Mais um bispo ao lado dos que sofrem (li e na Ecclesia). Estão todos ao lado dos que sofrem. Ainda não vi nenhum que dissesse que não está ao lado dos que sofrem. Mas se estão mesmo, emitam bem o não estar. Nota-se pouco, tirando um caso ou outro (como aquele que cumprimentou a romena que pedia à porta da sé, quando todos, eu incluído, nunca lhe dei a mão - mas serviu de lição), mesmo que vivam na simplicidade, como vive a grande maioria.
E por falar em bispos, vivendo numa diocese vacante, garantira-me ontem, com nomes e datas, que já houve um nomeado para Aveiro. Era auxiliar. O titular da diocese de que era e é auxiliar simplesmente disse: "Não". E, portanto, começou tudo do zero. Até lá para dezembro. Uma vergonha para quem quer que sejam os responsáveis.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
domingo, 22 de junho de 2014
sábado, 21 de junho de 2014
domingo, 15 de junho de 2014
Anselmo Borges: "Jerusalém e Roma"
Já temos pás. Falta a paz
Artigo de Anselmo Borges no DN de ontem:
1 A política está em tudo mas não é tudo. A oração também pode ser força política. E condição essencial para a paz é a conversão interior, do coração. Por outro lado, a História não está pré-escrita em parte alguma e, por isso, é preciso construí-la e ao mesmo tempo ter a capacidade de se deixar surpreender por ela. Cá está: quem poderia supor há apenas um mês que seria possível o Presidente de Israel, Shimon Peres, e o Presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, encontrarem-se no Vaticano para rezar? Mas o inesperado, o que se diria impossível, aconteceu.
Na sua visita à Jordânia, à Palestina e a Israel, inesperadamente, o Papa Francisco desafiou os dois presidentes para um encontro na "sua casa", no Vaticano, para rezarem pela paz. E essa oração histórica ocorreu nos jardins do Vaticano, no domingo passado, dia 8, com a presença de um quarto convidado, o patriarca ortodoxo Bartolomeu, de Constantinopla. O abraço dos dois líderes, palestiniano e israelita, com o Papa como testemunha, fica para a História. "Que Deus te abençoe!", disse Peres a Abbas, saudando-o. E Francisco: "Sim ao diálogo e não à violência; sim à negociação e não à hostilidade; sim ao respeito pelos pactos e não às provocações. Senhor, desarma a língua e as mãos, renova os corações e as mentes: Shalom, paz, salam".
Após um breve intróito musical, seguiu-se a oração. No centro, Abbas, Francisco e Peres, à esquerda, Bartolomeu. De um lado e de outro, representantes das três religiões abraâmicas, também ditas monoteístas, proféticas e do Livro, e dos governos palestiniano e israelita. Por ordem histórica, a primeira oração coube aos judeus, seguindo-se os cristãos e os muçulmanos. Louvou-se a Deus pela Criação, pediu-se perdão pelos pecados, ergueram-se súplicas pela paz entre judeus e palestinianos, na Terra Santa, em todo o Médio Oriente, para toda a humanidade. No fim, um novo abraço e um gesto simbólico: os quatro líderes plantaram uma oliveira. A paz "não será fácil, mas lutaremos por ela no tempo que nos resta de vida".
2 Se, como escreveu a grande filósofa Hannah Arendt, também a economia é um problema teológico, eu diria que a Palestina o é muito mais. Para quem quiser aprofundar a questão, pode ler as duas obras monumentais do teólogo Hans Küng: O Judaísmo e O Islão.
Como é sabido, em 29 de novembro de 1947, por maioria sólida e com o beneplácito dos Estados Unidos e da antiga União Soviética, as Nações Unidas aprovaram a divisão da Palestina em dois Estados: um Estado árabe e um Estado judaico, com fronteiras claras, a união económica entre os dois e a internacionalização de Jerusalém sob a administração das Nações Unidas. Note-se que, apesar de a população árabe ser quase o dobro e os judeus estarem então na posse de 10% do território, ficariam com 55% da Palestina.
O mundo árabe rejeitou a divisão. Mas, à distância, mesmo admitindo a injustiça da partilha e as suas consequências - é preciso pensar na fuga e na expulsão dos palestinianos -, considera-se que a recusa árabe foi "um erro fatal" (Küng). Aliás, isso é reconhecido hoje também pelos palestinianos, pois acabaram por perder a criação de um Estado próprio soberano pelo qual lutam.
Como se tornou claro, a guerra não gera a paz, que só pode chegar mediante o diálogo, a diplomacia, cedências mútuas, com dois pressupostos fundamentais: o reconhecimento pelos Estados árabes e pelos palestinianos do Estado de Israel e o reconhecimento por parte de Israel de um Estado palestiniano viável, soberano e independente. E Jerusalém: internacionalizada?
O conflito do Médio Oriente é sobretudo político. Mas lá não haverá paz enquanto os membros das três religiões monoteístas, que se reclamam de Abraão, se não tornarem politicamente activos, impedindo o fanatismo religioso. Com base nos seus livros sagrados - Bíblia hebraica, Novo Testamento, Alcorão -, judeus, cristãos e muçulmanos devem reconhecer-se mutuamente e lutar a favor da paz. Esta é a mensagem de Roma para Jerusalém.
sábado, 14 de junho de 2014
Relendo a "Caritas in veritate"
Relendo a "Caritas in veritate", de Bento XVI. Temos aqui o melhor documento para o panorama económico e financeiro da atualidade. Não tem tantos chavões, frases fortes, lugares-comuns, parangonas. Mas tem o equilíbrio que não leva ao repúdio impulsivo. Bem sei, para os tempos das reações instantâneas e epidérmicas não serve. É mais fácil ler (ou ouvir) quatro palavras e não pensar do que ter de refletir.
(N.º 65) Em seguida, é preciso que as finanças enquanto tais — com estruturas e modalidades de funcionamento necessariamente renovadas depois da sua má utilização que prejudicou a economia real — voltem a ser um instrumento que tenha em vista a melhor produção de riqueza e o desenvolvimento. Enquanto instrumentos, a economia e as finanças em toda a respectiva extensão, e não apenas em alguns dos seus sectores, devem ser utilizadas de modo ético a fim de criar as condições adequadas para o desenvolvimento do homem e dos povos. É certamente útil, se não mesmo indispensável em certas circunstâncias, dar vida a iniciativas financeiras nas quais predomine a dimensão humanitária. Isto, porém, não deve fazer esquecer que o inteiro sistema financeiro deve ser orientado para dar apoio a um verdadeiro desenvolvimento. Sobretudo, é necessário que não se contraponha o intuito de fazer o bem ao da efectiva capacidade de produzir bens. Os operadores das finanças devem redescobrir o fundamento ético próprio da sua actividade, para não abusarem de instrumentos sofisticados que possam atraiçoar os aforradores. Recta intenção, transparência e busca de bons resultados são compatíveis entre si e não devem jamais ser separados. Se o amor é inteligente, sabe encontrar também os modos para agir segundo uma previdente e justa conveniência, como significativamente indicam muitas experiências no campo do crédito cooperativo.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
O conservador liberal
Anda para aí uma polémica sobre a atribuição de um prémio da
Católica a Alexandre Soares dos Santos.
A notícia diz:
O Instituto de Estudos Políticos (IEP), da Universidade Católica Portuguesa, vai atribuir o Prémio Fé e Liberdade a Alexandre Soares dos Santos, anterior presidente do conselho de administração do grupo Jerónimo Martins. A distinção vai ser entregue a 24 de junho, durante o Fórum Político do Estoril, que reúne dezenas de oradores nacionais e estrangeiros sob o tema “Reavaliando a 3.ª vaga de democratização”, por ocasião dos 40 anos do 25 de abril (1974) e os 25 anos da queda do Muro de Berlim (1989). Elísio Alexandre Soares dos Santos (1934), que já foi considerado a pessoa mais rica em Portugal, vai ser apresentado por Manuel Braga da Cruz, anterior reitor da Universidade Católica.
A polémica tem a ver com a oposição de certos setores da
Igreja e da cultura. Notícia do DN aqui.
Bento Domingues é um dos que está contra. Mas já houve uma
altura em que concordou com o "Sr. Pingo Doce". Ler aqui.
Dizia na altura o "conservador liberal" (hummm,
uma posição em que economico-eclesialmente me revejo):
Por que é que a Igreja é tão lenta a reformar-se? São coisas que discuto como bispo D. Manuel Clemente. Por que é que não se devem admitir mulheres padres? Por que é que não se há-de admitir o casamento? Por que é que a Cúria Romana é constituída por uns tipos que têm 80 anos, que não sabem nada de nada da vida, que estão ali fechados? (…)
terça-feira, 10 de junho de 2014
Porta aberta
Hoje dei-me ao trabalho de ler alguns dos comentários que de vez em quando deixam em algumas das entradas. Uma vergonha. Há gente, suponho que muito católica, que não é nada cristã. E há gente que, sob o anonimato, fala contra alguém que conhece. E esse alguém atingido fala para o primeiro sabendo com quem fala, ora parecendo que sim, ora parecendo que não, ora deixando-se confuso. Não gosto disto, embora também haja quem se sirva do anonimato com bons modos (simpatia, elevação do debate, contributos úteis). Mas recuso-me a acabar com a possibilidade da má educação.
Irlanda
Que mais há de acontecer à Igreja católica na Irlanda? (E mais uma série de questões sobre a sexualidade e a mudança de mentalidades e perceções, que é o que está em causa, mas receio que tudo fique pela rama do "papel da Igreja".)
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Slender Man ataca
O Slender Man (a wikipedia explica quem é, para quem, como eu, nunca de tal ouviu falar) inspirou duas crianças a assassinar uma terceira (apesar das 19 facadas, felizmente sobreviveu). Foi nos EUA, como poderia ter em qualquer lado com internet. Li aqui.
O que é que isto quer dizer? Muitas leituras possíveis, uma delas, sobre a indistinção entre imaginação e realidade; outra, sobre a ausência da ética elementar que diz que matar ou é mal; e outra sobre como o pior da personalização do mal é a o poder da própria personalização.
Anselmo Borges: "Francisco no Médio Oriente. «Conseguimos!»"
Texto de Anselmo Borges no DN do último sábado (31 de maio), daqui:
Era uma viagem de alto risco. Acabou por ser uma viagem que os media mundiais chamaram de histórica. Francisco queria que a sua visita à Jordânia, à Palestina e a Israel fosse uma peregrinação. E foi, mas com imensas consequências políticas. Afinal, a política não é tudo, mas está em tudo. O que aí fica quer lembrar momentos significativos da viagem.
Na Jordânia, pediu "uma solução pacífica para a crise síria e uma solução justa para o conflito israelo-palestiniano". Referindo-se concretamente à Síria, lacerada por uma luta fratricida que dura há mais de três anos, com milhões de refugiados, atacou as empresas armamentistas e rezou pela sua conversão: "Que Deus converta os violentos, os que provocam a guerra, os que fabricam e vendem armas, e os torne construtores da paz!"
Defendeu, em Belém, "o direito à existência de dois Estados, gozando de paz e segurança". Na preparação da viagem, já houvera uma referência ao "Estado palestiniano". Ainda em Belém: "A incompreensão entre as partes produz divisões, sofrimentos e êxodo de comunidades inteiras." Aqui, certamente lembrou-se de que a Terra Santa está a ficar sem cristãos, pois no Médio Oriente já só representam 2%, quando há 50 anos eram 10%. E ousou um convite: "Senhor Presidente Mahmoud Abbas, neste lugar onde nasceu o Príncipe da Paz, desejo convidá-lo a si e ao Senhor Presidente Shimon Peres a elevarmos juntos uma intensa oração pedindo a Deus o dom da paz. Ofereço a possibilidade de acolher este encontro na minha casa, no Vaticano." Francisco renovou o convite em Tel Aviv. E Peres e Abbas aceitaram a iniciativa inédita.
A caminho da Basílica da Natividade, em Belém, surpreendeu, quando, ao passar junto ao muro erguido por Israel na Cisjordânia, conhecido como "o muro da vergonha", mandou parar o jipe em que seguia, ficando em oração durante alguns minutos, apoiando a mão e a cabeça no muro, um pouco à maneira do que fazem os judeus no Muro das Lamentações. Este gesto, que causou descontentamento em Israel, foi compensado com uma outra visita-surpresa, quando, a caminho do memorial do Holocausto, símbolo da "monstruosidade" humana, onde perguntou: "Como foste capaz, Homem, deste horror, o que te fez cair tão baixo?" e gritou: "Nunca mais! Nunca mais!", homenageou o memorial às vítimas israelitas dos atentados em Jerusalém. Com estes dois gestos, Francisco estava a dizer que não é com muros nem com o terrorismo que se constrói a paz. Como disse o padre D. Neuhaus, do Patriarcado Latino de Jerusalém, "Francisco tem o perigoso talento de dizer a verdade".
Em Jerusalém, Francisco e Peres clamaram em uníssono: "Não nos cansemos de perseguir a paz com determinação e coerência." O Papa: "Que Jerusalém seja verdadeiramente a cidade da paz, que corresponda à sua identidade, ao seu carácter sagrado e verdadeiro valor como tesouro para toda a humanidade. Que todos possam ter acesso livre aos lugares santos e participar nas celebrações."
E sucederam-se os encontros ecuménicos e inter-religiosos. Com o Patriarca ortodoxo Bartolomeu, assumiu a urgência da união de todos os cristãos, propondo "um novo modo" de exercer o primado papal, tendo talvez no horizonte a ideia de um primus inter pares (o primeiro entre iguais). Na Esplanada das Mesquitas, encontrou-se com o Grande Mufti, pedindo aos "amigos muçulmanos" um trabalho em conjunto pela justiça e pela paz. "Que ninguém instrumentalize o nome de Deus para a violência!" Depois do muro de Belém, rezou no Muro das Lamentações. E, num encontro com rabinos, um rabino proclamou: "Em Jerusalém, não deve existir mais ódio nem inimizade entre os irmãos."
E os três velhos amigos dos tempos de Buenos Aires - o rabino A. Skorka, o xeque O. Abboud e o agora Papa Francisco - abraçaram-se ali, junto ao Muro, e foi o grande abraço das três religiões abraâmicas. E Skorka, comentando o velho sonho em Jerusalém: "Conseguimos!" E Francisco regressou a casa, com a esperança fundada de em breve serem retomadas negociações sérias em ordem à paz.
domingo, 1 de junho de 2014
Liderança bicéfala só no Vaticano
Diz Sócrates, o teólogo (no comentário que faz na RTP):
"Liderança bicéfala só no Vaticano, que tem dois Papas. Só que um está à frente da Igreja e o outro recolhido em oração".
"Liderança bicéfala só no Vaticano, que tem dois Papas. Só que um está à frente da Igreja e o outro recolhido em oração".
quinta-feira, 29 de maio de 2014
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Castigo divino pela vitória de Conchita
Líderes religiosos dos Balcãs afirmam que as inundações na região foram um "castigo divino" pela vitória de Conchita Wurst no Festival Eurovisão da Canção.
Ler para crer, aqui.
Conchita Wurst, artista austríaco cujo verdadeiro nome é Thomas Neuwirth e que ficou conhecido internacionalmente após ter ganho o Festival Eurovisão da Canção este ano, está a ser acusado por vários líderes religiosos dos Balcãs de ter sido o responsável pela catástrofe na região.
Ler para crer, aqui.
Vai um brinde aos papas santos!
Parece que o Papa não gostou de uma festa com buffet, e se calhar bar livre, num terraço com vista para a Praça de São Pedro, durante a canonização de João Paulo II (ainda não consigo dizer "São João Paulo II" até porque penso logo no São João Paulo I) e de João XXIII...
...muito menos que um dos padres com responsabilidades num organismo vaticano servisse a Comunhão num recipiente da empresa de catering (não, não se vê o logo da empresa).
A festa só custou 18 mil euros, paga por patrocinadores privados, mas choca com o estilo que Francisco quer para a Igreja. A notícia, li-a no "Público". As imagens, copiei-as daqui. E há lá mais.
...muito menos que um dos padres com responsabilidades num organismo vaticano servisse a Comunhão num recipiente da empresa de catering (não, não se vê o logo da empresa).
A festa só custou 18 mil euros, paga por patrocinadores privados, mas choca com o estilo que Francisco quer para a Igreja. A notícia, li-a no "Público". As imagens, copiei-as daqui. E há lá mais.
terça-feira, 20 de maio de 2014
O burrito de D. Eurico
Morreu ontem D. Eurico Dias Nogueira, arcebispo de Braga até 1999. Assim de repente, dele, há um episódio que é imperial não lembrar. Pelo menos faz todo o sentido. Mas recordo-me do orgulho com que nas aulas de Religião e Moral, era eu adolescente, D. Manuel de Almeida Trindade (sim, o bispo dava aulas no Seminário de Aveiro) falava do jovenzinho que, dos confins da diocese de Coimbra, atravessava os montes num burrito ou cavalo que fosse para ir para o seminário. "E é hoje o arcebispo de Braga!", assim acabava a história.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Só com grandeza
Dizia R. M. Rilke a F. X. Kappus:
Mas se notar que ela é grande, alegre-se, pois o que seria uma solidão (faça esta pergunta a si mesmo) sem grandeza?
Mas se notar que ela é grande, alegre-se, pois o que seria uma solidão (faça esta pergunta a si mesmo) sem grandeza?
Mulheres apaixonadas por padres escrevem ao Papa
Vinte e seis mulheres apaixonadas por padres escreveram ao Papa. Li no Público. O que me intriga nesta notícia é: como se conheceram, já que se trata de uma carta única? De resto, o celibato presbiteral obrigatório não é milenar (diz-se que o celebrado Bartolomeu dos Mártires, em Trento, pediu uma exceção para os seus padres do Barroso. Foi mesmo?), como se diz na notícia. Nem universal para os católicos (há os protestantes convertidos, os ex-anglicanos, os católicos de rito grego). E como opção até é pré-cristão. Por outro lado, porque não lhe escrevem os padres?
João César das Neves: "A Europa corre mal"
Gostei muito de ler o texto de João César das Neves no DN de hoje. Fala da Europa e das críticas justas que lhe fazem:
Os membros do Sul acusam-na de injustiça e opressão e os do Norte de esbanjadora e parasita. Os americanos desprezam-na como decadente e preguiçosa, os africanos acham-na colonialista e pedante. No concerto das nações surge como caduca, enfatuada, sempre em discussão consigo e perdida em ideais. Todas as críticas são verdadeiras e justas.E ainda mais do feito magnífico que é:
Que países vizinhos, inimigos seculares, chacinando-se em permanentes conflitos, se unam num magno esforço de partilha de soberania é uma ideia que desafia toda a lógica social e política. Que esse projecto tão ambicioso tenha gerado uma prosperidade, liberdade e progresso dos mais elevados de sempre, recuperando rapidamente do maior dos desastres bélicos, ainda mais o distingue. A maior coroa de glória é que, além disso, os seus membros não tenham medo de abrir a experiência a outros, passando, dos seis iniciais, para os actuais 28. E que o façam confiando plenos direitos aos recém-chegados, sem privilégios para os fundadores. Poucas organizações humanas alguma vez tentaram reger-se por princípios tão dignos e magníficos.Tudo isto está simplesmente omisso na maior parte das discussões sobre a União. A única hipótese de compreender a grandeza do projecto europeu, além das liturgias oficiais comunitárias, a que ninguém dá atenção fora dos círculos diplomáticos, está na involuntária homenagem que os países externos lhe prestam. A verdade é que a grande maioria dos vizinhos gostaria de aderir, e os países longínquos pretendem copiar.Já agora, sobre este assunto da Europa e as origens da união, sugiro a leitura da nota 2 deste post (sim, não tenho tido muito tempo para coisas originais).
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Bento XVI e os abusos sexuais
Programa para a breve folga da Páscoa, um destes dias: ler o que escreveu o bispo emérito de Roma, Bento XVI, sobre os abusos sexuais. As ...
-
Dostoiévski (imagem retirada daqui ) Dostoiévski escreveu em “ Os Irmãos Karamazo v ” :“Se Deus não existisse, tudo seria permitido”. A fra...
-
Sufjan Stevens esteve há dias em Portugal, pelo menos pela segunda vez, porque já o vira em Santa Maria da Feira, em 2004, na primeira ediç...
-
"Cristo Morto" (1521), de Hans Holbein Hoje é dia de Dostoiévski. Morreu há 129 anos. Uma das suas frases mais célebres é “A bele...









