
sábado, 22 de maio de 2010
Adão e Eva eram capitalistas ou comunistas?

sexta-feira, 21 de maio de 2010
O homem que tentou destruir a "Pietá"


Toth não foi acusado de qualquer crime devido à sua insanidade. Enquanto atacava a imagem, gritava: “Eu sou Jesus Cristo ressuscitado dos mortos”. Depois de dois anos num hospital psiquiátrico italiano, foi deportado para a Austrália, onde parece que ainda vive num hospital (aqui).
Alexandra Lucas Coelho: Anestesia Geral
21 de Maio de 1471. Nasce Albrecht Dürer
Para terminar o dia: Oração do Perdão
Senhor, não vos lembreis só
dos homens e mulheres de boa vontade,
mas também dos de má vontade.
Não vos lembreis só dos muitos
sofrimentos que nos infligiram,
lembrai-vos dos frutos que alcançámos
graças a esses mesmos sofrimentos:
a nossa camaradagem, a nossa lealdade,
a nossa humildade, a fortaleza,
a generosidade, a grandeza de coração
que daí brotaram; e, quando eles vierem
a julgamento, que todos os frutos gerados
em nós sejam o seu perdão.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
O avião português de Paulo VI

Na “Visão” de hoje, uma nota sobre o uso da TAP pelos papas. Os pontífices católicos usaram os aviões da companhia portuguesa quatro vezes.
A primeira dessas vezes encerra alguma ironia. Paulo VI voou de Roma para Monte Real (base área militar, perto de Fátima), no dia 13 de Maio de 1967, num Caravelle (foto em cima), um dos primeiros jactos comerciais, de fabrico francês. Ora, a TAP tinha três, o Goa, o Damão e o Diu. Estes aviões tinham por nome os enclaves portugueses na União Indiana.
Como é sabido, Salazar não queria dar o visto a Paulo VI por causa do Papa ter visitado a Índia em 1964, uns anos após a invasão das antigas possessões portuguesas (1961). Salazar sentiu tal gesto como uma afronta e disse a Franco Nogueira, seu ministro dos Negócios Estrangeiros: “Enquanto eu for vivo, o Papa não entra aqui”. Contudo, o visto acabou por ser dado e o Papa entrou em Portugal, não por Lisboa, como seria normal, mas por Monte Real. Salazar, apesar de tudo, foi dar as boas-vindas ao Papa à base militar perto de Leiria. Podia ter falado com o Papa 20 minutos, mas não falou mais do que oito. Não havia muito a conversar.
Pode ter sido mera coincidência, mas de certeza que a velha raposa reparou que o avião em que o Papa viajou tinha o nome de um território que governante reivindicava para Portugal e que era motivo de mal-estar entre a diplomacia portuguesa e a vaticana.
Balanço 6: Maria João Avillez na "Sábado"
A agenda mediática já pousou noutra flor do “nosso dramático mosaico de itens”, na expressão de Maria João Avillez.
A viagem do Papa a Portugal parece que foi há séculos, mas ainda nem sete dias passaram sobre a sua conclusão.
D. Manuel Clemente disse ao Papa, no Centro Cultural de Belém, mais ou menos isto: “Verificamos as dificuldades levantadas à reflexão e à ponderação – à cultura, propriamente dita – pela velocidade, para não dizer a vertigem, com que hoje nos podemos distrair, de tópico em tópico, sem definir nem aprofundar propriamente nada”.
Por isso, Maria João Avillez, querendo fazer um balanço sobre os dias de Bento XVI em Portugal, realça que prefere “ainda assim continuar estacionada na memória enérgica da visita”.
Passa tudo tão depressa que provamos muita coisa, mas não saboreamos nada.
20 de Maio de 325. Tem início o Concílio de Niceia

Quando os católicos ao domingo dizem “Creio em um só Deus…”, estão a citar o Concílio de Niceia (com mais uns acrescentos do de Constantinopla), que começou no dia 20 de Maio de 325 e terminou no dia 19 de Junho seguinte.
O Concílio de Niceia é o primeiro concílio ecuménico (ou seja, para todos, universal) e foi convocado para debater o arianismo, heresia que dizia que Jesus Cristo era um simples enviado de Deus, uma criatura de Deus, sem ser verdadeiro Deus. A heresia teve origem no padre Ario, um sacerdote líbio que vivia em Alexandria (Egipto).
No Concílio, convocado pelo imperador Constantino, que entretanto se tinha mudado de Roma para Nicomédia (actual Izmit, na Turquia; em 330 mudar-se-ia para Bizâncio/Constantinopla/Istambul), na parte oriental do império, e ficara alarmado com as divisões dos cristãos, participaram trezentos bispos. São conhecidos os nomes de duzentos.
Os relatos da época, principalmente do historiador Eusébio de Cesareia, descrevem a recepção do imperador aos bispos e próprio evento como se fosse a antecipação do Reino dos Céus: “Tinham a impressão de que antegozavam o Reino de Cristo, e o acontecimento parecia-lhes mais próximo do sonho que da realidade”. O imperador tudo fez para que o Concílio fosse uma coisa pomposa, tendo emprestado diligências para transportar os bispos de todos os lugares onde havia cristãos.
No Concílio, as posições de Ario são condenadas. Como se sente a necessidade de definir uma doutrina precisa, proclama-se um Credo (ou “symbolum”). Na base do Credo de Niceia e do actual está o que se proclamava em Cesareia e que os bispos em Niceia aceitam, acrescentando o termo “homo ousios” (“da mesma substância”). Ou seja, o Filho é da mesma “ousia” que o Pai. “Homoousios tou Patrou”. “Consubstancial ao Pai”.
No Concílio teve grande preponderância Alexandre de Alexandria e o ainda diácono Atanásio, seu colaborador. Nos anos que se seguiriam, Atanásio, bispo de Alexandria, seria um dos grandes defensores de Niceia.
Curiosamente, Constantino, que por essa altura ainda não era baptizado, tinha simpatias pelo arianismo. O arianismo teológico parecia-lhe mais conveniente para o seu poder político (o imperador absoluto na terra como Deus-Pai absoluto no céu). Acontece que Deus é Trindade. Se quisermos um regime político que melhor reflicta esse dogma, nunca poderá ser um que concentre poderes.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Moisés desce do monte Sinai...
Inspirações: "Este país não é para crentes"
Mais um uso dos Evangelhos, no caso Mt 14,26 (ou paralelos), para falar da actualidade política portuguesa. Excertos de um artigo de Miguel Gaspar, no "Público" de 18 de Maio de 2010.
Este país não é para crentes
(...) Se conseguir levar-nos a mudar a maneira como fazemos política e como pensamos as coisas, então a crise poderá via a ter alguma utilidade.
Mas não estamos sequer perto de conseguir uma transformação dessas. Basta ler o que se continuou a dizer durante a semana negra que passou. De visita à Nunciatura, José Sócrates, além de ter chamado “sua eminência” ao Papa, sugeriu, tentando fazer graça (suponho) que haveria uma ligação entre o crescimento da economia e a viagem papal. Mais trivial, Cavaco Silva sugeriu que a visita de Bento XVI trazia “esperança” numa hora difícil – enquanto os portugueses acham que o título do Benfica e a presença do Papa serviram que nem uma luva para camuflar as medidas que estavam a ser tomadas.
Esta crise, de facto, não é para crentes. Compreende-se porquê. Não sabemos se Jesus Cristo andou sobre as águas (é uma questão de fé), mas sabemos que o Governo pensa que pode andar por cima desta crise como Cristo andou sobre as águas. Depois do delírio das obras públicas e da garantia de que os impostos não iam subir, ninguém acredita no Governo. (…)
A crise não é económica, nem financeira, nem dos mercados. É sermos um país ou tornarmo-nos irrelevantes. Ou seja, um país que não consegue governar-se a si próprio e que ninguém quer governar. Que esse futuro possa acontecer não é só uma questão de crença – é o destino que nos espera se continuarmos a acreditar que de uma maneira ou de outra acabamos sempre por nos safar.
Miguel Gaspar
19 de Maio de 1890. Nasce Mário de Sá-Carneiro

Mário de Sá-Carneiro nasceu no dia 19 de Maio de 1890, em Lisboa. E morreu em Paris. Suicidou-se no Hotel Nice, no dia 26 de Abril de 1916.
Quási
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dôr! - quási vivido...
Quási o amor, quási o triunfo e a chama,
Quási o princípio e o fim - quási a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dôr de ser-quási, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos d'alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ansias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sôbre os precipícios...
Num impeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .
Um pouco mais de sol - e fôra brasa,
Um pouco mais de azul - e fôra além.
Para atingir, faltou-me um golpe de aza...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá-Carneiro, in "Dispersão"
terça-feira, 18 de maio de 2010
Dificuldades não são dúvidas

Desde que me tornei católico, não tenho mudanças a registar. No meu coração, não tem havido qualquer inquietação. Evidentemente, estou longe de negar que há dificuldades intelectuais. Mas dez mil dificuldades não fazem uma dúvida de fé.
Uma pessoa pode estar preocupada por não conseguir resolver um problema matemático cuja resposta lhe é ou não dada, sem duvidar de que ele é susceptível de resposta ou de que determinada resposta é verdadeira.
De todos os artigos da fé, a existência de Deus é, para a minha própria apreensão, aquele que levanta maiores dificuldades e, contudo, é o que mais poderosamente se impõe ao nosso espírito.
Cardeal Newman. Adaptado das páginas 268-269 de “Apologia” (ed. Verbo)
John Henry Newman (Londres, 21 de Fevereiro de 1801- Edgbaston, 11 de Agosto de 1890) foi ordenado padre na Igreja Anglicana, mas converteu-se ao catolicismo em 1845, após um aturado estudo das origens do cristianismo. Foi nomeado Cardeal pelo Papa Leão XIII, em 1879. O seu processo de canonização está a decorrer.
18 de Maio de 1872. Nasce Bertrand Russell

Se fosse vivo, João Paulo II faria hoje 90 anos (18-05-1920 – 02-04-2005). Mas destaco hoje o nascimento de Bertrand Russell (18-05-1872 - 02-02-1970), matemático, filósofo, Nobel da Literatura, pacifista e… incoerente, defendendo belicosamente o pacifismo, segundo Paul Johnson, no seu livro “Intelectuais” (a par de Karl Marx, que não pagava aos seus empregados e apenas pôs os pés numa fábrica uma vez e de passagem, de Jean-Jacques Rousseau, que preferia abandonar os seus filhos em orfanatos a educá-los, ou de Tolstoi, que se julgava o “irmão mais velho de Deus”, entre outros).
No início do ensino superior tive fascínio por Bertrand Russell. Li “A Conquista de Felicidade”, livro abominado por Wittgenstein – vim mais tarde a saber –, e tenho bem presente alguns das suas histórias. A do jardineiro que era feliz exterminando os coelhos que davam cabo do jardim, hoje ecologicamente incorrecta. Ou a ideia de que se ontem trabalhávamos oito horas para produzir oito tijolos, hoje devíamos trabalhar quatro horas para produzirmos os mesmos oito tijolos, em vez de estarmos a trabalhar oito horas para produzirmos 16 tijolos. O exemplo não era com tijolos, mas a ideia era esta.
Na fase da procura das “provas racionais da existência de Deus”, dei com o livro “Por que não sou cristão”. Os seus raciocínios desmontavam as vias tipo «Deus é a causa incausada de todas as causas». Mas quando chegavam à interpretação bíblica mostravam-se, no mínimo, ignorantes. Russell dizia que não podia acreditar em Jesus Cristo porque este tinha dito que voltaria antes de os discípulos terem percorrido as 12 tribos de Israel. Ora, pelas contas de Russell, umas semanas seriam suficientes para a volta, a pé, a todo o Israel.
Redescobrir o fogo
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Anedota que não deve ser contada aos adolescentes que não gostam de estudar

O sr. Belarmino apresenta-se na sacristia para preencher o lugar de sacristão. O conselho económico da paróquia dá parecer positivo e o sr. Belarmino assina o contrato. Porque não sabe ler, assina de cruz. O padre e o conselho dizem então que não é possível contratá-lo, que tem de saber ler, ao menos para não trocar os livros da missa.
Desiludido e sem saber o que fazer da vida, o sr. Belarmino começa a vender mercearias de porta em porta. A coisa corre bem e compra uma carrinha. A coisa correr bem e abre um estabelecimento e contrata empregados. A coisa corre bem, compra uma frota e abre sucursais. O negócio expande-se, internacionaliza-se, e o sr. Belarmino um dia é homenageado publicamente, já que é o "rei do retalho" ("rei do varejo", no Brasil) e, entretanto, tornou-se um conhecido filantropo. A capital do país dá-lhe as chaves da cidade e pede-lhe que assine o livro de honra. O sr. Belarmino assina de cruz.
- Como é possível? O sr. não sabe escrever?, pergunta-lhe o presidente da câmara.
- É como vê.
- E mesmo assim conseguiu montar um negócio magnífico. Já pensou no que poderia ter sido a sua vida de soubesse escrever?
- Já! Seria o sacristão da minha aldeia natal.
Um ano de Tribo de Jacob
Desde esse dia até hoje, coloquei no blogue 1391 mensagens, o que dá uma média de 3,8 por dia. Na realidade, mais de metade não são mensagens originais, mas artigos da imprensa escrita, referências de outros blogues, imagens da grande rede, poemas de vários livros.
A minha intenção óbvia é dar sinal da presença cristã na cultura. “Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade”. Por certo, Bento XVI já se referia às redes sociais, mas em matéria de tecnologias, gosto de andar um passo atrasado. Perde-se menos tempo e é-se menos esquizofrénico.
No início pensava: dentro de um mês devo ter uma média de 100 visitas diárias. Como um pouco de modéstia nunca faz mal, só alcancei tal número passado quase um ano.
Espero manter o mesmo ritmo durante o próximo ano. A todos os que de vez quando me visitam, obrigado pela visita.
Bento XVI e os abusos sexuais
Programa para a breve folga da Páscoa, um destes dias: ler o que escreveu o bispo emérito de Roma, Bento XVI, sobre os abusos sexuais. As ...
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Dostoiévski (imagem retirada daqui ) Dostoiévski escreveu em “ Os Irmãos Karamazo v ” :“Se Deus não existisse, tudo seria permitido”. A fra...
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Sufjan Stevens esteve há dias em Portugal, pelo menos pela segunda vez, porque já o vira em Santa Maria da Feira, em 2004, na primeira ediç...
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"Cristo Morto" (1521), de Hans Holbein Hoje é dia de Dostoiévski. Morreu há 129 anos. Uma das suas frases mais célebres é “A bele...





