domingo, 21 de março de 2010
Bento XVI tenciona visitar a Irlanda
Bento XVI e a pedofilia
21 de Março de 1685. Nasce Johann Sebastian Bach
"Lasset uns den nicht zerteilen", excerto da "Paixão segundo São João", de J. S. Bach
Johann Sebastian Bach nasceu no dia 21 de Março de 1685, em Eisenach (a terra onde Lutero traduziu para alemão o Novo Testamento), e morreu no dia 28 de Julho de 1750, em Leipzig. O compositor maior do barroco, para muitos, o maior músico da história, era luterano. A maior parte música de Bach é de matriz religiosa. Também compôs peças para ritos católicos. Já alguém disse que, felizmente, o protestantismo apreciava a música. De contrário, não se teria revelado o génio.
Emil Cioran disse que "a música de Bach é o único argumento que prova que a criação do universo não pode ser vista como um grande erro". Tirando a parte do “único”, concordo.

Para terminar o dia: "Senhor, dá a cada um a sua própria morte"
sábado, 20 de março de 2010
Napoleão a caminho do Governo dos Cem Dias

Na procura diária de um facto do passado relacionado com a mundividência cristã, dei com a informação de que no dia 20 de Março de 1815, Napoleão entra em Paris, sem oposição, depois de ter fugido da ilha de Elba, no dia 26 de Fevereiro desse ano. Não tem propriamente a ver com o espírito deste blogue, mas permite recordar os títulos da capa do jornal “Le Moniteur Universel”. A história está contada de muitas formas em sítios e revistas, com ligeiras variações. Esta é uma delas [note-se que a história diz que, efectivamente, Napoleão chegou a Paris no dia 20 de Março – para o “Governo dos Cem Dias”].
9 de Março - O antropófago saiu da toca [Napoleão sai da ilha]
10 de Março - O ogre da Córsega acaba de desembarcar no golfo Juan [chega a França continental]
11 de Março - O tigre apareceu em Gap. As tropas estão a chegar de todos os lados para deter-lhe a fuga. A miserável aventura acabará em fuga nas montanhas.
12 de Março - O monstro pernoitou em Grenoble.
13 de Março - O tirano passou por Lyon. O terror apoderou-se de todos os que o viram chegar.
15 de Março - O usurpador arriscou-se a chegar a umas 60 horas da capital.
19 de Março - Bonaparte avança a passos largos mas nunca entrará em Paris [Napoleão na periferia de Paris]
20 de Março - Napoleão chegará amanhã aos muros de Paris.
21 de Março - O imperador chegou a Fontainebleau.
22 de Março - Sua majestade Imperial deu entrada, ontem à tarde, nas Tulherias, entre os seus fiéis súbditos. Nada pôde superar a alegria universal.
Anselmo Borges: Religião e saúde

Anselmo Borges no DN deste sábado:
Kant alinhou as tarefas fundamentais da Filosofia: "O que posso saber?", "O que devo fazer?", "O que é que me é permitido esperar?" No fundo, elas reduzem-se a uma quarta pergunta, para a qual remetem: "O que é o Homem?"
Segundo Kant, precisamente à terceira pergunta responde a religião, o que significa que, para ele, o que a determina é a esperança de salvação, felicidade, consolação, sentido último. Deus "deve" moralmente existir - é um postulado da razão prática -, para que se dê a harmonia entre o dever cumprido e a felicidade.
Claro que é sempre possível perguntar se realmente a religião consola e como. Para viver a religião verdadeira, é preciso estar disposto a sacrificar-se pela dignidade, pela justiça, pela verdade: pense-se, por exemplo, na cruz de Cristo. E está sempre presente a ameaça de projecção e ilusão, como denunciaram os "mestres da suspeita". De qualquer forma, não há dúvida de que a religião tem a ver com felicidade e sentido último.
Há hoje inclusivamente estudos que mostram uma relação globalmente positiva entre a religião e a saúde - note-se que, significativamente, o étimo latino de saúde e salvação é o mesmo: «salus», «salutis», em conexão com saudar e saudade: «salutem dare». Ao contrário de R. Dawkins, que supõe que é largamente aceite pela comunidade científica que a religião prejudica os indivíduos, reduzindo o seu potencial de saúde e sobrevivência, Mario Beauregard, investigador de neurociências na Universidade de Montréal, escreve que se acumulam provas consideráveis que mostram que as experiências religiosas, espirituais e/ou místicas "estão associadas a melhor saúde física e mental".
No quadro da "medicina psicossomática", é sabido hoje, por exemplo, que o stress ou a solidão podem contribuir para aumentar a tensão arterial. Foi assim que se começou a estudar também a fisiologia da meditação para compreender a influência do espírito sobre o corpo. Na sua obra "The Spiritual Brain", Beauregard cita 158 estudos médicos sobre o efeito da religião na saúde, concluindo que 77% fazem menção de um efeito clínico positivo. Um estudo mostrou que os "adultos mais idosos que participam em actividades religiosas pessoais antes do aparecimento dos primeiros sinais de handicap nas actividades do quotidiano têm mais esperança de vida do que os que o não fazem".
Há também dados que mostram o desejo dos doentes de que os médicos conheçam as suas crenças religiosas e que as tenham em conta. Falar sobre o assunto pode aumentar a compreensão médico-doente. Por outro lado, uma sondagem junto de 1100 médicos americanos mostrou que 55% estavam de acordo com a afirmação: "As minhas crenças religiosas influenciam a minha prática da medicina."
No seu novo livro, "How God Changes your Brain" ("Como muda Deus o teu cérebro"), o neurologista Andrew Newberg mostra, através da ressonância magnética nuclear funcional, que a meditação e a oração intensas alteram a massa cinzenta, reforçando as zonas que concentram a mente e alimentam a compaixão; também acalmam o medo e a ira. "A religião e a ciência são as duas forças mais poderosas em toda a história humana. São as duas coisas que nos ajudam a organizar e a entender o nosso mundo. Porque não procurar uni-las?"
Note-se, porém, que os efeitos não são sempre positivos. É fundamental a imagem que se tem da entidade superior, benevolente ou malévola. Beauregard refere um estudo que mostra que os idosos e doentes corriam maior risco de morrer, se tivessem "uma relação conflituosa com as suas crenças religiosas".
Por outro lado, os ateus dirão que precisamente a imagiologia cerebral das pessoas mergulhadas na oração é a prova de que a fé é uma ilusão, pois apenas mostra o que se passa no cérebro. Responde Newberg: "Pode ser que seja só o cérebro a fazê-lo, mas também poderia ser o cérebro recebendo o fenómeno espiritual", acrescentando: "Eu não digo que a religião seja má ou não real. O que digo é que as pessoas são religiosas e procuramos saber como isso as afecta".
20 de Março de 579. Morre Martinho de Dume

Martinho nasceu na Panónia (Hungria), por volta de 518, e morreu em Dume, perto de Braga, no dia 20 de Março de 579. Foi bispo de Dume (a diocese correspondia ao morteiro) e depois de Braga. Evangelizador dos suevos, que então eram maioritariamente arianos, e devoto de Martinho de Tours, cujo túmulo chegou a visitar, escreveu para si próprio o seguinte epitáfio: “Nascido na Panónia, atravessando vastos mares, impelido por sinais divinos para o seio da Galiza, sagrado bispo nesta tua igreja, ó Martinho confessor, nela instituí o culto e a celebração da missa. Tendo-te seguido, ó patrono, eu, o teu servo Martinho, igual em nome que não em mérito, repouso agora aqui na paz de Cristo”.
sexta-feira, 19 de março de 2010
19 de Março de 1721. Morre Clemente XI

Clemente XI (Giovanni Francesco Albani, 22-07-1649 – 19-03-1721) foi Papa de 23 de Novembro de 1700 até 19 de Março de 1721. Morreu no dia de S. José, de quem era devoto. O pontificado desta Papa de grande erudição ficou marcado três acontecimentos: disputas pelo trono de Espanha (1702-1714), em que Portugal também se vê envolvido, que acabam com a assinatura do Tratado de Utreque, que significa perda de parte dos Estados Pontifícios; condenação do quesnelismo, uma derivação do jansenismo, através da encíclica “Unigenitus”, de 1713; e por uma tomada de posição em favor dos dominicanos e contra os jesuítas na questão dos “ritos chineses”.
Na bula “Ex illa die”, publicada, por coincidência, no dia 19 de Março de 1715, o Papa diz que os convertidos ao catolicismo não podem participar nos festivais de Primavera e de Outono, em que veneravam Confúcio e os antepassados, nem venerar os antepassados nos tempos familiares. Por outro lado deviam deixar de usar a expressão “Senhor celeste” (“Tianzhu”). Apesar de “Deus” (latim) soar mal em chinês, é o termo que deve ser usado. É o início do fim das missões católicas na China.
Os casos de pedofilia no clero põem em causa o celibato?

Os casos de pedofilia no clero põem em causa o celibato dos padres? Há duas correntes com opiniões ligadas, parece-me, ao seu próprio estatuto. Os bispos e padres tendem a dizer que não, que os valores do celibato continuam sólidos. Caso exemplar desta corrente foi a opinião de D. Januário Torgal, que na SIC disse a Miguel Sousa Tavares – cito de cor – que a prova de que o celibato não está em causa é que a maior parte dos casos de pedofilia acontece no interior da própria família das vítimas. Mas também houve bispos, como o cardeal de Viena (aqui), e padres, como Hans Kung, que disseram que o celibato é a raiz do mal. O teólogo suíço foi o mais contundente, alargando a questão a outros âmbitos (aqui).
Do lado do “sim, o celibato está causa” (ou até mais do que isso), recolho a opinião de Paulo Varela Gomes, no “Público” de 13 de Março.
D. Carlos Azevedo: "Pensamento de Galileu"

Foi lançada, no passado dia 17, na Gulbenkian, a primeira tradução portuguesa do livro de Galileu Galilei (1564--1642) publicado há quatrocentos anos em Veneza, ‘Sidereus Nuncius’ (‘O Mensageiro das Estrelas’). A importância deste texto breve para a história do pensamento científico mereceu o enquadramento, no fechar do Ano Internacional de Astronomia. Espanta o tom simples, próprio de gazeta, da descrição maravilhosa do que Galileu acabava de observar, graças ao novo instrumento, o telescópio, criado pelos holandeses e aperfeiçoado pelo cientista.
As novidades que Galileu relata eram sensacionais e revolucionárias e catapultaram o professor universitário de Pádua, perito em mecânica, para pioneiro da astronomia moderna e permitiram-lhe conquistar o lugar de filósofo natural e matemático de corte, junto dos Medici, em Florença. Ainda hoje ficamos admirados com as gravuras e os esquemas, os power-point da altura, aos quais Galileu recorre na edição de 1610. O estudo da superfície da Lua demonstra o génio observador e a sua capacidade de transmissão literária e visual.
Absoluta novidade astronómica era a existência de planetas menores, os satélites de Júpiter. Galileu considerou essa descoberta uma graça especial de Deus.
Em excelente tradução muito anotada e informadíssimo texto introdutório, Henrique Leitão revela o seu domínio da história da ciência e oferece aos leitores uma perspectiva simultaneamente acessível e rigorosa do enquadramento desta obra fantástica, autêntico relatório científico, escrita nos últimos 15 dias de Janeiro de 1610. Sujeita a sucessivas correcções, seria publicada a 13 de Março e com 550 exemplares esgotados em poucos dias. Até teve uma edição pirata em Frankfurt logo em 1610, tal era a procura!
Depressa os jesuítas romanos confirmaram estas notícias sensacionais e Galileu realizava uma viagem entusiasta à Accademia dei Lincei, em plena Roma. Foi através dos jesuítas que Galileu chegou a Portugal, à Índia e à China. Logo em 1615, o ‘anúncio sideral’ era objecto do curso de Giovanni Paolo Lembo, no Colégio de Santo Antão, em Lisboa. Os problemas cosmológicos que as novidades galileanas lançavam eram aí discutidos.
A edição da Fundação Gulbenkian esclarece cabalmente o lugar ímpar que certos escritos assumem na história. No meio de uma semana pesada de inquietações, será estimulante reconhecer, nos degraus do avanço científico, os rasgos de inovação provenientes de observadores corajosos, como Galileu.
D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa
Fonte: Correio da Manhã
Inspirações: Virtudes teologais
História, liberdade e Deus

“Para suprimir Deus, é preciso primeiramente suprimir a História, isto é, a possibilidade para um grupo humano de dar provas da sua liberdade. Eis porque a História, que foi no século passado o terreno da reconquista do homem sobre Deus, se tornou o terreno da reconquista de Deus pelo homem”.
Jean-Marie Domenach (1922-1997), intelectual católico francês, director da revista “Esprit” da 1957 a 1976
Três páginas do "Público" sobre pedofilia no clero
quinta-feira, 18 de março de 2010
Um mundo que nasce - Revista Communio

Card. Joseph Ratzinger. Mercado, economia e ética
J. M. Pereira de Almeida. Crise, sinal dos tempos
José Patrício. Crise, sinal dos tempos
E.-W. Bockenforde. O homem funcional. Capitalismo, propriedade, papel dos Estados
V. Soromenho Marques. As encruzilhadas da crise contemporânea. Por um futuro sustentável
M. J. Melo Antunes. Uma nova terra. Em resposta à crise: a evolução da consciência
Elena Curti. Derradeiro risco
M. Brandão Alves. Com o microcrédito dar novas vidas à vida
João W. Meneses. Peixe amarelo – Pistas para um mundo melhor
F. Sarsfield Cabral. Futuro incerto para a comunicação social
COMMUNIO. Revista Internacional Católica
“Um mundo que nasce”
Jul/Ago/Set de 2009
18 de Março de 1314. Morre Jacques DeMolay, o último grão-mestre dos templários
Jacques DeMolay, 23.º grão-mestre dos Templários, morreu no dia 18 de Março de 1314, às mãos de Filipe, o Belo, rei de França.
DeMolay estava a ser julgado por uma comissão de bispos, após as acusações que o rei francês lançou sobre os Cavaleiros do Tempo, para lhes expropriar os bens e o poder. Nada se conseguindo provar, Filipe manda raptar DeMolay, que estava sob a custódia dos bispos, e ordena que seja queimado na Île de la Cité, em Paris.
Foi no dia 18 de Março de 1214, depois da oração de Vésperas.
Correrei para ti

Imagem do livro "De Speculo Caritatis", de Aelredo, monge cisterciense que viveu na Abadia de Riveaulx, no norte de Inglaterra
Senhor Jesus
Sou pequeno e Tu também;
Sou fraco e Tu também;
Sou homem e Tu também;
Além disso, sou pobre e Tu também.
Toda a minha grandeza é tão-somente pequenez:
Toda a minha forma não é mais do que fraqueza;
Toda a miha sabedoria é apenas loucura diante de mim!
Correrei para ti, Senhor,
Tu que curas os doentes, fortaleces os fracos
E voltas a dar alegria aos corações aflitos
Seguir-te-ei, Senhor Jesus.
Aerledo de Riveaulx (1109-1166)
quarta-feira, 17 de março de 2010
17 de Março de 1628. Nasce Daniel van Papenbroeck, destruidor de lendas

Daniel van Papenbroeck (ou Papebrochius, em latim, ou Papebroch, em inglês) nasceu no dia 17 de Março de 1628, em Antuérpia, e morreu no dia 28 de Junho de 1714. Colaborou com Jean Bolland na publicação da “Acta Sanctorum” (“Actos dos Santos”), série de volumes sobre a vida dos santos que procurou destrinçar a história do mito, da lenda e da fábula no que diz respeito vida dos santos.
A ideia da obra partiu do jesuíta Heribert Rosweyde, mas após a morte deste, em 1629, foi Jean Bolland (1596–1665) que organizou o grupo de investigadores que desenvolveu e concluiu a obra. "Acta Sanctorum" começou a ser publicada em 1643. Papenbroeck era um destes que ficaram na história como “bolandistas”.
Os bolandistas deram um contributo importante para a ciência (crítica documental e paleografia) ao examinarem criticamente documentos antigos, discernindo fontes e distinguindo dados históricos dos lendários.
Papenbroeck, enquanto investigava a vida dos santos, chegou a entrar em conflito com os beneditinos por ter considerado falsa a doação de Dagoberto I (629-639, dos merovíngios) tido como pai de santa Irmina (ou Irmine), quando, na realidade, o pai da santa era Dagoberto II (676-679). A falsidade de tal documento implicava a falsidade de outros que se seguiram. Na sequência, o beneditino Jean Mabillon escreve em 1681 uma obra intitulada “De re diplomatica”, que pretendia estabelecer as regras da autenticidade dos actos escritos, estudando aspectos como o suporte, a tinta, a língua, a pontuações e os selos, entre outros. “Diplomática”, vem nos dicionários, quer dizer, precisamente, “ciência auxiliar da história, que se ocupa dos documentos antigos, em especial dos diplomas”.
O escândalo continua
Livro de Galileu apresentado hoje em Lisboa
O primeiro livro escrito por Galileu, "Sidereus Nuncius", publicado originalmente no dia 4 de Março de 1610, em Veneza (aqui), é hoje apresentado em português, na Fundação Gulkenkian, em Lisboa, pelas 18 horas. A edição original tinha 60 páginas. A portuguesa, "O Mensageiro das Estrelas", tem 286. O "P2" de hoje dedica-lhe duas páginas, aqui.
Bento XVI e os abusos sexuais
Programa para a breve folga da Páscoa, um destes dias: ler o que escreveu o bispo emérito de Roma, Bento XVI, sobre os abusos sexuais. As ...
-
Dostoiévski (imagem retirada daqui ) Dostoiévski escreveu em “ Os Irmãos Karamazo v ” :“Se Deus não existisse, tudo seria permitido”. A fra...
-
Sufjan Stevens esteve há dias em Portugal, pelo menos pela segunda vez, porque já o vira em Santa Maria da Feira, em 2004, na primeira ediç...
-
"Cristo Morto" (1521), de Hans Holbein Hoje é dia de Dostoiévski. Morreu há 129 anos. Uma das suas frases mais célebres é “A bele...
