quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Escuro por entre as estrelas



Ah, não! Nunca pensei senão
Que Deus é essa grande ausência
Na nossa vida, o vazado silêncio
Interior, o lugar onde vamos
Buscar, sem esperança, vamos,
De chegar ao achar. Ele cuida dos interstícios
Do nosso saber, o escuro por entre as estrelaa,


R. S. Thomas, "Via Negativa"

Bíblia nos telemóveis


Notícia do JN de hoje. No sítio (aqui) diz-se que "agora já pode ler, estudar ou rezar pela Bíblia enquanto espera pelo autocarro, na praia ou em qualquer outro lado". Desconfio sempre destas facilitações da oração. Mas se isto servir para aumentar a cultura bíblica já é positivo. E pode ser que sirva para tirar teimas sobre se é em Lucas ou Mateus que aparecem os Magos. É em Mateus.

Afinal, João XXIII usou da infalibilidade papal



Pensava que, até hoje, o único Papa a usar da infalibilidade tinha sido Pio XII. Afinal - leio em Timothy Radcliffe - João XXIII fez uma declaração infalível.
Diz-se que, quando visitou a Casa-Geral dos Dominicanos, em Santa Sabina, e foi ao terraço do Mestre da Ordem, teria dito: "Esta é a melhor vista de Roma e isto é infalível!"

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Esther Mucznik: Uma memória europeia assimétrica

Texto de Esther Musznik no "Público" de 25 de Agosto. Para que a memória nunca se apague. Acrescento imagens de dois aspecto referidos no texto.


 Memorial de Gyula Pauer e Can Togay. Ver magnífica panorâmica nocturna aqui.


Sinagoga de Dohany.

Três histórias do grande Pio XI


Todo o precedente teve um início
Pio XI impôs-se desde as primeiras horas que se seguiram à sua ascensão ao sólio pontifício. Ele quis que a sua antiga doméstica de Brianza, Teodolida Banfi, ao seu serviço há muito tempo, permanecesse como governanta do apartamento pontifício. Foi-lhe explicado que não era conveniente que uma mulher desempenhasse esse serviço, já que não havia nenhum precedente a esse respeito. "Todo o precedente teve um início", respondeu o papa. "Isso não pode impedir-nos, portanto, de criar um precedente".
(Bom para argumentar contra os que dizem que as mulheres nunca serão ordenadas porque nunca foram ordenadas.)

Como fazer aparecer documentos
Pio XI raramente perdia a paciência, mas, quando isso acontecia, todos se lembravam disso por um bom tempo. Como aquela vez em que não se conseguia encontrar um determinado documento nos arquivos do Santo Ofício, e o Papa Ratti convocou um de seus colaboradores, dizendo: "Ou esse papel aparece, ou todos os dirigentes da Suprema Congregação desaparecem". O documento foi encontrado em menos de uma hora.
(Há quem só trabalhe bem sob pressão. É próprio dos latinos.)

Mudança de ares
Quando Hitler visitou Roma, acolhido triunfalmente por Benito Mussolini, Pio XI deu ordens de que nenhuma bandeira fosse exposta nas sacadas dos palácios da Santa Sé, abandonou a capital, retirando-se para Castel Gandolfo, e fez escrever no “L'Osservatore Romano” que o ar do Castelo lhe fazia bem, enquanto o de Roma lhe fazia mal.
(A chamada retirada estratégica.)


De onde vieram estas, o "Vatican Insider", há mais. Estão traduzidas em português aqui.

Os padres passam as férias a trabalhar

No "P2" de hoje:


Fuga mundi

Se hoje tentarmos refugiar-nos dentro das muralhas de uma Igreja-pequena fortaleza, podemos estar certos que Deus a deitará abaixo.



Timothy Radcliffe na pág. 258 de "Ser cristão para quê?" (ed. Paulinas)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

29 de Agosto de 1799. Morre Pio VI

Morte de Pio VI

O Papa Pio VI (Giovanni Angelo Braschi) nasceu no dia 25 de Dezembro de 1717 e morreu no dia 29 de Agosto de 1799. Foi Papa desde 15 de Fevereiro de 1775. Sofreu o embate da Revolução Francesa, em grande parte anticlerical e ateia.

Napoleão pediu-lhe que renunciasse aos poderes temporais. Pio VI não renunciou e foi feito prisioneiro. Depois da passagem por várias cidades italianas e francesas, o Papa morreu em Valença do Ródano (França), mas antes perdoou aos seus opressores.

Para a história fica também a reacção à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. No dia 10 de Março de 1791, Pio VI escreveu: “Há alguma coisa mais disparatada do que declarar uma tal igualdade e liberdade para todos?"

Delmer Builds a Machine

Só para quem tem sentido se humor. De resto o antropomorfismo na representação do divino já deu o que tinha a dar. Repare-se que o jovem actor é Aaron Zachary Philips. Só um judeu teria poder para tal. Como a luta de Jacob.

Padre casa ex-namorada

Há dias alguém dizia que em 2011 não havia "silly season", mas não á verdade. Veio no "Correio da Manhã" de 27 de Agosto.


Ser inglês

Ser inglês, no século XVIII era não ser católico. No século XIX, era não ser francês. Durante a maior parte do século XX, era não ser alemão.



Timothy Radcliffe na pág. 235 de "Ser cristão para quê?" (ed. Paulinas)

domingo, 28 de agosto de 2011

Velho Testamento

A jornalista Felícia Cabrita respondeu ao inquérito da "Pública" (28-08-2011). Eis uma pergunta / resposta:
- Quando quer impressionar, que escritor cita?
- O Velho Testamento. Até eu fico impressionada!

Novos mandamentos

Cartune de Alberto Montt.

Linguagem universal


Não há linguagem universal de pura comunhão a não ser Cristo, e ainda não sabemos completamente falar a Palavra que Ele é.

Timothy Radcliffe na pág. 235 de "Ser cristão para quê?" (ed. Paulinas)

sábado, 27 de agosto de 2011

O Schülerkreis de Ratzinger

Durante este fim-de-semana, o Papa encontra-se com os seus discípulos em Castel Gandolfo para discutir sobre a contribuição da teologia para a Nova Evangelização. A génese, o conteúdo e o alcance destas reuniões do Schülerkreis [círculo de alunos] de Ratzinger estão muito bem explicados num texto do Vaticano Insider.
Ainda há quem se pergunte por que Bento XVI continua, mesmo como Papa, com o desejo de promover o retiro anual com seus ex-alunos, e interpreta esta eleição como um hábito de ex-professor, ou como forma de fidelidade permeada de nostalgia pela própria história. E, sem embargo, precisamente a radiografia do Schülerkreis ratzingeriano, de sua evolução, de sua composição e de seu mecanismo, codificados no tempo, ajuda a compreender aspectos não secundários da sensibilidade humana e intelectual do atual sucessor de Pedro e de seu modo de servir a Igreja.
Ler tudo aqui em português e aqui em italiano.

Estrangeiros

Pode descrever-se os cristãos como sendo estrangeiros não tanto porque pertencem a um outro lugar, mas porque a sua pátria é Aquele que transcende as exclusões de qualquer local particular.


Timothy Radcliffe na pág. 191 de "Ser cristão para quê?" (ed. Paulinas)

Anselmo Borges: Bento XVI em Madrid


Artigo de Anselmo Borges no DN de hoje.

Reunir cerca de um milhão e meio de jovens de todo o mundo, festivos e ordeiros, que se mantiveram serenos durante uma forte tempestade, que ficaram em silêncio recolhido em momentos intensamente religiosos, é obra.
Dir-se-á que foram para conhecer novas terras e novas gentes, conviver, encontrar outras culturas. Pergunta-se: e que mal há nisso?, não é bom que convivam e aprendam o exercício de uma lição maior: o diálogo intercultural?
Deixo aí algumas notas, acompanhado, aqui e ali, do teólogo Xabier Pikaza.
1. É normal que o Papa, representando a unidade da Igreja, queira encontrar-se e dialogar com aqueles por quem é responsável na condução da fé e na dignidade, para animá-los e fortalecê-los.
2. Também a mim "me não parece ideal vir (de facto) como Chefe de Estado, sendo recebido como tal pelas autoridades máximas do Estado; deveria ter vindo como simples peregrino, em viagem 'privada', não oficial".
Qualquer cristão reflexivo terá já sido assaltado pela pergunta: como foi possível o movimento iniciado por Jesus, crucificado por uma coligação de interesses religiosos e políticos de Jerusalém e Roma, ter chegado até um Papa Chefe de Estado?
Mas, dada esta herança histórica, que seja bem utilizada, por exemplo, para defender de modo eficaz os mais pobres entre os pobres. Suponhamos que o Papa, em termos a definir, desembarcava na Somália para um apelo ao mundo e alívio daquela desgraça inominável?
3. Nas visitas oficiais do Papa, são inevitáveis aproveitamentos político-partidários e ambiguidades e até equívocos, que podem prejudicar a laicidade do Estado.
De facto, a visita não foi financiada pelo Estado e é preciso reconhecer que economicamente a Espanha não perdeu.
Apesar disso, continua Pikaza, "penso que do ponto de vista cristão é pouco claro que grande parte dos gastos sejam financiados por uma 'cúpula económica' de tipo capitalista. Trata-se de algo legal, mas cristãmente perigoso, pois coloca a Igreja nas mãos do grande capital, dificultando muito a sua tarefa de denúncia profética, na linha de Jesus".
4. As manifestações dos cidadãos que não estão de acordo são um direito indiscutível. Mas, não sendo o Estado espanhol um Estado confessional, deve respeitar todos os cultos e é normal que ceda ruas e praças para reuniões, no caso, de perto de um milhão e meio de cidadãos.
Os grupos laicos representam uma "racionalidade universal", não religiosa. Na medida em que Bento XVI se tem afirmado constantemente empenhado no diálogo com a razão, prestam-lhe um favor ao dizer-lhe que é possível uma racionalidade não religiosa. "Assim, ao ver as imagens de alguns 'indignados racionais', pensei que me parecem mais próximos do pensamento de Bento XVI do que muitos católicos confessionais de pouca racionalidade." Dito isto, não se pode deixar de lamentar o pouco civismo que alguns mostraram, com gestos e manifestações de paródia insultuosa. Temos todos de participar numa "razão respeitadora, tolerante, universal".
5. Espera-se que, no quadro de uma Igreja que se quer plural e dialogante, o Vaticano não ouça só uma parte da Igreja espanhola, a dos inquisidores.
6. Algumas expressões marcantes do Papa: "A verdade só pode ser acolhida num clima de liberdade. A verdade busca por si o diálogo: escutar e entender o outro." "Não somos fruto do acaso nem da irracionalidade; na origem da nossa existência, há um projecto de amor de Deus". "A nossa atenção desinteressada pelos doentes e aos desamparados será sempre um testemunho do rosto compassivo de Deus." "A economia não funciona só com regras mercantis, mas necessita da razão ética para estar ao serviço do homem." "Há muitos que, julgando-se deuses, desejariam decidir quem é digno de viver ou pode ser sacrificado." "Sabemos que, quando só a utilidade e o pragmatismo se erigem em critério principal, as perdas podem ser dramáticas."

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Bulgakov, o asteróide


Não sabia que Bulgakov era o filho mais velho de um professor de Teologia. Li no “Ípsilon” de hoje. Explica algo da obra-prima que é “Margarita e o Mestre”.

Uma das novidades da rentrée literária é que vai ser publicado na Presença o seu romance “A Guarda Branca”. É neste livro que está parte da biografia do autor russo - a parte que não está em “Margarita e o Mestre”.

O suplemento do “Público”, num texto de Rui Lagartinho, termina assim a peça de onde retirei estas informações:
A advertência vem no final de “A Guarda Branca”: “Tudo passa. Sofrimentos, dores, sangue, fome e peste. A espada vai desaparecer, mas estrelas vão permanecer no céu quando nem uma sombra dos nossos corpos e das nossas obras ficar no mundo. Não há ninguém que não saiba. Então porque não queremos volver os nossos olhos para elas? Porquê?” 
A verdade é que, se olharmos para o céu, veremos Bulgákov. Em 1982, a astrónoma russa Lyudmila Karachina baptizou com o nome dele o asteróide que acabava de descobrir.
O asteróide 3469 Bulgakov já está na Wikipedia.

Senta-te e fecha levemente os olhos

A palavra que leva ao silêncio
John Main
Ed. Pedra Angular
108 páginas

John Main morreu em 1982, em Montreal (Canadá), aos 56 anos. Nascido em Londres, no seio de uma família católica de origem irlandesa, esteve em contacto com as espiritualidades orientais quando foi colocado pelo Serviço Britânico dos Estrangeiros na Malásia, após a licenciatura em Direito. No regresso, tornou-se monge beneditino em Londres. Viveu os últimos anos no Canadá, onde fundou um mosteiro beneditino, para monges e leigos, dedicado ao ensino da meditação cristã.

“A Palavra que leva ao Silêncio” (“Word into Silence”, no título original) é a sua obra mais conhecida. Nela, o monge expõe o significado da oração cristã e propõe “Doze passos para os que meditam”. “Senta-te. Senta-te, tranquilo e direito. Fecha levemente os teus olhos. Senta-te descontraído mas atento…”

Pode-se ler o prefácio do autor no sítio do SNPC (aqui).


John Main (1926-1982)

Antitrindade

Três desses ídolos [cuja adoração deforma o mundo em que vivemos] são o culto do desejo sem limites, a absolutização da propriedade privada e a deificação do dinheiro. Não há nada de mal no desejo, na propriedade privada e no dinheiro: são bens autênticos. Mas se são tidos por bens absolutos, como na nossa sociedade, tornam-se ídolos cuja adoração é destruidora da família humana, uma tremenda anti-religião triteísta.


Timothy Radcliffe na pág. 218 de "Ser cristão para quê?" (ed. Paulinas)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

25 de Agosto de 1270. Morre S. Luís, rei de França


Luís IX nasceu no dia 25 de Abril de 1214 e morreu no dia 25 de Agosto de 1270. Foi rei desde os 12 anos. É o único rei de França canonizado. Conta-se deste monarca uma história sobre o sentido do trabalho que vale a pena relembrar. Ler aqui


Neste dia, mas em 1900, morreu Nietzsche.  E em 608 foi eleito o papa Bonifácio IV.

No princípio era a arquitectura... ou o direito?

Eduardo Souto Moura

Leitor diário do “Público”, escapou-me o seguinte excerto, da edição de 16 de Julho, que mete Deus, Adão e Eva e os princípios de tudo. Copio do blogue Lazer & Labor, de Pedro José (aqui).
O doutoramento honoris causa de Eduardo Souto Moura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Lusíada do Porto, na quinta-feira, teve a pompa e o folclore habituais nestas cerimónias. Os discursos repetiram-se nos adjectivos e no elogio à competência técnica e estética do arquitecto do Estádio de Braga. Mas ele foi também lembrado como “homem de causas, culto, solidário e recto”, como se lhe referiu o seu “padrinho”, o também arquitecto Manuel Diogo. Menos longa e mais colorida do que costuma ser uso, a cerimónia teve também momentos de distensão do formalismo protocolar. Como quando o chanceler da Lusíada e o novo doutor divergiram quanto ao lugar da Arquitectura na genealogia das ciências. António Martins da Cruz, decano da Universidade, explicou por que é que aquela foi a segunda ciência a nascer, logo a seguir ao Direito: este teria sido criado no momento em que Deus “utilizou o código penal” pela primeira vez, quando castigou Adão e Eva depois do episódio da maça [não sabemos se o fruto em causa era uma maça…]; logo a seguir, eles abrigaram-se debaixo duma figueira… Souto de Moura discordou, lembrando que, depois de ter construído o Mundo, Deus descansou ao sétimo dia, e disse: “Agora os arquitectos e os engenheiros continuam. – S.C.A.
Já agora, sobre qual é a primeira ciência, concordo com António Martins da Cruz, que diz ser o Direito. Mas por razões diferentes das apontadas. Ver aqui.

Como a revista "Sábado" viu a JMJ de Madrid

Como a revista "Sábado", na edição de 25 de Agosto de 2011, viu em duas páginas a úlima Jornada Mundial da Juventude, que decorreu de 16 a 21 de Agosto em Madrid. Ou seja, não viu.

Escutar as histórias dos outros


Devemos escutar pessoas que são literalmente estrangeiros, mas também os outros à nossa porta. Os straights devem escutar as histórias que os gays contam e os cristãos as histórias dos judeus ou dos budistas.

Timothy Radcliffe na pág. 237 de "Ser cristão para quê?" (ed. Paulinas)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Bento XVI, líder dos luteranos

Reinhard Frieling

O teólogo alemão Reinhard Frieling, luterano, defende que Bento XVI seja nomeado líder honorário de todos os cristãos. "O sonho da comunhão de todos os cristãos pode-se tornar realidade se os protestantes oferecerem ao papa o papel de chefe honorário da cristandade", disse o ex-líder do Institute Kundlichen, de Bensheim. O Papa poderia “falar em nome da cristandade em situações extraordinárias”, acrescentou.

A ideia não é propriamente nova, uma vez que há dez anos Johannes Friedrich, bispo da Igreja Luterana da Baviera, argumentou que o Papa deveria ser aceite como porta-voz do cristianismo mundial. Seria algo muito positivo. Caminhar-se-ia mais decisivamente para o que Pedro deve ser na Igreja. Regresso às origens, a Pedro na grande "cada comum" ("ecumene").

Em Setembro o Papa vai estar no mosteiro agostiniano em Erfurt, que Lutero frequentou. Vai reunir-se com representantes da Igreja Evangélica na Alemanha e, supõe-se, no ar vai pairar a comemoração do meio milénio da reforma luterana (1517 - 2017). Li aqui.

Hoje, qualquer católico minimamente informado sabe que Lutero tinha razão quanto ao sacerdócio laical, na doutrina da justificação, na leitura da Bíblia, nas línguas vernáculas na liturgia. A Igreja católica seguiu-o com séculos de atraso nestes assuntos (agora parece regredir ao voltar ao latim) e manteve o que de bom devia manter – como a veneração de Maria, o primado de Pedro, a independência da hierarquia em relação ao Estado. Noutros, como o ministério das mulheres e o fim do celibato obrigatório, lá chegará.

Aguardo com grandes expectativas a ida de Bento XVI aos aposentos de São Lutero.

Igreja tem necessidade de um Estado?

Ricardo Alves, no "i" de hoje, coloca questões sérias e pertinentes. Resumem-se nesta: A Igreja tem necessidade de um Estado? A minha opinião: Do ponto de vista de fé e dos evangelhos, não. Do ponto de vista da história, do poder e da política, sim. Mas eu preferiria que não.


Intercâmbio de generalidades?

Um diálogo inter-religioso, no qual se tenha de pôr no congelador as mais profundas convicções para assegurar um fácil intercâmbio de generalidades espirituais, seria uma perda de tempo.


Timothy Radcliffe na pág. 237 de "Ser cristão para quê?" (ed. Paulinas)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A "Mão de Deus" está no centro de Londres

Escultura de Lorenzo Quinn no centro de Londres. Notícia do DN de hoje. O escultor é, como o nome sugere e o retrato confirma, filho do actor Anthony Quinn e gosta muito de mãos. Tem sítio aqui.



Santo António (e o Menino) referido no final da peça do DN:


Anselmo Borges na entrevistas de Verão do DN

Anselmo Borges entrevistado hoje pelo DN na série de entrevistas de Verão. É clicar para ler.




Espaços sagrados?

O Cristianismo liberta-nos de uma religião de espaços sagrados para a vida da Trindade.


Timothy Radcliffe, nas pág. 215 de "Ser cristão para quê?"

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

22 de Agosto de 565. São Columba avista o monstro de Loch Ness


São Columba (521-597) - não confundir com São Columbano (540-615), conterrâneo e discípulo –, irlandês, foi um dos grandes missionários da Escócia.

Segundo a obra “Vita Columbae”, escrita antes de 704, São Columba participou no funeral de um homem que foi vítima de um monstro. E diz a mesma obra que o santo salvou alguém de um monstro que estava no rio Ness, que sai do Loch Ness. O santo terá dito ao monstro, mostrando-lhe um crucifixo: “Tu daqui não passas”. Era o dia 22 de Agosto de 565. Ficou registado como a primeira referência ao monstro de Loch Ness, mesmo que tenha sido no rio e não no lago.

Para outra efeméride neste dia, a qual que também mete uma cruz, trata da salvação de pessoas, mas não é tão lendária, ver aqui.

Filme: Escolheremos a graça ou a natureza?

Ainda não o vi – mas não é filho único – e espero vê-lo em breve. “A árvore da vida”, de Terrence Malick, tem tido imensas referências positivas da crítica e de amigos credenciados. (As destes últimos credibilizam as dos primeiros e valem mais para incentivar a ida ao cinema.)

Volto ao assunto (ver aqui o trailer) porque li mais uma crítica positiva e, vá lá, uma negativa. Ambas vêm do Brasil, onde o filme estreou mais recentemente. A primeira é de Marcelo Gleiser, físico teórico que de vez em quando anda por este blogue (ver aqui, por exemplo). A segunda, em vídeo, é de Isabela Boscov, crítica da revista “Veja”.


O texto de Marcelo Gleiser (lido aqui):
Na semana passada assisti ao filme "A Árvore da Vida", de Terrence Malick. Se existe um gênero de cinema dito metafísico, esse filme é um exemplo perfeito. Algumas das questões mais profundas que foram (e são) feitas no decorrer da história reaparecem aqui, em meio à tribulada vida de uma família de classe média americana da década de 1950. 
Malick nos lembra que o sublime e o trágico usam vários disfarces, alternando cenas de beleza numa rua comum com cenas pesadas. 
O tema central do filme é a perda e nossa relação com ela. Malick contrasta a fragilidade humana com o esplendor dramático da natureza, inserindo uma narrativa da criação que começa com o Big Bang, mostra estrelas nascendo em gigantescas e coloridas explosões, a própria Terra surgindo, o desenvolvimento de criaturas e plantas multicelulares, a era dos dinossauros, até chegarmos ao nascimento de Jack, o filho mais velho da família O'Brien. 
Com isso, Malick nos insere no épico da criação, mostrando que a história cósmica é a nossa história. 
As imagens e a música evocativa (Mahler, Brahms, Couperin, Berlioz, e o tema original de Alexandre Desplat) nos induzem a ver o Universo, a vida e a humanidade como manifestação de um Deus Spinoziano, em tudo e em todos, transcendente. 
No decorrer do filme, testemunhamos vários tipos de perda. O'Brien e sua esposa têm três filhos. Jack é o pivô dramático do enredo, sofrendo constantemente da ira do pai frustrado, que se mescla com um afeto violento. 
O'Brien queria ter sido músico, mas acaba numa fábrica, talvez como engenheiro.Fora a fúria paterna, Jack tem de lidar com a superioridade do irmão mais novo, R. L., que toca violão e desenha muito bem, além de ser mais bonito. Nos ciúmes e adoração que Jack sente pelo irmão, vemos a luta que todos temos com nossas limitações. Lembrei-me da angústia de Salieri ao se deparar com o gênio de Mozart em "Amadeus". 
Já a mãe é uma criatura em constante êxtase beatífico, uma mística que ama a natureza com fervor religioso: "Ame a todos e a tudo. Ame cada folha, cada raio de luz". 
A paz (relativa) familiar é destruída quando R. L., o filho, é morto no Vietnã aos 19 anos - algo que vemos no início do filme. 
A narrativa vai e volta no tempo, e vemos Jack adulto (Sean Penn), dentro de um prédio moderno em Dallas que parece um sarcófago, olhando para fora e perguntando "Onde você está?" ao seu irmão e a Deus. O filme usa muita narração sussurrada, como se fossem preces. Malick transforma a sala de projeção em templo: o cinema sacro. 
O filme nos coloca entre "o caminho da graça e o caminho da natureza". Graça no sentido cristão de generosidade, humildade e bondade, de uma força interna imune a todo o tipo de barreira, ancorada na nossa humanidade. Sem nós, a graça não existe. Já a natureza é indiferente, avança resolutamente, criando e destruindo sem um objetivo final. Nós, frágeis humanos, estamos tentando compreender o significado de nossas vidas. Uma morte prematura é indesculpável.Não precisamos escolher entre a graça e a natureza. Existe uma terceira via, em que encontramos graça na natureza, não apenas através de sua beleza e cada folha e raio de luz, mas por meio da nossa profunda conexão com ela. 
O que matou o pai, figurativamente, mesmo antes da morte do filho, foi ter se distanciado do sentido de graça, da conexão profunda com o que nos cerca, vivo ou não. 
Espero que, das várias mensagens do filme de Malick, uma que perdure seja que graça e natureza constituem um todo indissolúvel. 
Afinal, aqui estamos, criações cósmicas que somos, capazes de inventar o conceito de graça e de viver inspirados por ele. Dedico esse texto à minha amiga Ciça Guimarães.
O vídeo de Isabela Boscov:

"Nenhum deus é falso", diz Marinho e Pinto

Opinião do bastonário da Ordem dos Advogados no "Jornal de Notícias" de hoje. Anda a lembrar-se de muita coisa sem saber porquê. Para ler e criticar. Como dizia alguém, "concordo em parte totalmente e totalmente em parte". Mas onde está concordo também pode estar discordo.

E há erros factuais no texto de Martinho e Pinto. A Igreja continua a não aceitar a pílula para fins anticoncepcionais. A Grécia não é um país católico. Diversos países católicos - seja lá o que isso for - não estão em crise. E espero bem que nem todos os deuses sejam verdadeiros, a começar pelos deuses falsos. Talvez o bastonário tenha descoberto uma metafísica de verdade sem realidade.
  

Humildade e auto-estima

Jean-Louis Bruguès

A humildade cristã não consiste em a pessoa se considerar um verme desprezível. Jean-Louis Bruguès OP escreveu que a humildade é o nome cristão da auto-estima. Graças à humildade, repouso em mim mesmo, satisfeito em ser o que sou. É a libertação da competição, da compulsão de me comparar com os outros. E dá-me uma ambição adequada relativamente ao que posso fazer, libertando-me das fantasias relativas ao que não posso fazer.


Timothy Radcliffe, "Ser cristão para quê?" (Paulinas), pág. 194-5 

domingo, 21 de agosto de 2011

21 de Agosto de 1954. Morre Alcide De Gasperi



Alcide De Gasperi (1881-1954), fundador em 1942 da Democracia Cristã italiana, artífice da reconstrução transalpina após a II Guerra Mundial e um dos pais da Europa unida, morreu no dia 21 de Agosto de 1954.

Em 2009, o cardeal Re contou ao “L’Osservatore Romano” um episódio relacionado com o estadista italiano:

Um dia, a filha Maria Romana pediu ao seu pai o carro para realizar uma tarefa. A resposta de De Gasperi foi: “Não é possível; esse carro não é do seu pai, mas do presidente do Conselho de Ministros”.

Obviamente que não foi por não ter empresado o carro à sua filha que De Gasperi se revelou um grande estadista e modelo para os cristãos que são políticos (corre o seu processo de beatificação). Mas o episódio constitui um pequeno sinal do modo de estar no serviço à causa pública.

Uma identificação que não exclua ninguém

Dizer-se católico é aceitar uma identificaão: kath holon, de acordo com o todo, com a comunhão universal do Reino. É recusar uma identidade baseada na exclusão. Por isso, há um certo paradoxo em compreender ser católico no sentido de não ser, por exemplo, protestante.


Timothy Radcliffe, na pág. 210 de "Ser cristão para quê?" (ed. Paulinas)

20 de Agosto. Dia da morte de três papas

O Papa João XIV morreu no dia 20 de Agosto de 984. Pio VII morreu no mesmo dia, mas em 1823. O último Papa canonizado, Pio X, um dos mais queridos pelos tradicionalistas, também partiu neste dia, mas em 1914. Contudo, 20 de Agosto é mais dia de recordar Bernardo dos vales claros. Aqui.

sábado, 20 de agosto de 2011

JMJ: Queremos ver Jesus


Uma série de cartunes do Hermano Cortés lembra que o mais importante da Jornada Mundial da Juventude, por estes dias em Madrid, é Jesus Cristo. Apesar de tudo, penso que é isso que a jornada de facto pretende.  Ver mais aqui (dias 16, 17, 18 e 19 de Agosto).

Anselmo Borges: Pergunta intempestiva: quando vivemos?

Texto de Anselmo Borges no DN deste sábado (aqui). 

Como chegámos até aqui? As razões são incontáveis. Mas não me canso de repetir que a multiplicação acéfala de instituições de ensino superior foi fatal. O dinheiro corria a rodos e as pessoas interiorizaram que a fonte não secava, e instalou-se um consumismo pateta, estimulado por cartões de crédito, que os bancos davam a engolir. E voava-se a crédito para férias em Cancún. E multiplicaram-se auto-estradas, talvez porque aí era mais fácil corromper e ser corrompido. E não se investiu suficientemente no capital que não se corrompe e que ninguém rouba: o saber, a cultura, o chamado capital humano. As pessoas foram-se encostando ao Estado, pai providente e aparentemente rico. Com políticos menores, as dívidas foram crescendo, crescendo, até os credores começarem a gritar que exigiam que fossem pagas.

Agora, é a esfola. Impostos, mais impostos, novos impostos. E o desemprego a aumentar. E a pobreza e também a fome.


E a maioria da gente a pensar que mais algum tempo de sacrifícios e voltaremos ao sabor da abundância. Quem disse? Afinal, quem manda e decide? Como é possível que o mundo entre em terramoto por causa de uma nota de uma agência de rating? Mas, sobretudo, ainda se não viu que o "trabalho" é um bem escasso, que será necessário, de um modo ou outro, distribuir? Acima de tudo: como é que ainda se não percebeu que, num mundo limitado, não é possível um progresso ilimitado? E toda a gente a correr e a desfazer-se em stress e angústia para trabalhar aqui e ali e não soçobrar na avaliação. Porque, agora, a avaliação é palavra de ordem, como a concorrência. É preciso concorrer, competir. E ninguém pergunta: produzir o quê e para quê e para quem? Precisaremos de tanta quinquilharia produzida?

Mas agora é a ambição - foi sempre, mas não como agora. Ora, lá está a Escritura, na Primeira Carta a Timóteo: "Nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele. A raiz de todos os males é a ganância do dinheiro. Arrastados por ele, muitos se enredaram em muitas aflições."

Não precisaremos de viver mais moderadamente e, para lá do ter, buscar o ser e ser? Já há muito, o matemático e filósofo, Prémio Nobel da Literatura, B. Russell escreveu que bastaria trabalhar quatro horas por dia, e o físico H.-P. Dürr, Prémio Nobel alternativo, disse que precisaríamos apenas de um terço do nosso tempo de trabalho para produzirmos o que é realmente importante. O outro tempo seria para a cultura...

Edgar Morin

Agora, é Edgar Morin, o pensador da complexidade, que, do alto da sabedoria dos seus 90 anos, publica "La Voie", e, a propósito, numa entrevista à "Sciences Humaines", vem dizer verdades imensas.

"O planeta Terra está metido num processo infernal que leva a Humanidade a uma catástrofe previsível. Só uma metamorfose histórica poderá permitir resolver as crises - maiores e múltiplas - ecológicas, económicas, societais, políticas, que ameaçam a própria existência das nossas civilizações em vias de unificação."

As reformas exigidas implicam uma "reforma de vida". De facto, o desenvolvimento é "uma máquina infernal de produção/consumo/destruição". Há um paralelo deste processo no plano individual: trata-se de um desenvolvimento encarado essencialmente como "quantitativo e material", que leva a uma corrida infernal para o "sempre mais" e a um mal-estar no próprio seio do bem-estar. A modernidade ocidental produziu a barbárie do cálculo, da técnica, e não inibiu suficientemente a "barbárie interior", feita de incompreensão do outro, de indiferença.

"As sociedades contemporâneas realizaram em muito o que era um sonho para os nossos antepassados: bem-estar material, conforto. Ao mesmo tempo, descobriu-se que o bem-estar material não traz a felicidade. O preço a pagar pela abundância material revela-se de um custo humano exorbitante: stress, corrida à velocidade, adicção, sentimento de vazio interior."

E volto à pergunta do título: afinal, quando vivemos? Sim, porque, como isto está, não vivemos, somos vividos.

Aprender a conversar

A Igreja deveria ser um lugar onde se aprendesse a conversar - nas nossas paróquias, nas nossas famílias e comunidades -, o que ajudaria cada um de nós a dizer "eu", porque aprendemos a dizer "nós" e vice-versa.


Timothy Radcliffe

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Jesuitismo, o que é?


Vasco Pulido Valente, na última página do “Público” de hoje, escreve:
Passos Coelho continua a viver do medo de uma catástrofe como a que Sócrates nos trouxe, com o seu jesuitismo e a sua hipocrisia.
Esqueçamos a política partidária, que para aqui não me interessa. Mas fiquei intrigado com a aplicação do termo “jesuitismo”. Significará presunção? Convicção? Promoção de intriga? Estratégia?

Parvos, bandidos, ricos, pobres e Bento XVI em Madrid

Duas reflexões na imprensa de hoje sobre Bento XVI em Madrid. A primeira, no "i", sobre os que não gostam da visita papal e se manifestam nas ruas dando mostras de intolerância; a segunda sobre os primeiros pronunciamentos do Papa na capital espanhola, focando a crise económica. Ambas sobre o espírito do tempo presente.


Campeão da humildade

William Bernard Ullathorne (1806 – 1889) 


Um dia perguntaram ao arcebispo Ullathorne, um grande beneditino do séc. XIX que foi missionário na Austrália e bispo de Birmingham, se havia alguns bons livros sobre humildade. O arcebispo respondeu: "Só há um e fui eu que o escrevi".


Adaptado de "Ser cristão para quê?", de Timothy Radcliffe, pág. 195.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Arquivo Secreto do Vaticano mais perto de Portugal

Entrevista da "Visão" (18-08-2011) a José Eduardo Franco, que coordenou a equipa que preparou a edição dos documentos do Arquivo Secreto do Vaticano relativos a Portugal. Ver notícia do "Público" sobre este assunto aqui.

Revolução de 74 na óptica dos bispos portugueses


José Pacheco Pereira colocou há dias no seu blogue Ephemera, que é uma forma de divulgação dos seus documentos históricos, a carta pastoral dos bispos portugueses sobre a revolução de Abril de 74. “O Contributo dos cristãos para a vida social e política”, de Julho de 1974, pode ser lido na íntegra no sítio do historiador e comentador político (aqui).

Curiosamente, não se encontra este documento no sítio da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). Nem este nem muitos outros. O link “documentos” aponta para os documentos publicados na Agência Ecclesia, onde se coligem apenas desde 2000. É certo que a CEP tem os documentos mais antigos (desde o pós-Vaticano II) publicados em vários volumes, mas seria muito mais útil que tudo estivesse on-line.

Beleza e verdade

A beleza é um reflexo da verdade.


Tomás de Aquino (1225-1274)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A nossa água

Tal como os peixes foram feitos para nadar na água, os seres humanos foram feitos para crescer na verdade. É o nosso lar.


Timothy Radcliffe

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Papa versus Darwin

Vi no Rerum Natura  (aqui) e ri.


Como Atanásio disse a verdade aos inimigos e se safou pelo Nilo abaixo

Santo Atanásio de Alexandria


Gosto das histórias e dos pequenos enigmas em que de um problema que aparentemente tem uma resposta de consequências trágicas emerge uma solução criativa de efeitos surpreendentes. Um dos meus preferidos é o seguinte:


Num julgamento, tipo ordálio, dizem à vítima para escolher uma das duas sentenças, escritas em papéis. Num está a condenação, no outro a libertação, garantem-lhe. A vítima sabe que, escolha o que escolher, vai ser condenada porque, na realidade, em ambos os papéis está escrito que é culpada. Qualquer que escolha, implicará a sua condenação. O que faz então? Come um deles.


Lembrei-me disto ao ler, no capítulo sobre a verdade do livro "Ser cristão para quê?" (pág. 172), de Timothy Radcliffe, a seguinte história:
Quando Atanásio estava a remar rio abaixo para escapar aos seus perseguidores, cruzou-se com eles, que iam na direcção oposta. "Onde está o traidor Atanásio?", perguntaram-lhe. "Não muito longe", respondeu e continuou a remar satisfeito. 
Atanásio, o defensor da ortodoxia contra o arianismo, diz a verdade e safa-se.

D. Manuel Martins ao "Expresso": "Estamos atolados num poço sem fundo"

D. Manuel Martins entrevistado pelo "Expresso" de 13 de Julho.


Religião e mundo

Uma religião que se sinta perfeitamente à vontade no mundo não tem conselhos a dar sobre aquilo que o mundo não conseguir alcançar de um modo mais fácil.


Reinhold Niebuhr (1892-1971)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

15 de Agosto de 1917. Nasce D. Oscar Romero



Santo António de Lisboa e Napoleão nasceram este dia, o primeiro em 1195 e o segundo em 1796. Mas quero realçar hoje Oscar Romero, que nasceu em 1917, em Ciudad Barrios, El Salvador. Padre jesuíta e a seguir arcebispo de San Salvador,  morreu assassinado no dia 24 de Março de 1980.


Não sei em que altura escreveu o seguinte texto, mas qualquer altura é boa para o reler.

De vez em quando, dar um passo atrás ajuda-nos
a conseguir ter uma perspectiva melhor
O Reino não só está mais além dos nossos esforços,
mas inclusive mais além da nossa visão.
Durante a nossa vida,
apenas realizamos uma minúscula parte
dessa magnífica empresa que é a obra de Deus.
Nada do que fazemos está acabado,
o que significa que o Reino está sempre ante nós (...)
Isto é o que tentamos fazer:
plantamos sementes que um dia crescerão;
regamos sementes já plantadas,
sabendo que são promessa de futuro.
Assentamos bases que precisarão de um maior
desenvolvimento.
Os efeitos da levedura que proporcionamos
vão mais além das nossas possibilidades.
Não podemos fazer tudo e,
ao dar-nos conta disso, sentimos uma certa liberdade.
Ela capacita-nos a fazer algo, e a fazê-lo muito bem.
Pode ser que seja incompleto, mas é um princípio,
um passo no caminho,
uma ocasião para que entre a graça do Senhor
e faça o resto.
É possível que não vejamos nunca os resultados finais,
mas essa é a diferença entre
o encarregado de obras e o pedreiro.
Somos pedreiros, não encarregados de obra,
ministros, não o Messias.
Somos profetas de um futuro que não é nosso. Ámen.

Agora que a Quaresma acaba