terça-feira, 30 de abril de 2013

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Quem vai para o Porto?


Escreve o correspondente de Braga do "Correio da Manhã" que D. Manuel Clemente regressa a Lisboa. Os do Porto, não gostam uns e  dão saltos de alegria outros. É sempre assim quando muda um responsável. Mas a notícia ainda não foi confirmada. E, se for verdade, mais interessante é saber quem é o próximo bispo do Porto, que costuma ser a diocese portuguesa mais sólida, criativa, dinâmica, estimulante.

Como Lutero deveria agradecer às indulgências



No livro “Adapte-se. O sucesso começa sempre pelo fracasso”, Tim Harford, que muitos conhecerão do livro “O economista disfarçado”, diz a certa altura (pág. 23) que a “Bíblia de Gutenberg foi um projeto desastroso que levou o seu autor à falência”. A indústria gráfica, no início, fez-se de muitas falências, enquanto não encontrou o modelo de negócio lucrativo. “A dada altura, diz Harford, lá acabou por encontrar um: a impressão de perdões de castigo divino, pré-embalados sob a forma de indulgências religiosas”.

Fiquei assim a saber que as mal-afamadas indulgências foram cruciais para o desenvolvimento da imprensa de caracteres móveis.

Anos mais tarde, Lutero (nasceu 15 anos depois da morte de Gutenberg), ao escrever que…
A impressão é o último dom de Deus e o maior. Por seu intermédio, Deus quer dar a conhecer a verdadeira Religião a toda a terra e expandi-la em todas as línguas. É a chama que brilha antes da extinção do mundo
…estava, afinal, a elogiar uma indústria tornada viável pelas indulgências.

domingo, 28 de abril de 2013

Amanhã e já hoje

O ato de fé e a devoção de amanhã terão as seguintes características: em Cristo "no meio do mundo" (Voillaume), "no último lugar" (Charles de Foucauld), "vivendo na ousadia de Deus" (Urs von Balthasar).

H. Schurmann

Bento Domingues: "Um país não é um convento"

Início no texto de Bento Domingues no "Público" de hoje:


A palavra reforma evoca muitas significações para além da mais corrente, isto é, a quantia - ora de fome, ora milionária - atribuída a pessoas aposentadas. A desejada reforma da Cúria vaticana é de outro género. Neste sentido, designa as medidas adoptadas para que uma instituição degradada volte à sua forma primordial. Nas épocas de decadência das Ordens Religiosas, por exemplo, a ideia de reforma era o sonho de um novo começo, através de um retorno à fonte do projecto inicial. Voltava-se às antigas observâncias, por vezes de forma anacrónica, mas com a intenção de encontrar o espírito fundacional. O regresso às primeiras expressões da pobreza era sempre a marca de uma reforma autêntica. Ao perderem o despertador da austeridade voluntária, as instituições religiosas fingiam ver na progressiva abundância dos seus bens, um sinal de bênção divina.

Na íntegra, aqui, amanhã.

sábado, 27 de abril de 2013

Marketing papal

Uma empresa de lareiras de luxo diz no DN de hoje que vai oferecer uma lareira de etanol ao Papa, seja lá o que isso for. "Como ele é o Papa dos pobres, talvez não queira ficar com ela e por isso vamos sugerir que alguém ligado ao Vaticano leiloe a lareira e depois doe o dinheiro para alguma instituição", diz um responsável da empresa. Seria mais sincero e direto se dissesse: "Queremos pôr o Papa ao serviço do nosso negócio".

O diálogo, essa coisa tão difícil para a nossa tradição intolerante


Excerto de uma entrevista ao teólogo moralista Juan Masiá, que há dias esteve ali ao lado, e, Vigo. Esta parte aplica-se a certas discussões cá no blogue:
Não é verdade que muitas pessoas não o consideram Igreja? Você não se sentiu excluído? 
É que aqui no nosso país [a Espanha] há um fenômeno um pouco peculiar que é essa tradição inquisitorial dos dois extremismos, da agressividade... Na Espanha, não houve transição cultural, não se deu o passo para a capacidade de poder compartilhar e opinar diferente, ter ideias diferentes e discuti-las, sem que isso signifique insultar, nem quebrar o pau. Aquilo que dizia Unamuno sobre a inveja espanhola. Nisto não houve transição. Os fanatismos estão muito arraigados, e isto se vê também dentro das instituições. Como se costuma dizer, “se você entrega a cabeça do Batista, em troca recebe um prêmio”. Se você denuncia alguém, alguns anos depois terá uma mitra. Às vezes, fomenta-se a denúncia, cartas anônimas, etc. E isso também é um problema fora da Igreja. A situação política espanhola delata a incapacidade em relação à democracia, ao debate plural.

E esta também:
Deixarão que Francisco faça mudanças? 
O deixaremos (porque os que podem impedir não são um grupinho ao lado, a Cúria; temos que nos incluir). Ou o apoiamos ou o freamos. 
E como podemos apoiá-lo? Como ele poderia fazer para contentar a uns e outros? Acredita que buscará o consenso? 
Mas não é o consenso dos políticos, que sempre é de meias palavras. Precisamos convergir nas coisas verdadeiramente essenciais. Um exemplo: há alguns dias estava em um grupo discutindo sobre a homofobia, e havia algumas pessoas que diziam que não se deve chamar casamento a união homossexual, enquanto outros diziam que sim. Este é um tema que juridicamente e por muitas razões está aí, e é possível continuar discutindo. Os que dizem uma coisa e os que dizem o contrário aduzem suas razões, e se não se convencem mutuamente, continuarão pensando igual. Mas há um ponto em que o mais avançado e o mais conservador não podem senão estar de acordo, e o digo citando um documento nada suspeito de “excessiva abertura”: o Catecismo, que diz que de maneira alguma e sob nenhuma hipótese se pode nem se deve discriminar uma pessoa por sua orientação sexual. Isto não é passível de debate. Então, com a tranquilidade de estar de acordo em algo tão fundamental, podemos seguir falando das outras questões sem discutir e sem nos discriminar mutuamente.
A dinâmica de buscar o que nos une em vez daquilo que nos separa? 
Claro. Isto já o dizia Santo Agostinho, e todos enchem a boca citando-o, mas depois não o colocam em prática. Nas coisas essenciais, unidade. Nas outras, liberdade. E em todas, acrescentava, caridade.

E esta responde a uma pergunta que já algumas vezes tinha colocado a mim próprio:
O fato de que seja um Papa jesuíta enche a Companhia de orgulho? 
Muitas pessoas, no dia da eleição, vieram me felicitar porque é um Papa “dos nossos”. Mas isso significa que se fosse um Papa da Opus Dei teríamos que ficar chateados. Se eu me alegro com o fato de que seja um Papa jesuíta e alguns anos depois me entristeço que seja um Papa da Opus, isso quer dizer que eu não mudei nada. Ou seja, que a mudança de que estávamos falando eu não a fiz. Posso me alegrar pelo fato de como é e do que está fazendo, mas se me alegro com o fato de que seja jesuíta é como se acreditasse que agora eu tenho o poder.
Entrevista na íntegra aqui.

Anselmo Borges: "Mercadodiceia, ética e utopia"

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje.

Primeiro, foi a Providência divina. Deus, na sua omnipotência e infinita bondade, acompanha a humanidade no combate contra o mal - Deus é o anti-Mal -, de tal modo que tem fundamento a esperança do triunfo final do bem. Depois, pela secularização da Providência, a própria história aparece como justificando-se a si própria, no quadro de uma historiodiceia: "A história do mundo é o julgamento do mundo." Finalmente, os mercados são a nova presença do divino, de tal modo que através do seu jogo, mediante uma "mão invisível", tudo se conjuga para que, embora cada um lute pelos seus próprios interesses, dessa luta resulta o maior bem para todos. Sequência: teodiceia (justificação de Deus frente ao mal), historiodiceia (justificação da história), mercadodiceia (justificação dos mercados) - Adriano Moreira utiliza a expressão: "Teologia do Mercado".


No quadro do neoliberalismo, o economista Riccardo Petrella resumiu as novas Tábuas da Lei (sigo a síntese do teólogo Juan J. Tamayo): não podes resistir à globalização dos mercados e das finanças - deves adaptar-te a isso. Deverás liberalizar completamente os mercados, renunciando à protecção das economias nacionais. Todo o poder pertence aos mercados: as autoridades políticas transformar-se-ão em meras executoras das suas ordens. Tenderás a eliminar qualquer forma de propriedade pública, ficando o governo da sociedade nas mãos de empresas privadas. Tens de ser o mais forte, se quiseres sobreviver no meio da competitividade actual. Renunciarás à defesa da justiça social, superstição estéril, e à prática do altruísmo, igualmente estéril. Defenderás a liberdade individual como valor absoluto, sem qualquer referência ou dimensão social. Defenderás o primado da economia e da finança sobre a ética e a política. Praticarás a religião do mercado com todos os seus rituais, sacramentos, pessoas, livros e tempos sagrados. Não terás em conta as necessidades dos pobres e excluídos, gente a mais, pois não gera riqueza. Porás a Terra ao serviço do capital, que é quem maior rendimento pode tirar dela, sem atender a considerações ecológicas, que só atrasam o progresso.

Perante esta situação que leva à catástrofe, impõe-se uma alternativa, que Tamayo sintetiza nalguns mandamentos, "orientados para a construção da utopia de uma sociedade alternativa".

Ética da libertação, com o imperativo moral: "Liberta o pobre, o oprimido." Ética da justiça: "Age com justiça nas relações com os teus semelhantes e trabalha na construção de uma ordem internacional justa." Num mundo onde impera o cálculo, o interesse próprio, ética da gratuitidade: "Sê generoso. Tudo o que tens recebeste-o de graça. Não faças negócio com o gratuito." Ética da compaixão: "Sê compassivo. Colabora no alívio do sofrimento." Ética da alteridade e da hospitalidade: "Reconhece, respeita e acolhe o outro como outro, como diferente. A diferença enriquece-te." Ética da solidariedade: "Sê cidadão do mundo. Trabalha por um mundo onde caibam todos." Num mundo patriarcal, de discriminação de género, ética comunitária fraterno-sororal: "Colabora na construção de uma comunidade de homens e mulheres iguais, não clónicos." Ética da paz, inseparável da justiça: "Se queres a paz, trabalha pela paz e pela justiça através da não-violência activa." Ética da vida: "Defende a vida de todos os viventes. Vive e ajuda a viver." Ética da incompatibilidade entre Deus e o dinheiro, adorado como ídolo: "Partilha os bens. A tua acumulação desregrada gera o empobrecimento dos que vivem à tua volta." Num mundo onde impera a lei do mais forte, ética da debilidade: "Trabalha pela integração dos excluídos, são teus irmãos." Ética do cuidado da natureza: "A natureza é o teu lar, não a maltrates, não a destruas, trata-a com respeito."

Utopia? Não é a função da utopia criticar o presente e transformá-lo? Para evitar a tragédia daquela estória: "Era uma vez duas serpentes que não gostavam uma da outra. Um dia encontraram-se num caminho muito estreito e como não gostavam uma da outra devoraram-se mutuamente. Quando cada uma devorou a outra não ficou nada." (Ana Hatherly).

sexta-feira, 26 de abril de 2013

No Vaticano, uma pessoa vai à missa e está sujeita a ouvir falar do seu despedimento


No "Jornal de Negócios" de hoje.

As missas diárias no Vaticano agora são mais frequentadas. Os jornalistas trazem de lá, todos os dias, três ou quatro notícias. Mesmo que a maior parte delas sejam citações vulgaríssimas dos evangelhos (estilo: "Papa receia ladrões dentro da Igreja", só porque a homilia era sobre o conselho de Jesus para ter cuidado com os que parecendo pastores são salteadores).

Outra classe que agora frequenta mais as missas é a dos funcionários do Vaticano. Uns por fé, certamente. Outros para verem e mostrarem-se ao patrão, que está do lado de lá do altar. Alguns, ontem, como diz a notícia, ouviram do altar que muito provavelmente serão despedidos ou transferidos devido ao fecho de serviços. Não sei qual foi o evangelho proclamado ontem. Às tantas foi aquele em que Jesus diz: "Na casa do meu Pai há muitas moradas". E o Papa acrescentou: "Mas algumas delas vamos ter de as fechar".

Centro

O cristianismo é uma relação com Deus em Cristo. Cada momento importante da vida eclesial remete-nos sempre para o centro: a relação espiritual com Cristo.

H. Schurmann

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Santidade versus sabedoria


Inácio de Loiola dizia que
Muita sabedoria unida a uma santidade moderada é preferível a muita santidade com pouca sabedoria.
Teresa de Ávila, que tinha 41 anos quando morreu o fundador dos jesuítas, não sei se conhecendo o dito inaciano, deixou bem claro às suas filhas o critério para escolher um diretor espiritual:
Escolhei um confessor antes sábio que santo.
E comentava ter sofrido muito às mãos de confessores não sábios.

Tu és pedra


Cefas. Clique para ver melhor.

Viver com o que temos

O horizonte de experiência atual coloca cada vez menos claramente, diante do nosso questionamento sobre a vida, esta resposta: "...Aí está, é Deus".

Karl Rahner

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Felizes sereis quando vos perseguirem


Pode-se não concordar com o que o bispo de Bruxelas diz e pensa (é criticado pela gestão dos casos de pedofilia e por afirmações sobre a homossexualidade, como a que diz que é algo de “abnormal”), mas nem sequer deixá-lo falar numa universidade ou noutro lugar qualquer é daquelas coisas que não aceito de modo nenhum. E ainda mais num grupo que se diz defensor de direitos humanos e femininos.

André-Joseph Léonard (tem mais três irmãos que são padres) foi atacado pelo grupo Femen. Para cúmulo, o grupo atirou-lhe água de garrafas em forma de Nossa Senhora. Ao pé da atitude das Femen, o kitsch religioso das garrafas (água benta? água de algum santuário?) é irrelevante. Não se conquista a tolerância com intolerância.

A veterotestamentária


No prefácio ao livro "Morte assistida" (de Lucília Galha, na Oficina do Livro), Maria Filomena Mónica, depois de constatar que a afirmação cristã de que toda a vida humana é sagrada "constitui um progresso civilizacional", escreve:

"Não aceito todavia a autoridade dos padres para dizerem o que devo pensar, até porque a leitura da Bíblia, especialmente a do Antigo Testamento, nem sempre coincide com o que a Igreja prega".

Cá está. A Bíblia contra a Igreja. Ou então a intelectual que um dia escreveu que que Jesus fez o milagre do vinho nas "bodas de Canaã",  vive no Antigo Testamento.

Falsificação

Falsificar-se-ia a ressurreição se se considerasse como "a outra cara da moeda", algo como um prémio concedido à obediência e sacrifício de Cristo.

Antonio Andrés

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Bento Domingues: "Dois ouvidos e uma boca"

Texto de Bento Domingues no "Público" de ontem. 

Onde está Deus, Mário de Carvalho?

Numa entrevista do "Jornal de Negócios" de sexta-feira passada ao escritor Mário de Carvalho este afirma, sobre Deus, que
não sabemos as surpresas que nos estão reservadas, mas quase de certeza não vamos encontrar essa face de barbas atrás de nenhuma galáxia no meio das poeiras.
A entrevista tem como título geral "O saber é incómodo, está a mais, é maçador". Então a ignorância...

Amizade

Conhecer a amizade de Jesus para os seres humanos foi e continua a ser um dos objetivos capitais da reflexão cristã.

Ladislaus Boros

domingo, 21 de abril de 2013

A cultura dos protestantes é a que mais respeita a doutrina social da Igreja?


Vítor Bento

Reportando-se ao livro de Vítor Bento, “Euro Forte, Euro Fraco, Duas Culturas, Uma Moeda: Um Convívio (Im)possível?”, Vasco Pulido Valente diz, para a seguir discordar, que
as duas culturas de que fala o título são, como era fatal, a cultura dos países do Norte (a Alemanha, a Áustria, a Holanda, a Bélgica) e a cultura dos países do Sul (a Irlanda, a Itália, a Espanha, Portugal e a Grécia). As duas culturas têm uma "moral social" diferente e, como é lógico, diferentes "preferências sociais". A cultura do Norte tende a valorizar a lei, sobretudo a lei fiscal, promove a confiança colectiva e a confiança de cada cidadão no Estado. A cultura do Sul favorece a infracção, sobretudo a infracção fiscal, enfraquece a confiança colectiva e genericamente não permite uma sólida confiança no Estado.
O cronista defende que a visão de Vítor Bento não é realista nem bem fundamentada, até porque  “não nasceu por enquanto o economista capaz de se entender com o mundo como ele é”. Mas fiquei a pensar que os países do Norte, muito pouco católicos (talvez exceptuando a Bélgica e a Áustria – e não estão lá os escandinavos), são, afinal, os que mais seguem a doutrina social da Igreja católica.

Bento Domingues: "Dois ouvidos e uma boca"

Há mudança de clima no interior da Igreja Católica e na sua relação com a grande diversidade de mundos em que vive. Pelo menos, assim parece.

Bento Domingues na sua crónica do "Público" de hoje. Texto completo aqui, amanhã.

Resposta de silêncio

Cristo foi assaltado por uma grande dúvida durante os últimos minutos que precederam a morte. Deve ter sido o mais horrível dos seus sofrimentos. Refiro-me ao silêncio de Deus. Não é verdade, senhor pastor?

Ingmar Bergman

sábado, 20 de abril de 2013

As raparigas também gostam de subir paredes de escalada, mas só o fazem sem rapazes por perto

Abigail Norfleet James, no "Público" de hoje

Actualmente, em Portugal as escolas que existem de ensino diferenciado estão ligadas a uma instituição da Igreja Católica, a Opus Dei, e às Forças Armadas, quer comentar?



Eu gostaria que existissem outras que não tivessem qualquer ligação, mas já é um bom começo. As escolas são diferenciadas não porque pertençam a uma religião ou às Forças Armadas mas porque essas instituições tradicionalmente tinham esse tipo de escolas. No resto do mundo, conheço escolas mistas que pertencem a congregações religiões ou são escolas militares.


Excerto da entrevista do "Público" a Abigail Norfleet James, que defende a educação separada de rapazes e raparigas. Vale a pena ler, aqui. Há várias modalidades e a coisa dá que pensar.

Anselmo Borges: "As leis fundamentais da estupidez humana"

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje.

Este - "as leis fundamentais da estupidez humana" - é o título de um livrinho famoso, publicado há muitos anos, mas sempre actual. Apareceu em inglês, depois em italiano. Acabo de lê-lo em francês. O seu autor, Carlo M. Cipolla (1922-2000), historiador da economia, foi professor na Universidade de Berkeley e na Escola Normal Superior de Pisa.

Carlo Maria Cipolla (1922-2000)

Para estabelecer as leis fundamentais da estupidez, é preciso, primeiro, definir quem é o estúpido. Para isso, ajudará a comparação com outros tipos de gente. Diz o autor que, quando temos um indivíduo que faz algo que nos causa uma perda, mas lhe traz um ganho a ele, estamos a lidar com um bandido. Se alguém realiza uma acção que lhe causa uma perda a ele e um ganho a nós, temos um imbecil. Quando alguém age de tal maneira que todos os interessados são beneficiados, estamos em presença de uma pessoa inteligente. Ora, o nosso quotidiano está cheio de incidentes que nos fazem "perder dinheiro, e/ou tempo, e/ou energia, e/ou o nosso apetite, a nossa alegria e a nossa saúde", por causa de uma criatura ridícula que "nada tem a ganhar e que realmente nada ganha em causar-nos embaraços, dificuldades e mal". Ninguém percebe por que razão alguém procede assim. "Na verdade, não há explicação ou, melhor, há só uma explicação: o indivíduo em questão é estúpido."

Lá está a primeira lei: "Cada um subestima sempre inevitavelmente o número de indivíduos estúpidos que existem no mundo." Já a Bíblia constata: "Stultorum infinitus est numerus" (o seu número é infinito) - evidentemente, sendo o número das pessoas finito, trata-se de um exagero.

Os estúpidos estão em todos os grupos, pois "a probabilidade de tal indivíduo ser estúpido é independente de todas as outras características desse indivíduo": segunda lei.

A terceira lei corresponde à própria definição do estúpido: "É estúpido aquele que desencadeia uma perda para outro indivíduo ou para um grupo de outros indivíduos, embora não tire ele mesmo nenhum benefício e eventualmente até inflija perdas a si próprio." A maioria dos estúpidos persevera na sua vontade de causar males e perdas aos outros, sem tirar daí nenhum proveito. Mas há aqueles que não só não tiram ganho como, desse modo, se prejudicam a si próprios: são atingidos pela "super-estupidez".

É desastroso associar-se aos estúpidos. A quarta lei diz: "Os não estúpidos subestimam sempre o poder destruidor dos estúpidos. Em concreto, os não estúpidos esquecem incessantemente que em todos os tempos, em todos os lugares e em todas as circunstâncias tratar com e/ou associar-se com gente estúpida se revela inevitavelmente um erro custoso." A situação é perigosa e temível, porque quem é racional e razoável tem dificuldade em imaginar e compreender comportamentos irracionais como os do estúpido. Schiller escreveu: "Contra a estupidez mesmo os deuses lutam em vão."

Como consequência, temos a quinta lei: "O indivíduo estúpido é o tipo de indivíduo mais perigoso." O corolário desta lei é: "O indivíduo estúpido é mais perigoso do que o bandido." De facto, se a sociedade fosse constituída por bandidos, apenas estagnaria: a economia limitar-se--ia a enormes transferências de riquezas e de bem-estar a favor dos que assim agem, mas de tal modo que, se todos os membros da sociedade agissem dessa maneira, a sociedade no seu conjunto e os indivíduos encontrar-se-iam numa "situação perfeitamente estável, excluindo toda a mudança". Porém, quando entram em jogo os estúpidos, tudo muda: uma vez que causam perdas aos outros, sem ganhos pessoais, "a sociedade no seu conjunto empobrece".

A capacidade devastadora do estúpido está ligada, evidentemente, à posição de poder que ocupa. "Entre os burocratas, os generais, os políticos e os chefes de Estado, é fácil encontrar exemplos impressionantes de indivíduos fundamentalmente estúpidos, cuja capacidade de prejudicar é ou se tornou muito mais temível devido à posição de poder que ocupam ou ocupavam. E também se não deve esquecer os altos dignitários da Igreja."

É assim o mundo.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Vêm aí o dia mundial do livro - 1

Sentimo-nos culpados por tudo o que ainda não lemos, mas esquecemos que já lemos mais do que Agostinho ou Dante, ignorando assim que o nosso problema reside, definitivamente, no modo de absorção e não na dimensão do nosso consumo.

Alain de Botton, "Religião para ateus", 138

Missa com vendas nos olhos

No jornal "i" de hoje. É capaz de haver uma imprecisão na notícia. Por que haveria o padre de decorar a homilia? Talvez se trate antes de decorar partes do ritual (a oração eucarística, por exemplo) que não saberá de cor.

Em todo o caso, não aprecio ver a Eucaristia numa experiência, embora compreenda que por vezes temos de experimentar na pele as dificuldades para sermos solidários com os outros.

Mais uma tradição quebrada por Francisco. E, desta vez, 4000 pessoas não devem gostar

O Papa Francisco decidiu não dar qualquer prémio aos quatro mil funcionários do Vaticano, como acontece habitualmente sempre que é escolhido um novo sucessor de S. Pedro para a cadeira de Roma. Em vez disso, uma parte da soma prevista para esses prémios será para uma instituição de caridade.

Li no "Público". Desconhecia o costume. E também li, num blogue, alguém que critica o Papa por fazer caridade com dinheiro alheio. Mas será mesmo alheio? Julgo que não. Era uma tradição, não um direito.

Autoestrada

Ao declarar o amor ao próximo semelhante do de Deus, Jesus abriu uma autêntica via de salvação.

Joseph Moingt

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O Papa não fala do II Concílio do Vaticano?


Há dias um jornalista espanhol (o mesmo que apostou todas as fichas na eleição de Bergoglio) notou que o Papa Francisco não fala do Vaticano II.

“Desde que llegó al solio pontificio, Francisco no citó (ni una sola vez, que yo sepa) el Concilio Vaticano II”, escreveu José Manuel Vidal.

A coisa pode ter muitas leituras. Desde a que afirma que não é necessário falar do que é evidente (a importância do Concílio) até à que diz que quem não é falado não é lembrado. Alguns preferem esta última versão, em geral, os mesmos que notaram que Francisco falou diversas vezes no diabo/demónio logo no arranque do pontificado (uma americano fez disso uma bandeira e só faltou dizer que “nem tudo está perdido”).

José Luis Segovia, director de um instituto pastoral madrilena, interpretou o silêncio franciscano como uma omissão intencional. “Se trata de una omisión intencionada, que busca unir y sumar, sin ahondar en la «piedra» de escándalo en que se ha convertido, para las derechas y las izquierdas eclesiásticas, el Vaticano II” – li no mesmo artigo atrás apontado.

Ontem, se dúvidas havia, Bergoglio desfê-las, alertando para os que resistem à ação do Espírito Santo no Concílio, que no fundo somos todos (“Fizemos tudo o que nos disse o Espírito Santo no Concílio, naquela continuidade do crescimento da Igreja que ele foi? Não”) e para os que olham para o Vaticano II como uma página negra da história eclesial (“Mais: há vozes que querem voltar atrás”).

Francisco não escreveu nenhuma encíclica sobre isto. Foi numa missa, provavelmente sem ler papéis. Li na Ecclesia. Mas se alguém tinha dúvidas, deu para esclarecê-las.

E mesmo as com culpa

Cristo é o espelho onde se projetam todas as crucifixões sem culpa.

Manuel Lozano Garrido

terça-feira, 16 de abril de 2013

Primeiro-ministro de Espanha ofereceu livro de autor português ao Papa

Ilustração de  "De Aetatibus Mundi Imagines" (da Wikipedia)

Um jornalista (obrigado, Octávio) diz-me que a o futebol foi secundário no encontro com o Papa (ver entrada anterior).  "Ha habido un intercambio de opiniones sobre la difícil situación económica y financiera mundial a la que se enfrenta España al igual que otros países europeos, y que ha causado una grave crisis del empleo, afectando a numerosas familias, particularmente a los jóvenes".

Vendo o que foi o encontro, nem sequer a camisola foi a oferta mais importante. No Religión Digital leio que Rajoy ofereceu uma joia daBiblioteca Nacional (espanhola) ao Papa Francisco. Trata-se em concreto de uma cópia da obra "De Aetatibus Mundi Imagines".

Ora, diz o o artigo, “la obra es una crónica del mundo en imágenes realizada por Francisco de Holanda, autor de origen flamenco del siglo XVI”.


“Autor de origen flamenco”? Bem, talvez pelo pai ou avô. Já Francisco de Holanda é portuguesíssimo da silva. Nasceu em Lisboa, no dia 6 de setembro de 1517. E em Lisboa morreu no dia 19 de junho de 1585, já sob Filipe II ( "I de Portugal", como dizia o livro de História do meu pai). O pai dele, António de Holanda, talvez tenha nascido nos Países Baixos, mas mesmo em relação a isso não há certezas.

Isto também é notícia: "Primeiro-ministro de Espanha ofereceu livro de autor português ao Papa".

La Roja para o Papa Francisco


Notícia do DN de hoje. Pensava eu que a próxima cena deste género teria a ver com a Champions. Por estes dias soube-se que que vai haver um jogo entre a Argentina e a Itália para disputar a "Taça Francisco", talvez em dezembro (hã?), e como gesto solidário para com as vítimas de cheias argentinas. É muita bola para o Papa.

Intenção

Qual foi, em relação à história, a intenção originária de Jesus? Queria Ele, com a sua ação e mensagem, mudar a história, ou tentava unicamente mudar os indivíduos suscitando neles a esperança do reino de Deus?

Giulio Girardi

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Bento Domingues: O ser humano não tem cura


Texto de Bento Domingues no "Público" de ontem. "O grande conflito que atravessa todo o AT é teológico. O ser humano não é Deus nem seu rival, é criatura. Precisa de sabedoria, do sentido da boa medida, na relação com a natureza e com os outros, para não cair na loucura. A ordem para não comer da «Árvore da Vida» é para não comer da árvore do veneno. É dizer que não vale tudo. O ser humano tem cura, se tiver juízo".

domingo, 14 de abril de 2013

Jorge Miranda recorda a "Pacem in Terris


Texto de Jorge Miranda no "Público" de sexta-feira, 12 de abril.

A encíclica "Pacem in Terris" fez 50 anos no dia 11 de abril. Deveria ter recordado a data aqui, mas passou-me, como outras coisas por estes dias (incluindo algumas bastante curiosas com o Papa Francisco, mas sobre estas espero ainda escrever). O blogue Religionline recordou a encíclica aqui. E remeteu para alguns destes deste meu blogue.

Bento Domingues: "O ser humano não tem cura"


Bento Domingues no "Público" de hoje (texto na íntegra aqui, amanhã).


Hoje, na Europa, já não temos religião cristã suficiente para a culpar de todos os nossos males. A repetida e gasta retórica da “morte de Deus” também já não assusta nem seduz. Decretou-se, em nome da autonomia da razão, que o ser humano, ser de relações múltiplas, deve viajar sozinho e por sua conta e risco.

sábado, 13 de abril de 2013

Anselmo Borges: "Óscar Lopes e o Transcendente"

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje.


Figura cimeira da cultura portuguesa do século XX, Óscar Lopes deu contributos fundamentais para a linguística, a crítica literária, a história da literatura. Falámos várias vezes. Em 1970, convidei-o para uma "mesa redonda" sobre "a crise da fé hoje", na qual também participou o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes. O que aí fica é uma homenagem ao pensador e professor, a partir dessa "mesa redonda".


D. António Ferreira Gomes, que tinha chegado havia pouco tempo do exílio, revelou que tinha "uma cartinha muito breve do Sr. Dr. Óscar Lopes (não combinámos nada), em que diz que a sua participação seria "um depoimento na primeira pessoa do singular acerca daquilo que durante 50 anos julgo ter crido a partir de um fervoroso catolicismo de infância. Apenas desejaria descobrir o melhor de mim mesmo no melhor catolicismo de hoje, e contribuir para tudo aquilo que deveras nos transcende"." E o bispo do Porto acrescentou: "Nós sabemos que a maior parte da nossa boa gente não transcende. Muitas vezes para o povo a religião no geral não significa nada de transcendente." E, depois de denunciar a religião das promessas, a religião utilitária, afirmou: "A religião cristã, entretanto, o limiar diferencial da religião cristã começa quando alguém se debruça sobre o outro, quando alguém se volta para aquilo que o transcende, seja o outro neste mundo, seja o outro absoluto (a relação ao outro absoluto é exactamente também a relação ao irmão). Por conseguinte, eu tenho para mim que quem procura pôr-se deveras em relação com aquilo que nos transcende está numa atitude religiosa. Desculpe, Senhor Doutor, se o ofendo." E Óscar Lopes: "De modo algum."

Para Óscar Lopes, que deixou de ser cristão por causa da afirmação do inferno, a virtude da fé bem como a da esperança são "inseparáveis do simples facto de se ser vivo e consciente". Citou o amigo Mário Sacramento: "Sim, é com Fé que todos somos homens, quando o somos."

Mas, para ele, a fé e a esperança não implicavam a fé em Deus e na sua Promessa. Confessava-se ateu, no quadro do materialismo dialéctico: "chamo "matéria" àquilo que corresponde ao conceito-limite daquilo donde provenho e daquilo para que tende o objecto do meu conhecimento e das minhas aspirações, quando esse conhecimento e essas aspirações se tornam mais adequadas." Numa linha comparável ao pensamento de Ernst Bloch, o materialismo significava progressismo e disponibilidade potencial de avanço sem fim no sentido da libertação plena: há uma esperança contínua, que está sempre para lá das nossas realizações à vista na História.

Marxista filiado no Partido Comunista, repudiava absolutamente "toda a forma de ateísmo de Estado e toda a forma de perseguição". O que nos une é o resgate de todos os males. O diálogo entre crentes e descrentes é necessário e fecundo para os dois lados: "Não é a mim que compete a apologética da Igreja, mas desejo com a maior sinceridade que ela vença a sua crise institucional de hoje, que ela leve a cabo o seu já hoje tão sensível esforço de desmitificação, de purificação e de dignificação. Se os teólogos mais avisados hoje vêem o ateísmo como uma teologia negativa que aumenta o grau de exigência quanto a qualquer concepção ou representação, sempre necessariamente inadequada, de Deus, os ateus como eu vêem qualquer religião que progrida como uma antítese indispensável para que o nosso materialismo se não converta, ele próprio, numa religião degradada, com o seu ritual, as suas fórmulas estereotipadas, a sua fúria catequística e uma grande suficiência incrítica."

Não acreditava na promessa cristã da ressurreição dos mortos, à sua espera. Mas, perguntado sobre a morte, concluiu: "Eu acredito numa sobrevivência. Há simplesmente esta pergunta: o que é que de mim desejo eu que sobreviva? E a esta pergunta eu não sou capaz de responder. Para mim existe apenas uma esperança para essas aspirações, de que a religião dá aproximações em mitos. Para mim, fica sempre a esperança, mas uma esperança que, em sinceridade, não sou capaz de tematizar, quer dizer, de reduzir a um símbolo, a uma imagem."

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Cruz, biografia e poder

Separar a cruz da história documental, para pôr em relevo o seu significado, é retirar à crucifixão de Jesus o seu poder subversivo.

Christian Duquoc

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Papa, o futebol, o capitalismo e os pobres. E um lema que dá para muitas instituições


Notícia da "Bola", um jornal catolicíssimo que se publica em Lisboa. Neste 1 de abril, trazia três notícias de religião mesmo religião, para além de todas as outras sobre as fés clubísticas, em especial a que  prefere o Salmo 90, que a certo ponto diz: "Ele te cobrirá com suas plumas, sob suas asas encontrarás refúgio. (...) Calcarás aos pés o leão e o dragão".

Um das notícias de religião mesmo religião tem a ver com o Papa, que é sócio do San Lorenzo. Muito se fala desta preferência clubística do Papa. Mas vamos lá ver se ele não vai receber os próximos campeões da Champions, que será um destes clubes: Real Madrid, Barcelona, Borussia de Dortmund ou Bayern de Munique. Todos eles mui católicos, de regiões mui cristãs (talvez menos o Borussia, não sei). E em todo o caso, todos eles símbolo do capitalismo mais selvagem, pois se há atividade mais capitalista e menos questionada é o futebol. Não é bom duvidar de religiões, claro, ainda que o orçamento destes clubes seja maior do que o de muitas nações. O orçamento anual do Real Madrid, por exemplo, é mais de o dobro do PIB de São Tomé e Príncipe. Mas os pobres continuarão  sempre a gostar de futebol.

Muito se fala desta preferência clubística do Papa, mas geralmente os meios portugueses não dizem duas coisas que considero não irrelevantes. Primeiro, é que é um clube fundado por salesianos. Origem católica, portanto. Segundo: há algum jogador em Portugal proveniente deste clube, já que temos tantos argentinos? Não sei se há mais algum, mas só dei com um, que até já nem está em Portugal. Leandro Romagnoli. Veio de lá e para lá voltou. Jogava no Sporting, esse grande clube que tem um lema que também se aplica tão bem à Igreja Católica como ao PCP: Esforço, dedicação, devoção e glória.

E por falar em poder, serviço e povo

Se a multidão sem unidade é anarquia, a unidade que não depende da multidão é tirania.

Yves Congar. Disse-o sobre a Igreja católica.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A João XXIII não lhe doía o fígado

Perguntaram um dia a João XXIII qual era o segredo da sua facilidade em comunicar com as pessoas. E ele disse: "Não sofro do fígado. Não sofro dos nervos. Por isso, gosto de conviver com as pessoas".

Quem escreveu que "Ele é a meta antecipada"?

Quem escreveu isto?

Não podemos mais contentar em analisar o mundo a partir da criação in illo tempore, mas devemos compreendê-lo a partir da escatologia, do futuro presente em Jesus ressuscitado. Nele realizou-se no tempo o que para nós só se dará no fim do tempo. Ele é a meta antecipada. A partir do fim, devemos entender o começo.

a) W. Kasper
b) J. Ratzinger
c) L. Boff
d) J. Bergoglio

Resposta: Leonard Boff, na página 225 de "Jesus Cristo Libertador" (ed.Vozes). Na realidade, penso que qualquer um dos outros três subscreveria estas palavras.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Lá e aqui. "Igreja precisa de mudar", diz Policarpo


No CM de hoje. Até me admira como não insistem que a principal mudança é a conversão pessoal de cada um, frase omnipresente quando se fala de "mudanças na Igreja".

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Bento Domingues: A ressurreição continua

Texto de bento Domingues no "Público" de ontem.

Bom samaritano com bolsa

"Se o Bom Samaritano só tivesse boas intenções, ninguém se lembrava dele. Ele também tinha dinheiro”.

Margaret Tatcher, que morreu hoje, aos 87 anos.

O mundo pós-ressurreição

A fé cristã vive desta presença ["Eu estarei convosco todos os dias até à consumação do mundo", Mt 28,20] e desenvolveu uma ótica que lhe permite ver toda a realidade penetrada pelos revérberos da ressurreição. O mundo tornou-se, devido à ressurreição de Cristo, diáfano e transparente.

Leonardo Boff

domingo, 7 de abril de 2013

J. Sócrates e J. Cristo

Na revista "2" ("Público") de hoje. Eu ri-me.

Bento XVI, mais pronto a ir embora do que a mandar embora

"Eu amei e amo o homem Joseph Ratzinger, que a delicadeza da sua alma tornou tão hesitante, reservado, indeciso, mais pronto a ir embora do que a mandar embora!"



Boa síntese do final do pontificado de Bento XVI, por Francesco Rossi De Gasperis. Lido aqui.

Bento Domingues: "A ressurreição continua"

Bento Domingues no "Público" de hoje:


Desde a sua eleição, a 13 de Março de 2013, o Papa Francisco alterou as expectativas sobre a renovação da Igreja. Do Vaticano, nos últimos anos, só chegavam más notícias. Bento XVI, em vez de varrer a Cúria, trabalhava na sua obra teológica, depois de ter silenciado a dos outros.

Se não for travado e não for uma táctica, o caminho do Papa Francisco pode trazer boas surpresas. A começar pelo próprio nome. Não passa pela cabeça a ninguém que a figura de S. Francisco de Assis possa abençoar aquela Cúria, as suas intrigas palacianas e as supostas lavagens de dinheiro. O nome de um poeta anarquista e maltrapilho para nome de Papa romano roça o surrealismo.

Ler mais aqui, amanhã.

sábado, 6 de abril de 2013

Já que hoje muito se fala de números cá pelo burgo

Palavras que o Concílio Vaticano I não utilizou:
diálogo
amor
fraternidade
historia
leigo
ministério
novidade
serviço
pobre.

Palavras que o Concílio Vaticano I utilizou uma vez:
Evangelho.

Vezes que o Concílio Vaticano II utilizou as mesmas palavras:
amor 131
diálogo 31
fraternidade 87
história 63
leigo 200
ministério 147
novidade 37
pobre 42
pobreza 21
serviço 97
Evangelho / evangelizar 188.

Li num artigo de José Nunes o.p. sobre "A recepção do Concíliovaticano II nos dinamismos de evangelização", na "Communio" de Julho/Agosto/Setembro de 2012, que é sobre os 50 anos do Concílio Vaticano II. A contagem, diz o teólogo dominicano português, foi feita pelo irmão de congregação Yves Congar.

Anselmo Borges: "Desafios para o século XXI"

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje:


São muitos os desafios que se nos apresentam neste século XXI, ao mesmo tempo com imensas vantagens e imensos riscos.

A sua ordem é um pouco arbitrária, mas começaria pela globalização. Pela primeira vez, somos verdadeiramente uma "pequena aldeia". Devido às redes de transportes e comunicações, fluxos de bens, serviços, capitais, conhecimentos e pessoas, os países e os povos do mundo estão cada vez mais integrados numa sociedade global. O que vai então significar a globalização: simples liberalização económica? Que nova configuração vai ter o mundo, com a emergência dos BRICS e, concretamente, das potências asiáticas, nomeadamente da China e da Índia? E o que será da Europa, se não caminhar para estruturas federativas?

A globalização contemporânea, a partir de 1945, tem características próprias e coloca problemas gigantescos, como escreveu A. Sasot Mateus: as tendências monopolistas do capital, a ausência de mecanismos para a fiscalização da especulação financeira à escala planetária, o terrorismo global, a falta de mecanismos efectivos para a resolução dos conflitos internacionais, os problemas ligados à sustentabilidade mundial, a desintegração da coesão social, o desemprego, os défices democráticos nas instituições estatais e supra-estatais e as ameaças à própria democracia devido à subordinação à ditadura financeira, tráficos ilegais de todo o tipo: armas, pessoas, drogas, órgãos, com máfias poderosíssimas à mistura, paraísos financeiros que fomentam a falta de solidariedade e branqueiam capitais de origem duvidosa... No quadro da globalização, com os problemas globais, é evidente que é necessário pensar numa governança global.

Este mundo globalizado, é, também por força dos fluxos migratórios, um mundo multicultural e a questão que se coloca é se vamos entrar num choque de culturas e civilizações ou se, pelo contrário, seremos capazes de abrir portas para uma aliança de culturas, mediante o diálogo intercultural e inter-religioso. Como impedir a homogeneização cultural? Por outro lado, como proteger a diversidade cultural, sem permitir a lesão dos direitos humanos?

E aí está uma nova cultura: a cibercultura, que o sociólogo M. Castells estudou, analisando a estrutura da "era da informação" como "sociedade da rede". As novas gerações nascem sob o impacto das novas tecnologias electrónicas, que modelam a sua visão da existência e do mundo. Navegando por infindos ecrãs de textos e imagens, ligando-se em fóruns de discussão e intervenção, trocando mensagens de simultaneidade generalizada, perdendo a noção do tempo e da realidade mediante a entrada no virtual, marcando encontros cibersexuais, experimentam uma nova revolução em curso. Então, que novo tipo de homem, que nova imagem do corpo, que nova relação com a memória e o tempo? Na relação universal virtual, não se perde a relação com o outro face a face, mergulhando na insuportável solidão? E não cresce o perigo de novas formas de exclusão, com o novo analfabetismo: o cibernético? E no meio de tsunamis de informação, como analisá-la criticamente e distinguir? E não se ergue um risco maior: o de, esquecendo a dimensão vertical, sem referências, a Rede transformar-se, na expressão feliz de João Maria André, num Labirinto?

Outras revoluções estão em curso: a genética e as neurociências - o cérebro é o infindável novo continente em exploração. Poderemos, com as novas tecnologias, vir a vencer a dor, o envelhecimento e a própria morte? Assistir-se-á à transformação da natureza do humano? Caminharemos para o pós--humano e um transhumanismo, que fazem inclusivamente alguns pensarem na possibilidade de uma bifurcação da Humanidade? Os novos desafios: manipulação genética, manipulação da actividade cerebral, investigação em embriões, clonagem, híbridos, criação do super-homem...

Não se pode deixar de apontar o desafio ecológico, quando o planeta está em risco e a Humanidade pode deixar de ter futuro.

Poderá esquecer-se o Transcendente, ao menos enquanto questão? E abandonar a afirmação de Cícero: "res sacra homo" ( o ser humano é realidade sagrada)?

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Mário Soares: "O Papa dos pobres"

Texto de Mário Soares no DN de 3 de abril. Daqui.

Os portugueses sabem que não sou religioso, apesar de o meu Pai ter sido um católico praticante e antigo padre capelão e ter posto uma ação no Vaticano - com êxito - para poder casar-se com a minha Mãe pela Igreja, como aconteceu, tinha eu oito ou nove anos.

Mas não sou ateu, sou agnóstico, por nessa matéria não ter certezas, só dúvidas. Aliás, sempre me interessei pelas religiões monoteístas, do cristianismo ao budismo, dos ortodoxos aos muçulmanos, sunitas, xiitas e os outros. Na minha modesta biblioteca tenho livros de todos eles.

É sabido, de resto, que durante cerca de dois anos fui nomeado, pelo primeiro-ministro Sócrates e pelo ministro da Justiça, Alberto Costa, Presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, onde estive voluntariamente e sem aceitar sequer senhas de presença. Onde aliás aprendi muito, com os membros da Comissão, representantes de todas as religiões, existentes em Portugal. Que são mais do que se julga, desde os católicos aos judeus, dos muçulmanos aos protestantes, aos budistas e aos hindus.

Vem isto a propósito do Papa dos pobres, o italo-argentino, antigo cardeal Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco (em homenagem a Francisco de Assis), antigo jesuíta, hoje chamado o Papa dos pobres. Porquê? Porque a sua mensagem e preocupação desde o primeiro dia do seu mandato são os pobres, os que sofrem por terem grandes carências. É pois o Papa dos pobres e do apego à simplicidade, sejam católicos, ateus ou de outras religiões - como disse e repetiu -, todos são irmãos e filhos de Deus.

É pois um Papa antineoliberal, valorizando as pessoas, em favor do Estado social, sem dar valor ao dinheiro, às riquezas, à ostentação, mas sim aos pobres, independentemente das religiões que praticam e mesmo dos que são ateus, porque, segundo ele, são todos filhos de Deus. Com a sua simplicidade, visitando os presos, lavando e beijando os pés das mulheres e dos homens, como iguais, visitando o seu antecessor, o Papa a que chamou emérito, Bento XVI, Francisco conquistou não só os católicos mas a gente de todas as religiões - e os não religiosos - provocando uma verdadeira revolução pacífica no Vaticano, afastando a ostentação, a riqueza inútil e a corrupção, em favor dos pobres e dos que sofrem, sejam de que religiões forem ou mesmo de nenhuma. A crise da instituição eclesiástica é profunda e deve ser ultrapassada, como disse o teólogo Leonardo Boff. É o que pretende o Papa Francisco.

Confesso que, como não religioso, este Papa me fascina. Como me fascinou João XXIII, que lançou o Concílio Vaticano II. Para varrer a Igreja Católica da corrupção, da pedofilia e da ostentação da riqueza precisávamos de um Papa vindo da América Latina, onde o catolicismo é aberto e progressista, com uma visão anti-neoliberal e anticapitalismo selvagem. Não podia ser da Europa, cujos dirigentes são incapazes e sedentos tão-só de dinheiro e não veem outra coisa. Podia vir do Brasil ou de outro país latino. Mas este enche-me as medidas, com o facto de ter 76 anos e uma experiência imensa que o levou de Santo Inácio de Loyola a Francisco de Assis. Um caminho muito original. Sabe o que quer e tem a coragem de defender o Estado social. E atacar os mercados usurários. Não tem papas na língua e está decidido. Oxalá não o eliminem, como sucedeu com alguns outros. Seria o começo do fim do Vaticano e o descrédito absoluto da Igreja Católica.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Papa em estado de graça


O Papa Francisco está em estado de graça nos meios de comunicação social em geral. Ou em lua de mel, como alguns dizem.  Até Mário Soares a ele se rendeu. Só os tradicionalistas estão descontentes. E também vão dizendo o que pensam (voltarei a este assunto).

O recorte seguinte é do “Jornal de Negócios de segunda-feira”. Há dias, a diretora do “Público”, Bárbara Reis, escreveu que “já todos percebemos — religiosos e ateus — que vamos ouvir este Papa”. Assim seja.


Tradição e mudança


O meu papel - se é que existe - consistirá sem dúvida em ser testemunha da Tradição no meio da mudança; sendo a Tradição completamente outra coisa que uma afirmação mecânica e repetitiva do passado: ela é presença ativa de um princípio a toda a sua história.

Yves Congar

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Prudência, Francisco, prudência


Contaram-me uma vez que quando o anterior superior geral dos jesuítas foi eleito, Peter Hans Kolvenbach, este disse “estou aqui” e apresentou-se apenas com uma mala de mão. Dentro da mala havia uma folha em branco e uma esferográfica.

Lembrei-me disto a propósito do Papa Francisco, que, como já várias vezes ouvi, “parece que é Papa desde sempre”, embora só o seja desde 13 de março. Talvez tenha pensado muito nisso durante os últimos oito anos, se teve votos em 2005.


Por estes dias circula por aí esta comparação dos dois Papas. Não creio que a ostentação seja própria de Bento XVI. Julgo antes que Bento, pela sua humildade, vestia tudo o que lhe apresentavam, sentava-se onde diziam para se sentar e, se alguém lhe dava um chapéu antigo e ele o punha, de imediato iam sacudir o pó de outro ainda mais antigo a pensar que o Papa gostava. Nunca dizia não, mas nas coisas do vestir e aparecer, ele era apenas o quarto ou quinto da hierarquia da moda papal.

Já Francisco, para desgosto dos tradicionalistas sentimentaloides, parece que diz não a muita coisa, principalmente a vestimentas e dourados cujo sentido se perdeu. E diz sim a outras como dar beijos a mulheres como forma de cumprimento. Não tarda nada, estão a pedir prudência ao Papa imprudente.

António Vieira. Amanhã e além, em Lisboa e no Porto






Bichinhos

Quem segue minimamente este blogue sabe que as atualizações não têm decorrido ao ritmo habitual, que é de três ou quatro por dia. Em abril, esta é a terceira vez que escrevo. E é capaz de continuar assim por mais uma série de dias. Depois de uma gripe (em mim), veio e ainda por cá anda a varicela (nos filhos). Os deveres familiares e profissionais são cumpridos no limite, pelo que o blogue, naturalmente, fica para trás.

Agradeço a chamada de atenção do leitor Diamantino Costa para o oitavo ano da morte de João Paulo II, que se cumpriu ontem. Todos os dias há muitos assuntos a que gostaria de dar atenção. Este era mais um deles.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Bento Domingues: "A vida triunfa da morte"


Texto de Bento Domingues no "Público" de domingo passado.

1. Andrés Torres Queiruga, um escritor galego muito premiado, teve, no ano passado, um acidente de trabalho - assim o classificou -, provocado pela Comissão Episcopal Espanhola para a Doutrina da Fé que, por excesso de zelo, se despistou e foi contra ele.

Acontece, com frequência, que a obsessão pela ortodoxia não deixa ver que o verdadeiro inimigo da fé cristã se aloja na mediocridade cultural, nas receitas de espiritualidade acéfala, no rubricismo pseudo-litúrgico esquecido das exigências da linguagem simbólica para dizer a novidade da graça do Espírito Santo e, sobretudo, numa organização económica, social, cultural e política geradora de exclusão.

A teologia viva, criativa, dialogante, como a deste grande intelectual ibérico, nasce da recusa em aceitar que para ser cristão seja preciso continuar culturalmente pré-moderno ou, então, que a negação do divino constitua a condição prévia e indispensável para assegurar a realização social, psicológica, vital, livre e moral do ser humano.

Se para afirmar Deus fosse preciso sacrificar o ser humano, Deus estaria condenado e o ateísmo justificado. Deus, acolhido e celebrado como fonte de vida, foi acusado, na modernidade, de roubar a liberdade, a criatividade e a felicidade ao ser humano. O teólogo não pode recusar a participação numa investigação pluridisciplinar, capaz de apurar as responsabilidades das religiões, das igrejas e da cegueira humana, nessa acusação. A crítica das práticas e representações alienantes da religião pertence ao seguimento de Jesus Cristo. Não há discipulado sem a democratização desta atitude na Igreja.

Crítica não é má língua esterilizante. Para conceber e experimentar novos caminhos e expressões que assumam a tradição no seio da criatividade multifacetada de cada época, ou nos seus desvarios, é indispensável descernimento. Só um Deus de puro amor pode ajudar a humanidade a ser humana.

2. Uma das últimas investigações de A. T. Queiruga censurada - e que merece ser a mais estudada - mostra como a diferença cristã, na continuidade das religiões e da cultura, está centrada numa esforçada inteligência da Ressurreição (1), que nada tem a ver com a reanimação de um cadáver. No seu trabalho, não confunde fé - entrega a Jesus Cristo no seio das contradições da vida - com a pesquisa teológica. Esta implica a crítica rigorosa das linguagens, das imagens e dos conceitos para que as metáforas da ressurreição não sejam idolatradas. São criações poéticas surrealistas que exigem uma ruptura e um salto de significação: Jesus ressuscitado, embora já não esteja dominado pelas leis do espaço e do tempo, é o mesmo que teve um percurso que o crucificou, mas que vive agora, de modo misterioso e actuante, na transformação da existência de quantos o acolherem; a morte não é última palavra sobre a nossa vida. Não nascemos para morrer, mas para vencer a morte. No coração do Deus vivo, seremos os mesmos, mas não seremos da mesma maneira. Deveríamos, por isso, ter a devoção de andar acompanhados dos nossos mortos, que o não são, como gostamos da presença permanente de Cristo.

Dito assim, é só afecto. De forma mais profunda, só as grandes criações da pintura, da poesia e, sobretudo, da música podem sugerir essa nova vida. É nas transfigurações do quotidiano e na insurreição contra tudo o que degrada a condição humana e o seu ambiente que podemos evocar novos céus e nova terra.
Num funeral, só conseguimos dizer coisas convencionais, de pêsames ou de alívio, perante o inevitável. Vemos que tudo acaba e, perante a morte de uma pessoa que nos é muito querida, também morremos um pouco. Onde está a voz, o olhar, as mãos do outro? E nós, o que somos para essa pessoa que tínhamos como indispensável?

3. Perante as dificuldades em perceber o sentido da expressão ressurreição da carne (a ressurreição da pessoa), os pregadores e catequistas têm sempre à mão a tomada de posição de S. Paulo: se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia é também a vossa fé (1Co 15, 14). É um recurso de facilidade, não é um argumento.

Esquece-se que, há dois mil anos, este apóstolo inscrevia a ressurreição de Cristo numa convicção universal: se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. Se não há ressurreição, aqueles que adormeceram em Cristo também estão perdidos. Se temos esperança em Cristo, tão-somente para esta vida, somos os mais dignos de compaixão de todos os seres humanos, argumenta o convertido do caminho de Damasco. Fala, por isso, de numerosas aparições, da sua própria experiência e desenvolve uma retórica fantástica, mas que não pode evitar aquilo a que não consegue responder: dirá alguém, como ressuscitam os mortos? Com que corpo voltam?

Paulo, como não sabe, recorre às metáforas da agricultura, à morte e vida das sementes. O fundo de todas as suas declarações e argumentações é, todavia, retintamente teológico: Deus não é niilista; o amor que nos tem é mais forte do que a morte. Paulo escreveu um poema fantástico, de leitura obrigatória: Rm 8,31-39.

1) Repensar la resurrección, Trotta, Madrid, 3.ª ed. 2005

Para quando a primeira cardeal?

É inovação do Papa a nomeação de cardeal de um bispo auxiliar? O Papa Francisco disse no domingo que vai fazer cinco novos cardeais. Um de...