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segunda-feira, 15 de março de 2010

“Time” 13/16 – Líderes religiosos na capa (1)

Além dos Papas, a “Time” dedicou 15 capas a líderes religiosos, bispos, padres e pastores (16 se contarmos que Luther King teve direito a duas), até 2001. Estão lá os católicos, mas também os luteranos, os presbiterianos (de Calvino) e os anglicanos e episcopalianos (anglicanos dos EUA), os baptistas e os evangélicos.

Todos estes líderes são significativos, pelo que merecem umas linhas de apresentação. Para mais, pelo menos para mim, alguns deles eram-me totalmente desconhecidos.

Os primeiros cinco: Cardeal Mundelein; o pastor luterano Martin Niemoller; o pastor luterano Franklin Clark Fry; o pastor presbiteriano Eugene Carson Blake; e o padre católico Theodore Martin Hesburgh.

O Cardeal Mundelein apareceu na “Time” de 31 de Maio de 1926. George William Mundelein (1872-1939) foi arcebispo de Chicago desde 1915 e cardeal a partir de 1924. Mostrou-se em diversas ocasiões ao lado dos trabalhadores. Considerado liberal, era amigo do presidente Roosevelt e apoiante do “New Deal” (já depois de ter aparecido na “Time”, claro). Esforçou-se por criar paróquias que integrassem os católicos de diversas proveniências (italianos, polacos, irlandeses…).

“Time” de 23 de Dezembro de 1940. Pastor luterano, Martin Niemoller (1892-1984) opôs-se ao nazismo, a par de Bonhoeffer. Foi preso pela primeira vez em 1935. Porta-voz da resistência protestante, foi libertado passados uns meses, mas voltou para a prisão até ao final da guerra. É dele o seguinte texto (por vezes atribuído a Bertolt Brecht):

“Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não houve mais ninguém que pudesse protestar”.

O pastor luterano Franklin Clark Fry (1900-1968) apareceu na capa de 7 de Abril de 1958. Conhecido por “Mr. Protestant”, Fry uniu diversas denominações. Contribuiu para a criação da Federação Luterana Mundial em 1947, o Conselho Mundial das Igrejas (World Council of Churches) em 1948, e o Conselho Nacional das Igrejas (dos EUA) em 1950.

Eugene Carson Blake (1906-1985), na “Time” de 26 de Maio de 1961, pastor presbiteriano, foi presidente do Conselho Mundial das Igrejas e do Conselho Nacional das Igrejas (dos EUA) e um grande promotor do ecumenismo. Apoiou o movimento pelos direitos civis.

Theodore Martin Hesburgh, padre católico, apareceu na “Time” de 9 de Fevereiro de 1962. Padre da Congregação da Santa Cruz, nasceu no dia 25 de Maio de 1917. Liderou a Universidade de Notre Dame, no Indiana, durante 35 anos, até 1987. Fez dela uma grande universidade. O padre Hesburgh tem quase 93 anos e cerca de 150 doutoramentos, o que o torna uma personagem do Guinness. Já tinha sido referido neste blogue, aqui. Um vídeo-testemunho deste padre católico pode ser visto aqui.

sábado, 13 de março de 2010

A distância próxima

Quando quisermos falar de Deus «não religiosamente», há que o fazer de modo a não camuflar o ateísmo do mundo; pelo contrário há que o revelar, e é assim precisamente que uma luz surpreendente cai sobre o mundo. O mundo adulto é mais ímpio e, talvez mesmo por essa razão, está mais próximo de Deus do que o mundo menor.

Dietrich Bonhoeffer (1899-1945)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Bonhoeffer e Ratzinger - Dois alemães sobre a verdade

Bento XVI escreve na “Caritas in veritate”:

“A verdade é «lógos» que cria «diá-logos» e, consequentemente, comunicação e comunhão. A verdade, fazendo sair os homens das opiniões e sensações subjectivas, permite-lhes ultrapassar determinações culturais e históricas para se encontrarem na avaliação do valor e substância das coisas”.

Para o Papa, a verdade não pode nunca ser opressora (“libertará”, diz o evangelho), ao contrário do relativismo. Mas será igualmente válidas as palavras de Bonhoeffer. Um outro alemão, Kant, disse que se alguém me perguntar onde está fulano, para o matar, eu, se souber, devo mentir.

“Aquele que pretende dizer toda a verdade, por toda a parte e em todos os momentos, é um cínico, que exibe somente um apagado simulacro da verdade. Cingindo-se com a auréola de fanático da verdade, que não pode ter em atenção as fraquezas humanas, ele destrói a verdade viva entre os homens. Ele ofende o pudor, profana o mistério, viola a fé, trai a comunidade em que vive e sorri com arrogância sobre as ruínas que causou e sobre a fragilidade humana, que não aguenta tal verdade”.

São Bonhoeffer

1939. Dietrich Bonhoeffer, alemão, pastor luterano e teólogo, está nos Estados Unidos, a convite de uma universidade. A II Guerra Mundial está prestes a começar. A tensão internacional assim faz prever. Bonhoeffer, proibido de ensinar na Alemanha desde 1936, e de residir em Berlim desde 1938, tem agora a oportunidade de continuar fora o deu país uma carreira brilhante de teólogo. Mas decide voltar ao país natal. “Tenho de viver esta difícil período da nossa história nacional, como o povo cristão da Alemanha”, escreve no seu “Diário”. E ao teólogo norte-americano que o convidara, responde: “Não terei o direito de participar na reconstrução da vida cristã na Alemanha depois da guerra se não partilhar as dificuldades deste tempo com o meu povo”. Os poucos anos que lhe restam até ser enforcado pelos nazis, em 1945, pouco tempo antes de a guerra acabar, são vividos como consequência da “espiritualidade do seguimento” de Jesus Cristo, a quem chamava “irmão mais velho” ou “o homem para os outros”.

Bonhoeffer morreu com 39 anos, no dia 9 de Abril de 1945. Preso pela Gestapo em 1943, é acusado de “contribuir para abrandar a moral vitoriosa do povo”, e implicado numa tentativa de assassinar Hitler. Ao que tudo indica, não participou no acto em si, mas era irmão de um e cunhado de dois dos que participam na conspiração.

Doutor em Teologia aos 21 anos, foi herói no momento da morte, mas já havia dado provas do seguimento de Cristo noutros contextos. Primeiro, porque se recusa a pertencer à facção da igreja luterana que vê com bons olhos o regime de Hitler. Depois, pelo seu empenhamento social. Antes da guerra, acompanha cristãos num bairro operário de Berlim e, de visita aos EUA, põe-se em contacto com o bairro negro do Harlem, conhecido pelos problemas sociais. Durante um ano acompanhou como pastor a comunidade alemã de Barcelona, o que lhe permitiu viver em ambiente católico e desfazer juízos críticos em relação ao catolicismo. Mais tarde (1941), passará várias temporadas no mosteiro beneditino de Ettal (Munique), sentindo a cordialidade dos monges e acrescentando novos dados à sua visão do catolicismo.

Dietrich Bonhoeffer nasceu num dia 4 de Fevereiro, há 104 anos. Se pudesse haver santos não católicos, este seria sem dúvida um deles.

4 de Fevereiro de 1906. Nasce Dietrich Bonhoeffer

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Clássicos 7: "Nisso não acredito", de John A. T. Robinson

(Primeiro parágrafo:) “Não, nisso é que eu não posso acreditar! É uma reacção típica diante de grande parte da doutrina cristã, hoje em dia. E muitas vezes eu próprio me surpreendo a dizer: «No sentido em que penso ser obrigado a acreditar, também eu não acredito»”.

Nisso não acredito | But That I Can't Believe! | John A. T. Robinson | Moraes Editora, 1968, 194 páginas

John Arthur Thomas Robinson (1919-1983), inglês, foi professor de Novo Testamento e Bispo (anglicano) de Woolwich. O seu pensamento insere-se na teologia liberal e na teologia da secularização, como Harvey Cox e William Barclay.

A sua obra mais importante é “Honest to God”, de 1963, que, como esta agora citada, faz uma crítica às crenças tradicionais. John A. T. Robinson considerava-se de algum modo sucessor de Paul Tillich, Dietrich Bonhoeffer e Rudolf Bultmann e foi criticado por favorecer o relativismo teológico e ético (“ética situacional”). Em Inglaterra, nos anos 60 houve um interessante debate na imprensa entre este autor e C. S. Lewis, este último tido como defensor da ortodoxia.

Bento XVI e os abusos sexuais

Programa para a breve folga da Páscoa, um destes dias: ler o que escreveu o bispo emérito de Roma, Bento XVI, sobre os abusos sexuais. As ...