sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Portocarrero de Almada: Sinais de contradição

Um crónica de 11 de fevereiro, no "i". Já cá deveria ter sido posta, mas só agora saiu do vórtice da resignação papal. Eu também não gosto do carnaval. Ou pelo menos do carnaval-que-temos.

Reino de Jesus

Jesus fala do Reino de Deus. Ele não fala como de um outro mundo, destinado a fazer-nos esquecer os cuidados deste mundo, como num conto de fadas. Este Reino é o mais profundo do nosso mundo, para aquele que tem olhos para ver:é o nosso mundo quando o olhamos como o domínio de Deus. É aí onde Deus reina, já aqui e agora.

Jean-Noël Bezançon

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Algumas coisas que aprendi com Bento XVI - 1

Bento XVI disse:

A verdade há-de ser procurada, encontrada e expressa na «economia» da caridade, mas esta por sua vez há-de ser compreendida, avaliada e praticada sob a luz da verdade. Deste modo teremos não apenas prestado um serviço à caridade, iluminada pela verdade, mas também contribuído para acreditar a verdade, mostrando o seu poder de autenticação e persuasão na vida social concreta. Facto este que se deve ter bem em conta hoje, num contexto social e cultural que relativiza a verdade, aparecendo muitas vezes negligente se não mesmo refractário à mesma.

Caritas in veritate, 2

Não digo que o Papa tenha posto no lixo aquela expressão "a verdade na caridade", que nas suas aplicações habituais transformava a verdade numa verdadezinha, logo menos verdade, e contaminava a caridade. Mas reforçou, sem dúvida, a necessidade de busca da verdade como condição de vida cristã (vida enquanto pensamento e ação).

Certamente que a verdade é um fim. Mas também é uma condição quando aliada ao amor. Mas pelo facto de o amor ser mais alto, não deve deturpar a verdade. Pelo contrário, exige que ela seja sempre cumprida. Espanto-me por isso que alguns ratzinguerianos, e o próprio papa, em algumas circunstâncias ajam como quem tem medo da verdade. Na investigação teológica por exemplo (penso em Ratzinger enquanto prefeito da CDF e enquanto autor dos livros sobre Jesus). A questão não foi, boa parte das vezes o "se é verdade", mas antes o "se está de acordo com o Magistério", quando ambos, teólogos e Magistério devem ser servidores da verdade.

Em resumo, a verdade como imperativo da vida cristã (lá haveremos de chegar à questão do relativismo) é um dos legados de Bento XVI. Assumir a verdade em todos os âmbitos da vida eclesial e na relação com o mundo, no mundo, provocará muita dor.

Que título para Bento XVI?

Quando João Paulo II morreu, tentaram colar-lhe o "Magno" ao nome. Não colou. Pelo menos por agora, que estas coisas levam tempo.

Que título podemos dar a Bento XVI / Ratzinger? O Teólogo? Não creio. Ratzinger é um grande teólogo no panorama atual, mas é irrelevante na teologia dos séculos XX e XXI. Os livros sobre Jesus, passado o pontificado, vão ser esquecidos. Não trazem nada de novo à teologia e a investigação histórica e teológica já está mais à frente. Talvez alguma das suas outras obras, que estão a ser publicadas nas obras completas, seja importante. Como não leio alemão, desconheço. Bento XVI, o Breve?

Outra notícia do dia 11: "Patriarca fica mais um ano"


Notícia do "Correio da Manhã" de 11 fevereiro, o dia em que o raio caiu do céu sobre o Vaticano e obnubilou tudo em termos mediáticos. Registe-se o aparecimento de um quarto candidato. Ou seja, o segundo depois de D. Manuel Clemente, já que D. António Marto é demasiado nortenho para Lisboa (não é candidato real). Mais depressa vai parar ao Porto. E D. Carlos Azevedo já por lá passou. Se lá fosse desejado, não teria sido "promovido" para Roma. 

Quaresma


O papa Bento XVI apelou hoje [13 de fevereiro de 2013] ao fim da "hipocrisia religiosa" e "rivalidades" dentro da Igreja Católica, na sua última missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

É o que diz o DN. Levar a sério este apelo provocaria (uso condicional porque não tenho ilusões sobre a sua concretização de hoje para a amanhã) um novo Pentecostes. Nasceria outra Igreja. E teríamos de arranjar-lhe outro nome. Como me dizem uns amigos, não os imaginava tão perto de Bento XVI, “Igreja é sinónimo de hipocrisia católica”.

Nota às 10h48: Vale a pena ler os comentários que se seguem, especialmente o primeiro.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

13 de fevereiro de 1130. Morre o Papa Honório II



Lamberto Scannabecchi foi eleito no dia 21 de dezembro de 1124. Dizem que através de um suborno. No entanto Honório II foi um Papa decente.

Liderou a Igreja católica até ao dia 13 de fevereiro de 1130. Morreu aos 55 anos. No seu pontificado realizou-se o Concílio de Troyes (1128), que estabeleceu a regra da Ordem dos Templários.

Bento Domingues: As religiões não são todas iguais


A resignação do Papa foi um vórtice que engoliu tudo. Eu, por, exemplo, esqueci-me de pôr aqui o texto de Bento Domingues. Começa com esta tirada impagável:
Na polémica com os liberais, o católico ultramontano Louis Veuillot (1813-1883) assumiu uma posição que ficou célebre: "Quando estou em situação desfavorável, em nome dos vossos princípios, exijo a liberdade; quando estou em posição forte, em nome do meu antiliberalismo, nego-vos a liberdade".

Louis Veuillot, o antipatrono da liberdade

Hans Kung sobre a resignação

Ele fez uma escolha secular como se fosse um simples Presidente da República. (...) Nunca imaginei que este Papa me pudesse surpreender um dia de forma positiva.

Hans Kung

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Anselmo Borges: Sobre a resignação de Bento XVI

No DN de hoje, aqui:

Percebo e não percebo o aparente choque que se apoderou da opinião pública. Para mim, foi surpresa por ter sido ontem. Mas estava convencido de que, mais tarde ou mais cedo, isto iria acontecer. Aliás, ele próprio já há dois anos tinha afirmado que, se sentisse que já não tinha forças para continuar à frente do governo da Igreja, resignaria.

Foi um gesto de grande coragem, lucidez e honestidade. Reflectiu em consciência e fê-lo em plena liberdade - foi bom que o tenha declarado. Já não sente forças no corpo e no espírito, disse também. Os problemas do mundo actual, com incidência na fé, são gigantescos e a Igreja precisa de alguém com mais energia e vigor.

Penso que uma das causas maiores do desgaste foi a sua incapacidade para reformar a Cúria Romana, questão essencial para o futuro da Igreja - ele próprio se queixou de que lhe sonegavam informações. Houve uma série de escândalos, desde a pedofilia à corrupção, do Vatileaks às intrigas no Vaticano, com correntes que se digladiam e preparam para a sucessão. Bento XVI é um homem afável e quase tímido - foi a impressão que me ficou da vez em que estive com ele. É um intelectual e não um homem da administração e, assim, na impossibilidade dessa reforma, resignou.

Deste pontificado fica a importância do diálogo entre a fé e a razão, a condenação sistemática da especulação financeira sem regulação, a continuação do diálogo com as outras confissões cristãs e com as diferentes religiões, o apelo a dois Estados soberanos: um israelita e outro palestiniano, a possível abertura ao preservativo.

O sucessor? Ninguém sabe. Mas, no meu entender, deve ser profundamente cristão, seguir Jesus no seu Evangelho, relativamente jovem, com capacidade de reformar a Cúria, próximo das pessoas e dos seus problemas reais. Mais interessado nas pessoas do que na instituição. Penso num João XXIV.

Capas de Bento na imprensa portuguesa de hoje






segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Para onde vai Bento XVI - 2

Vídeo retirado do sítio da Rádio Renascença. Um comentador deste blogue, Pedro, escreveu que o porta-voz do Vaticano já explicou para onde vai Bento XVI.Procurei o vídeo. A resposta surge aí pelos 1:45. Primeiro, Bento XVI vai para a residência de Castel Gandolfo e depois para um mosteiro de irmãs de clausura no Vaticano.

Inevitável começar-se a falar dos sucessores de Bento XVI

O "Público" diz que o ganês Peter Turkson é o preferido. Não me parece. Vai ser um europeu. Italiano. Do norte. Da eScola de Ratzinger. Ou então um do sul. Mas de outro hemisfério e a falar latino.

Para onde vai Bento XVI?


Não sei se já alguma coisa foi dita oficialmente sobre isto. No meu papel de tudólogo, acho que vai para um convento, mosteiro ou algo do género. Beneditino. Com uma boa biblioteca. O de Monte Cassino reúne as condições. Foi fundado pelo primeiro Bento. E tem boas vistas.

Bento e os ventos

Ouvindo os comentadores (vi na TVI do café ao lado), parece que a resignação era esperada e que Bento XVI fez muito bem.

Se ele tivesse morrido no ofício, diriam o mesmo? Que era esperado e que fez muito bem? Que era esperado que não resignasse e que fazia muito bem em não resignar? Parece-me que sim.

Quando morreu João Paulo II, não me lembro de nenhum comentador eclesiástico dizer que já deveria ter renunciado. Todos invocavam o "não se renuncia à paternidade" de Paulo VI. E ai de quem dissesse o contrário. Eu dizia. Na altura ouvi que era uma desconsideração da velhice, um ir na onda das organizações mundanas (e a Igreja também não é isso?), até uma falta de fé.

E se há dias alguém dissesse que o Papa deveria naturalmente resignar como qualquer bispo, diriam que não pode ser assim, que é diferente, blá-blá-blá. Hoje, parece natural que tenha de ser assim.

Bento XVI é grande na hora de saída. Os comentadores (os que eu ouvi) vão conforme lhes dá o vento.

O Papa vai renunciar no dia 28 de fevereiro

O Papa vai renunciar no dia 28 de fevereiro.

Grande decisão a de Bento XVI. Só falta que o Bispo de Roma faça como todos os outros, que aos 75 anos apresentam a disponibilidade para deixarem de estar à frente das suas dioceses. Quem diz 75 diz 80 ou qualquer outra idade. 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

A mensagem do Papa para a Quaresma diz 28 vezes caridade

Quando tinha frutos também tinha ninhos

A mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2013 (li-a aqui) insiste na relação entre fé e caridade. “Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente”. O Papa diz que tanto é “redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo” como é igualmente redutivo “defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o ativismo moralista”.

Claro que o Papa não é pelagiano porque diz que as obras de caridade “não são fruto principalmente do esforço humano, de que [alguém poderia] vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância”.

A mensagem não é muito provocadora, como penso que seria desejável num texto que afirma que estamos a entrar num tempo precioso de reavivar a fé. Mas tem elementos suficientes para quem quiser um pouco de metanóia. A principal provocação é ao mesmo tempo uma das frases mais ignoradas de Bento XVI, pelo menos nas suas consequências. Afirma ele, citando-se a si próprio (“Deus caritas est”, 1):

«No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro».

Pode haver fé (e logo caridade) sem este encontro pessoal? Porque continua a Igreja a dar sacramentos (todos eles) a quem manifestamente não dá sinais do encontro pessoal? Basta começar pelo Batismo e necessariamente chegar o Matrimónio, como, aliás, há dias o Papa já disse. Encontros pessoais não se delegam por muita fé que tenham os delegados.

Bento Domingues: "As religiões não são todas iguais"


As religiões não são todas iguais e nem tudo é santo nas religiões, diz Bento Domingues no seu texto de hoje no “Público”.

O dominicano começa por citar um ultramontano, Louis Veuillot (1813-1883), que disse algo que hoje tem perfeita aplicação em muitos muçulmanos, talvez mais nos líderes, que querem liberdade religiosa nos países de minoria muçulmana, mas odeiam-na nos países árabes: "Quando estou em situação desfavorável, em nome dos vossos princípios, exijo a liberdade; quando estou em posição forte, em nome do meu antiliberalismo, nego-vos a liberdade".

E aponta o edificante – o adjetivo é a minha opinião – exemplo norueguês:
A Noruega não parece disposta a aceitar a chantagem terrorista. O Governo norueguês aceita a construção de mesquitas no seu território. Não admite, porém, que a Arábia Saudita e os seus homens de negócios entrem com milhares de milhões para financiar esplendorosas mesquitas e continuem a impedir a construção de igrejas cristãs no seu país. Exige reciprocidade.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Jonas Gahr Stor, levará esta exigência ao Conselho da Europa.
Bento Domingues conta ainda como Jesus não respeitou a integridade da Sagrada Escritura, o mesmo é dizer a relação das religiões com a violência. Esse é mais um dos motivos para admirar, se de mais não formos capazes, Jesus Cristo. O texto na íntegra estará por cá amanhã.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O latim como deve ser



No “Q” (DN) de sábado passado – eu já cá deveria ter falado disso, mas passou-me – falou-se do latim como deve ser. Ou seja, pelo seu valor cultural e não pela sua pseudo-importância religiosa.

Temas principais das 15 páginas dedicadas ao latim:

- “Uma antiga herança europeia” – como o latim ajudou a definir a Europa; 
- “Aprender latim no século XXI” – um ateliê mostra aos mais novos como a língua continua viva em palavras que usamos todos os dias; 
- “A «Eneida» a um policial de 2011” – sobre os 84 mil títulos em latim que a Amazon tem no seu catálogo; 
- “Entre a música sacra e Rodrigo Leão” – um percurso pela história da música; 
- “O São Sebastião de Derek Jarman” – sobre o primeiro filme britânico abertamente «gay», todo ele falado em latim; 
- “A primeira língua franca da ciência” – sobre o «Sidereus Nuncius» de Galileu e o uso do latim para a divulgação do conhecimento científico.

"Sidereus Nuncius"

Anselmo Borges: O cristianismo e o islão em diálogo?

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (o da semana passada, sobre o mesmo assunto, pode ser lido aqui):


Asua finalidade é estabelecer pontes para o diálogo entre as religiões e as culturas. Olhando para o futuro, elaborou já um programa de actividades, como: colaboração multi-religiosa para a sobrevivência e bem-estar das crianças - o primeiro projecto terá lugar no Uganda, em aliança estratégica com "Religiões pela Paz" -, um ciclo de conferências sobre "a imagem do outro", um projecto internacional para futuros professores de religião e líderes religiosos com um profundo compromisso com o diálogo inter-religioso e intercultural.

Estou a referir-me ao Centro Internacional para o Diálogo Inter-Religioso e Intercultural King Abdullah bin Aziz (KAICIID), com sede em Viena, cujo Comité Directivo se reuniu pela primeira vez nos dias 1 e 2 de Fevereiro, em Madrid, como aqui anunciei no sábado passado. Os seus fundadores são a Arábia Saudita, a Espanha e a Áustria. Tem o nome do monarca saudita, que teve a iniciativa.

Como não saudar e colaborar com o que é hoje o maior centro mundial de diálogo? O próprio Papa Bento XVI o fez e a Santa Sé (Vaticano) assumiu o papel de observador fundador.

Mas, evidentemente, há perguntas que têm de ser feitas e problemas que não podem ser ignorados.

Assim, pergunta-se legitimamente se vai ser possível e quando um encontro do Comité Directivo do KAICIID, com representantes das grandes religiões mundiais, em Riade ou na capital de outro país islâmico. De facto, o diálogo não pode ser unidireccional. Por isso, também se pergunta, por exemplo, quando é que a liberdade de construção de mesquitas no mundo de influência cristã será acompanhada da mesma liberdade de construção de igrejas nos países de influência islâmica. De qualquer forma, o cristianismo é hoje a religião mais perseguida do mundo, a ponto de se falar em autêntica cristianofobia, e essa perseguição dá-se também em países de orientação islâmica, sem que sejam suficientemente claros e fortes os protestos dos seus responsáveis políticos e religiosos.

Evidentemente, seria abusivo generalizar, mas é necessário reconhecer que a raiz dos problemas é, porém, mais funda e tem a ver com três ordens de questões: a interpretação dos textos sagrados, a separação da religião e da política e a atitude de Jesus e de Maomé face à violência.

A atitude dos cristãos ao longo dos séculos e também da Igreja Católica enquanto instituição não foi de modo nenhum exemplar. Pelo contrário, foi frequentemente vergonhosa no que se refere a estes três domínios. Mas, quando pensam nas origens, na atitude de Jesus e no que ele verdadeiramente quis, os cristãos têm de arrepender-se e arrepiar caminho.

Nunca os teólogos cristãos afirmaram que a Bíblia foi ditada por Deus: é Palavra de Deus em palavras humanas. Por isso, mais tarde ou mais cedo, teriam de abrir-se a uma leitura histórico-crítica e à hermenêutica. Mas, no islão, afirma-se, de modo geral, que o Alcorão foi ditado por Deus e, por isso, tantas vezes os teólogos islâmicos que exigem uma hermenêutica histórico-crítica, não podendo fazê-lo livremente nos seus países, tiveram de refugiar-se em universidades europeias e norte-americanas.

Jesus disse que se deve "dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". Tem aqui um dos seus fundamentos a separação da Igreja e do Estado, em ordem à salvaguarda da liberdade religiosa. Mas, no islão, continua, com raras excepções, a confusão dos dois planos, tanto mais quanto Maomé foi simultaneamente um líder religioso, político e militar.

Maomé entrou vitorioso em Meca, após anos de combates, e expandiu o islão, certamente mediante a força da palavra e do exemplo, mas também com a luta pelas armas. Jesus, porém, entrou pacificamente na cidade de Jerusalém, para apresentar e oferecer o seu projecto de Reino enquanto Reino de graça e de amor entre os seres humanos. Quando Pedro puxou pela espada, mandou que a metesse na bainha, pois quem com ferros mata com ferros morre, e ele próprio foi crucificado por quem não aceitou a sua mensagem.

A aprendizagem que tanto custou à Igreja Católica terá de ser também o caminho doloroso, mas urgente, do islão.

Bento XVI e os abusos sexuais

Programa para a breve folga da Páscoa, um destes dias: ler o que escreveu o bispo emérito de Roma, Bento XVI, sobre os abusos sexuais. As ...