domingo, 10 de abril de 2011

10 de Abril de 847. É eleito o Papa Leão IV


Leão IV, monge beneditino, foi eleito no dia 10 de Abril de 847. O seu pontificado durou até ao dia 17 de Julho de 855, tendo como principal preocupação a protecção de Roma, ameaçada e mesmo saqueada pelos sarracenos, como foi o caso da Basílica de São Pedro, em 846.
Leão IV mandou construir uma muralha à volta do Vaticano, criando um núcleo que é conhecido por “cidade leonina”.
A partir deste Papa os documentos os documentos oficiais passam a ter data.

Carreira das Neves publica livro sobre São Paulo

São Paulo. Dois anos depois
Carreira das Neves
Editorial Presença
268 páginas

O padre Carreira das Neves desejou publicar este livro em 2008/09, durante o Ano Paulino, nos dois mil anos do nascimento do “Apóstolo dos gentios”. Tal não foi possível devido à sua prolongada doença, como explica nas páginas iniciais. Mas a obra não perde actualidade e interesse. “A figura de São Paulo sempre me surpreendeu”. Ele surpreende, inquieta e levanta sérios problemas aos «esquemas» da Igreja (igrejas) (católicos romanos, ortodoxos, protestantes, evangélicos) nestes dois mil anos – os do passado, do presente e do futuro”, escreve o teólogo franciscano, que recentemente criticou o livro do Papa sobre Jesus Cristo por se referir à conversão de Paulo a partir dos Actos dos Apóstolos e não das cartas paulinas, onde o relato é menos simbólico e mais histórico.

Paulo e os seus escritos importam por demasiados motivos: são os primeiros escritos cristãos, fundamentam a abertura da igreja a todas as nações, deram origem à doutrina do pecado original ao serem reinterpretados principalmente por Agostinho de Hipona e a várias doutrinas da salvação (justificação) e da graça, serviram de raízes para as divisões protestantes. Talvez seja impossível ser cristão sem a mediação paulina.

Nesta obra, P.e Carreira das Neves traça uma biografia de Paulo (nascido em Giscala da Galileia, e não em Tarso, na actual Turquia, mas conhecido como “de Tarso”, tal como António de Lisboa é conhecido pelo mundo fora como “António de Pádua”) ao mesmo tempo que vai apresentando o seu pensamento. A opção pelo método histórico juntamente com o narratológico e o tom coloquial com que escreve tornam agradável a leitura. Como afirma, “o gosto em conhecer Paulo é enorme e aumenta à medida que se estuda”.

Duas encarnações, duas fés de Inês Fonseca Santos



Inês Fonseca Santos, jornalista e apresentadora do programa da RTP 2 "Câmara Clara", responde assim a uma das perguntas do inquérito da "Pública" deste domingo:
P - Qual a sua qualidade que mais irrita os seus amigos? 
IFS - Não sei é acreditar em Deus, se acreditar no Benfica.

Bento Domingues: Memória para o futuro


Texto de Bento Domingues no "Público" de hoje.

À procura do absoluto



O filósofo franco-búlgaro Tzvetan Todorov é um mito do ensaísmo literário e histórico. Vivendo na França desde 1963, Todorov publicou mais de 20 livros sobre temas tão diversos como a conquista da América e o pensamento de Jean-Jacques Rousseau - mais particularmente, sobre sua ideia de felicidade humana. E foi em busca desse ideal que Todorov, hoje com 72 anos, começou a escrever o livro "A Beleza Salvará o Mundo", cujo título original, "Les Aventuriers de l"Absolu" ("Os Aventureiros do Absoluto"), transmite com precisão a intenção do escritor, a da busca incessante por um estado de plenitude que torne nossa existência menos ordinária e mais bela. Não que o título brasileiro seja incorreto. Ao contrário. Todorov, em entrevista ao Estado, diz que a frase "a beleza salvará o mundo", retirada do clássico russo "O Idiota", de Dostoievski, foi fundamental para que ele realizasse esse trabalho de pesquisa sobre realização interior de três grandes escritores, o irlandês Oscar Wilde (1854-1900), o poeta alemão Rainer Maria Rilke (1875- 1926) e a poeta russa Marina Tsvetaeva (1894-1941).
O ESTADO DE S. PAULO - Com todas as catástrofes e tragédias do século, é uma surpresa um livro como A Beleza Salvará o Mundo, considerando os campos de prisioneiros, os massacres e o horror do mundo globalizado. Essa foi a razão que o levou a escolher três escritores do passado para analisar em sua obra? Foi difícil encontrar exemplos no presente desse tipo de beleza que o senhor identifica nos trabalhos de Wilde, Rilke e Tsvetaeva? 

TZVETAN TODOROV - A aspiração à beleza, à experiência espiritual, a uma vida digna de ser vivida, não depende das circunstâncias exteriores. É provável mesmo que ela seja ainda mais forte quando a vida que levamos seja pouco satisfatória. Encontramos exemplos assim até nos campos de extermínio. Eugênia Ginzburg (escritora russa morta em 1977 e condenada a 18 anos de prisão em 1937, injustamente acusada de atividades contrarrevolucionárias na ex-URSS) lembrava sempre como a leitura dos poemas de Púchkin tinha o poder de levantar o moral de seus companheiros, no trem que os conduzia a Kolima. Primo Levi descreve os efeitos benéficos que produziam a lembrança de qualquer verso de Dante quando estava em Auschwitz. E não se trata apenas de obras de arte: contemplar uma paisagem, viver um encontro humano pode produzir o mesmo efeito.
Oscar Wilde, um dos escritores analisados em seu livro, costumava dizer que o autor não deveria usar sua biografia para escrever, porque o verdadeiro artista tem o dever de criar um mundo imaginário. Hoje parece acontecer o contrário, porque o que se vê são autores explorando detalhes íntimos de suas vidas em seus livros. Seria essa a razão de vermos tão poucos exemplos de beleza na literatura contemporânea?
Um escritor pode produzir uma grande obra a partir de qualquer experiência existencial, dependendo do que ele faça com ela. É verdade que a literatura contemporânea, em certos países, favoreça esse lado narcisista, provocando resultados pífios. Mas é possível escapar disso. Pegue, por exemplo, uma peça autobiográfica como Longa Jornada Noite Adentro, de Eugene O"Neill (que, é bem verdade, é de 1940): ainda que explore a vida íntima do dramaturgo, ela atinge uma dimensão universal. Há também inúmeros escritores contemporâneos que não escrevem autobiografias e cujas obras encerram uma grande beleza. Rilke, como Oscar Wilde, pensava que a busca do absoluto devia se tornar o ideal de todo ser humano, mas sofria de uma espécie de "possessão demoníaca", como certa vez escreveu numa carta à amiga Lou Andreas-Salomé. Em ambos os casos, parece que a beleza estava ligada a uma certa ideia diabólica do mal, considerando, por exemplo, O Retrato de Dorian Gray e a atração de Rilke por Mussolini. É possível que os dois tenham sido atraídos pelo lado perverso e decadente da beleza?
Wilde não ligava necessariamente a beleza ao mal, mas queria que sua busca da beleza estivesse livre de qualquer pressão moral. Sua vida trágica nos mostra que essa separação era mais difícil do que imaginava. Rilke submeteu seus julgamentos morais e políticos às exigências estéticas, o que por vezes lhe causava um enorme sofrimento, conduzindo-o frequentemente a impasses. Não é a natureza da beleza a responsável por esses fracassos, é o lugar que destinam a ela esses criadores em relação a outras dimensões de sua existência. 

O ESTADO DE S. PAULO - Em "O Idiota", Dostoievski diz que há apenas um ser no mundo que é absolutamente belo, Cristo, "l"Être suprême", o ser supremo, para o escritor russo. E para o senhor, qual é a suprema beleza do mundo?
TZVETAN TODOROV - Para mim, a beleza absoluta não se encarna nos seres, sejam eles indivíduos ou uma comunidade. Acho que ela só se manifesta em experiências particulares. Por vezes, encontro-a em obras de arte, mas ela também pode estar nas folhas de uma árvore, no riso de uma criança ou no olhar de uma pessoa que amo.
Conheci a entrevista por intermédio do IHU. Original do jornal paulista aqui. Em ambos os sítios a entrevista poder ser lida na versão integral. 

O que dizem de Jesus: Amava os ignorantes mas não os imbecis



Como todas as naturezas poéticas, Cristo amava os ignorantes. Sabia que a alma de quem ignora dispõe de sítio para uma grande ideia. Mas era incapaz de suportar os imbecis, sobretudo aqueles que se tornaram imbecis graças à instrução.


Oscar Wilde (1854-1900)

sábado, 9 de abril de 2011

9 de Abril de 1928. O islamismo deixa de ser a religião oficial da Turquia

Mustafá Kemal Ataturk ("pais dos turcos"), fundador da moderna Turquia

O Império Otomano terminou oficialmente no dia 1 de Novembro de 1922, quando a Grande Assembleia Nacional aboliu o cargo de sultão. A República da Turquia foi oficialmente proclamada a 29 de Outubro de 1923. Mais tarde, no dia 9 de Abril de 1928, no mesmo ano que se de adoptava a grafia latina (substituindo ao alfabetos árabe e persa), já depois dos direitos iguais para homens e mulheres e aprovados o código civil (baseado no suíço) e o penal (baseado no italiano), o governo proclama o Estado laico, o que, de certa forma era há uma consequência da abolição do sultanado.
A laicidade de Turquia, país de maioria muçulmana, é um bom exemplo, pelo menos aos olhos ocidentais, da convivência entre islamismo e Estado.

Anselmo Borges: Manifesto 'Ética global para a economia'



Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (aqui).

Embora o teólogo Hans Küng seja conhecido pelos media e pelo grande público, em primeiro lugar, por causa dos diferendos com o Vaticano, julgo que o seu nome ficará sobretudo ligado ao diálogo inter-religioso, ao Parlamento das Religiões Mundiais, à "Declaração para uma Ética Mundial", à Fundação Weltethos, a que preside.
Foi precisamente por iniciativa da Fundação Welthos e em ligação com a "Declaração para uma Ética Mundial", do Parlamento das Religiões Mundiais, em Chicago, em 1993, que, no quadro de uma economia ecológico-social de mercado, surgiu o Manifesto "Global Economic Ethic", assinado por figuras relevantes da Política, das Igrejas, das Universidades, da Banca, e tornado público em 2009, em Nova Iorque e em Basileia.
Há dois princípios que servem de base: o princípio de humanidade - "todo o ser humano, independentemente da idade, sexo, raça, cor da pele, capacidades físicas ou espirituais, língua, religião, concepção política, origem nacional ou social, tem dignidade inviolável e inalienável", de tal modo que "também na economia, na política, nos media, nas instituições de investigação e industriais, deve ser sempre sujeito de direitos e fim, sempre fim, nunca simples meio, nunca objecto de comercialização ou industrialização" - e o princípio da reciprocidade: "não faças aos outros o que não queres que te façam a ti"; esta regra de ouro "promove a responsabilidade mútua, a solidariedade, a justiça, a tolerância e o respeito por todas as pessoas envolvidas. Estas atitudes ou virtudes são os pilares fundamentais de um ethos global económico, uma visão fundamental comum do que é legítimo, justo e equitativo".
Os dois princípios expandem- -se em valores fundamentais: 1. não violência e respeito pela vida; 2. justiça e solidariedade; 3. honestidade e tolerância; 4. respeito mútuo e companheirismo. Estes valores têm consequências para a economia e os negócios, segundo os 13 artigos do Manifesto, que pode ler-se na recente obra de Küng, Anstäntig wirtschaften. Warum Ökonomie Moral braucht (Economia com decência. Porque é que a economia precisa de moral) e de que se apresenta uma breve síntese.
1. Para respeitar os valores da não violência e do respeito pela vida, devem ser abolidos o trabalho escravo, o trabalho forçado, o trabalho infantil, os castigos corporais e outras violações de normas do direito laboral internacionalmente reconhecidas. Deve-se acabar com as condições laborais e os produtos que danificam a saúde. A relação sustentável com o ambiente é um valor-norma fundamental da actividade económica.
2. Respeitando os valores da justiça e . da solidariedade, devem ser abolidas todas as práticas corruptas e desonestas. Finalidade maior de todo o sistema social e económico, que pretende igualdade de oportunidades, justiça distributiva e solidariedade, é pôr termo à fome e ignorância, à pobreza e desigualdade de oportunidades em todo o mundo. A subsidiariedade e a solidariedade, o empenho privado e público são as duas faces da medalha e concretizam--se, antes de mais, em investimentos privados e públicos no sector económico, mas também em iniciativas para a criação de instituições que sirvam a formação de todos os segmentos da população e a edificação de um sistema de segurança social, para que todos possam desenvolver-se humanamente e ter uma vida digna.
3. A verdade, a sinceridade e a honestidade são valores essenciais para as relações económicas e a promoção do bem-estar humano geral e pressupostos para criar confiança nas relações humanas e na concorrência económica. A cooperação mutuamente vantajosa pressupõe a aceitação de valores e normas comuns e a capacidade de aprender uns com os outros, acolhendo os outros na sua alteridade. São inadmissíveis aquelas acções que não respeitam ou violam os direitos humanos.
4. A estima mútua e o companheirismo entre todos os envolvidos, particularmente entre homens e mulheres, são pressuposto e resultado da cooperação económica. Baseiam-se no respeito, justiça e sinceridade com todos os parceiros: empresários, trabalhadores, consumidores ou outros interessados.

O que dizem de Jesus: Equilíbrio


Jesus é o equilíbrio do mundo, é o cumprimento de tudo o que é humano e de tudo o que e divino. Ele é o elo que faltava entre a antiga e a nova aliança.

Ernst Psichari (1883-1914)

8 de Abril de 1973. Morre Picasso


Pablo Picasso morreu no dia 8 de Abril de 1973, aos 91 anos. É o protótipo dos pintores contemporâneos.
Paul Johnson diz em “Criadores” que após a II Guerra Mundial emerge como o artista de renome mundial, embora as suas melhores obras sejam anteriores a esse período, e o mais rico.
Comunista e ateu, era dono de várias casas e castelos em França, todos localizados em zonas dominadas pelo partido comunista, de forma a evitar a justiça. Em relação a quê? Em relação à sedução de menores.
Pintou várias crucifixões. A que aqui se reproduz, com os seus temas típicos, é de 1930. Justificava ele que em Espanha era “de manhã missa, à tarde tourada e à noite bordel”. Na base de tudo isso, o sacrifício.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Comunidade da Verdade

Imagem de M.E. Escher


Santo Agostinho descrevia a humanidade como "comunidade da verdade".


Até ver, de facto, somos os únicos que podemos ter dela (verdade) consciência. E tudo devemos fazer para a conhecer, apesar de tantas parcialidades, tantos fragmentos, tantas aparências e contradições, opiniões.


Mas imaginemos que pensávamos a humanidade como "comunidade da mentira". Ou comunidade da ilusão. Ou da delusão. Ou do delírio. Ou do engano. Apesar de todos os erros e mentiras, temos de pensar que é possível pensar a humanidade como "comunidade da verdade".

Bento 16 na revista GC

A revista GC, sempre atenta às novas tendências e prazeres, publicou o seguinte na edição de Abril de 2011.

Vaticano convoca bloguistas católicos


Notícia da Agência Ecclesia (aqui):
O Vaticano convocou um encontro de bloguistas católicos, no próximo dia 2 de maio, numa iniciativa conjunta dos Conselhos Pontifícios da Cultura e das Comunicações Sociais.
Em comunicado, os responsáveis pela iniciativa explicam que o encontro tem como objetivo “permitir um diálogo entre bloguistas e representantes da Igreja, partilhar experiências de quem trabalha diretamente neste campo e compreender melhor as necessidades desta comunidade”.
Os blogues, páginas da Internet da autoria de pessoas ou grupos (denominados «bloggers», bloguistas), são compostos por opiniões e notícias, em forma de texto e multimédia, frequentemente abertas à interação dos leitores através da publicação de comentários.
No Vaticano vão ser apresentadas iniciativas que a Igreja está a promover para “entrar em contato com o mundo” dos novos meios de comunicação.
Segundo o programa divulgado pelos Conselhos Pontifícios, os trabalhos do encontro vão estar abertos a uma “discussão geral” por parte dos participantes, incluindo um painel com cinco bloguistas, representantes de várias áreas linguísticas.
Outro painel vai oferecer testemunhos de pessoas ligadas à “estratégia comunicacional” da Igreja, com destaque para as iniciativas que visam assegurar “um compromisso efetivo” no mundo dos blogues.
Entre os presentes vão contar-se o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, o arcebispo Claudio Celli, presidente do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais, e o padre Federico Lombardi, diretor da sala de imprensa da Santa Sé.
Este encontro acontece um dia depois da beatificação de João Paulo II, aproveitando a previsível presença em Roma de vários bloguistas católicos, que se podem inscrever através do mail blogmeet@pccs.it.
(Agradeço da Fernando Cassola Marques, que ma deu a conhecer. Mas eu não vou.)

Antepassados

Um jovem americano conversa com um amigo judeu:
- Sou descendente de uma das primeiras famílias que se instalaram na Nova Inglaterra e um dos meus antepassados assinou a Declaração de Independência.
- E depois? – pergunta-lhe o amigo. – Um dos meus antepassados assinou os Dez Mandamentos.

O que dizem de Jesus: Sabedoria



A Jesus Cristo devo o conhecimento de Deus e dos homens que possuo: tudo isso que os filósofos não podem saber.


Heinz Zahrnt (1915-2003)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Exorcistas procuram-se


Uma nota sobre este texto que saiu hoje no "Público". A Universidade Pontifícia Athenaeum Regina Apostolorum é a universidade dos Legionários de Cristo, grupo católico que, como se sabe, vive agora com o demónio de ter tido um fundador de poucas virtudes.

De qualquer forma, é uma universidade pujante, a par de outras de parecido sinal conservador, onde se defende a existência do demónio, a inferioridade da mulher, a superioridade celibato, missa em latim, costumes medievais...

Há dias alguém me dizia que esta e uma outra universidade, repetidoras do que há de pior na Igreja Católica,  estavam a conseguir atrair mais alunos, principalmente das Américas, do que as mais clássicas (e mais inovadoras, se é que de inovação se pode falar) como as que estão ligadas aos jesuítas e dominicanos. Se assim é, o panorama do futuro da teologia católica é mau. Muito mau.

Quanto ao diabo, que o satanismo faça mal ao jovens, não duvido. Que os exorcismos possam ter efeito (como os placebos, psicológico ou o que seja), não duvido. Daí até à existência do diabo... 

Imagens de Jesus 2 – O primeiro retrato de Jesus?

Se vier a confirmar-se, poderemos ter de reescrever os inícios da história cristã. Foram encontrados nas grutas do deserto da Jordânia 70 livrinhos de uma dezena de páginas cada um, feitos de chumbo, alguns com o tamanho de um cartão de crédito. Num deles aparece a imagem de um rosto não muito distante da imagem que habitualmente se atribui a Jesus. Pensa-se que foram feitos não por judeus, que repudiavam imagens, mesmo humanas, mas por cristãos. Falta confirmar a autenticidade, mas os primeiros testes confirmam que o chumbo é do primeiro século e a corrupção é autêntica.
Os textos ainda não foram traduzidos, mas já se decifraram duas palavras: “Salvador de Israel” e “Yahveh” (outra que os judeus tendiam a não escrever no tempo na época neotestamentária).
Hassan Saida com alguns dos livrinhos de chumbo
Como costuma acontecer nestes casos, tudo começou com um pastor que encontrou os livrinhos, não muito longe de Qumran, onde viveram os essénios (manuscritos do Mar Morto). Vendeu-os a seguir a um comerciante israelita, Hassan Saida, que com a ajuda de arquéologos fê-los chegar a Oxford e à Suíça, onde os primeiros testes confirmaram a antiguidade.
Falta traduzir tudo e confirmar a autenticidade. Se forem verdadeiros, vão fazer correr muita tinta. E se lá estiver a presumida fonte Q? O livro dos ditos de Jesus que subjaz a Lucas e Mateus?
Mas se forem como o túmulo de Jesus, há dois ou três anos, é mais um típico e inconsequente episódio do período pascal.
Imagens retiradas do "Daily Mail", aqui.

Imagens de Jesus 1: Extraterrestres cristãos desenham rosto de Jesus


Imagens de Jesus que apareceram em campos ao lado da auto-estrada M4, perto de Hungerford, em Berkshire (Inglaterra). As imagens são de Agosto do ano passado.
Andava à procura de outras e dei com estas. A última vez que tinha aparecido a imagem de uma face em realizações deste género, que obviamente não são de extraterrestres, foi em 2002. Os círculos têm cerca de 75 metros de diâmetro. A área equivale a um campo de futebol. Vi aqui.

O que dizem de Jesus: Revolução


Elsa Morante com Alberto Moravia.
Separaram-se em 1962, mas não oficializaram o divórcio

Descobrir este Cristo, em nós e nos outros, significa inaugurar a revolução total, isto é, eliminar fome, riqueza, poder, diferença, e viver como cristos.

Elsa Morante (1912-1985)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

6 de Abril de 1896. Começam os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna

Abertura dos jogos no dia 6 de Abril de 1896

No dia 6 de Abril de 1896, uma segunda-feira de Páscoa, feriado na Grécia, começam os primeiros jogos olímpicos da era moderna, no Estádio Panathinaiko, em Atenas. Terminariam no dia 15 desse mês. Os jogos tiveram atletismo, ciclismo, esgrima, ginástica, halterofilismo, lutas, natação, ténis e tiro.

O olimpismo moderno deve muito ao pedagogo e historiador Pierre de Coubertin (1862-1937), mas também ao padre dominicano Henri Didon, que tinha como lema no seu colégio as palavras “Citius, Altius, Fortius” (“mais rápido, mais alto, mais forte”), que vieram a ser lema do movimento olímpico (ver aqui)

Como o limbo serve para explicar o mercado imobiliário

No suplemento "Imobiliário", no "Público" de hoje, 6 de Abril.

A Bíblia democratiza-se, diz o "Público"


Texto de António Marujo no "Público" de 6 de Abril. A propósito da primeira sessão de "A Bíblia, coisa curiosa", sobre a influência dos textos bíblicos na composição musical, leia-se também a notícia da Ecclesia (aqui). O programa de "A Bíblia, coisa curiosa. Novos olhares sobre um livro de sempre" está aqui.

Dez mulheres num espaço sagrado em que as figuras são quase todas masculinas

A propósito da imagem reconstitutiva de Simone Weil, no post anterior, aqui fica  o vídeo sobre a exposição de dez figuras femininas na catedral anglicana de Rochester, da qual se diz que quase todas as figuras são masculinas. Na realidade, a catedral é dedicada a Cristo e à Virgem Maria.

O que dizem de Jesus: Encarnação


Nunca me interroguei se Jesus foi ou não a Encarnação de Deus. De facto, seria incapaz de pensar nele sem pensá-lo como Deus.

Simone Weil (1909-1943)

Imagem: Simone Weil. Fotografia do artista britânico Vaughan Grylls, que fez uma série de 10 fotografias (com modelos) sobre mulheres que a sua mãe, uma activista dos direitos humanos, considerava exemplares. Fotos e projecto aqui.

terça-feira, 5 de abril de 2011

5 de Abril de 1722. É descoberta a Ilha da Páscoa


No dia 5 de Abril de 1722, domingo de Páscoa, o holandês Jacob Roggeveen, partindo do Chile, após 17 dias de viagem, descobre uma ilha no limite da Polinésia Oriental que fica conhecida por Ilha da Páscoa, a 3700 km do Chile, a que pertence actualmente.

Em rapanui, o idioma local, é denominada “Rapa Nui” ("ilha grande"), “Te pito o te henúa” ("umbigo do mundo") e “Mata ki te rangi” ("olhos fixados no céu"). Li na Wikipedia, de onde tirei a imagem.

O que os cristãos têm a aprender com os hackers



A "Civviltà Cattolica", revista dos jesuítas italianos que é uma espécie de órgão oficioso do Papa, diz, via “La Stampa” (li aqui), que “os hackers têm muito a dizer aos cristãos”, que a “sua filosofia de vida estimula a criatividade e a partilha".
"A filosofia dos hackers é uma filosofia de vida, uma atitude existencial, jocosa e comprometida, que estimula a criatividade e a partilha, opondo-se aos modelos de controle, competição e propriedade privada". Portanto, "estamos diante não de problemas de ordem penal, mas sim de uma visão do trabalho humano, do conhecimento e da vida que coloca interrogações e desafios mais do que nunca atuais".

O termo "hacker" (não confundir com “cracker”, que destrói, rouba dados e vende-os ou usa-os em proveito próprio) refere-se a especialistas em informática. Por si só, diz a revista, "pode ser estendido a pessoas que vivem de maneira criativa muitos aspectos das suas vidas".

Da necessidade da madeira


A salvação sempre veio pelo madeiro. Com efeito, no tempo de Noé, a vida foi conservada pela arca de madeira. No tempo de Moisés, ao ver o seu bastão, o mar intimidou-se diante daquele que o golpeava. Teve, então, tanto poder o bastão de Moisés e será ineficaz a cruz do Salvador? O madeiro, no tempo de Moisés, abrandou a água. E do lado de Cristo, a água correu sobre o madeiro. A água e o sangue constituíram o primeiro dos sinais de Moisés; o mesmo ocorreu no último sinal de Jesus. Primeiro, Moisés mudou o rio em sangue; Jesus, no fim, deixou correr de seu lado água e sangue.

Cirilo de Jerusalém (315-386)

O que dizem de Jesus: Esconde-se

Sabemos que este Mestre se esconde frequentemente no meio dos indigentes, e quando fazemos sofrer algum miserável, não sabemos que membro do Salvador é que estamos a trucidar.

Léon Bloy (1846-1917)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

4 de Abril de 1292. Morre o Papa Nicolau IV, que aprovou o que veio a ser a Universidade de Coimbra


Boaventura, superior dos franciscanos, e Nicolau IV, Papa

Nicolau IV, nascido em 1227, foi Papa de 22 de Fevereiro de 1288 a 4 de Abril de 1292. Foi o primeiro papa saído da ordem franciscana.

No dia 9 de Agosto de 1290, Nicolau IV promulgou a bula que aprovou o Estudo Geral que D. Dinis criou nesse ano em Lisboa. Este primeiro núcleo de estudos universitários em Portugal, com Artes, Direito Canónico, Direito Civil, Medicina e Teologia (reservada aos dominicanos e franciscanos), começou a funcionar no Largo do Carmo, em Lisboa. Em 1308, por trinta anos, transferiu-se para Coimbra. Voltou para Lisboa, de 1338 a 1354, e regressou a Coimbra. Em 1377 instalou-se outra vez em Lisboa até que, em 1537, com D. João III, a Universidade foi transferida definitivamente para Coimbra.

João Paulo II vai ser beatificado. Já?


Gostava e gosto de João Paulo II. Vi-o ao vivo duas vezes. Em Santiago de Compostela, em 1989, e em Castelgandolfo, em 1993. Das duas vezes que fui a Roma não vi o Papa.

Achava-o diferente, não por ter conhecido outros papas (tinha oito anos a quando da sua eleição), mas por me parecer que este era próximo, jogava à bola, esquiava, cantava. Criança e adolescente, isto era importante. Mas tarde li que outros papas tinham cadeiras gestatórias. Para alguns deles só se podia olhar de soslaio, de cabeça inclinada. E um deles, Pio XII, de quem os mais velhos falavam, tinha tantos escrúpulos ou não sei o quê que no final de uma sessão de contacto com as pessoas desinfectava as mãos com álcool. Se calhar, mais papas faziam isso, mas só se dizia isso de Pio XII, sobre o qual também se dizia, no final do pontificado, que o seu papado seria insuperável.

João Paulo II era próximo e mediático. Mas não sei se foi o melhor Papa do séc. XX. Pessoas que admiro e que conhecem mais a Igreja por dentro dizem que foi Paulo VI. No seu serviço à Igreja, é possível apontar várias falhas a João Paulo II, ainda que não seja simpático nem eclesialmente correcto. Dinheiros confusamente administrados pelos seus subordinados, limites discutíveis à investigação teológica, conivência com regimes políticos pouco amigos dos direitos humanos, olhos pouco abertos para os crimes de pedofilia… Mas dizem que o que está em causa é a beatificação de uma pessoa e não do seu pontificado. Porém, não é Karol Wojtyla que se beatifica, é João Paulo II, suponho, e é com esse nome que a Igreja vai invocá-lo.

Será benéfico um Papa beatificar o seu antecessor? Ainda passou pouco tempo. A Igreja não costuma agir com pressa e sob pressão. Aqui parece tudo muito rápido. Mas terei que admitir que posso estar a ver mal. O cardeal cardeal Stanislaw Dziwisz, que foi secretário de João Paulo II durante 40 anos, até aos últimos instantes, afirmou há dias:
Enquanto o meu serviço estava em curso, primeiro ao cardeal Wojtyla e depois a João Paulo II, eu percebia constantemente que ele tinha a ver com um santo. Um dia, olhando para Madre Teresa entre os seus pobres na TV, ele deixou escapar que se poderia canonizá-la ainda em vida. Era só uma declaração simpática. Mas eu pensei que o mesmo poderia ser dito sobre ele. 
Li aqui.

A Bíblia do Rei Jaime faz 400 anos



A Bíblia do Rei Jaime, ou "King James Version", que na primeira edição dizia na primeira página "THE HOLY BIBLE, Containing the Old Testament, AND THE NEW: Newly Translated out of the Original tongues: & with the former Translations diligently compared and revised, by his Majesties special Commandment", foi publicada em 1611. Há 400 anos, portanto.


Esta tradução anglicana, feita por uma comissão patrocionada por Jaime I (e IV da Escócia), desde 1604, é sem qualquer dúvida o documento de língua inglesa com maior impacto no mundo.

Mais um livro que começa com o manuscrito-que-mais-ninguém-conhece

Há dias dizia um padre na apresentação do livro do Papa, “Jesus de Nazaré” (ed.Princípia), que este ano ainda não tinha surgido a habitual polémica relativa a Jesus Cristo que é costume aparecer por alturas da Páscoa. Julgo que ainda não será este livro que, ao que li nas entrevistas que começam a aparecer, diz que a crucifixão de Jesus nunca aconteceu, conseguirá a tal polémica. O autor tem pouca credibilidade, pelo menos em Portugal. Mas tenta a aproveitar a oportunidade. Por outro lado, a tese de que Jesus não foi crucificado, além de não ser original (não há uma que diz que ele morreu na Índia?), é no mínimo tão mirabolante que é difícil encontrar nela qualquer verosimilhança.

Claro que, no princípio, havia o manuscrito. Há sempre um manuscrito que mais ninguém conhece no início deste tipo de livros. O estratagema continua a ter efeito, apesar de tão pouco original que é. Notícia do "Correio da Manhã" de 3 de Abril de 2011.


Fé ou ironia?

Catherine e André Gide

Senhor, concede-me que tenha necessidade de ti amanhã de manhã.

André Gide (1879-1951)

domingo, 3 de abril de 2011

3 de Abril de 1881. Nasce Alcide De Gasperi


Alcide De Gasperi, fundador da Democracia Cristã em Itália, antifacista durante o governo de Mussolini e resistente durante a II Guerra Mundial, nasceu no dia 3 de Abril de 1881. Morreu no dia 19 de Agosto de 1954.

Foi primeiro-ministro da Itália entre 1945-53. Aproximou a Itália da NATO e é considerado um dos pais da Europa unida, a par de Konrad Adenauer e Robert Schuman, porque participou desde o início nas conversações para organizar o Conselho da Europa e a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, constituída em 1951. Não chegou a ver a fundação da Comunidade Económica Europeia, que aconteceria precisamente em Roma, com a assinatura do Tratado de Roma (1957).

O seu processo de beatificação De Gasperi está em curso.

Teólogos admitem discutir fim do celibato

No "Público" deste domingo.

Bento Domingues: Uma grande polémica da Quaresma

Texto de Bento Domingues no "Público" de 3 de Abril de 2011

Sermão para mim próprio: Somos todos cegos de nascença



Jesus cura um cego de nascença (Jo 9). Há tempos Anselmo Borges escrevia que todos, isto é, o ser humano, somos prematuros, segundo a teoria da neotenia. A teoria diz, “no essencial, que o Homem é um prematuro - para fazer o que faz, precisaria de permanecer no ventre materno mais um ano, mas isso não é possível; assim, nasce no termo de 9 meses, em vez de passados 20 -, tendo, portanto, de receber por cultura aquilo que a natureza lhe não deu” (aqui).


Penso que somos também, todos, cegos de nascença. Viver é aprender a ver.


No evangelho deste domingo, diz-se que Jesus deu a vista ao cego – a um sábado. Com tantos dias da semana, tinha de trabalhar ao sábado, este provocador. Noutras passagens, diz-se que Jesus é a luz do mundo. A vista, ainda que dada ou por isso mesmo, pertence-nos. Ele nunca disse: “Eu sou a visão do mundo”. A visão é nossa. Mas não vemos sem a luz.


Já com uma visão novinha, o ex-cego afirma: “Eu creio Senhor”. E não: “Eu vejo, Senhor”. Os efeitos colaterais da nova visão estão para além do ver. Temos de aprender a ver com outros órgãos que não os olhos. E os olhos servem para muito mais do que ver. Para crer, por exemplo.

sábado, 2 de abril de 2011

João Paulo II partiu há seis anos

João Paulo II morreu há seis anos, no dia 2 de Abril de 2005.

Ainda em vida contava-se dele esta anedota:
- Qual a diferença entre o Papa e o Espírito Santo?
- ???
- O Espírito Santo está em toda a parte...
- E o Papa?
- Já lá esteve. 

Participo na obra criadora


[A fé em Jesus Cristo] diz-me que pelo meu trabalho científico eu participo na obra criadora de Deus. (…) Mas eu sei também que o homem é pecador e pode não responder ao amor que Deus nos dá e nos manda dar aos nossos irmãos.

Jacques Arsac (1929 - …)

Anselmo Borges: O reino da irrazão

Berthold Brecht

Texto de Anselno Borges no DN de hoje:

O que São Basílio Magno (séc. IV) escreveu sobre a usura é temível: "Os cães, quando recebem algo, ficam mansos; mas o usurário, quando embolsa o seu dinheiro, irrita-se tremendamente. Não cessa de ladrar, pedindo sempre mais... Mal recebeu o dinheiro e já está a pedir o dinheiro do mês em curso. E este dinheiro emprestado gera mal atrás de mal, e assim até ao infinito." Por isso, o Concílio de Latrão, em 1179, proibiu aceitar esmolas dos usurários, admiti-los à comunhão e dar-lhes sepultura cristã.
Hoje a isto chama-se os mercados financeiros, com a sua lógica devoradoramente insaciável. Portugal sabe-o por experiência. Quem não viu veja e quem viu reveja Inside Job.
De qualquer modo, estamos na União Europeia e temos de honrar compromissos quanto ao défice e à dívida. O que aí vem é arrasador. Como foi possível ter-se chegado à beira deste abismo? Como escreveu Daniel Bessa, "o Estado português está há muito em processo de falência. A culpa é de todos nós, a começar por mim, que nunca o disse de forma audível, com esta clareza".
Em Portugal, deu-se o triunfo da irrazão. Ele foi a sementeira acéfala de instituições de ensino superior, com consequências desastrosas por décadas. Ele foi, sem respeito pela famosa "navalha de Ockam", a multiplicação dos entes sem necessidade: na Administração central, nas câmaras, nas juntas de freguesia, nos institutos públicos. Ele foi o encosto geral aos dinheiros públicos, que todos se habituaram a reclamar em todas as circunstâncias. Não se fez a transformação do aparelho produtivo para a competitividade. Destruiu-se a agricultura e as pescas. Numa euforia tola, foi o consumo esbanjador, que os bancos estimularam. Parte dos portugueses pensou que já não era preciso trabalhar. A corrupção banalizou-se. A Justiça quase faliu. Não há confiança nem horizonte de futuro.
Vêm aí eleições. Mais uma vez, o País encontra-se numa crise mortal. Esperar-se-ia, pois, o fim do reino da irrazão. Esperar-se-ia que as forças políticas pensassem, finalmente, mais no bem nacional do que nos interesses partidários e nas clientelas. Depois de tanta aldrabice, que dissessem a verdade, dura, crua, aos portugueses, para eles poderem saber onde realmente se encontram. Que às arruadas da campanha antepusessem a argumentação racional, serenamente e sem insultos. Que, no quadro da razão comunicativa, se entendessem para um consenso mínimo em temas fundamentais: Justiça, Educação, relançamento da Economia, Estado Social mínimo, reformas político-administrativas.
Há anos que se pede sacrifícios aos portugueses. Que se esclareça por uma vez a situação e que sacrifícios mais são necessários e até quando e para quê. Os portugueses ainda encontrarão forças para avançar, se houver argumentação racional e os sacrifícios forem equitativamente distribuídos. De contrário, se cairmos na bancarrota, se houver tumultos sociais em cadeia, se se começar a gritar que a democracia é pura demagogia, quem assume a responsabilidade histórica pela catástrofe?
Entretanto, em tempos de enormes dificuldades, será preciso continuar a contar com a justiça social e a generosidade solidária. Como escreveu o famoso dramaturgo Berthold Brecht, marxista e profundo conhecedor da Bíblia: "Contaram-me que em Nova Iorque,/na esquina da rua vinte e seis com a Broadway,/nos meses de inverno, há um homem todas as noites/que, suplicando aos transeuntes,/ procura um refúgio para os desamparados que ali se reúnem.// Não é assim que se muda o mundo,/as relações entre os seres humanos não se tornam melhores./Não é este o modo de encurtar a era da exploração./No entanto, alguns seres humanos têm cama por uma noite./ Durante toda uma noite estão resguardados do vento/e a neve que lhes estava destinada cai na rua.//Não abandones o livro que to diz, homem./Alguns seres humanos têm cama por uma noite,/durante toda uma noite estão resguardados do vento/e a neve que lhes estava destinada cai na rua./Mas não é assim que se muda o mundo,/as relações entre os seres humanos não se tornam melhores./Não é este o modo de encurtar a era da exploração".

sexta-feira, 1 de abril de 2011

1 de Abril de 1809. Nasce o escritor Nikolai Gogol


Nikolai Gogol, escritor de língua russo nascido na Ucrânia, romancista e dramaturgo, introdutor do realismo, grande influência para Dostoiésvki, nasceu no dia 1 de Abril de 1809. Morreu aos 42 anos, no dia 4 de Março de 1852, devido ao fanatismo religioso. 

Depois de uma fase de grande criticismo, virou-se para a religião e fez uma peregrinação a Jerusalém em 1848. No regresso, muito deprimido e sob a influência do padre Konstantinovskii, submeteu-se a sucessivos jejuns que terminaram na morte. Está sepultado em Moscovo.

A experiência do sagrado marca a música toda


Na “Visão” desta semana, numa curta entrevista a Paolo Pinamonti, antigo responsável do Teatro Nacional de São Carlos e actual director, por três anos, do Festival Terras Sem Sombra, no Baixo Alentejo, este afirma que visitou “várias igrejas e dioceses recuperadas que estão lindíssimas”. Estranho o uso de “dioceses recuperadas”. Se fosse capelas. Ou templos. Ou até paróquias. Mas não estranho que diga que o festival que já vai na sétima edição, começa amanhã, descentralizado, inclusivo, com vinho e biodiversidade, seja um “projecto muito interessante, porque a experiência do sagrado marca a música culta: não há compositor, antigo ou contemporâneo, que não tenha passado por ela”.

Quando Cerejeira escreveu a Kennedy


No "Público" de hoje, por António Marujo. A quase totalidade do espólio de 14.º Patriarca de Lisboa, que, curiosamente, chegou a ser arquivista das Universidade de Coimbra, está disponível para investigações.

A freira, o homossexual e os recasados

O 26.º encontro Fé e Cultura (fui a dois ou três no milénio passado, num deles falou-se do diabo), dos jesuítas de Coimbra, no dia 9 de Abril, é sobre o centro e as margens, mais da Igreja do que da sociedade.
Está a provocar polémica, com cartas para o Bispo de Coimbra (que intervém ao início) e para o Vaticano. Porquê? Porque um dos convidados é homossexual. Tirando o facto de ao falar-se de excepções chamar-se um homossexual contribuir para a excepcionalidade, é espantoso como há gente, católicos, tão predisposta a indignar-se ao mínimo pretexto. Por isso dizia há dias um responsável eclesial que ser homossexual não é pecado.


Agradeço a Cláudia Assis Teixeira que me alertou para o assunto. Já tinha ouvido uns comentários, mas não sabia da dimensão do pretenso escândalo. Suponho que este ano o encontro lote por completo o Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra. Nada como uma polémica para publicitar um evento. Pode ver o cartaz aqui.

Padre de Barcelona excomungado. Sim, ainda há disso

Sobre este padre, vale a pena ler o que escreveu José Manuel Vidal, no "Religión Digital" (aqui), há umas semanas:

Los ultracatólicos le llaman el "cura abortero", pero nada más lejos de la dinámica vital del padre Pousa, que lleva décadas ayudando a vivir a los chavales de la cárcel que hay en su barrio y a todos los escupidos por la sociedad del bienestar a las cunetas de la existencia. "Mi misión es salvar vidas: nunca he sido partidario del aborto", confiesa entristecido. Y se sumerge en sus recuerdos, para contar en el libro (por ahora no quiere hablar con nadie del tema por prudencia y por no echar a los medios contra su amigo, el cardenal Sistach), el cómo y el por qué de una decisión que atenta contra su propia conciencia.
(...) Pousa es, como todos los curas proféticos y embarrados con los pobres, un pastor heterodoxo. Con el credo de los progresistas: aboga por el sacerdocio femenino, pide a la jerarquía que no se meta en la alcoba de la gente, no cree en el celibato obligatorio y vive, desde hace años, con Conxita. Eso sí, como dos hermanos y sin "mantener relaciones sexuales", aunque, a veces, salen a dar un paseo y "ella me coge del brazo".

Duas heranças logicamente consistentes


[O espírito científico e a ética cristã] são duas heranças logicamente consistentes. Mas a lógica não é tudo. Para seguir uma ideia é necessário o coração. Como conseguir a inspiração para que estes dois pilares da civilização ocidental se mantenham juntos, em pleno vigor e sem temores mútuos. Esse é o problema central no nosso tempo.

Richard Feynman (1918-1988)

Bento XVI e os abusos sexuais

Programa para a breve folga da Páscoa, um destes dias: ler o que escreveu o bispo emérito de Roma, Bento XVI, sobre os abusos sexuais. As ...