sábado, 8 de dezembro de 2012

Sombras e tempo

Ao viver, vivemos rodeados de sombras. Queremos conhecer, queremos amar, queremos, queremos e incessantemente somos confrontados com as nossas limitações. Depois da morte, estamos naquilo que eu chamo "o sempre além do tempo".


Abbé Pierre, 1992

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O Presépio do Papa segundo a "Visão"

Na "Visão" de ontem.

Vai aonde te leva o coração


Estou a ler um e espero ler o outro. Há lugar para todos. Mesmo que contraditórios num ou noutro ponto. Bento em Lisboa, dia 10, e Gonçalo em Aveiro, dia 13.



Excerto do livro do P.e Portocarrero aqui. Depoimentos sobre Fr. Domingues aqui

Pelos mudos, contra os cegos

O profeta é o grande clamor, a voz dos homens sem voz, aquele que se ergue entre um poder cego e uma necessidade muda.

Abbé Pierre, 1954

Catedral de Niemeyer


Catedral de Brasília, de Oscar Niemeyer, que morreu neste dia 5, o arquitecto comunista, ateu, que fez tudo menos um estádio de futebol.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

12-5 pela ordenação de mulheres


Roy Bourgeois

O semanário católico norte-americano "National Catholic Reporter" faz no editorial de segunda-feira, a pretexto da expulsão de Roy Bourgeois dos Padres Maryknoll (notícia aqui, por exemplo), uma defesa da ordenação de mulheres. Li aqui. O original pode ser lido aqui.

Muitos dos pontos de vista expressos no editorial coincidem com as minhas opiniões sobre o assunto, como já as expressei nos textos principais e nos respetivos comentários:


Mas há um dado novo e relevante para a discussão. Desconhecia. Traduzo:
Em abril de 1976, a Pontifícia Comissão Bíblica concluiu unanimemente: “Não parece que o Novo Testamento, somente por ele mesmo, ponha claramente, de uma vez e por todas, a questão do possível acesso das mulheres ao presbiterado”. Numa deliberação posterior, a comissão votou 12-5 a favor do ponto de vista de que a Escritura, sozinha, não permite excluir a ordenação das mulheres. E 12-5 a favor da opinião de que a Igreja pode ordenar mulheres no presbiterado sem ir contra as intenções originais de Cristo.

Poder das pulgas

Vós, com todos os vossos poder, sois leões: nós somos pulgas. Veem-se, com frequência, pulgas a morder leões, mas poucas vezes leões a morder pulgas. Tendes razão, em ter medo de nós; somos mais fortes do que vós.

Abbé Pierre ao prefeito de Paris em 1994

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Habemus Twitter


Sugestão de Fernando Cassola. O Twitter do Papa fica aqui (17.823 seguidores em português), mas só de hoje a uma semana é que há tuítes.

Entre o absurdo e o mistério

Um dia falei com um grande homem de estado peruano, agnóstico. E dizia-lhe: "Meu amigo, tendes somente a escolha entre o absurdo e o mistério".

Abbé Pierre, 1981

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Três Reis Magos eram ibéricos


No "Correio da Manhã" de hoje. Melhor, eram espanhóis. E chamavam-se Paco, Pepe e Quique.

"Vida de Pi", agora em filme

Estreou há dias, penso que ainda não em Portugal. O filme baseia-se num livro de Yann Martel. Li-o em 2003 (ou 2004? De qualquer maneira, obrigado, José Serra, pelo empréstimo!).

Dos poucos romances que me comoveram realmente. Diz-se que há uma dimensão religiosa no filme, que recupera a pergunta sobre as religiões (lido aqui). Realço que é uma das mais belas histórias de amizade dos tempos recentes.

Violência e solidariedade

Os verdadeiros violentos são os que, tendo os meios para socorrer aqueles a quem tudo falta e para lhes permitir tornar-se homens, não o fazem.

Abbé Pierre

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A fé aos 20, aos 30, aos 40...: Querer saber mais



...E como bónus, podemos admirar por uns instantes uma espantosa escultura de Anish Kapoor na cidade do senador Obama.

Desigualdade e solidariedade

O que é preciso reivindicar não é a igualdade que é ilusória. Do nascimento à morte há desigualdade: quando a criança nasce, o pai e a mãe são fortes e ela é fraca: e quando ela se tornar forte, os seus pais ter-se-ão tornado fracos. O que é necessário à própria vida é a solidariedade.

Abbé Pierre, 1995

domingo, 2 de dezembro de 2012

Quando a esmola é de menos, até o santo se chateia


Na "2" de hoje ("Público"). Muito me ri com esta crónica e a nova exegese de Mt 6,3. Este é o humorista português que mais conhece da Bíblia. Provam-no alguns textos aqui postados.

Bento Domingues: Combate à recessão litúrgica (II)


Texto de Bento Domingues no "Público" de hoje. Sobre o latim e a missa, quem tiver paciência pode ler uma troca de ideias aqui (ver comentários). E rir, penso eu.

Tu me redimes de ideologias

Tu me redimes de ideologias
que apenas se explicam a si mesmas,
e de conceções
que apenas são inventadas,
e do mundo virtual
que se assume a si mesmo como realidade.

Excerto de uma oração de Paul Claudel (adaptada no "Youcat", pág. 112)

sábado, 1 de dezembro de 2012

Anselmo Borges: Elogio da humanidade das Humanidades

Texto de Anselmo Borge sno DN de hoje (daqui):


Nestes tempos de crise profunda e de exaltação da sociedade científico-técnica e do economicismo, muitos perguntam-se pelo lugar das Humanidades na sociedade contemporânea.

A breve reflexão que aí fica inspira-se numa excelente conferência do colega João Maria André para os jovens estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em início de ano lectivo. O seu objectivo era demonstrar que "vale a pena investir numa formação humanística para fazer face ao mundo em mudança e às transformações macroparadigmáticas" da nossa actual sociedade.

1 João M. André começou por apresentar traços fundamentais do tempo presente.

O primeiro é a globalização, com diversos rostos, de tal modo que tanto pode ser "a globalização da rapina, hegemónica, de matriz neoliberal", como uma globalização da solidariedade, que se exprime nas lutas pelo reconhecimento dos direitos de todos e no esforço de invenção de novas formas ecoéticas de habitar o mundo. As Humanidades, nas suas várias vertentes, contribuem com o seu olhar crítico dos problemas ao mesmo tempo que inscrevem outros valores para lá dos económicos e tecnológicos.

Outro traço é o de uma sociedade do conhecimento e da informação. Não é acidental que se chame assim e não sociedade da cultura. Ora, as Humanidades, pela Filosofia, pela História, pela mediação linguística e artística, "activam o pensamento que é algo diferente do cálculo e da navegação" nos novos meios de comunicação.

Vivemos numa sociedade multicultural, e também aqui as Humanidades têm um papel decisivo: no seu estudo, "entramos em contacto com povos e culturas diferentes, aprendemos as suas línguas, a sua história, a sua geografia, os seus mitos, os seus valores, as suas formas de comunicar, de viver e de fazer mundos."

2 Esta sociedade é uma sociedade em mudança, com o fim de velhos paradigmas, ao mesmo tempo que emergem outros novos, para os quais o contributo das Humanidades é inquestionável.

Vimos do paradigma da análise e da fragmentação, com o primado do pontual, da especialização, do analítico, perdendo a noção da totalidade e da complexidade e separando o sujeito e o objecto, e o indivíduo da comunidade e da sociedade. Hoje, exige-se "um paradigma holístico dentro de uma concepção de verdade multiperspectivada e complexa e a partir de uma abordagem não só interdisciplinar mas mesmo transversal do mundo, da natureza e do humano". Neste trânsito de um paradigma redutor para um paradigma holístico e reunificador, as Humanidades podem mostrar todas as suas virtualidades.

Um segundo paradigma dá o primado à tecnociência nos diferentes domínios, incluindo o humano, reduzindo o homem a faber e o mundo a um mundo-máquina, habitado por uma sociedade-máquina. Mas, dentro do reconhecimento dos benefícios científico-técnicos deste paradigma, não é verdade que ele também nos empobreceu, já que, por detrás deste mecanicismo, está um dualismo entre a dimensão corporal e espiritual do homem, prolongado numa cisão entre a racionalidade e a afectividade, desvalorizando o domínio das emoções? Não se acabou por esquecer que o homem é simultaneamente sapiens e demens e que, além do interesse do saber, também há o interesse no jogo, no sonho, na imaginação criadora, na efabulação?

O actual paradigma é da mercantilização das coisas e da vida, no quadro do primado do homo oeconomicus. Pergunta-se: mas será que tudo se reduz ao valor monetário e de mercado? E os valores éticos e os valores estéticos e os valores políticos e os valores afectivos e os valores religiosos?

Vinculado ao paradigma da mercantilização está o paradigma da liquefacção: vivemos na sociedade líquida, como teorizou Z. Bauman, desembocando numa existência efémera, na cultura ligt, descartável, do consumismo, na insatisfação permanente. As Humanidades, apelando à memória e aprofundando no pensamento crítico, salvaguardarão um mínimo de solidez, captando o peso do tempo na esperança da dignidade livre e da liberdade na dignidade de todos.

Razão

O papel de todo o ser humano é provar que o mundo não é desprovido de razão.

Abbé Pierre, 1994

Bento XVI e os abusos sexuais

Programa para a breve folga da Páscoa, um destes dias: ler o que escreveu o bispo emérito de Roma, Bento XVI, sobre os abusos sexuais. As ...