sexta-feira, 23 de maio de 2014

Castigo divino pela vitória de Conchita

Líderes religiosos dos Balcãs afirmam que as inundações na região foram um "castigo divino" pela vitória de Conchita Wurst no Festival Eurovisão da Canção.
Conchita Wurst, artista austríaco cujo verdadeiro nome é Thomas Neuwirth e que ficou conhecido internacionalmente após ter ganho o Festival Eurovisão da Canção este ano, está a ser acusado por vários líderes religiosos dos Balcãs de ter sido o responsável pela catástrofe na região.

Ler para crer, aqui.

Vai um brinde aos papas santos!

Parece que o Papa não gostou de uma festa com buffet, e se calhar bar livre, num terraço com vista para a Praça de São Pedro, durante a canonização de João Paulo II (ainda não consigo dizer "São João Paulo II" até porque penso logo no São João Paulo I) e de João XXIII...



...muito menos que um dos padres com responsabilidades num organismo vaticano servisse a Comunhão num recipiente da empresa de catering (não, não se vê o logo da empresa).


A festa só custou 18 mil euros, paga por patrocinadores privados, mas choca com o estilo que Francisco quer para a Igreja. A notícia, li-a no "Público". As imagens, copiei-as daqui. E há lá mais.

terça-feira, 20 de maio de 2014

O burrito de D. Eurico

Morreu ontem D. Eurico Dias Nogueira, arcebispo de Braga até 1999. Assim de repente, dele, há um episódio que é imperial não lembrar. Pelo menos faz todo o sentido. Mas recordo-me do orgulho com que nas aulas de Religião e Moral, era eu adolescente, D. Manuel de Almeida Trindade (sim, o bispo dava aulas no Seminário de Aveiro) falava do jovenzinho que, dos confins da diocese de Coimbra, atravessava os montes num burrito ou cavalo que fosse para ir para o seminário. "E é hoje o arcebispo de Braga!", assim acabava a história.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Linha da vida

Moving On from ainslie henderson on Vimeo.

Cantam os James (mais ou menos Jacob em inglês).

Só com grandeza

Dizia R. M. Rilke a F. X. Kappus:

Mas se notar que ela é grande, alegre-se, pois o que seria uma solidão (faça esta pergunta a si mesmo) sem grandeza?

Mulheres apaixonadas por padres escrevem ao Papa

Vinte e seis mulheres apaixonadas por padres escreveram ao Papa. Li no Público. O que me intriga nesta notícia é: como se conheceram, já que se trata de uma carta única? De resto, o celibato presbiteral obrigatório não é milenar (diz-se que o celebrado Bartolomeu dos Mártires, em Trento, pediu uma exceção para os seus padres do Barroso. Foi mesmo?), como se diz na notícia. Nem universal para os católicos (há os protestantes convertidos, os ex-anglicanos, os católicos de rito grego). E como opção até é pré-cristão. Por outro lado, porque não lhe escrevem os padres?

João César das Neves: "A Europa corre mal"


Gostei muito de ler o texto de João César das Neves no DN de hoje. Fala da Europa e das críticas justas que lhe fazem: 
Os membros do Sul acusam-na de injustiça e opressão e os do Norte de esbanjadora e parasita. Os americanos desprezam-na como decadente e preguiçosa, os africanos acham-na colonialista e pedante. No concerto das nações surge como caduca, enfatuada, sempre em discussão consigo e perdida em ideais. Todas as críticas são verdadeiras e justas.
E ainda mais do feito magnífico que é:
Que países vizinhos, inimigos seculares, chacinando-se em permanentes conflitos, se unam num magno esforço de partilha de soberania é uma ideia que desafia toda a lógica social e política. Que esse projecto tão ambicioso tenha gerado uma prosperidade, liberdade e progresso dos mais elevados de sempre, recuperando rapidamente do maior dos desastres bélicos, ainda mais o distingue. A maior coroa de glória é que, além disso, os seus membros não tenham medo de abrir a experiência a outros, passando, dos seis iniciais, para os actuais 28. E que o façam confiando plenos direitos aos recém-chegados, sem privilégios para os fundadores. Poucas organizações humanas alguma vez tentaram reger-se por princípios tão dignos e magníficos.Tudo isto está simplesmente omisso na maior parte das discussões sobre a União. A única hipótese de compreender a grandeza do projecto europeu, além das liturgias oficiais comunitárias, a que ninguém dá atenção fora dos círculos diplomáticos, está na involuntária homenagem que os países externos lhe prestam. A verdade é que a grande maioria dos vizinhos gostaria de aderir, e os países longínquos pretendem copiar.
Já agora, sobre este assunto da Europa e as origens da união, sugiro a leitura da nota 2 deste post (sim, não tenho tido muito tempo para coisas originais).

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Na Premier League os milagres acontecem - com a ajuda do Papa Francisco

"Na Premier League os milagres acontecem", notícia do "Público".

Mete mais uma camisola para o papa Francisco e uma espécie de lenda no campeonato onde treina o 15.º ou 16.º melhor treinador do mundo, sim, José Mourinho. Mas é lenda é o Sunderland.


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Dois textos de João César das Neves

João César das Neves escreveu na segunda-feira, no DN, sobre "A festa dos cinco papas", os quatro da canonização do dia 27 mais um outro.
Ontem foi um dia especial. Dois papas vivos declararam perante o mundo que dois papas mortos estavam na vida plena. A canonização de João XXIII e João Paulo II pelo Papa Francisco, na presença do papa emérito Bento XVI, constitui um acto único na história do mundo. Será que interessa ao mundo?
Ler tudo aqui.

Oito dias antes, JCN escreveu um conto de Páscoa.

O meu amigo fora claro: o seu prédio ficava entre a igreja e a livraria. Cedinho nessa manhã de Páscoa ali estava eu totalmente perdido, apesar das indicações. Ele dissera que não havia nada que enganar, porque a grande cruz no cimo da torre se via à distância. Além disso eu visitara-o há uns anos e esperava reconhecer o local. Apesar disto, não fazia a menor ideia onde me devia dirigir. Estava totalmente perdido.
Ler tudo aqui.

domingo, 27 de abril de 2014

Bento Domingues: "Domingo de canonizações"

Texto de Bento Domingues no "Público" de 27 de abril de 2014.

Morreu Vasco Graça Moura

Morreu Vasco Graça Moura. Não tinha relação especial com ele para além de ser leitor habitual das suas crónicas. Citei-o sete vezes neste blogue, como aqui, o suficiente para ficar triste com a morte deste intelectual. E surpreendido, como acontece geralmente com a manifestação da irmã morte.

Santos

João Paulo II e João XXIII são santos desde há minutos - diz a imprensa online. Antes não eram.

Bento Domingues: "A noção de infalibilidade tem pouco de infalível"

Início do texto de Bento Domingues no "Público" de hoje:

Hoje é domingo de canonizações, de surpresas e decepções. Fizeram-me, a este respeito, uma pergunta estranha: será verdade que uma canonização envolve a infalibilidade pontifícia?

Digo estranha porque, nas questões de ordem teológica, o que me preocupa, em clima cristão, é saber se um determinado acontecimento, atitude, gesto ou palavra servem a dimensão imanente e transcendente dos seres humanos, como criaturas de relação e de interajuda. Respondi que uns teólogos dizem que sim e outros dizem que não. Sabem tanto uns como outros. Estamos, portanto, em matéria opinável. Como a própria noção de infalibilidade tem pouco de infalível, é melhor não ligar muito a esse género de preocupações.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

JOC: Jovens Organizados e Combativos


A JOC belga, no fundo, a mãe de todas as juventudes operárias católicas e do próprio movimento mais geral da Ação Católica, fundada pelo quase beato Cardijn, deixou de ser Operária e Católica. Agora, JOC quer dizer Jovens Organizados e Combativos.
“Há dois anos, os jovens jocistas decidiram iniciar um longo processo de reflexão sobre a identidade da JOC”, explica o movimento num comunicado. Foram realizados debates internos sob a forma de questionário, dirigido aos membros, e encontros com os militantes históricos. 
Visto à luz do novo nome, a combatividade torna-se o principal valor do movimento num contexto de crise. “A JOC procura organizar todos aqueles que estão revoltados e querem lutar contra todas as formas de opressão causadas especialmente pelo sistema capitalista, precisa o comunicado. Não se trata apenas de denunciar as injustiças que os jovens vivem, mas também de lutar concretamente para aboli-las”. Li aqui.

Isto provoca-me duas ou três reações (ainda não as contei, porque é tudo tão rápido que não dá tempo). A primeira seria uma peroração sobre o fim da identidade católica da Bélgica. Mas isso há muito que foi feito. A segunda, seria uma breve dissertação sobre o catolicismo enquanto religião (ou confissão) da saída da religião, à Marcel Gauchet. Mas neste momento até duvido do nome do autor e da correcção da ideia. A terceira seria uma saudação por os jovens jocistas belgas terem feito o que muitos jocistas e emeceístas (do Movimento Católico de Estudantes) portugueses no fundo querem, mas não têm coragem para tal. A quarta seria um lamento vattimista sobre a dentidade débil do catolicismo no séc. XXI. A quinta seria ver aqui um sinal dos tempos. E a sexta, seria falar dos pobres tempos que vivemos. A sétima, porque está mesmo a ser pedida, seria.

Anselmo Borges: "Francisco e o 25 de Abril"

Texto de Anselmo Borges no DN de 12 de abril (aqui):


1. A fotografia percorreu mundo: o Papa Francisco de joelhos, diante de um padre no confessionário, a confessar-se à vista de quem estava. Sabia-se que o Papa também peca e portanto se confessa. Mas agora está mesmo lá a confessar-se normalmente, como qualquer católico. Afinal, também é pecador, como repete constantemente, e tem dúvidas e engana--se como toda a gente, não é infalível. É simplesmente um homem, que acredita no perdão de Deus. E quer melhorar a sua vida, tanto mais quando tem uma imensa responsabilidade perante a humanidade inteira.

Pouco depois, na semana passada, Francisco deu uma entrevista a um grupo de cinco estudantes católicos belgas de comunicação. E foi-lhes dizendo, textualmente: "Enganei-me e engano-me. Diz-se que o ser humano é o único animal que cai duas vezes no mesmo sítio. Os erros foram grandes mestres de vida. Não diria que aprendi com todos os meus erros; com alguns, não, também sou casmurro. Mas aprendi com muitos outros erros e isso faz-me bem." Entre os equívocos na sua vida recorda que, quando ainda jovem, com 36 anos foi nomeado superior da Companhia de Jesus, cometeu erros "com o autoritarismo". Depois, deu-se conta de que "é preciso dialogar, escutar o que os outros pensam".

Já ouviu dizer : "Este Papa é comunista!", por causa do seu discurso sobre os pobres, mas esclarece que não. "Não, esta é a bandeira do Evangelho, a pobreza sem ideologia, os pobres estão no centro do anúncio de Jesus."

Confessa que é feliz, com uma grande paz, apesar dos problemas. "Sempre houve problemas, mas esta felicidade não vai embora com eles." Lamenta é que "neste momento da história o ser humano foi retirado do centro", sendo o seu lugar ocupado "pelo poder e pelo dinheiro". Referindo o desemprego dos jovens, arremete contra "uma cultura do descartável": o que não serve a globalização reinante deita-se fora: "Os jovens são expulsos, são expulsas as crianças, não queremos filhos, só famílias pequenas, e são expulsos os velhos, muitos deles morrem com uma eutanásia oculta, porque não se cuida deles." Mas está confiante: ainda na Argentina, falou com muitos políticos jovens e comprovou que, de direita ou de esquerda, falam "com uma nova música, um novo estilo de política". E faz uma pergunta: "Onde está o teu tesouro?" Porque, "onde estiver o teu tesouro, aí estará o teu coração", como diz o Evangelho. E responde: pode estar no "poder, no dinheiro, no orgulho" ou na "bondade, na beleza, no desejo de fazer o bem".

2. Pelo menos 80% dos portugueses ainda se consideram católicos, e é nesse pressuposto que faço uma breve reflexão.

Há uma herança indiscutivelmente imensa e positiva do 25 de Abril. A democracia, as liberdades, os direitos humanos, erradicação do analfabetismo, algum desenvolvimento, uma nova consciência de cidadania... são bens inestimáveis. Mas muita coisa correu mal, de tal modo que a gente pergunta como é que, tendo podido fundar um país moderno, se está onde nos encontramos. Incompetência e irresponsabilidade política, ganância desmesurada, anteposição de interesses próprios e partidários ao bem comum, cumplicidades entre partidos e negócios, investimentos irracionais, corrupção, justiça inoperacional, multiplicação cega de instituições de ensino superior e perda de autoridade nas escolas, consumismo hedonista leviano, um tsunami demográfico, abismo cada vez mais fundo entre os muito ricos e os pobres, incapacidade de pensar o futuro com um projeto viável para Portugal... eis alguns dos responsáveis.

Será preciso parar. Para pensar - do latim, pensare: pesar razões, também em conexão o penso para cura das feridas. Para confessar os erros e aprender com eles: é espantosa a "inocência" de comentadores que falam como se a maioria não tivesse estado no poder.

E a Igreja oficial precisa, tornando-se verdadeiramente livre, acima de interesses e partidos, de ser mais interventiva enquanto voz político-moral, iluminada e iluminante.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um bispo para Itália e outro para o Norte de África

Há dois novos bispos para Portugal. Ou melhor, portugueses, já que são bispos de dioceses no Norte de África e na Itália. Um é bispo de uma terrinha da Numídia, perto dos sítios por onde andou Agostinho de Hipona; o outro é bispo de uma diocese perto de Roma. Como têm de ser bispos de algo, nem importa que sejam de dioceses já não existem.

Bento XVI e os abusos sexuais

Programa para a breve folga da Páscoa, um destes dias: ler o que escreveu o bispo emérito de Roma, Bento XVI, sobre os abusos sexuais. As ...