quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Cinco escritores que se inspiram na Bíblia

Erri De Luca, Sergio Ramírez, Emmanuel Carrère, Ricardo Menéndez Salmón e Amos Oz são cinco autores contemporâneos que usam a Bíblia como matéria-prima. Artigo de Berna González Harbour no El País de 23-11-2015, lido no IHU.

domingo, 15 de novembro de 2015

O fim da papolatria?

Dizem-me que a papolatria, que denunciei várias vezes nestas crónicas, morreu.

Bento Domingues na crónica de hoje. Mas penso que, na realidade, a papolatria não morreu. Um certo tipo de papolatria morreu. Outro apenas adormeceu. Mas também há papolatria em relação a Francisco.

sábado, 14 de novembro de 2015

Pacto das Catacumbas

A editora Paulinas apresenta no dia 16 de novembro, às 18h30, na Capela do Rato, em Lisboa, o livro "O Pacto das Catacumbas". Vai lá estar D. Manuel Clemente.

Da sinopse:

No dia 16 de novembro de 1965, quando o Concílio Vaticano II já se aproximava do fim, 40 bispos reuniram-se nas catacumbas de Santa Domitila, em Roma, para celebrar a Eucaristia e assinar um documento em que expressavam o seu compromisso pessoal com os ideais do Concílio: viver um estilo de vida simples e a exercer o seu ministério pastoral de acordo com critérios evangélicos. O Pacto das Catacumbas é, sem dúvida, um compromisso pessoal de cada um daqueles bispos, mas é também, simultaneamente, um desafio para toda a Igreja e um instrumento para aferir a sua fidelidade ao Evangelho.

Bento Domingues escreveu há tempos sobre este pacto. Ler aqui.

Anselmo Borges no DN: "Jesus e o Vaticano"

Como se pode andar distraído! Como é que, tendo estado várias vezes na Praça de São Pedro, não fui ler o que está escrito no famoso obelisco, no centro da praça?! Foi preciso lê-lo agora em Jesús Bastante, que lembra que o obelisco veio do Egipto no ano 37 da nossa era, tendo sido trasladado, 15 séculos depois, do circo de Nero para o lugar que agora ocupa, fazendo o Papa Sisto V, em 26 de Setembro de 1586, gravar na sua base de mármore uma antiga fórmula de exorcismo: "Ecce crux Domini" (eis a cruz do Senhor), "Fugite, partes adversas" (Fugi, forças do caos) - um autêntico exorcismo, "Vicit Leo de tribu Juda" (o Leão da tribo de Judá venceu). Desse modo, a Praça de São Pedro delimitaria simbolicamente o enfrentamento entre o Bem e o Mal, "e o exorcismo impediria que o Demónio chegasse à sede de Pedro".

Ler o resto aqui.

Sobre o obelisco, há umas coisas escritas aqui.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Medo

Ouvi dizer que a expressão "Não tenhais medo", por estas ou palavras próximas, aparece 365 vezes na Bíblia. Deve ser uma para cada dia. Mas de quatro em quatro anos há um dia para ter medo?

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Anselmo Borges: "A pessoa, ser em tensão"

Mas, se a constituição do homem é a de um ser unitário, também é fundamental entender que é um ser em tensão. 

Texto de Anselmo Borges no DN de sábado, aqui.

sábado, 7 de novembro de 2015

Feriados

O governo das esquerdas vai repor os quatro feriados, dois civis e dois religiosos? Pela minha parte, não era preciso restaurar nenhum deles. Sugiro mesmo que suprimam todos os feriados que não calham ao domingo. Dava imenso jeito.

sábado, 31 de outubro de 2015

Anselmo Borges fala da morte no seu artigo de hoje

Anselmo Borges fala da morte no seu artigo de hoje (tema, aliás, da sua tese de doutoramento na Alemanha) no DN:


A morte é impensável em si mesma. Quando pensamos nela, é sempre no abismo do impensável que mergulhamos. Só por ilusão de linguagem é que dizemos, diante do cadáver do pai, da mãe, da mulher, do amigo: ele (ela) está aqui morto (morta). Na realidade, ele ou ela não está ali: o que falta é precisamente ele ou ela. E ninguém leva o pai ou a mãe, o filho, o amigo, à "última morada", para enterrá-los ou cremá-los. Como não tem sentido dizer que eles estão no cemitério e que vamos lá visitá-los. Nos cemitérios, com excepção dos vivos que lá vão, não há ninguém. Então, porque é que a sua violação é uma profanação execranda? O que há verdadeiramente nos cemitérios? Naquele espaço sagrado, do silêncio recolhido, está, paradoxalmente, a fonte da linguagem enquanto espaço da abertura e da pergunta. O que há nos cemitérios é um infinito ponto de interrogação: "O que é o homem?" A morte e o seu pensamento abrem a condição humana ao desconhecido, à Transcendência inominável, que apela e que invocamos.

Aqui.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O que é que antes de ser já o era?

D. Manuel Clemente diz que é preciso “investir muito mais” na preparação para o Matrimónio e no acompanhamento da vida conjugal, prioridades apontadas pelo Sínodo dos Bispos sobre a família.

Li na Ecclesia.

Mais fica reforçada a ideia de que os bispos andaram a perder tempo em Roma neste sínodo (como quase em todos, até agora).

Bispos bergoglianos

Em Itália, dois bispos bergoglianos em dioceses tidas como "cardinalícias", Palermo e Bolonha. Um, talvez à falta de metro, anda de bicicleta. O outro escreveu um livro de "combate espiritual contra a máfia". Por outro lado, parece que agora manda mais a Comunidade de Santo Egídio do que a Opus Dei. Ler aqui.

Do uso dos crucifixos

Um crucifixo de bronze também pode ser usado para parir a cabeça a alguém, mas não é uma boa razão para se proibir o fabrico de crucifixos.

Claudio Magris, pág. 135 de "A história não acabou"

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Fornece-se uma parafernália de refugo paranormal a cada passo...

Fornece-se uma parafernália de refugo paranormal a cada passo, cartomantes adivinham o passado e o futuro dos pacóvios com fórmulas vazias que querem dizer tudo e nada, os horóscopos são consultados como laboratório e milagres repetidos como os televisivos; o ocultismo faz-se acompanhar de profecias sempre desmentidas e sempre readaptadas como pastilha elástica. Poucos acreditam em Cristo mas muitos nas nossas senhoras de gesso que choram e nas nuvens que assume o perfil do Padre Pio; quase todos têm vergonha de rezar, mas não de perguntar ao primeiro que aparecer de que signo astrológico é. Patetices como o satanismo e missas negras recebem uma atenção que conviria dedicar à leitura de Kant ou dos Evangelhos, ou mesmo de agradáveis romances policiais.


Claudio Magris na página 139 de “A história não acabou” (ed. Quetzal)

domingo, 25 de outubro de 2015

Comer ciancinhas


Pedro Bidarra, no DN de hoje:


Comer criancinhas não começou como prática comunista. Foi, sim, consequência da política bolchevique de confisco de grão e cereais aos agricultores russos, que, com a guerra civil e a seca, levou à grande fome de 1921. Desesperados e famintos, os russos tiveram de recorrer a extremos desumanos: foi a fome, o canibalismo e a morte de seis milhões de russos que estiveram na origem da expressão "os comunistas comem criancinhas". Uma reputação de que nunca se livraram.

Na realidade, o "comer criancinhas" não é um exclusivo dos comunistas. Julgo que os cristãos foram os primeiros a serem acusados de comer criancinhas, logo no primeiro século, talvez por comerem um "corpo de Cristo". Se era o corpo de alguém, devia ser o de um tenrinho.

Um outro exemplo de comer criancinhas vem na imagem a seguir. Na propaganda anticatólica da Guerra dos 30 anos, os croatas (católicos) também comiam criancinhas.


Bento Domingues: Sínodo das Famílias ou dos Bispos? (2)

Bento Domingues no "Público" de 25 de outubro de 2015.


sábado, 24 de outubro de 2015

Primeiro comer, depois filosofar

A fé cristã não é uma experiência que se possa planificar primeiro para a ter depois conforme se previu. Não resulta de uma qualquer racionalidade laboratorial. Impõe-se com a sua própria dinâmica à consciência daquele que reflete sobre ela. É claro que viver e pensar são dois momento que se devem conjugar no itinerário da fé. Mas convém notar que existe, aqui, uma ordem de prioridade. Normalmente é o viver que está primeiro; o pensar vem a seguir, procurando acompanhá-lo o melhor que pode.

Domingos Terra, in "A fé da Igreja", Paulus, pág. 131

Heróis do hospital



O Diário de Notícias de hoje em vez de fotografias traz desenhos. Desta vez tem a ver com o festival de BD da Amadora. Já há cinco meses fez coisa parecida, numa edição que, diz o jornal, "foi um sucesso".

Copia o que o Público já fez há uns anos, várias vezes, aliás. E também o que fez “O Independente” no final dos anos 80 ou no princípio dos 90, julgo que, por sua vez, imitando o que o “Liberation” fazioa a propósito do festival de BD de Angoulême.

Nestas edições todas, na minha opinião, a única que teve piada foi a de "O Independente", que guardo, como muitas outras, algures em casa dos meus pais.

De resto, o DN de hoje perde muito do seu valor informativo. As imagens estorvam, como esta, que por meter uma cruz provocou este meu comentário. A reportagem fala do pessoal não médico que trabalha no hospital (início aqui). Padre (P.e Fernando Sampaio, do Santa Maria) incluído.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Há um cardeal que vai ser o ministro da família

Pelo que percebi, a família deixa de ser uma secretaria de estado e passa a ser um ministério. Por outras palavras, uma congregação. No Vaticano.

"Decidi instituir um novo dicastério com competência sobre leigos, a família e a vida, que vai substituir o Conselho Pontifício para os Leigos e o Conselho Pontifício para a Família, ao qual vai estar ligada a Academia Pontifícia para a Vida", disse o Papa.

E o que adianta? Não sei.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O que é o inferno


Leio na "Ler" que Jón Kalman Stefánsson escreveu uma trilogia em que "a procura de sentido para a ideia da existência de um Deus bom e todo-poderoso que permite o sofrimento dos homens, quando Lhe seria tão fácil evitá-lo, é a bússola" que o guia.

Dessa trilogia estão publicados em português os títulos "Paraíso e Inferno" (2013) e "A Tristeza dos Anjos" (2014).

Não sei onde foi buscar a ideia de que seria tão fácil a Deus evitar o sofrimento dos homens. Nunca foi fácil. Pelo menos pelos critérios humanos, está patente. Deve vir da afirmação da omnipotência de Deus a ideia da facilidade de fazer tudo. Não sendo Deus omnipotente, ainda pode ser Deus? Talvez Deus tenha dito que é omnimpotente e quem ouviu percebeu mal. E Deus, na sua omnimpotência, não percebeu que o perceberam mal. E gerou-se o equívoco.

Mas concordo com Stefánsson: "O Inferno é ter braços mas ninguém para abraçar". 

Bento XVI e os abusos sexuais

Programa para a breve folga da Páscoa, um destes dias: ler o que escreveu o bispo emérito de Roma, Bento XVI, sobre os abusos sexuais. As ...