013) e "A Tristeza dos Anjos" (2014).
Não sei onde foi buscar a ideia de que seria tão fácil a Deus evitar o sofrimento dos homens. Nunca foi fácil. Pelo menos pelos critérios humanos, está patente. Deve vir da afirmação da omnipotência de Deus a ideia da facilidade de fazer tudo. Não sendo Deus omnipotente, ainda pode ser Deus? Talvez Deus tenha dito que é omnimpotente e quem ouviu percebeu mal. E Deus, na sua omnimpotência, não percebeu que o perceberam mal. E gerou-se o equívoco.
Mas concordo com Stefánsson: "O Inferno é ter braços mas ninguém para abraçar".
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Enzo Bianchi: A misericórdia vem antes da justiça
Enzo Bianchi escreveu o artigo mais esclarecedor sobre o decorrer do sínodo dos bispos. Bom, não tenho lido muitos. Mas todos muito pífios.
Neste, diz que ao sínodo tem valido principalmente pela partilha entre diferentes situações familiares numa Igreja que é mesmo global, mas que começa a pensar localmente, ou pelo menos continentalmente (parte não citada).
Recolho, contudo, a parte de que mais gostei, embora continue sem perceber como é que poderá haver comunhão para recasados e manter-se a indissolubilidade do casamento sem contradições.
Neste, diz que ao sínodo tem valido principalmente pela partilha entre diferentes situações familiares numa Igreja que é mesmo global, mas que começa a pensar localmente, ou pelo menos continentalmente (parte não citada).
Recolho, contudo, a parte de que mais gostei, embora continue sem perceber como é que poderá haver comunhão para recasados e manter-se a indissolubilidade do casamento sem contradições.
Copiado daqui.Em todos os casos, o que mais ocupou os Padres e acendeu os ânimos foram as disposições pastorais a serem assumidas em relação aos divorciados recasados, isto é, aqueles que trazem em si mesmos as feridas da ruptura ou do fim do matrimônio celebrado e sancionado diante de Deus na Igreja.Todos os Padres sinodais estão convencidos de que o matrimônio cristão é indissolúvel, que essa indissolubilidade é um fim que sempre deve ser buscado com esforço, mas também que se trata de um valor de ordem revelativa e profética, porque mostra a fidelidade de Deus na aliança com o seu povo e com a humanidade inteira.O que está sendo discutido diz respeito a "como" a Igreja pode ter uma palavra e agir com uma atitude de acordo com o Evangelho pelas famílias concretas de hoje: situações de divórcio, pessoas recasadas civilmente, mães abandonadas, mulheres jovens grávidas e deixadas sozinhas, famílias monoparentais...Tornou-se de domínio público o episódio de um menino que, no dia da sua Primeira Comunhão, partiu a hóstia recebida para dar uma metade para o pai, que, divorciado recasado, não poderia recebê-la. Alguns bispos, ouvindo o relato, se comoveram, mas essa situação não é uma exceção: divisões intrafamiliares como essa são vividas rotineiramente por cônjuges cristãos que participam da missa, mas sem poder comungar, ambas fazendo parte do corpo de Cristo, mas impedidos de manifestar sacramentalmente essa sua verdade.Pense-se também em cônjuges cristãos de confissão diferente, também eles unidos no amor selado em uma celebração eclesial, unidos na vida de fé, na educação cristã dos seus filhos e, depois, divididos no momento de participar do alimento eucarístico que nutre a sua vida cristã...De várias partes, assim, prospecta-se uma possibilidade de acesso aos sacramentos por parte de cônjuges divorciados recasados, mas com algumas condições específicas: que o pedido dos sacramentos parta da sua consciência cristã, que estejam convencidos de terem que assumir a responsabilidade pela ruptura do vínculo matrimonial como contradição com a vontade de Deus – salvo o caso do cônjuge abandonado –, que tenham feito toda a justiça em relação ao cônjuge anterior e aos filhos nascidos da primeira união, que vivam eclesialmente o seguimento de Cristo, que estejam disponíveis a um caminho penitencial sob o discernimento e a custódia do bispo.Portanto, não se trata de negar a indissolubilidade do matrimônio cristão, até porque essas disposições não diriam respeito indiscriminadamente a todos os divorciados recasados cristãos, mas apenas a alguns casos sabiamente avaliados e acompanhados não por escritórios burocráticos diocesanos, mas pelo bispo, pessoalmente ou através de pessoas competentes encarregadas, peritas em humanidade, obedientes ao Evangelho e refratárias a lógicas mundanas ou a pedidos que não se configuram como fruto de uma consciência iluminada pelo Evangelho.Essa possibilidade está no espaço da misericórdia que a Igreja sempre deve colocar em prática em relação aos seus filhos e aos homens todos, em conformidade com o seu Senhor Jesus Cristo. Misericórdia não vendida, mas a caro preço: o preço do dom da vida que Cristo deu por nós.Então, não existe nenhuma contraposição entre misericórdia, justiça e verdade, porque em Deus, que é o legislador, a misericórdia vem antes da justiça, e esta nunca é punitiva, nunca é retributiva, nunca é meritocrática: é uma justiça não enfaixada, porque olha para o rosto de cada um e discerne o sofrimento, o desejo do amor e, só depois, o pecado.
A jantarada dos bispos
Enquanto termina e não termina o sínodo dos bispos sobre a
família (porque não um sínodo das famílias sobre os bispos?), sem nada para
mostrar, ao que se saiba, dizem as notícias que o cardeal Marx deu uma
jantarada (terá sido uma "cheat meal"?) a uma série de bispos numa "villa" que a arquidicose de
Munique tem em Roma. Isso foi no domingo.
Parece que hoje há outra. Se alguém
poder ir, o casarão de nove milhões de euros fica na Via delle Medaglia d’Oro.
Alguns poderão ficar admirados com a jantarada dos padres
sinodais, cerca de 20, de vários países. Mas já houve concílios que terminaram
com bailes.
sábado, 11 de abril de 2015
Crónica de Páscoa 3 - A primeiro-ministro do Reino Unido
Muito se tem falado desta mensagem. E vale a pena lê-la/ouvi-la.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Fé e política
De férias em Cuba, um português conversa com um cubano. A certa altura pergunta-lhe o cubano: "Você vem de um país muito católico, até lá apareceu Nossa Senhora... Fátima. É católico?"
"Mais ou menos", responde o português. "Acredito, mas não pratico. Já agora, deixe-me fazer-lhe uma pergunta", continua o português. "Você vive num país oficialmente comunista. É comunista?"
"Mais ou menos", responde o cubano. "Pratico, mas não acredito".
"Mais ou menos", responde o português. "Acredito, mas não pratico. Já agora, deixe-me fazer-lhe uma pergunta", continua o português. "Você vive num país oficialmente comunista. É comunista?"
"Mais ou menos", responde o cubano. "Pratico, mas não acredito".
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Teilhard entrou na grande missa cósmica há 60 anos
Está quase a fazer 60 anos que morreu Teilhard de Chardin. É na sexta-feira. Li um texto sobre o assunto aqui.
As suas relações com os seus superiores nem sempre foram fáceis e, com alguns dicastérios da Santa Sé, foram bastante problemáticas e não poucas vezes ameaçadoras e punitivas, porém, dois papas – Paulo VI e Bento XVI –, sobre o pensamento de Teilhard de Chardin, expressaram juízos de elogio e de alto interesse e apreciação.
Miguel Esteves Cardoso: Duvidar é bom
Miguel Esteves Cardoso no "Público" de hoje:
A educação é o que acontece quando se põem em causa a
verdade e as verdades. Aprende-se a distinguir os factos (ou as observações)
das verdades.
É um facto observado que alguém tirou um pão sem pagá-lo.
Mas é a partir daí que não conseguimos impedir-nos de pensar mais; mais
longamente; mais tarde. Será que a pessoa tinha fome? Será que a pessoa é
contra o roubo? Será que é assim que se define o roubo e, por conseguinte, o
ladrão?
O relativismo é muito atacado: por alguma razão é. Talvez
seja porque é a maneira de o mundo sustentar muitas verdades adversárias ao
mesmo tempo. É como os vários estilos do jazz: é por serem vários que são (ou,
mais convincentemente ainda, não são) jazz.
A educação é a edificação da incerteza informada, curiosa e
divertida. Só funciona se formos ambivalentes: se eu, por exemplo, não for
capaz de suspeitar que têm valor estético as obras de arte (ou coisas) que me
repugnam e afastam, torno-me num apreciador fanático e obstruído.
O relativismo é a única maneira inteligente de reconciliar
verdades concorrentes que se deixam vitimar pelo desejo comum de vencer.
É a curiosidade — e a abertura solidária para se provar que
estamos errados — que nos salva de termos certezas estúpidas.
A educação é o que nos prepara para não estarmos preparados.
A certeza é a feição mais atraente da ignorância. Também a estupidez convencida
e inviolável é o melhor antídoto para o remédio da sempre angustiada e céptica
inteligência.
terça-feira, 7 de abril de 2015
Laicidade, o que é?, por Claudio Magris
"Laicidade não é um conteúdo filosófico, mas sim um âmbito mental, a capacidade de distinguir o que é demonstrável racionalmente do que, pelo contrário, é objeto de fé - independentemente da adesão ou não a essa fé - e de distinguir as esferas e os âmbitos das diferentes competências, por exemplo, as da Igreja e as do Estado, o que - precisamente conforme o dito evangélico - se deve dar a Deus e o que se deve dar a César."
Claudio Magris, na pág, 24 do admirável "A História não acabou. Ética, Política, Laicidade", Quetzal
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Crónica de Páscoa 2 - Portocarrero de Almada: "São Judas Iscariotes?"
O padre Portocarrero de Almada diz que Judas Iscariotes está a ser reabilitado por uma ética relativista. Supondo que sim, essa ética relativista que não quer condenar um mau não terá algo de cristão? O amor cristão não é justicialista, é relativista pelo menos num sentido, no sentido dos mais desprotegidos, frágeis, esquecidos, ofendidos, atormentados, sofredores. E pelo menos nestas duas últimas categorias Judas poderá caber. O amor cristão pode ser justicialista a priori, mas é relativista a posteriori. O pai ameaça o filho com o chicote antes de ele partir. Mas depois vai a correr para ele, quando ele regressa, mostrando os tornozelos e não se importanto por ser motivo de chacota.
Ler aqui.
Ler aqui.
Um bocadinho:
"Não é inocente a devoção a “São” Judas Iscariotes: a ética relativista tudo reduz à ambiguidade do propósito do sujeito e, neste sentido, até a traição de Judas se justificaria. Pelo contrário, a moral cristã está fundada na lei de Deus, que Cristo não veio abolir, nem alterar, mas dar pleno cumprimento, na expressão misericordiosa do mandamento novo do seu amor".
Crónica de Páscoa 1 - E se não houvesse religiões?
Crónica de Páscoa de Paulo de Almeida Sande no "Observador". Realço isto:
Na troca de argumentos entre crentes e não-crentes que ocorre no grupo [um grupo de ateus no Facebook] o que mais impressiona é a parte de violência que contém (há excepções, claro): são violentos os argumentos dos não-crentes, violentas as respostas dos crentes de qualquer religião (nele “postam” cristãos, evangélicos, muçulmanos, judeus e muitas outras denominações religiosas). Recorre-se a filmes (de actualidade, como os linchamentos no Estado Islâmico ou declarações mais ou menos caricatas de pastores de distintos cultos), caricaturas – sim, lá está o traço inconfundível do Charlie Hebdo no seu pior -, citações das escrituras ou do Corão, fotografias e muito mais, em defesa do sim e do não. O maniqueísmo é absoluto, a já descrita violência (verbal ou, neste caso, escrita e visual) servida a rodos e com generosidade.
Na troca de argumentos entre crentes e não-crentes que ocorre no grupo [um grupo de ateus no Facebook] o que mais impressiona é a parte de violência que contém (há excepções, claro): são violentos os argumentos dos não-crentes, violentas as respostas dos crentes de qualquer religião (nele “postam” cristãos, evangélicos, muçulmanos, judeus e muitas outras denominações religiosas). Recorre-se a filmes (de actualidade, como os linchamentos no Estado Islâmico ou declarações mais ou menos caricatas de pastores de distintos cultos), caricaturas – sim, lá está o traço inconfundível do Charlie Hebdo no seu pior -, citações das escrituras ou do Corão, fotografias e muito mais, em defesa do sim e do não. O maniqueísmo é absoluto, a já descrita violência (verbal ou, neste caso, escrita e visual) servida a rodos e com generosidade.
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